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CANÇÕES DA MEIA-NOITE #91 - O Bardo das mil histórias

Saudações aventureiros, hoje nós teremos uma edição um pouco diferente, já que o bardo desta no...


Saudações aventureiros, hoje nós teremos uma edição um pouco diferente, já que o bardo desta noite mostrou que apenas uma história não é o suficiente. Seu nome é Guilherme  @Guiisburning e quatro histórias ele irá contar, desde do passado onde vivem as bruxas até o futuro onde o mundo todo esta a guerrear.

Sobre bruxas e fogueiras

Havia um certo sufoco no ar, as vozes eram apenas sussurros inexplorados pelos quatro cantos do vilarejo, trazidos pela briza gélida que acompanhava o inverno de nossas almas, haviam corpos, havia sangue...
Ninguém soube dizer como tudo aquilo aconteceu, as portas entreabertas traziam a incerteza do outro lado, nas janelas os curiosos se empoleiravam aos montes para ver uma cena improvável no pátio abarrotado de lama, resultado de um dia inteiro de chuva árdua. 
Quando menos se esperava um grito percorreu o tempo e quebrou o silêncio, sob o escuro céu sem estrelas houve um estalido da fogueira ascendida pelas mãos do cavaleiro, todos ficaram atônitos, prenderam ao mesmo tempo a respiração e, por apenas um segundo, o vilarejo perdeu o ar.
A mulher acusada de bruxaria estava presa na fogueira, e as chamas começaram a tocar-lhe os pés descalços, o cavaleiro com a tocha ainda acesa caminhou a passos lentos até ela e observou-a enquanto as chamas a consumiam.
Num espasmo qualquer, num minuto afobado, a bruxa segurando o desespero dentro de si olhou nos olhos do cavaleiro e disse quase sorrindo: - Esqueça! Eu não vou gritar!
Mas a resposta do Sir cortou mais fundo que a espada, e ela se surpreendeu e chorou quando ele disse: Eu não quero que grite, quero apenas que morra....

Cemitério das boas intenções
"Não havia estrelas no céu, a lua havia morrido atrás de uma nuvem qualquer, cheia de remorso pelo vazio daquele dia, a escuridão pairava perpétua sobre o cemitério das boas canções, onde os vivos jaziam junto ao silêncio dos mortos. Era uma noite sem esperanças, os olhos de todos estavam cegos, enganados pela própria mente, havia um sufoco entalado na garganta que os impedia de gritar, os corações pulsavam aflitos dentro do peito e os dedos abriam e fechavam fazendo circular o sangue que não sentiam. Estavam todos perdidos. Até que do alto veio um clarão, um raio cortou o céu e rasgou as nuvens vindo cravar-se na terra, houve uma luz que brilhou intensa e iluminou os campos verdejantes que antes eram negros como o carvão. Aquela luz se chamava rendição, se chamava esperança. Aquela luz se chamava Deus."


Em Auschwitz minha última esperança termina com o suspiro desta carta
"Auschwitz, Alemanha, 21 de Setembro de 1976, Centro de Tortura.

Olá, meu nome é Madelayne e está cada vez mais difícil transcrever esta carta em meio a este pandemônio de todos os dias, eu sei que Hitler vai me matar e por isso tenho incerteza se vou conseguir terminar a próxima palavra.

Era uma sexta-feira e eu estava prestes a me tornar uma mulher de verdade, meu baile de debutantes seria uma grande festa para mim e minha família, eu tinha tudo, amigos, estudos, juras de amor aos quinze anos, eu tinha sonhos...

Lembro-me que a música era bela e todos dançavam A Valsa das Águas-Vivas, meu vestido era tão lindo quanto o alvorecer da primavera e, assim também era meu prometido, tudo estava correndo bem até que... 

Os guardas derrubaram a porta do salão com um único chute, todos estavam fardados e de armas em mãos, não falaram, não fizeram sinais, eles simplesmente atiraram para matar, e disso lembro bem. Nós judeus nunca fomos aceitos, e pagávamos um preço pelo qual não havia julgamento; meu parceiro de dança teve a cabeça explodida com um tiro, o sangue resvalou pela minha face e ele pereceu fadado ao sono eterno. Vi cada pessoa caindo de garganta cortada, o sangue jorrava como de uma nascente, e a música havia cessado. Então o demônio entrou pela porta. Hitler de fato imponente ostentava suas medalhas no peito, naquele dia, no meio do baile de debutantes eu fora levada como prisioneira, e hoje faz um ano que eu teria passado para uma nova fase da vida, e isso seria agradável, se eu não fosse para a câmara de gás amanhã ao anoitecer. Estes são meus últimos suspiros."

Um baile de debutantes no inferno de Melissa

"Treze de fevereiro, 1982, sexta-feira.

As horas haviam passado num turbilhão de minutos apressados, tudo estava pronto e o baile de debutantes já podia começar,porém Melissa ainda estava trancada juntoàs amigas no quarto escuro, poiso jogo não havia acabado, faltava ainda uma pergunta a ser feita. Com sal as três meninas haviam desenhado um pentagrama no chão, e com seu próprio sangue selado o pacto do jogo, apenas brincadeira, elas diziam.

-Thiago estará no baile? – Perguntou a debutante da noite.

O copo moveu-se para o NÃO e Melissa se enfureceu; já estavam todas de saída quando na porta do quarto palavras foram escritas. – Meu pagamento?

- Pro inferno – Mandou Melissa, e assim pode desfrutar do baile, em quanto sem ver o copo se movia para o SIM.

Faltavam poucos minutos para Melissa passar de uma fase para outra, a debutante usava um vestido branco e bonito no baile cheio de música e alegria. A primeira badalada soou no relógio sem demora, seguida pela segunda. Todos se prepararam para gritar vivas na meia noite quando o “début” fosse completo. 

Terceira-Balada

Os vivas foram sufocados pelas gargantas espalhadas no salão, o tempo correu depressa e a madeira se desgastou com o fogo que brotou do chão. Não houve tempo pra choro e ranger de dentes, nem para despedidas. Melissa se encontrou em trajes macabros e rasgados, negros por natureza. O fogo consumia sua mãe e suas amigas, e tudo mais sucumbia nas labaredas; ela mesma não ouviu, mas no quarto o pentagrama se desfez com o vento e o copo gritou em estilhaços. O pagamento havia sido feito.

Meia noite... O inferno chegara."
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