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Existe amor no RPG?

Hiho, criaturas! Sim, eu voltei . E que maneira melhor de comemorar a volta de uma temporad...


Hiho, criaturas!

Sim, eu voltei. E que maneira melhor de comemorar a volta de uma temporada de férias prolongadas do que falando sobre um dos temas mais complexos no mundo dos jogos? Sim, senhoras e senhores, hoje vamos falar de... sentimentos! Então peguem os cartões de coração, preparem os presentes e venham comigo falar de amor!


.... ok, essa foi, oficialmente, a pior abertura de artigo já feita nesse site.

Não importa se é uma sessão única ou uma longa aventura que dure anos, uma boa campanha de RPG deve envolver diversos temas. Medo, angústia, tristeza, drama, ação e até mesmo a comédia fazem parte de uma boa história - a diversidade de emoções mantém os jogadores entretidos. Uma mesma aventura pode começar com uma fuga cômica contra piratas no espaço e acabar nas medonhas profundezas subterrâneas de um planeta. E não há nada de errado nisso!

Nas aventuras e histórias que já escrevi, percebo que muitos temas são recorrentes. Quem já leu algum livro ou aventura minha sabe que o medo, o terror, a tristeza e a ação são temas que sempre aparecem. Nas aventuras que já mestrei, vejo esses mesmos temas surgirem com frequência, além de muitos outros. Mas, ironicamente, há um tema extremamente importante na vida real e quase nunca trabalhado no RPG... sabem qual é?

Ele mesmo. O chefão mais complicado de todos. Aquele que morre e volta com uma nova face. Aquele que não deve ser nomeado. O importante, sagaz, temível, o.... amor.

É. O amor.

Where is the love?

O amor pode ser uma coisa magnífica, talvez até mesmo o melhor tema para aventuras dramáticas. No entanto, eu nunca estive em uma aventura na qual dois jogadores tenham decidido se casar. Também nunca estive em um triângulo amoroso entre jogadores e não-jogadores (ufa?).

Ok, talvez eu sinta que romances são coisas... estranhas. Talvez eu seja atrasado, mas a maioria dos jogadores (e jogadoras) não estão ali para investir em um romance. Estão ali pela aventura, a emoção da espada, o arrepio na espinha do medo, o desafio dos enigmas e, é claro, o tesouro! Alguns tem também um pé atrás pois sabem que o Mestre certamente iria usar esse relacionamento para fazer da vida do jogador um inferno - afinal, qual Mestre resistiria, não é?



Tá, mas qual é o grande problema?

Nenhum.

Quer dizer, quase nenhum.

O fato é que, ao falar de amor, esbarramos em dois pontos:

Primeiro: o amor é algo que demora para se desenvolver. Ele não surge do nada. Segundo: é uma das coisas mais difíceis de se interpretar sem criar um clima estranho.

Tire um minuto para se imaginar olhando para o seu amigo (ou para aquele cara aleatório que você só vê na mesa de jogo) e falando "eu te amo". Pois é. Creepy, não?

Podem ir vomitar agora. Eu espero. Prometo. Ok.

Com o clima certo, podemos agitar os personagens no calor da batalha, criar quebra-cabeças desafiadores ou até mesmo apagar as luzes e invocar o ambiente sombrio e medonho de uma tumba abandonada, porém, trazer o "amor" para a mesa de jogo é muito mais difícil. E a maioria dos Mestres não quer acabar transformando a sua aventura em uma novela.

Óbvio, eu não estou dizendo que esse seja um sentimento que não possa acontecer. Afinal, você pode até mesmo criar uma campanha cujo o foco seja o amor e está tudo bem com isso. Mas dificilmente você irá sentir verdadeiramente esse amor da mesma maneira que você experimenta as demais emoções (como o medo, a ansiedade etc.).

E, na maioria dos casos, os relacionamentos terão a profundidade amorosa de uma lata de atum.

Se quiser falar de amor, fale com o...

Se quiser falar de amor, fale! Não deixe que nada te impeça de criar uma aventura que gire em torno do amor ou de ter um personagem com fortes laços emocionais com seus amigos. Mas tenha sempre em mente os desafios que esse tipo de interpretação pode gerar - e saiba como superá-los. Apesar de todas as dificuldades e restrições, o amor também cria plano de fundo para cenários interessantes: imaginem o paladino apaixonado por um personagem que vá contra os seus votos sagrados? Quem jogou o primeiro Neverwinter Nights presenciou essa exata situação. E o genial Dragon Age 2 também lida muito bem com isso.



E, querem saber? Esse tipo de coisa deve mesmo acontecer!

Por mais improvável que seja o amor, você não deve impedir que seus jogadores ou personagens explorem um sentimento. Até mesmo um paladino Leal e Bom pode se apaixonar por um clérigo Caótico e Mau, assim como uma investigadora do FBI pode ser apaixonada pelo serial killer que eles estão procurando. 

Exemplos assim são legais para nos lembrar que: a) o amor não deve ter limites. b) conflitos internos são muito legais de se explorar. Particularmente, eu gosto desse tipo de desafio pois isso diz muito sobre o poder que o RPG tem de explorar os sentimentos humanos.

E o que aprendemos hoje?

No RPG, assim como na vida real, você não precisa ter medo de se apaixonar! Basta saber os riscos que você está correndo e ter a certeza de que isso é, de fato, o que você quer. Não deixe que o medo te impeça de criar uma história legal, certo?

E lembrem-se: há sempre alguém lá no alto olhando por você.

... mas se esse alguém sorrir e esticar a mão para pegar um dado, você provavelmente irá sofrer.

Até a próxima, povo! 

Cheers!

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