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Canções da Meia-Noite #90 - FROM EMBER TO ASHES (PARTE 3)

Saudações jovens aventureiros, vamos continuar a saga de nossa iniciada em nossa ultima canções...


Saudações jovens aventureiros, vamos continuar a saga de nossa iniciada em nossa ultima canções, onde a palavra tranquilidade pode definir o que nossos aventureiros estão passando, afinal depois de tantos problemas um pouco de paz sempre é bem-vindo. Contudo, este momento se mostra breve, já que nossos amigos partiram novamente para outra jornada.


A mulher não era de muita conversa, sempre calada. O único som que ela produzia eram gemidos baixos, provenientes de suas constantes dores nas costas, causadas por uma hérnia de disco não tratada com tempo.

Seu marido, no entanto, era o contrário, para pior: só sabia reclamar, arrumando motivos para se queixar de tudo. Obviamente, fazia isso apenas longe dos ouvidos sempre atentos de seu sogro, que não se sentia nem um pouco à vontade com o genro (em todos os aspectos).
Junior voltara mais silencioso que o normal daquela viagem, e Jeff percebeu que seu olhar estava mais caído, sempre andando pelos cantos e ruminando qualquer coisa em sua cabeça.
Logo que se ajeitaram, Junior colocou um mapa grande sobre a mesa da cozinha. Cerl e Jefferson sentaram-se ao redor dela e escutaram o que ele tinha a dizer.
– Nós vamos nos ajeitar todos aqui nessa casa por pelo menos mais um tempo – começou. – Daqui a exatamente uma semana eu e o meu avô iremos partir para essa cidade – apontou um pequeno lugar no mapa, e circulou com uma caneta vermelha.
– E o que tem ali? – perguntou Jeff.
– Uma pessoa – respondeu secamente. – Talvez mais de uma.
– E por que uma semana?
– Nós cruzamos três cidades – interviu Cerl. –, é impossível que não tenhamos sido vistos por ninguém.
– Exatamente – completou Junior. – Uma semana é tempo suficiente para esfriar a memória de qualquer pessoa.
– E por que tu tá me falando isso? – perguntou Jeff.
– Por que queria te deixar a par do nosso plano – disse Junior. – Amanhã iremos até o centro de São Francisco pra pegar a maior quantidade de combustível possível.
– Com certeza que vão – falou Jefferson, e levantou para melhor ver onde era o local. – Isso fica a quatro cidades de distância de Sapiranga, será preciso muito combustível.
– Sim – disse Cerl. – São quase duzentos quilômetros, isso dá quase quatro horas de carro só de ida, sem contar a volta, que pode demorar mais, dependendo de quantas pessoas encontrarmos lá.
– Exato – finalizou Junior, e fechou o mapa, guardando dentro do moletom que usava. – Dentro de uma semana, partimos.

A semana foi longa, e parecia que os dias se arrastavam muito lentamente. Jeff não percebeu nos primeiros dois dias, mas descobriu que Junior não dormia mais durante as noites, ficando acordado durante a madrugada inteira, desenhando e escrevendo trechos imensos de qualquer coisa em uma agenda velha e gasta de seu avô. Isso o preocupou, mas nada falou.
No dia em que foram buscar combustível na cidade voltaram com algo a mais: mais de dez baterias de carro e de caminhão que lotaram o banco traseiro do carro de Cerl, e o porta-malas estava com doze galões de cinco litros cheios de gasolina, bem como várias lanternas e sacolas plásticas cheias de pilhas e baterias para elas.

Eram pelo menos dez lanternas, e junto trouxeram também algumas lâmpadas extras, para o caso de alguma queimar. As baterias de carro serviriam para algum propósito que Jeff não sabia, mas não perguntou também: havia desenvolvido um saudável hábito de não questionar Junior sobre nada, sobre a pena de ser interrompido com uma enxurrada de respostas estúpidas e enraivecidas.

