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A Falácia de J.K. Rowling e a Hermione negra

Hey, pessoal! Recentemente a gente discutiu aqui sobre a importância da mudança de etnia e...


Hey, pessoal!

Recentemente a gente discutiu aqui sobre a importância da mudança de etnia em muitos casos de herois ou personagens famosos - eu, por exemplo, estou super animado com um James Bond negro e acho que o Idris Elba daria um dos James Bonds mais legais de todos. Pra não citar o Spidey e outros vários negros que são personagens muito bem representados e fodões. E todo mundo sabe da importância dessa representação e eu, particularmente, acho mais do que necessário que isso ocorra em muitos casos.

Muitos.

Mas não todos.

Já discutimos sobre etnias, então vamos começar deixando claro que o foco aqui não é uma discussão racial, mas uma chamada de atenção sobre como a J.K. resolveu se valer disso para aumentar o buzz em cima do seu produto (a saga Harry Potter). Então... vem comigo?

A história



Segundo a autora, ela "nunca especificou" que a Hermione tinha pele branca. Ok. Até aí, seria realmente interessante subverter as expectativas dos leitores e mostrar que, na verdade, a Hermione era negra e os leitores é que imaginaram ela branca o tempo todo. 

O problema é que a própria autora criou a Hermione branca. Sério.

Mas não é bem assim...


"They were there, both of them, sitting outside Florean Fortescue’s Ice Cream Parlor — Ron looking incredibly freckly, Hermione very brown, both waving frantically at him." (Prisioneiro de Azkaban, capítulo 4: O Caldeirão Furado)

Ora, "very brown" e "freckly" são termos usados para sugerir que ambos tomaram sol. No caso de Ron, suas sardas ficam mais expostas, e, no caso da Hermione, sua pele fica bronzeada.

"I love you, Hermione," said Ron, sinking back in his chair, rubbing his eyes wearily. Hermione turned faintly pink, but merely said, "Don't let Lavender hear you saying that." (Príncipe Mestiço, capítulo 20)

Novamente, Hermione fica sem graça e a autora aponta o seu rosto como "faintly pink", que seria "levemente rosada". Hm.... certo.

‘One moment, please, Macnair,’ came Dumbledore’s voice. ‘You need to sign, too.’ The footsteps stopped. Harry heaved on the rope. Buckbeak snapped his beak and walked a little faster.
Hermione’s white face was sticking out from behind a tree.
‘Harry, hurry!’ she mouthed.
(Prisioneiro de Azkaban, capítulo 21)

Epa... o "Hermione's white face" é literalmente "rosto branco de Hermione"!

E eu poderia continuar adiante, mostrando, por exemplo, um rabisco original dos personagens, feitos pela própria autora em 1999...


... um rabisco de A Pedra Filosofal, liberado em 2004....


... entre mil outros detalhes, como a autora poder desde o começo ter vetado a participação da Emma Watson e escolhido uma atriz negra ou parda, que poderia ter sido uma ótima ideia também.

Seu racista!!!!!!!!!


Sim, a primeira vez que eu apresentei esse ponto de vista fui chamado de racista, mas a gente sabe que bater o pé e brigar é o que crianças fazem quando não podem argumentar, não é? Então pisem no freio e vamos lembrar: esse texto não é sobre a raça, é sobre a arte de contar histórias.


Isso mesmo: contar histórias. Como escritores, precisamos ter em mente que, às vezes, nossas histórias precisam sofrer alterações, mas isso não necessariamente significa fingir que o passado nunca existiu, oras! Existe uma diferença enorme entre "trocar" um personagem e fingir que ele nunca foi o que você disse que ele era, só para parecer mais cool e pseudo-politicamente correto.

Thor, o poderos*cof*.. a poderosa deusa do trovão!


Thor é um excelente exemplo disso! O Thor que conhecemos virou mulher? Não. Mas o Thor perdeu o direito de brandir o martelo sagrado e, por consequência, perdeu o posto de Thor. Logo, esse posto foi assumido por uma mulher, mais digna do que ele. Você pode gostar ou não da nova Thor, mas os autores deram um motivo para o ocorrido.

James Bond


James Bond, o agente secreto que está nas telas e na literatura há mais de 40 anos pode virar um negro magicamente? Não. Mas os roteiristas já falaram que "007" pode ser um título e, após a saída do antigo agente, um novo espião assumiria o comando. Vai ser essa a explicação oficial? Eu não sei. Se fosse, seria boa? Talvez. Particularmente, eu acho que sim.

Ok, mas o que você quer dizer com isso?


Eu quero dizer que escritores e roteiristas devem lembrar que contar histórias é uma arte. Você quer mudar a cor de um personagem seu? Ótimo! Quer mudar o sexo? A opção sexual? Maravilha! Não há e nunca haverá nada de errado nisso, até onde eu sei.

Mas não basta aparecer do nada e "ops, a Hermione era negra, vocês é que erraram" e jogar a culpa pra cima dos leitores. Como exemplifiquei ao falar de Thor ou James Bond, é preciso criar uma história para o seu personagem, dar explicações aos leitores, usar a arte de contar histórias para manter o nexo do seu personagem. É essencial usar o poder de contar histórias até mesmo para contar uma história legal.

Oras, se o Super Choque virasse loiro, o público estranharia. Se o Super Homem virasse asiático, o público estranharia. Se o Professor X virasse um índio cabeludo, o público também estranharia.

Isso se deve ao fato de que os personagens levaram anos para adentrar o imaginário popular e se construir toda uma semiótica ao redor deles. Mudar isso é possível, é claro, mas é preciso contextualizar a história e dar um sentido para a sua mudança, como foi exemplificado nos casos do James Bond e Thor.

O que não dá é pra tratar seus leitores como pedras e dizer que eles se enganaram só pra você se posicionar a favor de uma raça ou opção sexual. O nome disso não é inclusão: é marketing.

E usar uma raça ou opção sexual meramente para vender seu produto ou se autopromover não é inclusão: é babaquice.

Não trate os seu consumidores como idiotas. Eles sabem ler.

Cheers!

Nerd 5819428802882572400

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