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Os Arquétipos de Bartle nos jogos (e quando não utilizar eles) - Parte 2

Anteriormente falamos sobre os 4 arquétipos de jogadores conhecidos como os Arquétipos de Bartle e como eles são frequentemente utiliz...


Anteriormente falamos sobre os 4 arquétipos de jogadores conhecidos como os Arquétipos de Bartle e como eles são frequentemente utilizados para se criar todo tipo de jogo, especialmente os voltados para dispositivos móveis. Então, estamos prontos para a lição mais importante, certo?

Os trabalhos de Bartle representam o primeiro contato de muitas pessoas com o game design, mas frequentemente alguns jovens estudantes tendem a parar por aí, acreditando que a influência de Bartle é tudo o que precisam saber para começar a compreender a mentalidade dos jogadores. Por isso, eu vou fazer um pequeno pedido para você, leitor, enquanto exploramos o incrível mundo dos jogos e jogadores, certo? Certo. Então vamos lá... 

Tire um segundo e reflita sobre tudo o que você já aprendeu sobre os Arquétipos de Bartle e como utilizar eles para criar um jogo. Sério, eu espero.

Refletiu? Lebrou? AGORA ESQUEÇA TUDINHO.

É isso mesmo que você leu: esqueça os Arquétipos de Bartle ao criar um jogo.

As falhas no modelo de Bartle

Apesar de sua imensurável importância, o modelo de Bartle possui algumas falhas, especialmente se formos tentar aplicar esse modelo a jogos que não sejam MUDs. As principais falhas do modelo dos Arquétipos de Bartle são:

  • Ele sugere que os jogadores mudam de arquétipo ao longo do tempo, mas não explica como isso acontece.
  • Todos os arquétipos possuem submodelos que os modelo de Bartle não é capaz de prever.

Isso quer dizer que os Arquétipos de Bartle são inúteis? Não. Você deve ignorar a existência desse modelo? Nope. Então você pode utilizar eles na criação de qualquer jogo? Na teoria, sim. Na prática, eu não recomendo.

Mas antes de você se desesperar e arrancar todos os cabelos do corpo com uma pinça, vem comigo que eu vou te mostrar um outro caminho.

Os arquétipos em três dimensões

Uma maneira alternativa de resolver alguns dos problemas criados pelos arquétipos de Bartle é a adição de uma terceira dimensão para cada arquétipo: as ações implícitas e explícitas.

Ações implícitas: são aquelas feitas sem uma decisão consciente.
Ações explícitas: são aquelas previamente planejadas.

Sendo assim, subdividimos os arquétipos tradicionais em novos grupos.

CONQUISTADORES: Oportunistas
  • Aproveitam as chances
  • Estão sempre em busca de algo, mas não sabem exatamente o que é
  • Tendem a contornar os obstáculos
  • Mudam de ideia rapidamente

CONQUISTADORES: Planejadores
  • Têm um objetivo claro
  • Planejam as ações pensando no futuro
  • Procuram solucionar os obstáculos
  • Tendem a seguir ideias de modo dogmático

EXPLORADORES: Cientistas
  • Experimentam e testam teorias
  • São metódicos na busca por conhecimento
  • Buscam explicações para fenômenos

EXPLORADORES: Hackers
  • Não sentem necessidade de testar ideias
  • Possuem uma compreensão intuitiva do mundo
  • Buscam descobrir novos fenômenos

SOCIALIZADORES: Networkers
  • Buscam interagir com pessoas
  • Buscam conhecer os demais jogadores
  • Aprendem o que os demais sabem
  • Avaliam com quem devem se relacionar

SOCIALIZADORES: Amigos
  • Interagem com quem eles já conhecem
  • Possuem um conhecimento íntimo das pessoas
  • Gostam de ficar com amigos
  • Aceitam os defeitos e fraquezas dos outros

LUTADORES: Torturadores
  • Só pensam em atacar
  • Não são capazes de explicar seus motivos, mas tentam racionalizar com explicações e motivos que gostariam que você (ou eles) acreditassem
  • O objetivo deles é ter uma má reputação

LUTADORES: Políticos
  • Possuem ações premeditadas
  • Manipulam as pessoas sutilmente
  • Se explicam exemplificando suas contribuições para a comunidade virtual
  • O objetivo deles é ter uma boa reputação

E, se você sobreviveu até aqui, já sabe que os arquétipos de Bartle são uma excelente introdução, mas que representam uma simplificação que podem ser muito mais explorada para realmente compreender a mentalidade dos jogadores.

Posso utilizar o modelo de Bartle para criar um MUD? Talvez. Posso usar o modelo de Bartle em um MMORPG? Talvez. Posso utilizar o modelo de Bartle na gamificação? Talvez. Você pode utilizar Bartle na criação da maioria dos jogos, mas a verdade é que, mais do que apenas tentar replicar o modelo de Bartle, é preciso ir a fundo e entender como ele pode ser melhor explorado e qual é a mentalidade do seu público-alvo. Lembre-se: game design é, acima de tudo, uma arte feita para agradar os seus jogadores.

E será que podemos aprofundar ainda mais esse conhecimento?

SIM, NÓS PODEMOS.

Então que tal explorar outros modelos que buscam explicar a mente dos seus jogadores? Bom, separa a pipoca, o refrigerante e me encontra em breve aqui, para a Parte 3 do texto, onde vamos conhecer mais modelos de personalidade dos jogadores e seus criadores.

Até breve!

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