No amanhecer do oitavo dia da chegada de sua mãe e seu padrasto, Junior e Cerl partiram em busca das pessoas a que não se dignavam contá-lo.
– O que falei para ti da outra vez se aplica novamente, Jeff – falou Cerl. – Dessa vez iremos demorar mais; talvez nem cheguemos hoje, mas quero que fique atento a todos os barulhos, entendeu?
– Sim, tio – respondeu.
Cerl assentiu, e colocou a espingarda ao lado do câmbio do carro. Junior sentou-se ao seu lado, e segurou firme uma das facas na mão.
– Tchau, Jeff – disse, virando-se ligeiramente. – Cuide bem deles, pode ser?
Pela primeira vez em duas semanas, viu um sorriso no rosto de Junior. Isso era um bom sinal.

Jeff estava sentado na parte da varanda que se voltava para o portão onde o carro passara de manhã. Já era madrugada avançada, a mãe e o padrasto de Junior já estavam dormindo, mas ele permaneceu de vigia, com a escopeta preparada e carregada.
Trazia consigo uma lanterna e uma lamparina à bateria que Cerl tinha já há algum tempo. A iluminação era fraca, os cães faziam pouco barulho, e não havia vento: os únicos sons eram os dos grilos, que ficavam estralando no escuro do mato e da grama.

Não estava nem um pouco cansado, por isso ouviu logo quando um barulho de motor surgiu vindo da estrada ao longe. Ficou alerta, levantou-se e segurou firme a arma com a mira apontada para o portão.
Primeiro surgiu um carro branco, de modelo novo. Atrás dele havia um segundo veículo, mais longo e um pouco mais antigo, mas barulhento demais.
Saltou da varanda e foi avançando com a arma na altura do olho. De dentro do carro branco saiu um rapaz baixo, e Jeff apontou o feixe de luz da lanterna na cara dele.
– Jeff, abre pra nós, por favor? – era Junior.
Sendo assim, correu até o portão e abriu-o o mais rapidamente possível. Junior se colocou ao seu lado, e os carros entraram em fila e pararam ao lado da varanda.
– Onde tá o tio Cerl? – perguntou.
– Tá no carro cor de musgo – apontou com a mão esquerda para o carro longo, e Jeff percebeu que seu braço direito estava todo enfaixado, bem como seu rosto tinha vários hematomas e cortes, com um único band-aid sobre o nariz.
Jefferson conectou os pontos de forma errada, e correu até o motorista que saía do carro branco e colocou a arma na cara dele.
– O QUE TU FEZ COM ELES?! – o cano da escopeta roçava a testa do homem, mas ele estava sem reação. – RESPONDE OU TU VAI COMER CHUMBO!
– JEFF, ABAIXE ESSA PORRA DESSA ARMA! – Junior estava gritando, mas Jeff não o ouvia. – ABAIXE ESSA MERDA AGORA!

O rapaz não desistiu, e continuou com a doze pressionada contra o rosto do homem, que estava ficando pálido com tudo aquilo.
De canto de olho, Jeff viu um cano de espingarda aparecendo na janela traseira do carona do carro, apontando para sua barriga. Pensou que pudesse ser Cerl, mas era um outro homem, de cara amarrada.
– Abaixe essa doze agora, rapaz – sua voz era calma, mas Jeff sentiu que não haveria hesitação naquelas mãos.
– Jeff, abaixe essa merda dessa arma, por favor – Junior estava tenso, andando devagar e com a mão esquerda erguida, pedindo calma. – Eles não fizeram nada pra gente, ok? Abaixe essa arma e vamos conversar, tá bom? – foi chegando mais perto, mas Jeff estava nervoso, e suas mãos estavam suando. – Tá vendo? Tô tirando as facas, tá vendo? – disse isso e começou a puxar as facas das bainhas, uma da cintura e as outras das duas pernas. – Viu? Tá tranquilo, eles tão com a gente, ok?
– Onde tá o tio Cerl? – Jeff estava quase chorando, pensando no pior, quando a porta do outro carro se abriu, e saiu uma garota mais ou menos da altura do Junior e ergueu o banco do passageiro, deixando um homem atarracado sair de lá.
Sem baixar a arma, moveu a luz da lanterna para o homem e viu quem era.
– Cerl? – a luz da lanterna falhou, e sacudiu-a até que funcionasse novamente. – Cerl! – viu que era ele e correu até o velho, esquecendo do homem jovem que dirigia o carro branco e até mesmo da espingarda apontada para seu estômago.
Cerl estava em um estado pior que Junior, com a perna direita presa com uma tala improvisada e toda enfaixada, bem como o braço esquerdo ensanguentado e vários cortes no rosto e no tórax, que estava exposto devido às roupas que estavam em frangalhos.
– O que aconteceu? – perguntou o rapaz.
– Vamos lá para dentro que eu explico tudo, pode ser? – disse Junior, dirigindo-se para a casa. Deteve-se um instante e se virou para o homem que dirigiu o carro branco. – Amanhã a gente tira as coisas dos carros e nos ajeitamos melhor, mas por hoje já deu, pode ser?
– Pode ser – respondeu, abrindo a porta do passageiro para que o homem com a espingarda de Cerl descesse, juntamente com um garoto que aparentava ter uns doze anos e uma mulher linda, alta e loira, que abraçou o motorista do carro e deitou-lhe um beijo tímido em seus lábios. Do outro carro ainda saiu um rapaz de uns dezenove anos, mais a motorista do carro, uma senhora que poderia ter entre cinquenta e setenta anos, não havia como ser preciso.
Eram ao todo sete novas pessoas. A casa ficaria pequena, com certeza.

