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A Estante do Arquimago [Resenha Literária] - Deus Máquina - Leonel Caldela

Resenha publicada originalmente no Legado das Palavras. Olá, RPGistas! Trago mais uma re...


Resenha publicada originalmente no Legado das Palavras.

Olá, RPGistas!
Trago mais uma resenha, além disso dica de leitura essencial para os fãs de fantasia. O livro em questão é a continuação do livro já resenhado no blog, O Caçador de Apóstolos. A segunda parte e também o desfecho dos eventos ocorridos no primeiro livro das Profecias de Urag, recebeu o nome de Deus Máquina. Publicado pela editora Jambô, possuí 480 páginas e é o quinto romance do autor Leonel Cornwell Caldela. Vale ressaltar que este é um dos autores nacionais que eu mais admiro!
Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

"Na guerra contra Deus, não há vencedores"

A história se (re) inicia do ponto exato onde parou em O Caçador de Apóstolos. Os rebeldes foram derrotados pelas forças da Igreja de Urag, os hereges caíram, entretanto, mesmo vencedores, os cardeais ainda temem algo, ou melhor alguém: Jocasta.
A jovem recém transformada na Voz de Urag vem conquistando cada mais fiéis, mesmo sabendo de toda a verdade, sua fé permanece imutável. O clero percebe que se Jocasta continuar a crer do modo fervoroso na existência de um Deus, ele próprio perderá o controle sobre sua invenção, pois a fé está tomando um tamanho no qual nem mesmo o Cardeal Derionde poderá controlar. Jocasta planeja ir até os confins do mundo para ter toda a verdade sobre Deus, mesmo que isso signifique ir contra a própria igreja.
Atreu encontra-se preso, sendo manipulado e usado ao bel prazer da igreja. Porém, não está derrotado e cada vez mais se nega a colaborar ou aceitar a existência imposta de algo que não existe. Iago passa a relatar as consequências da revolução perdida, e mantém o seu papel fundamental de narrar a história, seja mesclando-a com as verdades e mentiras, ao longo de sua jornada ele relembra os tempos passados, que embora recentes, deixam a sensação de serem tempos extremamente longínquos. 
Novos personagens aparecem para acrescentar ainda mais tensão e dramaticidade, velhos (e adorados) personagens reaparecem em uma retomada na guerra entre hereges e cardeais. Entre fé e razão. Entre Deus e os Homens.

A história é envolvente, a cada página somos surpreendidos pelos acontecimentos e pelas descobertas, um exemplo: o fato de ter existido uma civilização avançada, uma era de tecnologia e sucesso e perseverança, dilacerada e esquecida até tornar-se a barbárie dos tempos atuais. Segredos que podem mudar o rumo do mundo.  


Não há como imaginar um desfecho mais épico, impactante e empolgante para a história de Caldela. Os personagens parecem estar ainda mais cativantes, cada um deles está ligado à sua história e aos seus objetivos. A história situada em uma espécie de realidade alternativa retorna ainda mais triunfal. A escrita continua envolvente e impecável, a brutalidade realística do livro anterior é ainda mais proeminente. A ganância, o ódio, dor e sofrimento, esperança e derrota, sempre caminhando lado a lado, ao mesmo tempo me que se enxerga a vitória somos agraciados com a desgraça dos personagens. O cenário se expande muito além do que é visto em O Caçador de Apóstolos, druidas e autômatos estão mais presentes que nunca, sendo fundamentais no desenvolver da trama. A obra é concluída com êxito, embora possamos ainda ter alguma outra aventura no mesmo cenário, não teremos mais nenhuma continuação direta das aventuras e Atreu, Igor, Jocasta e companhia. Resta-nos apenas ler e reler, absorver cada vez mais toda a genialidade do escritor Leonel Caldela. 
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