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Dicas de Mestre: Dragonlance, uma aula de literatura e RPG

Mitos evoluem e acompanham a humanidade. Livros nascem de mitos e construções sociais são formadas a cada milênio em torno dos mitos. Co...


Mitos evoluem e acompanham a humanidade. Livros nascem de mitos e construções sociais são formadas a cada milênio em torno dos mitos. Contamos histórias para explicar o universo que nos rodeia, queremos fazer parte do mundo e marcar nossas almas nele.

Existe um mito sobre Dragonlance que afirma que as aventuras vividas na grande maioria dos romances são, apenas, transcrições das mesas de jogo do grupo da Margaret Weis e Tracy Hickman.

Só que a história não é bem assim, o que acontece é que as noites de terça na TSR eram as "noites de jogos", onde as equipes testavam os cenários e os sistemas que eles criavam (assim como novas classes, magias, monstros e novidades no geral). No site oficial do próprio Tracy Hickman dá pra ter uma ideia da alegria que era trabalhar por lá.

Pois bem, onde eu estava?

Ah, sim, a história de que os romances foram criados na mesa de jogo acabaram se tornando meio que uma praga no meio literário, sabe? Uma boa dose de autores decidiu que poderia fazer o mesmo, ainda que não tivesse a mínima noção de estrutura literária e de como escrever um romance.

Eu vou te contar algo: por mais legal, por mais único, por mais sensacional que seja o seu grupo, é IMPOSSÍVEL colocar a sua mesa de jogo literalmente em um romance.

A estrutura do rpg e a estrutura da literatura são muito diferentes, apesar de parecidas. No rpg boa parte das ações dos personagens acontece com todos eles juntos em uma cena (salvo raras excessões, para não matar os jogadores de tédio), na literatura você pode gastar páginas e páginas explicando a origem do mithril (sim, estou falando com você, Reuel), mas se você isolar um jogador por muito tempo ou passar a metade da tarde explicando para os jogadores como funciona uma catapulta, você vai estragar a sua mesa.

O que eu faço, então?



Faça um recorte dos melhores momentos da sua mesa e adapte cenas, falas, momentos para o seu romance. Quer um exemplo no Dragonlance? Quando Raistlin, no primeiro livro, encanta um anão de ravina, na verdade ele usou o feitiço "charm" no NPC e o jogador interpretou a cena tão bem que daria certo colocá-la em um romance.

Você tem que aprender a fazer o mesmo. Seu jogador acertou uma magia que explodiu o covil do inimigo sem querer por que acertou barris de pólvora? Ok, isso é legal colocar. Sua ladra escapou dos guardas com uma série de acertos críticos em acrobacia? Descreva cada fuga!

Fazer o recorte é procurar o melhor momento dentro da mesa de jogo, isto pode ser uma inspiração para um personagem (Kadriatus, do meu romance, O Baronato de Shoah, foi criado assim), pode ser um artefato, uma ação, um vilão e até o plot principal do seu livro.

O meu primeiro romance, O Guerreiro do Dragão, era uma mistura com os personagens de Breath of Fire 3 perseguindo as Lanças do Dragão, que tinham sido roubadas pelo Sephiroth para destruir os golens (de Wild Arms).

É quase impossível colocar isso em uma mesa de jogo, mas dá para recortar momentos da campanha e usar em um romance sim. Basta aprender a fazer o recorte literário necessário e acertar na melhor maneira de colocar isso no seu romance.

Pare de ver seu livro como um todo e perceba algo sobre escrever, algo que já me foi dito por um druida muito sábio "o tempo é feito de instantes dentro de instantes".

E você? Qual recorte escolheria da sua mesa de jogo, se fosse transformá-la em um romance?


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