Acomodaram-se da melhor forma possível nos sofás da sala, com Cerl sentado na poltrona reclinável que ficava de costas para a cozinha, a perna apoiada sobre uma mesa baixa, e Junior em pé ao seu lado.
– Muito bem – começou ele. –, vamos às apresentações: aquele rapaz ali é o Carl – era um jovem esbelto, com uma altura consideravelmente alta para sua idade, vinte e um, e um rosto não muito marcante, onde repousavam dois olhos azuis sem muita vida. –, do lado dele é o Serj – apontou para o homem da espingarda, que era mais alto visto fora do carro, com um corpo robusto (quase demais), cabelos brancos e uma cara fechada e ranzinza. – e aquele é o Leandro, mas eu prefiro chamar ele de Kroth – era o motorista do carro branco, e seu porte físico era mediano. Seu rosto era pequeno, com olhos miúdos mas expressivos mirando todas as coisas. Seu tom de voz era calmo e suas palavras eram curtas. –, que é marido da Michelle – a mulher loira e bonita, que tinha um olhar anguloso e magnífico. Era silenciosa, e poucas vezes abria a boca. – Aquele rapaz em pé – apontou para o rapaz(não gostava de ser chamado de garoto). – é o Anderson, filho da Michelle e do Serj – era uma coisa miúda, com um rosto quadrado e olhos grandes, uma cabeleira rebelde que tapava suas orelhas e suas sobrancelhas. – E aquela é a Andressa – Junior ficou sem palavras por alguns instantes, e apenas completou. – Ela é filha dos dois também.
Introduziu sua família para eles também, e todos trocaram um fraco oi, quando a senhora ergueu a voz:
– Já que não me apresentaram, eu me apresento – levantou-se e cumprimentou Jacqueline e Rudy, mãe e padrasto de Junior. – Sou a Cateryn, mãe do Leandro.
Junior fez um pedido de desculpas silencioso e continuou.
– Pois bem, acredito que por hoje é só. Amanhã pela manhã iremos abrir as outras casas para que vocês possam se ajeitar e conversaremos melhor sobre os mantimentos e outros itens, pode ser?
Cerl se ajeitou na poltrona e puxou a camisa de flanela que Junior estava usando.
– Antes tu vai contar pra gente o que tu tinha me prometido.
Junior suspirou, e puxou uma cadeira.
– Vocês querem ouvir mesmo?
– Seria interessante saber como um rapaz novo conseguiu fazer uma viagem através de três cidades incólume – o tom de Serj era desdenhoso, e Jeff percebera que o homem não parecia acreditar em nada que ele talvez tenha ouvido.
– Muito bem – disse ele. – Por onde começo, então? Muito bem, tudo começou como toda boa polêmica: na internet.
‘Nesse caso em específico começou em blogs de cultura pop/nerd, na forma de posts em datas aleatórias, com a disseminação de um possível apocalipse zumbi. Haviam vários vídeos de casos isolados de pessoas sendo atacadas por pessoas descontroladas que arrancavam pedaços de carne a mordidas de outras pessoas.’
‘Naquela época eram apenas boatos, e tudo era atribuído a uma droga chamada sais de banho, que fazia com que a pessoa perdesse a noção de tudo e começasse a ficar agressiva e com uma força quase sobre-humana. Não parecia nada muito alarmante, é claro, pois eram casos isolados, e não havia conexão entre eles, mas nesse tempo já começou a circular o rumor de que poderia ser real e que de fato o tão esperado apocalipse zumbi já havia começado.’
