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Como transformar seu RPG em uma série de Livros. Conheça o caso de IRMEN PANDORA

Uma coisa que há de comum em todo RPG é que, de variadas formas, todos contam uma ou mais históri...


Uma coisa que há de comum em todo RPG é que, de variadas formas, todos contam uma ou mais histórias, todas elaboradas com a ajuda de mais de uma pessoa, ali, simultaneamente improvisando as ações e diálogos de seus personagens para cada situação que o mestre (ou até mesmo outros jogadores) lhe proporciona. É um dinamismo de storytelling raríssimo de se encontrar em outros meios como filmes ou livros, pois não há um plano comum; cada personagem tem suas virtudes e seus jogadores são membros ativos na história, que irão atrás de seus objetivos de forma que pode influenciar outros personagens ou a intenção principal do mestre de maneira imprevisível.

A história fruto de um RPG é algo que seus próprios autores não podem prever com total segurança. Essa característica as torna únicas, intimamente pessoais, e as diferencia das demais onde um único autor planeja o desenrolar do seu enredo e o destino de cada personagem. E, por isso, são naturalmente interessantes. O único problema: poucas pessoas, além de quem participou do RPG, vão conhecê-las!
Meu nome é L. Phellps, e estou aqui para contar como o RPG que joguei se tornou um livro.

O RPG

Tudo começou no dia 7 de Janeiro de 2012. Todos de férias em seus respectivos trabalhos e faculdades, bastante tempo sobrando e vontade de RPG. Temos um grupo fixo e pequeno para RPG, contando com três pessoas. Um de nós sugeriu a ideia de um RPG colegial, sobre uma escola particular para ricos numa ilha privada, longe de qualquer supervisão parental. Cenário perfeito para os dramas sociais mais pitorescos. Então como você cria seu personagem? Socialmente dominante, cujas armas são a sagacidade e o carisma ao invés de força bruta, com seus problemas passados que poderiam vir à tona na história no momento mais inconveniente.

Mas então... O que acontece quando o mestre começa a mostrar que o RPG não é exatamente o que aparenta?


Coisas suspeitas começam a acontecer, os personagens dos jogadores acabam se envolvendo e logo descobrem que estão se metendo com algo maior que eles. Então seu personagem começa a mudar. Não de uma forma previsível. Seu personagem nunca foi semi-preparado para o que viria, afinal, você o criou para um propósito completamente diferente. Ele muda não por definição, mas por necessidade. Tudo ocorre de forma natural. E então o jogador também acaba mudando.

Trecho da ficha do protagonista, obviamente preparado para encarar uma seita de lunáticos (só que não).

E, inevitavelmente, certas coisas seu personagem não pode mudar: admito que atravessar o RPG com Percepção 7 quando muito do que meu personagem fazia era investigar às vezes se tornou frustrante!
Como nosso foco era mais na interpretação do que na mecânica do RPG em si, o sistema que usamos era o Daemon, por ser bastante versátil e simples para o que iríamos precisar.
Uma sequência continua de evolução de personagem foi o que aconteceu durante o RPG então chamado de Irmen Pandora, o nome da escola onde a história se situou e seu dono. O grande problema; uma misteriosa seita cujas atividades ilícitas eram feitas às escondidas nas entranhas da ilha. O RPG, contando com 79 sessões jogadas através de um programa para RPG online, teve sua última sessão em 10 de Novembro daquele mesmo ano, e uma história longa e que nos prendia tanto que passávamos nossos dias pensando no que aconteceria depois e com nossos personagens.
E então o RPG acabou, e nós achamos o resultado tão bom que sentíamos que seria um enorme desperdício deixá-lo guardado apenas em logs de sessão. E agora?


O LIVRO


Então a decisão que pareceu mais óbvia a nós foi de que adaptar o conteúdo dos logs para uma narrativa mais linear num livro seria a maneira mais acessível. Eu me dispus a reler todos os logs e reescrevê-los numa narrativa que melhor caberia a um livro. Mas antes de começar o trabalho, certas coisas precisavam ser definidas. A primeira e mais importante decisão seria o foco do livro.
Num livro é essencial que haja um foco coerente; algo que nem sempre é necessário num RPG, devido à sua interatividade. Evidentemente, houve cenas que não foram para o livro já que não ofereciam nada de substancial à história. Outra decisão importante era em qual dos protagonistas focar: havendo dois, a decisão caiu sobre o que mais se envolvia com o arco principal do enredo e estava ligado à maioria dos outros arcos paralelos. Justin Farr tornou-se o protagonista principal do livro, e a outra player character, Elle Montgomery, tomou o papel da protagonista secundária.

Tendo isso em mente, todas as outras decisões sobre quais cenas eram realmente importantes logo foram se tornando mais fáceis de tomar. Nem tudo do RPG poderia entrar no livro, ou este ficaria excessivamente grande e sem foco. Por outro lado, havia muita história para contar, e ainda não nos parecia sensato tentar colocar tudo num enorme livro. Nem todo mundo é Martin! Então dividimos a história em três partes, e cada uma delas seria um livro componente da trilogia.

Então eu passei o ano de 2013 me dedicando à adaptação dessa primeira parte da história e o desenvolvimento do enredo como algo fechado que teria todos os seus arcos resolvidos ao longo dos três livros. Ocorreram modificações em partes que achamos que poderia melhorar, cenas novas, pontos de vistas diferentes dos que foram explorados apenas pelos jogadores durante o RPG e até capítulos extras que nunca existiram no RPG mas que achamos que poderia contribuir para a formação de um mundo mais palpável ao leitor, além de usar isso como meio de contar mais da história de Irmen Pandora.
O resultado foi algo melhor do que esperávamos. E algo que nos orgulhamos absurdamente. Levou esforço, bater a cabeça contra a parede muitas vezes pensando na melhor maneira de contar a história, arrancar os cabelos ao passar por bloqueios onde não saía nada de produtivo. Mas cada segundo vale a pena quando vemos alguém dizer que mal pode esperar pela continuação.

E esse foi o processo do qual surgiu a primeira parte da trilogia, agora chamada A Iniciação ao Medo.
Fica aqui meu incentivo para qualquer RPGista que quiser se aventurar no mundo literário, adaptando seu RPG. É uma experiência fantástica, poderá aprender muito e sua criatividade vai ser testada de formas completamente novas. Será um RPGista inteiramente novo depois!
Obrigado à RPG Vale pelo espaço, e a vocês que leram até o final!

www.irmenpandora.com
www.facebook.com/irmenpandora
twitter.com/irmenpandora
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