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RPGQuest: como a Daemon organizou o maior financiamento coletivo de RPG do Brasil

Se você é fã de boardgames e RPGs, provavelmente já sabe que recentemente foi realizado o financiamento coletivo do RPGQuest, um dos RP...


Se você é fã de boardgames e RPGs, provavelmente já sabe que recentemente foi realizado o financiamento coletivo do RPGQuest, um dos RPGs brasileiros clássicos, lançado pela primeira vez nas terras tupiniquins no ano de 2005, pela editora Daemon. O financiamento coletivo juntou quase R$180.000, arrecadando uma quantia superior a títulos bastante conhecidos, como Tormenta, Numenera, Call of Cthulhu, 13ª Era, entre outros.

Mas, entre tantos outros financiamentos coletivos, o que há de tão especial nesse lançamento?

O sucesso por trás do RPGQuest

RPGQuest é um RPG que conta com um sistema bastante simples e prático, voltado para o público iniciante e que está começando a descobrir os prazeres de se narrar e vivenciar uma boa história - você não vai encontrar regras complicadas aqui. Mais ainda, o RPGQuest traz diversos acessórios para tornar a sua aventura ainda mais interessante: o jogo vem com peças para representar os grupos no tabuleiro, tokens para os monstros, mapas, cartas e muito mais. 

A grande vantagem fica justamente por conta desses adereços, que permitem uma experiência de jogo diferenciada. No RPGQuest, o seu grupo pode fazer uso da interpretação clássica dos RPGs ou experimentar o jogo como um boardgame tradicional. E foi justamente essa mistura de interpretação com jogo de tabuleiro que fez com que o RPGQuest fizesse tanto sucesso em 2005, quando foi lançado pela primeira vez: o jogo vendeu mais de 20.000 exemplares em sua primeira edição.

O sucesso do RPGQuest, em grande parte, se deve à experiência do autor com o mercado de RPG nacional. Os mais de 20 anos trabalhando com jogos permitiram que o Marcelo Del Debbio encontrasse o nicho perfeito para o seu financiamento coletivo, refletido no tema da campanha de arrecadação: "Uma campanha inteira de RPG em apenas uma tarde". Unir fãs oldschool que amam o RPG, mas que não possuem mais tempo para jogar o RPG tradicional, com fãs de jogos de tabuleiro foi essencial para o sucesso desse financiamento.

Talvez uma boa parte do sucesso do RPGQuest se deva também a uma tentativa fracassada de boicote, organizada por concorrentes. Felizmente a tentativa de boicote, assim como muitos lançamentos e financiamentos coletivos organizados por essas mesmas pessoas, foi um fracasso completo.

O autor

O RPGQuest é um lançamento da Daemon, criado pelo já consagrado autor brasileiro Marcelo Del Debbio, um dos nomes mais importantes no cenário de RPG brasileiro. Del Debbio é também autor de diversos outros títulos de sucesso, como Arkanum, Trevas, Anjos, Demônios, Vampiros, e diversos outros títulos clássicos dos anos 1990-2000, além de lançamentos recentes que certamente irão agradar aos fãs de jogos narrativos, como um livro de História da Arte e o cardgame Pequenas Igrejas Grandes Negócios. 


O financiamento coletivo no RPG Brasileiro

Para editoras ou autores independentes, o financiamento coletivo cada vez mais é uma das principais ferramentas para tornar possível o lançamento de diversos títulos que conquistam o coração de jogadores do mundo todo. E não estamos falando apenas de empresas pequenas e com orçamento limitado, uma vez que até mesmo a Obsidian tem um relacionamento importante com o financiamento coletivo.

Mas enquanto no exterior esse modelo é utilizado em maior escala para a criação de jogos inéditos, uma análise rápida nos mostra que, no Brasil, a tendência do mercado de RPG é o reaproveitamento de títulos bem-sucedidos no exterior: ou seja, a tradução de jogos já conceituados. 

Não há nada de errado nisso, é claro, e eu não estou criticando a decisão das editoras brasileiras. Com um orçamento, mercado, canais de marketing e conhecimentos limitados, seria muito difícil apostar em títulos inéditos para conquistar o público. E, quando autores nacionais se arriscam, seus lançamentos dificilmente ultrapassam um arrecadamento fraco de R$15.000.

Existem exceções, é claro, como o RPGQuest (Daemon) e o Crônicas RPG (New Order). Há também os lançamentos importados, com capa dura e cores, sempre patrocinados por um grupo coeso e fiel. Por fim, temos os boardgames, com um público já mais velho e maduro, em grande parte representado pelas mesmas pessoas que viram o RPG crescer no Brasil - e que agora estão mais velhas, com obrigações diárias e vida que não permitem mais uma dedicação integral às tradicionais campanhas de RPG.

Se por um lado muitos dizem que "o mercado de RPG morreu", pois tendem a comparar esse mercado à Era de Ouro, quando um Encontro Internacional de RPG juntava mais de 30.000 pessoas em São Paulo, por outro lado há aqueles que dizem que estamos na "Era de Diamante", pois nunca antes o Brasil teve tantos títulos novos sendo lançados por suas editoras. Seja qual for o lado que você apoia, uma coisa é inquestionável: ambos estão corretos, mas com métricas diferentes.

Graças ao financiamento coletivo, hoje em dia podemos juntar um pequeno número de financiadores e tornar possível no Brasil o lançamento de um título importado, sem prejuízo financeiro para a editora (e sem muito lucro também). Isso permite que o número de títulos disponíveis cresça, mas não serve para medir o número total de clientes dispostos a gastar dinheiro nesse mercado.

A maior revista de RPG nacional, por exemplo, encolheu de uma média de 20.000 exemplares para aproximadamente 2.600 assinantes, enquanto o público presente em eventos sofreu uma redução de 30.000 participantes para meros 3.000.  Há aqui uma enorme redução de público do "rpg de mesa" brasileiro, mas, graças ao financiamento coletivo, o público ainda ativo é mais do que o suficiente para mover as engrenagens do sistema e continuar nutrindo o mercado com novos títulos.

Se, do ponto de vista financeiro, isso é lucrativo, interessante ou inteligente, não cabe a nós julgar. Mas, como fã de RPGs, fica aqui o meu agradecimento aos trabalhadores e financiadores que injetam novos títulos em nosso mercado: muito obrigado.

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