‘No primeiro dia de fevereiro foi notificado na televisão o primeiro caso do que se tornou uma epidemia em menos de uma semana: a chamada Doença dos Mortos-vivos. Não haviam tumbas sendo abertas pelo lado de dentro, e nenhum cadáver enterrado se ergueu de sua cova, mas todos que eram contaminados com esse vírus morriam e rapidamente voltavam à vida.’
‘Era o estopim para algo muito maior e mais desastroso. No país começou no estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente na capital, e se espalhou para o resto do território, com vítimas surgindo em todos os cantos e cidades, levando todos para um estado de alerta e medo jamais vistos.’
– Em uma semana caiu a transmissão do sinal de televisão, a internet parou de funcionar, os rádios apenas transmitiam uma mensagem gravada que constantemente dizia ‘não entrem em pânico; fiquem em suas casas e tranquem suas portas e janelas; não entrem em pânico;’, mas não dizia-se nada sobre o que seria feito com relação a isso – Junior se ergueu da cadeira e foi pegar um pouco de água filtrada e bebeu alguns goles longos. – Em São Leopoldo havia dois quarteis militares e um quartel de bombeiros, mas nenhuma ajuda militar veio.
‘No dia oito de fevereiro a eletricidade começou a oscilar, até que ela caiu e não voltou mais. A rede de telefonia celular começou a ficar instável também, com momentos onde o sinal ia de ótimo para inexistente.’
– Foi quando eu resolvi fazer algumas ligações antes que tudo ficasse pior do que já estava, o que era muito possível – olhou para Andressa, mas não deixou transparecer nenhum pensamento. – Liguei para um amigo para saber o que ele ia fazer. ‘Começou, cara’, falei. ‘Eu sei, velho’, foi a resposta dele. ‘O que tu vai fazer?’, ele perguntou. ‘Não sei’, e eu realmente não sabia. O sinal caiu no meio da ligação e não voltou durante quase uma hora.
‘Resolvi agir, nesse meio tempo, e consegui que nosso vizinho nos desse uma carona até a casa do meu primo, na Feitoria. Ele não quis ajudar, a princípio, mas depois se compadeceu e nos levou o mais longe que se atreveu de sua casa, e isso já foi o suficiente.’
‘Quando chegamos lá ele estava dormindo, não sabia de nada e parecia não acreditar, mas como havia convencido minha mãe consegui convencer ele, e ele me deu uma carona até o centro da cidade para passarmos em um lugar primeiro.’
– Era uma loja de artigos de caça e de coleção – tomou um gole de agua para lubrificar a garganta e continuou. – Eles sabiam o que estava acontecendo, e estavam dando facas e o armamento para quem precisasse, mas quem podia pagar lhes era cobrado. O mundo indo pro ralo e eles preocupados com o dinheiro.
‘Consegui essa faca que tenho na bainha da perna esquerda, e a faca que uso na cintura foi um presente do vizinho que nos ajudara, que disse que eu faria melhor uso dela do que ele, e essa terceira faca na perna direita foi tirada da casa do meu primo, que não se importou em dispor de uma delas para que eu pudesse mantê-los seguros.’

