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Taberna RPG Vale: O prazer de ler RPGs

Não é preciso literalmente jogar um RPG para que ele atice a sua imaginação, então por ...



Não é preciso literalmente jogar um RPG para que ele atice a sua imaginação, então por que livros de RPG não são considerados literatura tradicional?

Assim como muitos de vocês, eu sou um fã de RPGs, mas raramente consigo parar e montar uma mesa de jogo com os amigos. D&D, Call of Cthulhu, Vampiro, Lobisomem, Cyberpunk e muito mais. Eu me encanto com as palavras e as ilustrações, e mergulho no mundo de um RPG da mesma maneira que mergulharia em um livro de fantasia.

E é exatamente por isso que me surpreende quando RPGs são deixados de fora em uma discussão sobre livros favoritos. Ora, os nossos adorados livros de RPG são um perfeito exemplo do que é conhecido como "literatura ergódica".

E o que é isso?

Literatura ergódica é um termo criado por Espen J. Aarseth, em seu livro Cybertext. Nesse estilo de literatura, é necessário um esforço não-trivial do leitor para que este mergulhe no texto escrito. Na literatura tradicional, o leitor meramente lê o que está escrito e já compreende o texto.

Livros-jogos são literatura ergódica, porque exigem do leitor que este atue ativamente no universo. Livros com mapas extensos, que exigem que o leitor veja tabelas e imagens para entender a história, também são literatura ergódica. Mas os livros de RPG - e isso inclui os manuais - levam a literatura ergódica ao limite!



Colocando de lado a narrativa e o storytelling, que são substituídos por descrições detalhadas, os livros-manuais de RPG oferecem uma imersão sem precedentes na literatura.

Para Junot Díaz, escritor e professor de Escrita Criativa do MIT, os RPGs foram "um aprendizado em storytelling", onde ele "aprendeu detalhes essenciais sobre a arte de contar histórias, dando ao leitor espaço o suficiente para atuar". China Miéville, premiado autor inglês com participações nas HQs de Hellblazer e Liga da Justiça, credita ao RPG sua "mania de catalogar mundos fantásticos".

Eu não começo com papeis e calculadoras como um mestre. Eu começo com uma imagem, o mais irreal e comovente possível, como os surrealistas. Então eu a sistematizo e vou para um tipo diferente de tradição.

Grandes escritores de RPG dão aos leitores ferramentas para que eles também possam se tornar grandes storytellers. O RPG indie Swords Without Master é um excelente exemplo disso: em algumas páginas, o livro disseca a estrutura narrativa da fantasia heroica em seus arquétipos primários. Mais ainda: Swords Without Master leva o RPG para além das regras e dados, mergulhando fundo no puro ato de contar histórias.

Você emerge de Swords Without Master não apenas com a nítida sensação de que compreendeu todas as nuances da fantasia heroica, mas também com o sentimento de que você passou um bom tempo imerso em um mundo próprio.

E alguns RPGs indies são apenas a ponta do iceberg.



Quando a 5ª edição do Livro do Jogador de D&D foi lançada em 2014, ela ficou em 1º lugar na Amazon. Além disso, os RPGs continuam a dominar o mundo dos videogames, espalhando cada vez mais os seus elementos em o que antes eram gêneros separados - dando origem aos action rpg, fps rpgs, adventure rpgs, etc.

A literatura tradicional pode aprender com o RPG?

O sucesso da literatura ergódica chegou ao mainstream com o lançamento de House of Leaves, de Mark Danielski, mas mesmo assim a literatura continua apegada ao modelo tradicional de estrutura narrativa. 

Novas narrativas têm se infiltrado na cultura pop, com HQs e mega-romances dominando o cinema e os seriados recentes. E que inspiração melhor para inovadoras experiências narrativas de leitura do que os misteriosos mundos do RPG?




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