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Sexismo, machismo e achismo: o papel dos gamers e do RPG

Hey, povo da terra! Eu normalmente apareço para falar de jogos e afins, mas hoje eu queria m...


Hey, povo da terra!

Eu normalmente apareço para falar de jogos e afins, mas hoje eu queria muito muito não falar disso. Ou melhor, quero falar disso sem falar disso. Quer dizer, vamos falar disso, mas falando de outra coisa. E, ao falar de outra coisa, também vou estar falando disso.

Ou seja: vamos falar de jogos sem falar de jogos, mas falando de jogos.

Não entendeu? Vem comigo!

A internet cada vez mais se afunda na eterna discussão entre o direito da zueira e a necessidade de respeitar as outras pessoas. Claro, poderíamos entrar naquele clichê de perguntar qual é o limite do humor e citar, por exemplo, uma página do facebook de RPG que fez uma piada relacionando peitos com a presença de mulheres no RPG - e foi acusada de machismo por isso.

Poderíamos, inclusive, passar horas discutindo se isso é humor ou se é ofensa.

Ora, Rafinha Bastos, Bill Blur, Jim Jefferies, Louis CK.... existem dezenas de exemplos de profissionais que misturam o humor com a ofensa - e sempre estão envolvidos em polêmicas.

Mas até mesmo os jogos fazem isso!



Mas quando as coisas passam dos limites?

Protegidos por um senso de que a internet não é o mundo real, muitas dessas mesmas pessoas usam o anonimato - ou sua simples presença na rede - como uma desculpa para cometer verdadeiras atrocidades contra outros seres humanos.

E as vítimas, frequentemente, são as mulheres.


Querem ver um ótimo exemplo?

Alguns de vocês já devem ter ouvido falar na Anita Sarkeesian, uma crítica feminista que constantemente ataca os esteriótipos misóginos nos videos games. Essa mesma mulher, iria dar uma palestra na Universidade de Utah, a respeito desse polêmico assunto.

Sabem o que aconteceu? A faculdade recebeu dezenas de ameças, incluindo "um massacre digno de Montreal".

Sério.


O resultado? A palestra foi cancelada.

Como nós, jogadores ou profissionais da indústria de jogos, podemos achar minimamente normal esse tipo de acontecimento?

Eu não acho. E talvez você também não ache.

Mas certamente milhares de gamers mundo afora acham.

Lá fora, temos o Gamer Gate, que defende a liberdade artística e vive em uma eterna cruzada sem limites contra qualquer um que tente colocar em discussão a presença, por exemplo, do machismo.

E, por culpa da falsa liberdade e segurança de atacar pessoas pela internet, a zueira confunde-se com o ataque gratuito, gerando consequências muitas vezes irreversíveis.


A culpa é de quem?

E é aí que eu me pergunto: nós podemos mesmo lavar as mãos dessa responsabilidade? Eu vou estar certo ao virar as costas e falar que eu tenho o direito da zueira e não é minha culpa se, por um azar qualquer, alguém tirar a própria vida?

Não, eu não posso.

Nós - profissionais da indústria de jogos - temos uma responsabilidade. Vocês, gamers, também têm.

Temos que aceitar debates que acusem o RPG de misoginia. Temos que ouvir o que as vozes contrárias aos nossos ideais têm a dizer. Temos que dar a chance para o outro - seja uma mulher, homem, trans, negro, branco, anão, elfo ou whatever - falar. 

Nós precisamos dar espaço para que o debate seja fomentado. Nós temos essa obrigação. E temos que dar bons exemplos, nos valendo dos meios que possuímos para ajudar a mudar esse cenário.

Lembra do movimento Gamer Gate que eu citei? Weev, um hacker, membro da supremacia branca, é um dos adeptos. Um cara random criou até uma lista no twitter que acompanha os inimigos do movimento.

Por outro lado, eu tenho certeza que existem adeptos do GG que realmente só querem ter o seu direito de jogar um mero jogo de ficção - sem que ninguém queira censurar nada pelo simples fato de ser sexista ou whatever.

Afinal, é apenas ficção.

Então não tem meio-termo?

E eu sei que, assim como eu, muitos de vocês entendem que a ficção comporta espaço para o sexismo, o estupro, o assassinato, e qualquer outra atrocidade que existe na vida real. Diabos, o criador de Game of Thrones seria apedrejado diariamente se achássemos que a ficção não pode tratar desse tipo de coisa!

Mas isso não é sobre censura no RPG ou sobre o direito de fazermos humor. 

Isso é sobre a responsabilidade que nós temos de mostrar para o mundo que esse tipo de comportamento pode sim ser nocivo.

E agora?

Talvez haja espaço para o humor ofensivo. E talvez haja espaço para as piadas sexistas.

Talvez exista hora e lugar para esse tipo de coisa. 

Ou talvez não.

Mas não importa o lado que você esteja: você precisa abrir espaço para o diálogo. 

E por mais babaca que um lado pareça, não entre no erro de transformar isso em ozomi contra as mulheres, privilegiados contra oprimidos ou qualquer outra briga generalizada entre duas classes.

Podemos chamar isso de o efeito Gollum: até mesmo aqueles que estão contra a gente, podem se tornar peças vitais para que a nossa luta dê certo. Diacho, se Frodo tivesse permitido que Sam matasse Gollum, a missão teria falhado!


E os deuses sabem quantos de nós frequentemente desejamos cortar algumas cabeças.

Mas é somente admitindo que pode haver algo de errado com a indústria dos jogos e do RPG, que nós poderemos ter a coragem de encarar as coisas como elas realmente são - e abrir espaço para a intervenção, se ela for necessária.


Então, distribuam seus pontos apenas nas skills verdadeiramente úteis. Se o seu oponente não tiver pontos em Diplomacia e quiser partir logo para o combate, talvez seja melhor pegar sua montaria e sair do campo de batalha. Deixa ele lá lutando sozinho. Ele ainda não sabe que jogar em grupo é muito mais divertido.

Não existem vencedores em uma guerra.

Se precisar, amanhã você tenta de novo.

E essa é a beleza do RPG: nós escrevemos a nossa própria história.

Cheers!
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