Entrevista com Amanda Reznor

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Chega agora para você o papo incrível que bati com essa pessoa maravilhosa, escritora de mão cheia, podcaster e um monte de outras coisas que vão descobrir.

Com vocês, Amanda Reznor.

Conte sua história para nós, de onde a Amanda veio, como foram os primeiros passos na escrita?

Primeiramente, agradeço pela oportunidade de estar aqui no espaço do Mestre Urbano com vocês! Eu sou paulistana, porém já morei em várias outras cidades no interior de SP e do MT até voltar para a capital, em 2005, por isso tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e culturas diferentes, que enriqueceram minha experiência literária. Como já desde pequena tinha o hábito de escrever, por hobby, venho produzindo textos ativamente desde os dez anos de idade, com projetos que felizmente saíram da gaveta para garantir minha primeira publicação solo - Delenda e o Vale dos Segredos.

Além de escritora, também é atriz, participa de um programa na Rádio Geek, colabora com trilha sonoras. Ta fazendo magia para dar conta de tudo isso? Conte um pouco sobre essas múltiplas funções. Isso se contar que é mãe de 2 crianças lindas, que já devem tomar boa parte do seu tempo, eu tenho um e já toma bastante rs.

Ahhh, simm, quem dera saber algumas mágicas ou ter algum poder de controle sobre o tempo. Realmente, apesar de gostar de me dedicar a diferentes atividades, eu acabo não tendo tempo para todas elas, motivo pelo qual muitos projetos acabam demorando ou ficando pela metade - como algumas antologias que eu estava organizando e o próprio Castelformia, meu segundo livro, que está demorando para ficar pronto.

Mas vou realizando aos poucos e, com persistência, vou concluindo esses projetos; consegui fechar, por exemplo, uma proposta com a Editora Empíreo para dar continuidade à ideia da antologia Sala de Cirurgia (o edital deve sair em breve). Como será por financiamento coletivo, será muito importante ter a colaboração dos leitores para que esse livro venha à tona, com uma sessão de fotos exclusivas e contos originais de arrepiar! Fiquem atentos que será aberta seleção para nova submissão de contos com essa temática

Como é seu processo criativo, de onde vem suas referências?

Eu não tenho nenhum método ou rotina para despertar a criatividade. Agora que eu já tenho um universo próprio - o Vale dos Segredos -, surgem muitas ideias de histórias derivadas dessa criação, como spin-offs.

Tenho tantos projetos abarcando o Vale que só falta sentar e produzir (e tempo, claro rsrs), mas podem esperar coisas bem legais para este ano, como o primeiro livro-jogo com spin-off do Delenda e a conclusão do Castelformia!

Quando me dedico a um tema, assim, gosto de ler e pesquisar muito sobre o que esteja dentro do assunto. Para o Castelformia, por exemplo, como estou desenvolvendo uma distopia futurista e Soft Sci-Fi (ainda mantendo o mistério e o horror, claro, que são meus gêneros favoritos), estou me cercando de livros dentro dessa temática, lendo A Fundação, do Asimov, 1984, do Orwell, clássicos do Huxley, mitologia mundial, contos do Lovecraft e outros clássicos do horror. Estou trabalhando duro na pesquisa para que o Castelformia seja minha melhor produção, até o momento.

Vale dos Segredos, nos conte da sua série de livros. Quantos vão ser? Eles serão sequencia ou cada um uma história separada?

Vale dos Segredos é um universo próprio que comecei a criar aos 14 anos. Ele se concentra em uma região de três montanhas que se fecham em círculo ao redor de um lago, a Alta, Média e Baixa montanhas, e há inúmeras histórias derivadas desse lugar.

Tenho traçada uma linha do tempo com todas as fases que envolveram a região desde a Idade Média, passando pelo presente, com o Delenda, e indo até o futuro, com o Castelformia.

Ainda que sejam muitas histórias, assim, quero manter independência entre elas, para que o leitor não seja obrigado a adquirir todos os livros.

O Delenda, assim, é um livro único do universo do Vale, mas Castelformia será uma série de provavelmente quatro livros, um para cada ano da vida da personagem Anna-Luce na escola da Ordem de Omnia, que fica na Ilha de Castelformia - o acesso se dá pela Montanha Média do Vale dos Segredos.

Seu primeiro livro, Delenda, teve boas resenhas em blogs, como foi esse retorno para você? Como foi feedback da editora?

Fiquei muito feliz e surpresa com o retorno dos leitores! Feliz, porque é um reconhecimento gratificante pelo tempo que me dediquei ao desenvolvimento da obra; e surpresa, porque, atualmente, vejo que poderia ter elaborado um enredo melhor.

Claro que gosto da história, e acho ótimo que os leitores estejam gostando também, mas reconheço as falhas de escrita que tive, em grande parte pela inexperiência na época.

Estou estudando roteiros e literatura teórica para produzir textos cada vez mais profissionais e adequados ao meu público, e acredito que isso promova maior ligação entre os leitores e eu - tenho essa preocupação de agradar, e de produzir sempre mais e melhor.

