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Entrevista com o autor Aldemir Alves

Siga @D_DarkWolf Saudações roleplayers, hoje em nossa taverna temos um convidado especial! O con...



Saudações roleplayers, hoje em nossa taverna temos um convidado especial! O contador de histórias Aldemir Alves passou por aqui para bater um papo com seu amigo bardo sobre universo editoral e falar um pouco sobre o futuro da trilogia Os Livros Esteros.

1 – Recentemente você lançou o segundo livro de As Crônicas de Fedors intitulado O inicio da esperança. O que você poderia nos dizer sobre este novo arco da história?

Primeiramente obrigado Daniel, e todo o pessoal do RpgVale por essa oportunidade.

Desde as primeiras páginas desse livro eu tinha em mente que esse segundo tinha obrigação de superar o primeiro, tanto em história quanto coerência dos fatos. No começo da trilogia eu pensava em como prender atenção do leitor, afinal fantasia é um gênero muito explorado e como eu poderia conseguir um espaço em meio a um tema repleto de boas obras e escritores fantásticos? A figura do herói é muita usada nesse tipo de literatura, e talvez se eu pudesse criar algo mais frenético, ousado, épico... Talvez isso pudesse diferir Esteros de outros ótimos livros no mercado. Acredito que acertei em muitos pontos e mesmo usando uma formula tão explorada, o livro possui seus méritos.

O arco da história foi levado para um lado mais “poético por assim dizer”, nesse livro eu quis passar ensinamentos, eu tentei mostrar que é possível superar qualquer obstáculo na vida, até mesmo uma tragédia como o ocorrido na vida de Andor. O carisma do personagem despertou o afeto de todos e nesse livro podemos aprender que nunca é tarde de mais para tentar outra vez, sempre haverá esperanças em um novo dia.

2 – Em seu primeiro livro você buscou dar destaque ao surgimento do vilão ao invés do herói, sendo que o segundo livro já ocorre o oposto. Como foi realizar essa inversão de valores dentro da narrativa?


É como eu disse; talvez a figura do vilão pudesse despertar maior interesse, ser impactante. A história no primeiro começa juvenil ao ponto de o leitor pensar que nada vai mudar, como se fosse um livro Juvenil de criança, com diálogos despretensiosos e uma narrativa pouco ousada. Vamcast é o grande vilão, ele não se importa com as opiniões dos outros, não quer mais ser o bonzinho deprimido, ele se torna o Bad Boy medieval, rancoroso, odioso, nervoso e assassino. De alguma forma ele herdou a grandeza de seus antepassados, mas como não podia usar a favor de seu povo, ele usou a quem lhe deu uma oportunidade. As coisas vão mudando conforme a trama progride, e o leitor quando menos esperar, estará presenciando o nascimento de mais um vilão da literatura, um que talvez um dia possa vir a ser reconhecido.

Andor foi mais natural já que vi muitos animes e seriados sobre os mocinhos. Arthur, He-Man, O senhor dos anéis com Frodo Bolseiro, e outros. O mocinho geralmente é calmo e precisa engolir tudo, fica sofrendo, guardando tudo para si só, mas é como aquele ditado: “o que não mata fortalece”, a evolução de Andor foi natural e lenta, mas enfim, ele se redescobriu e percebeu que se alguém precisava fazer algo, esse alguém era ele.

3 – As Crônicas de Fedors tem ganhado boa repercussão nos últimos tempos. O que você vê como maior responsável pelo sucesso de seus livros?

Acredito que são somente pelos leitores que estão começando a olhar com outros olhos para essa história. No começo era tudo calmo, ninguém se importava muito com a trama, e poucos tinham vontade de se aproximar. Conforme o tempo foi passando e os leitores surgindo, através das resenhas e especulações a história começou a crescer no cenário de fantasia medieval. Ainda há muito que conquistar, o livro está na marca de 2,000 mil cópias comercializadas recebendo a 3º edição, não é um fenômeno da literatura, mas se olharmos por outro lado da moeda, onde meu livro está limitado em algumas poucas livrarias online e sebos, ele até que foi bem. Os leitores brasileiros ainda preferem os livros estrangeiros, ainda olham torto para o título: “ Os livros de Esteros”, mesmo não tendo comparação alguma com Game of Thrones sou constantemente acusado de plágio. Mas poucos realmente sabem que Esteros é uma reserva florestal na Argentina e não existe nenhuma intenção de copiar o Mestre da literatura contemporânea. Talvez até pelo Título similar, algum personagem parecido, o livro tenha chamado atenção, assim como de tantos outros chamaram ao se assimilar aos clássicos. O bom de tudo isso é que quando o leitor realmente dá uma chance a Esteros, eles acabam descobrindo que o livro segue seu próprio caminho e as comparações ficam somente no título mesmo.

4 – Como escritor, existe alguma filosofia de escrita que você busca seguir?

Bom eu realmente busco a minha simplicidade na escrita, eu me considero um amador das letras. Eu sempre li muito fantasia medieval e talvez de alguma forma Bernard Cornwell tenha me contagiado recentemente, quem leu os livros dele pode perceber muito isso. Se bem que eu não gosto de ser intenso demais quanto ele, e nem explícito demais quanto R. R. Martin, eu prefiro seguir mais o estilo de Tolkien, épico e diversificado. A minha filosofia é ensinar aos leitores que toda ação gera uma reação, Vamcast é um monstro implacável, mas talvez por outro lado à culpa não seja somente dele. A mensagem que Esteros traz será capas de gerar diversas interpretações na mente do leitor.

