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Mudar a etnia dos heróis é um tipo de agressão?

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Os últimos anos trouxeram várias surpresas para a cultura Nerd/Geek. Isso porque alguns nomes importantes de heróis da literatura, cinema ou HQ tiveram sua origem alterada. Alguns se tornaram mulheres, outros ficaram negros - e é desses que vou focar nesse post.  O último reboliço gira em torno de Hermione, personagem da saga Harry Potter, mas posso citar também o Tocha Humana (no deplorável filme do  Quarteto Fantástico) e o Homem Aranha Miles Morales.

Respondendo diretamente a pergunta do título. Sim, mudar drasticamente essas origens e torná-los negros é uma agressão. É violento, por vezes, mas é necessário.

Por mais incrível que pareça, muitos fãs Nerds que se vangloriam do pseudo conhecimento histórico, se esquecem do contexto.  Quando por exemplo os maiores heróis das HQs estavam sendo construídos, em torno dos anos 30-50 o mundo REPUDIAVA a ideia de um negro estar a frente de qualquer história.  No Brasil a grande maioria das manifestações de cultura afro eram proibidas POR LEI. Como a Capoeira, que só pode ser jogada livremente quase no final da década de 50. - Então em 60 a ditadura criou outra lei (justificada pelo que chamamos de democracia racial) que extinguiu por exemplo partidos negros, jornais e tudo mais. 

Do outro lado da América, Luther King marchava para impedir que negros fossem mortos sem nenhuma explicação pela polícia e uma garota, Rosa, brigava pelo direito de sentar no mesmo ónibus que um branco.  Neste cenário escabroso, negros nunca seriam nada além de bandidos.




Toda cultura Nerd/Geek que absorvemos hoje são frutos desse pensamento. É um vestígio semi-consciente de tudo isso e que nunca gerou representatividade.  Eu por exemplo, adorava os Cavaleiros do Zodíaco, mas nunca conseguia me sentir confortável com meus amigos quando brincávamos juntos.  Hoje sou adulto, como espero que a maioria de vocês sejam. Então não me importo muito, mas sei o quanto isso castiga a auto-estima de uma criança e é pra elas que devemos construir novas histórias.

"Muitas crianças negras, quando brincam de super-heróis com seus amigos, não são permitidos no papel de Batman ou Superman, pois eles não se parecem com eles. Mas eles sempre puderam ser o Homem-Aranha, pois qualquer um pode estar debaixo daquela máscara", diz. "Mas agora é oficial. E isso representa uma ótima transformação." -  Brian Bendis, em entrevista ao jornal New York Daily News. 

O roteirista se emocionou quando sua filha adotada, uma garota negra de quatro anos, pegou a máscara do herói em uma loja de brinquedo e disse ser o Homem-Aranha.  Isso é a verdadeira representatividade, e é notório que muita gente não consiga entender. Tipo pessoas brancas que cresceram em um mundo repleto de referências dizendo que elas são reis, princesas, heróis e tudo mais.



Acho louvável J.K. Rowling repensar seus personagens. Ela viveu influenciada por contos de fadas, neles o racismo era muito mais intenso e as culturas africanas quase sempre seriam tidas como diabólicas, como tudo que teria a pele negra.

Infelizmente, acaso você leitor não esteja pensando assim. Você não está pronto para o mundo de hoje, um lugar aonde outras pessoas estão ganhando voz e força e merecem ser representadas na mesma parcela de existência social que compõem o mundo.  E se , pior ainda, você não compreende o quanto esse ato pode mudar a vida das crianças de amanhã, você realmente nunca vai entender do que se trata um Super Herói.
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