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CANÇÕES DA MEIA-NOITE #89 - FROM EMBER TO ASHES (PARTE 2)

Sejam bem-vindos novamente a nossa taverna, sendo que entre cadeiras voando de um lado e elfos d...


Sejam bem-vindos novamente a nossa taverna, sendo que entre cadeiras voando de um lado e elfos do outro, continuamos a saga de From the Ember to Ashes, onde nossos  aventureiros tentam sobreviver para entender os estranhos eventos que estão vivenciando.



Ficaram uma semana naquele local. Era uma fazenda vasta, mas não tanto quanto muitas outras que circundavam aquela região.

Seu avô havia reforçado as cercas, colocando mais três fios de arame farpado entre os quatro já existentes, e havia cercado também uma parte do mato que ficava atrás das outras três casas que haviam no pátio.
Ao todo somavam cinco casas, quatro galpões e duas garagens, tudo distribuído em uma área de quase um hectare cercado.

O dono do local não aparecia ali fazia pelo menos dois anos, mesmo antes do mundo virar de pernas pro ar, e junto de Cerl havia um outro homem que era responsável por cuidar das terras.
Um dia Junior perguntou para onde haviam ido.

– O Marilo pegou a mulher dele e os filhos, que vieram pra cá tão logo se espalhou a notícia e viajou pra longe – falou Cerl, enquanto preparava uma cuia de chimarrão. – Não me disse pra onde iria, e eu não perguntei. Ele tava assustado, e tudo que importava pra ele eram os filhos seguros – completou, ajeitando a erva mate dentro do recipiente, ao mesmo tempo que acomodava a bomba do chimarrão na cuia já cheia de uma água quase fervente. – A única coisa que ele me falou foi que não era pra usar a casa do patrão, não interessando qual fosse a necessidade.
– Ele pensa que tudo vai voltar ao normal – disse Junior, acenando com a cabeça para o chimarrão.
– Eu aceito, obrigado – disse Jeff, quando Cerl alcançou a cuia. – Tu não acredita que tudo vai ficar bem? – o homem havia permitido que ficasse ali com eles sem nem mesmo pensar. Seria uma boa ajuda, além de ter alguém com um armamento um pouco mais pesado. A companhia contava também, mas não muito.
Junior apenas balançou a cabeça.
– Não melhorou nada nesse último mês – falou. – Mais um mês e vai continuar na mesma. Eles largaram a gente de mão.
Cerl nada comentou, apenas ficando em silêncio. As palavras do neto o entristeciam, mas ele sempre fora realista, e sabia que era a verdade.
No fim de fevereiro, após sete dias instalados ali, Junior resolveu pôr-se em movimento, e expôs seu plano para os dois.
– Muito bem, meu avô, o plano é o seguinte: nós vamos de volta pra Sapiranga, pegamos a mamãe e o Rudy (meu padrasto) e trazemos eles para cá, pode ser?
– Claro – respondeu Cerl, e encheu a cuia novamente, sugando com calma aquele líquido que era seu costume desde criança. – E na volta tu me conta por que tu levou eles pra lá, ok?
– Ok – falou Junior, e virou-se para Jeff. – Tu vai ter que ficar aqui, pode ser?
– Eu?! – Jeff fingiu estar ofendido. – E perder a oportunidade de cruzar três cidades e voltar pra cá e tudo estar infestado daquelas coisas? Não, não admito isso... – completou, mas estava brincando, e logo discutiram o curso que tomariam.
– Tu esteve naquelas cidades nas últimas semanas – falou Cerl. – Sabe me dizer como estão as coisas por lá?
– Como posso dizer... – Junior coçou o queixo, tentando se lembrar de algo útil para acrescentar. – Bom, as estradas principais estão limpas, não havia nenhum carro batido, e nenhuma coisa andava vagando pelas ruas, mas eu não posso garantir nada, principalmente sobre Sapiranga – ajeitou-se no sofá da sala, onde juntos discutiam sobre tudo que iria ser feito. – Eu estive lá há quase duas semanas atrás, não tenho como garantir que tudo estará da mesma forma.
– A tendência da merda é sempre a de feder mais – completou Jefferson, que tinha umas tiradas incrivelmente... estúpidas.
– Faz sentido – respondeu Cerl, mas para o que o neto havia dito. – E Taquara?
– Da mesma forma: ruas principais vazias – respondeu –, mas se entrar mais fundo nos bairros que ficam a beira das estradas principais tu vai encontrar alguns grupos consideráveis, tipo uns seis ou sete.
– Então está acertado: amanhã de manhã, na primeira luz do sol, eu e tu partimos para Sapiranga pegar tua mãe e o maridinho dela – disse, por fim. – E Jeff: não gasta munição. Se tiver que matar alguma coisa, usa minha faca de carne – apontou para uma faca pequena que ficava pendurada acima da torneira da pia, na cozinha. – Não é muito longa, mas é bem afiada.
– Pode deixar comigo, tio – respondeu. Havia criado o estranho hábito de chamá-lo de tio. Cerl, obviamente, não se importava. Gostava da companhia do rapaz. – No wasted amno, i promise.
Cerl não entendeu, mas Junior traduziu:
– Sem munição desperdiçada, eu prometo.
– Aaahn... Não poderia só ter dito isso?