‘Os postos de gasolina estavam lotados, e depois de muito tempo conseguimos encher o tanque no carro e nos dirigimos até Sapiranga. Quando chegamos na casa da Michelle, ela já havia ido embora com metade da vizinhança. Soubemos, através de um dos vizinhos que ficaram ali que haviam todos se juntado e ido para uma casa no campo que um deles (não sabia precisar qual) possuía.’
– Como não podia deixar minha família na rua, dei meu jeito de entrar na casa dela, e pedi que meu primo ficasse conosco. ‘Eu tenho minha esposa e meus filhos’, ele disse, ‘e não posso abandoná-los agora.’ – ajeitou o braço na tala que improvisara para imobilizar as articulações. – Sendo assim, deixou-nos ali e partiu de volta para São Leopoldo.
‘Ficamos uma semana ali, e então decidi fazer algo que martelava minha mente durante um tempo.’
– Decidi vir em busca do meu avô, que morava a três cidades de distância – falou. – Sai daquela casa com a promessa de voltar com meu avô e disse que eu voltaria com toda a certeza, não importando quanto tempo levasse, afinal de contas eu não me lembrava do caminho certo, nem mesmo das rodovias corretas. Era dia quinze de fevereiro quando sai da casa. Cheguei aos portões dessa fazenda no dia vinte e um, seis dias após minha partida. Havia cruzado Sapiranga, Parobé e Taquara a pé, e quando vi meu avô aqui nessa casa me senti tão aliviado que parecia que tudo não passava de um sonho – balançou a cabeça. – Estar acordado é estar em um sonho, nesses dias. Sabia que tinha que trazer minha mãe para cá, e assim o fiz. Não se preocupe, Kroth: tranquei com todas as correntes e cadeados que achei por lá. Está segura.
– Depois de duas semanas aqui, decidi que levaria meu avô para procurar vocês no local aonde o velho vizinho da sua rua disse que estariam – falou para Kroth. – Obviamente, o local era aproximado, mas não foi fácil achar o caminho, mas conseguimos – virou-se para Jeff. – Só para constar: o Serj tá com a espingarda como um voto de boa-fé de meu avô, para que confiassem na gente e nos deixassem se aproximar da casa. Estavam em dez vezes o nosso número, mas as cercas daquela casa situada no meio de um campo pequeno não iriam aguentar nem um minuto se um grupo grande daquelas coisastentasse cruzar aquelas terras.
‘Alguns não quiseram vir, por não abririam mão daquele lugar, mas convenci Kroth e Carl a virem conosco, e com ele vieram sua mãe e Serj, bem como Michelle e os filhos dela.’
– Com relação a isso – bateu na tala com o cabo de uma das facas que tinha na mão esquerda. –, foi um pequeno presente dos habitantes de Sapiranga, que estavam cruzando a estrada na hora que passávamos, e acabamos perdendo o controle do carro e batemos na amurada da rodovia – olhou para o avô, que escutava tudo atentamente. – Ele perdeu alguns dedos no pé direito, sem contar o osso deslocado, cortou o abdômen com as ferragens do carro e bateu a cabeça no volante, quebrando o nariz. Eu ganhei um braço quebrado, um corte superficial na nádega direita, bati contra o painel e mais algumas cicatrizes no rosto e nas costas.
‘O Kroth vinha logo atrás, e tiveram que parar e nos tirar do meio daquela confusão de ferros e vidro estilhaçado. Isso tudo nos atrasou quase duas horas, entre sair daquilo e limpar os ferimentos, colocar ossos e narizes no lugar e enfaixar da melhor forma possível. Até uma tala foi necessária, para não piorar a situação do meu braço, mas o pior foi o vovô: tivemos que cauterizar o sangramento ali mesmo, e não foi nem um pouco sadio de se ver. Após tudo isso, recolhemos o que podíamos de combustível do carro e pegamos o que tínhamos nele (quase nada) e seguimos adiante, eu tentando guiá-los da melhor forma possível até aqui.’

– Bom, o resto tu já sabe, e está vivenciando – ia terminando. – Muito bem, desculpem-me ter tomado tanto tempo de vocês.
Todos estavam em silêncio, até que alguém se pronunciou sobre estar com sono, e então Jeff interviu.
– Como não haverá mais movimentação essa noite, vamos fazer assim: o Cerl não vai poder ir pra cama hoje por causa da perna, então as mulheres (excluindo a Jacqueline) vão dormir no quarto dele apenas hoje, e os homens se decidem quem vai dormir nos sofás ou no chão – tentava gerenciar da melhor forma possível, dando a oportunidade que Junior queria para ir para o quarto onde dormia. – Quem quiser, tem um colchão inflável ali no quarto.
– Mas tá cheio? – alguém perguntou.
– Usa os pulmões que Deus te deu e faz a tua parte, meu querido.
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