O primeiro livro é sempre especial, então fale um pouco dele, como surgiu a ideia e a construção?

A ideia do Delenda surgiu no final de 2003, quando eu ainda estava morando em Nova Monte Verde, no Mato Grosso. Eu estava na varanda, de costas para o quintal, enquanto o sol morria no horizonte e o vento batia contra o meu corpo.

Senti arrepios naquele momento, e o crepúsculo me ajudou a passar tensão para o texto, que surgiu na mesma hora, e que se tornaria o Prelúdio do Delenda.

Depois de algumas reviravoltas, voltei para São Paulo e só retornei a escrever o Delenda em 2010, quando finalizei sua primeira versão, conseguido publicá-lá pela primeira vez pela Literata, em 2012, e depois em 2015, pela Madras.

Sabemos que em muitas áreas as mulheres encontram dificuldades para conseguir seu espaço. Como foi para você isso? Não só como escritora, mas atriz e suas diversas funções?

Felizmente, eu não encontrei resistência para dar continuidade às minhas atividades, mas não obtive reconhecimento nem interesse imediatos, trabalhando aos poucos a minha imagem com a publicação de contos e frequentando os eventos literários.

Quando as pessoas estão abertas a se dedicar e lutar pelos seus objetivos, acredito que nenhum preconceito deverá interferir no resultado final. Claro que há exceções e casos extremos, mas, para a maioria, enfrentar a resistência inicial faz parte do processo de provar sua capacidade, e eu prefiro combater essas dificuldades provando que sou capaz de realizar.

Mostrar é, na maioria das vezes, mais eficaz que tentar provar um ponto por embates discursivos. Com paciência e uso adequado das diversas ferramentas de divulgação que temos à nossa disposição atualmente, assim, é possível atravessar o preconceito e conquistar seu espaço, seu público e o respeito dos demais profissionais da área.

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Um dos grandes sonhos de todo escritor é o reconhecimento do seu trabalho não só nacionalmente, mas também no exterior. Tem algum plano para Delenda em outra língua?

Tenho, sim! Não só para o Delenda, como também para todos os meus projetos literários, atuais e futuros. Pretendo ter, no mínimo, a tradução dos meus textos para o inglês, e darei andamento a esse processo assim que o Castelformia estiver concluído.

Qual o próximo passo dos livros, teremos outras histórias depois do Delenda? Pretende escrever algum tipo de livro explicado os detalhes do romance?

Depois do Delenda virá o Castelformia que, embora não seja uma continuação direta, vai contar também sobre o que aconteceu com a Cláudia, que era protagonista do Delenda, mas não será a protagonista do Castelformia - que será um livro muito diferente do Delenda, inclusive.

Enquanto que no Delenda vivemos o horror psicológico e a trama investigativa de Cláudia Blaise, em Castelformia teremos mais aventura e fantasia em um mundo tecnológico e futurista, numa trama vivida pela protagonista Anna-Luce Braux.

E eu tenho a ideia de produzir livros sobre escrita, sim, mas só depois de uma especialização na área. Tenho a intenção de dar prosseguimento aos estudos acadêmicos com um Doutorado em Literatura, e aí acredito que já estarei mais experiente e madura para explicar processos literários a quem se interesse pelo assunto. Então poderei também, por que não, usar os meus próprios livros como exemplo do que fazer (ou do que não fazer)! rs

Sobre o mercado editorial nacional nesse ano que passou, como você viu o mercado? Foi um ano bom?

O mercado editorial brasileiro tem sofrido bastante com a crise e a alta do dólar; por outro lado, essa crise fez com que os editores voltassem um olhar mais atencioso aos autores nacionais, criando muitas oportunidades para os novos escritores do Brasil.

Mais especificamente em São Paulo, estamos presenciando movimentos pela unificação e fortificação dos autores de literatura fantástica, como a ABERST - Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, presidida por Cláudia Lemes, que promete trazer muitos eventos, parcerias e novidades em 2018.

O que podemos esperar de você nesse ano?

Este ano darei prosseguimento ao Criador de Mundos, na Rádio Geek, irei finalmente concluir meu segundo livro, o Castelformia, e projetos como a antologia Sala de Cirurgia e o livro-jogo. Além disso, espero promover e participar de muitos eventos literários, ajudando a movimentar a entrada e perpetuação dos autores nacionais!

E por fim, por favor, deixe algumas palavras para quem ainda não conhece Delenda e o Vale dos Segredos, e não vamos esquecer os fãs, mande uma msg para eles.

Agradeço pelo espaço e pelo interesse e carinho de todos os leitores que dedicaram um pouco do seu tempo para conhecer um pouco mais da minha trajetória e futuros projetos.

Espero conhecê-los pessoalmente um dia, nos eventos, e, por que não, um dia receber um autógrafo dos trabalhos que vocês também venham a produzir - seja literário, artístico, gráfico, tecnológico, enfim... Mas que no que quer que seja que desejarem realizar, que seja um sucesso!


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