Na manhã seguinte Junior estava acordado antes mesmo de Cerl, e prendia firmemente as duas facas nos coldres que ficavam presos em suas pernas, além de colocar mais uma na parte de trás da cintura, com uma parte da bainha dentro das costas. Havia, também, empacotado alguns pacotes de biscoitos recheados velhos que o avô mantinha guardado em estoque desde sempre e algumas garrafas plásticas com água purificada, fervida na noite anterior.
Antes de entrarem no carro dele, Cerl checou a gasolina e a bateria do motor.
– Eu tinha enchido o tanque alguns dias antes disso tudo começar, e não tinha saído nem uma vez com ele ainda – falou, apoiando-se no capô. – Depois que a notícia se espalhou, eu embarquei no carro e fui pro centro de São Francisco umas duas vezes e voltei. Nessas idas eu consegui mais um galão de cinco litros em cada viagem, e ainda tem um pouco da gasolina original aqui no tanque.
– Carros econômicos são outra coisa – falou Jeff.
– Com certeza – comentou Junior, entrando no carro e apertando o cinto de segurança.
Cerl entrou no carro, e dirigiu até o portão que dava para a pequena estrada de terra, que levava, por sua vez, para o portão de ferro que ficava ao lado da antiga parada de ônibus, mas não foram por aquele caminho, seguindo na outra direção, para a direita na mesma estrada que terminava em uma ladeira curta direto na rodovia para São Francisco, um quilômetro adiante.
Antes de partirem, Cerl pediu para que Junior abaixasse seu vidro e chamou Jeff.
– Fala, tio.
– Tranca bem esse portão e fica de olhos e ouvidos bem abertos – falou ele, sussurrando baixo. – Os nossos vizinhos que moram ali adiante – se referia a uma clareira que havia a duzentos metros daquele portão, onde a estrada secundária seguia para a rodovia. Havia ali uma casa que não tinha sido completamente construída, e o mato tomava o local onde a grama antes era fofa e verde. –, eles ainda estão rondando a casa. Eles viraram aquelas coisas, e não seria legal deixar eles se aproximarem das cercas, então cuida delas com cuidado. Nós não iremos demorar muito, e acredito que no final da tarde ou antes estaremos aqui, então fica de olho aberto, entendeu?
– Pode deixar comigo, tio – respondeu Jeff, fazendo uma continência para ele.
– Muito bem – respondeu, e ajeitou-se no banco. – Vamos buscar tua mãe.

Ficou dando voltas pelo pátio, caminhando com os cachorros saltitando ao seu lado.
Foi até onde a cerca avançava um pouco dentro do mato de acácias, e checou se estavam todas ainda inteiras. Olhou ao longo dela e encontrou um pedaço de pano sujo de sangue preso, mas nenhum sinal de qualquer presença humana no local.

Já havia passado muito tempo do meio dia, e Jeff havia apenas mordiscado alguns biscoitos recheados amolecidos pelo tempo. Estava bocejando e quase pegando no sono quando ouviu um barulho de motor que provinha da estrada de terra. Saiu da casa e correu até a varanda com a escopeta firme e em riste, mirando para o portão, mas abaixou-a quando viu a ponta do capô do carro, e em seguida o carro todo surgir ao lado da entrada.
Pegou as chaves do portão e correu para deixá-los entrar, e olhou para os lados da estrada de terra antes de fechá-lo novamente.

Cerl parou o carro na frente da pequena escada que dava acesso à varanda e Junior desembarcou, erguendo o banco do carona para que uma mulher robusta (provavelmente sua mãe) saísse. Em seguida, um homem de igual forma obeso saiu do carro também.
Correu até eles e ajudou Junior a levar a mãe para dentro da casa. Depois disso, ajudou Cerl a tirar as mochilas e outros itens do porta-malas. O velho parecia cansado, mas apenas se limitou a suspirar.
– Em casa, finalmente.

Continua...
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