5 – Mais do que o autor de livros, você é co-editor da editora Selo Jovem. O que você poderia dizer da experiência de ser um escritor e ao mesmo tempo estar participando do processo editoral.

Ah, isso é bom demais! Eu sempre gostei muito de escrever e no começo nem tinha intenção de publicação, porque isso me dava calafrios. Escrever só para si próprio é um sonho realizado, uma conquista pessoal. Agora deixar isso profissional pode se tornar dor de cabeça, o autor precisara entender que se tornou uma pessoa pública, e muitos (inclusive eu) podem não estar preparados para isso. Ser autor é algo muito gostoso, é divertido e quando alguém gosta do livro a sensação é indescritível, mas todos, sem exceção, ficam tristes e pensativos se fez a coisa certa quando alguém leva para o lado pessoal e o atinge com críticas destrutivas e cruéis. Ser autor tem seu lado bom e ruim, mas eu não penso em desistir jamais, pois ao escrever meus livros eu me divirto muito e só o faço mesmo porque gosto, por amor e satisfação própria.

Trabalhar no mercado editorial tem seu lado complicado porque você acaba sendo um dos responsáveis pelo sucesso/insucesso dos outros. É difícil querer falar algo, dá dicas e mudar o estilo de alguém sendo que não somos perfeitos e temos as nossas falhas. O autor na maioria das vezes não deixa o editor modificar nada, não aceita o revisor impor o uso correto da gramática (eu até entendendo porque sou leigo no assunto, e sei que mudar o estilo da gente é algo inaceitável, rs), o problema é que tudo acaba mesmo caindo nas costas do editor. Mesmo que o editor não seja o escritor do livro, o revisor que trabalhou na obra, ele acaba ficando com toda a culpa. E também tem a questão das vendas ruins, resenhas ruins, má aceitação do público... Enfim o mercado literário é algo muito complexo.

Ah, mas tem o lado bom. Você vai poder ler livros antes de serem publicados =D poderá conhecer pessoas de outras editoras e aqueles autores que sempre foi fã. Eu estou curtindo muito o cargo de Co-editor e consegui trazer ótimos livros ao mercado literário em intermédio com a Ed. Selo Jovem.

6 – Falando um pouco sobre mercado, quais são os maiores desafios de ser um escritor no Brasil atualmente na sua opinião?

O maior problema é que o mercado não é 100% aberto para os escritores brasileiros. A coisa está mudando na visão dos leitores, o autor nacional tem conseguido agradar e até mesmo cair no gosto de muitos. Mas a coisa complica mesmo quando falamos em mercado varejista.

Ex: distribuição e espaços nas livrarias. Quando se fala em espaços nas livrarias a coisa fica complicada, não é nada de novo, isso já acontece há muito tempo, mas imagine se pudéssemos conseguir um destaque melhor? Ao invés das estantes estarem lotadas de autores estrangeiros tivesse espaços melhores para os nacionais? Se procurar em 10 redes de livrarias em Shoppings e grandes centros verá que em apenas 1 delas é possível encontrar Paulo Coelho e outros autores, mas na maioria só há livros internacionais. Isso acontece porque o mercado não vê lucro nos livros escritos por brasileiros. O Brasil é consumidor de cultura estrangeira e só importa, não exporta quase nada. O marketing lá fora é forte e atinge muito nosso país através de mídias digitais, seja ela cinematográfica ou através dos games e softwares. Nós não temos mesmo como competir, a não ser que seja a longo prazo.

7 - Você acredita que a busca de livros de autores nacionais está crescendo? Quais seriam os motivos?
Sim está aumentando. O motivo é simples: existem muitos brasileiros escrevendo e publicando seus livros. Acredito que pelo menos 50% dos leitores são escritores e devido ao ingresso na literatura acabam tomando gosto pela leitura e o preconceito desaparece já que também são Brasileiros. Existe um movimento grande em prol da literatura nacional, e a maioria desse crescimento é atribuída pelos próprios escritores. O Governo e seu Ministério da Cultura não tem nada haver com esse crescimento, é apenas mérito dos autores e leitores.

8 – Poderia nos dizer se possui planos para outros trabalhos no futuro além de As Crônicas de Fedors?


Tenho sim, inclusive tenho um livro em produção e está bem adiantado. O título é O portal de Oriun e conta uma história de fantasia mais juvenil utilizando mitologias consagradas, ex: mitologia nórdica, Grega, Egípcia, e por aí vai. O livro inova porque o cenário é pós-apocalíptico, ou seja, a história se passa após o Ragnarök.

9 – Gostaria de deixar uma mensagem final para nossos leitores?

Eu gostaria de agradecer a todos pelo espaço, por terem lido essa entrevista e por acreditarem no talento nacional. Somente os leitores desse país são capazes de mudar o cenário da literatura atual. Nós temos aqui muitos talentos, há muita gente boa envolvida na criação de histórias baseadas em RPG. Não precisamos ficar dependentes do exterior para termos uma boa experiência literária ou nos games. Há empresas de entretenimento crescendo e muitas delas só precisam de incentivo e público. O Brasil é um berço de talentos e chegará um dia que seremos exportadores de cultura e diversão.

Abraços literários e que Zeus abençoes a todos!  
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