A Primeira PerifaCon, o evento que chegou para mudar vidas e conceitos


“A Lua Cheia clareia as ruas do Capão
Acima de nós só Deus, humilde, né, não? Né, não?”

É, meus amigos! Domingo passado no bairro (uma cidade dentro de outra) do Capão Redondo rolou um evento muito especial que tem tudo para entrar na agenda da cidade, a 1º Perifacon.

Perifacon pela Perifacon


Iniciativa de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop no geral que cresceram nas periferias de São Paulo. O evento tem como objetivo levar para a periferia esse universo que historicamente é negligenciado nessa temática. Fomentar a cultura pop, nerd e geek nas periferias de São Paulo, contribuindo para a quebra de barreiras culturais, promovendo o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa.
Cheguei ao local do evento, a Fábrica de Cultura, acompanhado do Kao Tokio do site Drops de Jogos, e do meu véio, também conhecido como Seu Carlos. Esse último de forma tímida ama muito o universo geek e, sendo artista, não quis perder a oportunidade de ver tantos talentos.

Veja algumas fotos exclusivas no meu instagram https://www.instagram.com/p/BvZT4Kdh4Et/

As fotos não dão a dimensão do tamanho da fila para entrar o lugar. Estima-se que 4 mil pessoas prestigiaram esse momento marcante.

A primeira coisa que é preciso pontuar: foi tudo muito bem organizado. Isso não quer dizer que não houve uma falha ou outra, mas a primeira edição do Perifacon deu uma lavada em organização em eventos como a BGS e a CCXP.

No térreo teve espaço para música, apresentações de cosplay (o vitorioso foi Wellington F. Silva, como T'Challa, o pantera negra), o clássico Trono de Ferro, além de artistas com suas pinturas e músicas.

Teve também um espaço para apresentação de jogos eletrônicos, como o Angola Janga, baseado em uma HQ de mesmo nome escrita por Marcelo D’Salete. O jogo conta a história de um homem negro escravizado que precisa fugir do engenho e tem como objetivo chegar até Palmares, você pode ver mais do jogo no face do studio Sue The Real.
Outro jogo apresentado que mereceu atenção foi o indígena, Huni Kuin: Yube Baitana.

O térreo ainda contou com um espaço multiuso com apresentação de séries, clipes, filmes e painéis de debate.

Já no segundo andar, tivemos um espaço para RPG, onde o pessoal ROLEPLAYERS, organizou mesas para ensinar às crianças o hobby lendário.


Nesse andar estavam as ilustrações que colocaram grandes nomes do Rap Nacional como personagens de HQs: o projeto “Rap em Quadrinhos” do youtuber LØAD e do ilustrador Wagner Loud.



Editoras estiveram presente como Jambo Editora, Draco, Companhia das Letras e lojas de acessórios e roupas como Boogie Store e 4P. O espaço para as sessões de autógrafo foi um dos mais procurados.



Já no terceiro piso de atrações, houve um espaço para boardgames e uma sala onde outras mesas de debates ocorriam, temas que poderíamos escutar as pessoas falando um dia inteiro entraram em pauta, como:
  • Produção e Representatividade Negra nos quadrinhos mediado pelo Load, com a presença de Marcelo d’Salete, Marilia Marx, Lya Nazura e Robson Moura; 
  • Mulheres no Mundo Nerd (o mais lotado que acompanhei) que teve participação de Juliana Oliveira do Minas Nerds como mediadora, Raquel Motta, programadora do jogo Angola Janga, Adriana Melo, do Chiaroscuro e Natália Bridi do Omelete;
  • Arte e Resistência que teve Felipe Bento (do jornal Empoderado) como mediador, a grafitera V. Nuvem, Roger BeatJesus do Coletivo Sarau Comics Edition, Clarice França do projeto GIBI de Menininha e o DJ e um dos membros do Racionais MCs, KL Jay.
    (você pode assistir essa mesa aqui )

Esteva na plateia a advogada, feminista e militante do movimento negro Eliane Dias. Ela que esteve à frente do serviço SOS Racismo, da Assembleia Legislativa de São Paulo, é empresária e comanda a produtora do Racionais MCs e a carreira solo do artista Mano Brown.


No penúltimo andar de atividades teve o Beco dos Artistas, onde artistas selecionados apresentaram suas obras. A fila estava enorme mostrando que o público tem um carinho pelos independentes (até imprensa teve que revezar para entrar).



No quinto andar tivemos oficinas, atividades para crianças e treino de Sword Play.

A praça de alimentação ficou no 7º andar.


Como é possível reparar tivemos de tudo, num evento que nasceu de uma conversa de rolê como disse um dos organizadores, o Igor Nogueira, e era para ser uma feira de exposição de quadrinhos.

Onde pessoas de todas idades curtiram um momento de alegria, jovens que nunca jogaram um boardgame ou viram pessoas que admiram quebraram barreiras.

Viram jogos indies feitos com foco na sua própria realidade, na história pouco conhecida. Muito longe do mainstream.



Arrisco dizer que não só a perifa, mas todos aqueles  que amam a cultura e vivem nesse monstro gigante que é SP, com suas cores e valores, ganharam um momento de aproximação e (re)descoberta, construído por muitas mãos e mentes que acreditaram e lutaram, vivendo e sobrevivendo.


Espero que seja o primeiro de muitos e em vários pontos da cidade.

Parabéns aos organizadores e todo pessoal que trabalhou nesse momento mágico

Veja outras fotos do evento na nossa página do facebook:
https://www.facebook.com/pg/rpgvale/photos/?tab=album&album_id=2500905826608090


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