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Divindades e panteões para universos de RPG

Chegou a hora de falarmos de uma das coisas mais bacanas de universos ficionais para games. Divi...


Chegou a hora de falarmos de uma das coisas mais bacanas de universos ficionais para games. Divindades e panteões. Assim como no mundo real elas influenciam bruscamente no desenvolvimento da sociedade (nosso próximo passo) e por isso devem ser pensadas minuciosamente.

Escrevi isso com base em minhas percepções sobre “O poder do mito” de Joseph Campbell, também com algumas considerações e experiências que tive com o RPG e outras obras que me deram uma boa referência para isso. 
Aliás, um ponto que devemos ressaltar é que essa é uma parte muito mais relacionada ao “Story” do que ao “telling”. Explico: Não é necessariamente baseado em técnicas e sim em seu poder criativo, que por sua vez depende diretamente do tamanho do seu repertório. Quanto mais você percebe, lê, estuda, assiste e descobre mitologias distintas (mesmos que em obras de fantasia e ficção) maior é sua capacidade para desenvolver uma que seja original. A minha intenção com o post não é formatar sua mitologia e sim, te dar algumas orientações e caminhos que possa seguir para atribuir uma lógica e aumentar o pode de conectar pessoas ao seu mundo com as divindades.
Toda mitologia é baseada em um plano superior ou paralelo, que vai sustentar a nossa realidade. 
Podemos dizer que basicamente temos três sistemas de crenças, sendo eles o Politeísmo (crença em várias divindades), o Monoteísmo (com uma única divindade) e o ateísmo (que é a rejeição das divindades). Mas como assim, ateísmo?

Independente de crer em divindade ou não o ser humano é um homem lúdico ou homo ludens como diria Huizinga e que sua parte primitiva necessita criar seus mitos para pode entender as transformações de sua existência. Nós usamos nosso repertório para desenvolver os mitos que se tornarão um sistema de crenças e isso pode também significar que estamos falando da ciência.


Como disse na frase acima o primeiro passo é entender que precisamos de um plano para sustentar tudo. Esse plano pode ser espiritual, divino, mítico ou heroico, sombrio, alienígena ou etc. É de lá que as energias ou o a sabedoria surge e vai se materializar em forma das divindades. Esse lugar é muitas vezes compreendido como intocável e superior, muitas vezes não sendo alcançadas por formas de vida simples ou sem o conhecimento pleno. Ele dará origem a suas divindades. Escolha qual caminho deve seguir.

Criar um sistema de crenças baseada no antropocentrismo ou ateísmo pode ser muito complexo para universos de fantasia, então sugiro que no começo tente o monoteísmo ou o politeísmo.
As mitologias tem o seu princípio básico na morte...
Segundo Campbell, as primeiras mitologias começaram a surgir quando os homens primitivos se questionaram sobre o que existia naquele ser (próximo) que desapareceu e fez ele morrer. Qual energia ou ligação tinha com isso? Essas respostam foram desenvolvendo histórias, crenças e rituais para os povos da antiguidade.

Podemos utilizar isso na hora da criação de nossas divindade. A morte tem um impacto muito grande na vida de todas as pessoas. A partir dela surgem tantas histórias sobre zumbis, vampiros, espíritos e ressurreições. Apesar de caracterizar o final de uma vida, ela também simboliza o começo de uma nova, talvez em um dos planos que descrevemos acima.


… e na caça!
Os homens primitivos não tinham o pensamento de que humanos eram superiores ou diferente aos animais. Eles viviam um conflito por dependerem da morte de um outro ser para poderem sobreviver. Esse conflito construiu lendas e rituais que justificassem o ato da caça. Todos enxergavam a caça como uma oferenda dos deuses e por sua vez tinham que serem gratos por isso.  Daí podemos partir para duas coisas legais para criar. Aliás 3...

O primeiro se baseia na ideia de que o deus principal de uma sociedade era intimamente relacionado ao animal mais importante para aquele povo. O peixe para os cristãos e judeus, o bisão para os índios norte americanos, a vaca para os hindus e quem sabe o dragão para a o povo de seu universo. - o animal não precisar ser um avatar, mas ter uma ligação mesmo que indireta com a entidade.
Da caça surgem os heróis, aqueles que trazem o alimento que é símbolo da vida. 
 Os guerreiros com instintos de caçadores seriam o braço de deus que cairiam sobre seus oponentes.Eles seriam heróis, figuras tão essenciais para uma mitologia quanto os deuses. Imaginem que as divindades são a forma intocável da perfeição, os heróis são os espelhos que comprovam que pessoas normais podem alcançar a glória e o reconhecimento divino. - eu até acredito que a figura dos santos católicos poderiam ser considerada como esses heróis.


Então chegamos ao terceiro ponto, que são os rituais. Mas antes um disclaimer: Assim como a morte e a caça, o que essas duas presenças na mitologia nos mostram é que as religiões podem ser construídas sobre os elementos mais marcantes da vida de um povo. A guerra por exemplo é outro elemento constante nas obras de fantasia medieval e que por si tem uma força de gerar mitos e rituais próprios. Quando for criar um sistema de crenças pense nos elementos que estarão impregnados na vida dos seres de teu mundo e use a mitologia para dar sentido a isso.


Participar de um ritual é viver o mito
Se as divindades representam as forças que movem os conflitos no mundo, os rituais são as representações desses conflitos. São elementos que farão os seres do teu mundo representarem com toda simbologia possível sua mitologia.

Eles foram construídos em cima das transformações do corpo, da alma ou da memória e ajudam as pessoas a perceberem que a partir daquele momento estão vivendo em outra fase da sua vida. A fase adulta, a fase guerreira, a fase de construir uma família ou a passagem para a morte. A ideia de um ritual é tirar a criatura do comum e inseri-la em uma experiência marcante que não possa ser esquecida. Em tribos indígenas os garotos eram realmente cortados e recebiam marcas para se transformarem em homens. Curiosamente o papel das mulheres não necessitava de tamanha violência porque todos entendiam que ela tinha seu ritual interno (menstruação deveria ser uma coisa assustadora para os povos antigos).

Eu poderia passar horas escrevendo mais sobre esse assunto, mas ficaria tremendamente extenso. Como disse acima, essa parte de pensar em divindades é muito relacionada ao seu repertório e sua criatividade. Vamos rever os pontos que discutimos:

  • Desenvolva um plano superior ou paralelo a realidade;
  • Escolha o sistema de crenças do povo (monoteísta, politeísta, etc...)
  • Pense nas divindades baseadas nos conflitos do povo; 
  • Escolha heróis para que o povo tenha espelhos;
  • Defina rituais para transformações importantes na vida das suas criaturas;

E lembre-se, nem sempre em um universo você encontrará apenas uma religião. Agora espero que nenhum pastor como o tal Feliciano leia isso e resolva recriar uma religião, aha.

(acompanhe aqui nossa série CUFRPG – Criando Universos Ficcionais para RPG)

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