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Canções da Meia-Noite #84 - Contos de Xandria – O retorno dos dragões

Fala ae roleplayers, depois de um belo dia matando alguns orcs nada melhor do que encerrar a no...


Fala ae roleplayers, depois de um belo dia matando alguns orcs nada melhor do que encerrar a noite na taverna com os amigos, brigando ao som de uma bela musica. 
Para nossa canções de hoje temos uma história contada por Vitor Navarro, que nos leva para um tempo onde apesar de seus problemas nenhuma grande ameaça parece atormentar estas terras, mas quando quatro dragões cobrem os céus de Xandria, um novo tempo de sombras esta para se iniciar e também um novo caminho para alguns inesperados heróis surgirem.


 Contos de Xandria – O retorno dos dragões
Uma névoa densa e acinzentada tomava conta da pequena cidade de Bordões, conhecida pelo seu distrito de entretenimento que conta com lojas goblins cheias de gadgets e armamentos, incontáveis bares temáticos, pontos de drogas e um gigante bordel élfico. Tudo isso escondido por algumas centenas de xelins em suborno para as autoridades e governo da região.

Bordões possui o melhor e o pior de Xandria em apenas alguns kilômetros quadrados e ainda assim continua fascinante, mas neste dia estava especialmente vazia com excessão de alguns locais, um deles, o bar Braço de Aço, estava bem barulhento como de costume e ficaria um pouco mais com a chegada daquele homem.

Entrou no bar de cabeça baixa com chapéu estilo fedora, usando um sobretudo marrom com uma das mangas rasgadas apresentando um braço todo enfaixado, suas botas tinham lama e trouxe consigo uma forte chuva que pesava nos telhados do bar. Sua figura imponente fez com que o pequeno goblin vendendo um iKillerPad roubado, parasse de falar imediatamente já que imaginou que o homem fosse algum fiscal ou policial.

O forasteiro observou o ambiente enquanto caminhava até o balcão no centro do bar. Do lado esquerdo um trio suspeito lhe chamou a atenção, dois trolls caçadores e um orc que fedia à bosta de javali sentados em uma mesa próxima ao gigantesco piano holográfico, a música tocada pelas mãos de uma elfa ninfa de cabelos vermelhos e olhos azuis era agita. No lado oposto à eles um grupo barulhento fazia alguma brincadeira com as garçonetes enquanto gargalhavam, eram soldados humanos e estavam completamente bebados.

Sentou-se no balcão ao lado de uma figura com capuz cobrindo o rosto, tomando saquê e segurando um topázio trincado.

- Um copo com uma dose de pinch da floresta, um shot de licor de amaretto di sannoro e completa com vodka rubro.

- Com ou sem gelo?

- Sem por favor.

- Um pouco forte, não acha? – Disse a figura encapuzada.

- Cura todas as dores de uma vez.

A figura encapuzada não se conteve e soltou um leve riso, estranhamente feminio já que suas proporções estavam escondidas por suas roupas e aparentava ser um homem magro.

- Não gosta de drinques? Você deveria experimentar.

- Não posso me dar o luxo de beber muito.
- Acho que não te conheço, você é daqui?

- Eu não sou daqui, venho de longe e vou para longe em alguns minutos.

- Ah! Mais um fugindo de algum demônio, bem vindo ao meu mundo. Como se chama?

O encapuzado não se sentia confortável em revelar-se para estranhos mas por algum motivo aquele homem lhe pareceu confiável.

- L’air Yris Von Krascthen. Me chame de Yris. E você?

- Sou Alcyr J. Turnmoil. Mas Alcyr já está bom. Aliás nome bonito Sra. Yris.

- Shiiuuu não fale muito alto… não podem saber que estou aqui.

Ficaram em silêncio enquanto Alcyr tomava em apenas um gole o copo da sua mistura cheia de álcool. Ele pressentia problemas vindo da garota mas não queria simplesmente parar de beber e ir procurar um quarto então preferiu pedir outro drinque.

- Eiiii Roger, manda outro desse e uma garrafa do seu melhor saquê para o companheiro aqui do meu lado.

- Não posso aceitar isso Alcyr, nem lhe conheço.

- A garrafa pelo significado desse topázio que você não para de esfregar.

- Um…… você não vai acreditar mas ele me avisa quando os dragões se aproximam.

- HAHAHAHAHAHA – Alcyr riu tão alto que deixou Yris corada mesmo que ele não pudesse ver.

- Eu sabia que não ia acreditar…

- Desculpe Sra. Yris mas os dragões não aparecem já fazem uns 5 mil anos, ninguém ao menos sabe o que aconteceu com eles.

- Eu sei e estão me perseguindo por isso.

Nesse momento o topázio de Yris começou a brilhar muito forte e a garota o enfiou em uma bolsa perto da cintura rapidamente. Antes que ela pudesse se levantar Alcyr a segurou pelo braço e a fez sentar novamente.

Ela então percebeu que o orc que fedia a javali estava olhando para eles, ela se virou para Alcyr e mostrou o topázio dentro da bolsa brilhando. Ele sacou sua pistola num giro rápido e acertou um tiro no copo de um dos trolls caçadores encharcando o trio com cerveja.

Encarou os três brutamontes de longe, a tensão agora era grande no Braço de Aço e a ninfa começou a tocar outra música mais agitada ainda mas agora com entonação de ação. Um dos soldados tentou gesticular algo mas quando ficou entre a arma de Alcyr e o trio veio a explosão e o clarão.

Um pedaço da parede da frente do bar voou por cima da pianista e fincou-se na parede do fundo do bar, todos dentro do bar caíram com a tremedeira e o bar se encheu de fumaça e de uma luz laranja brilhante.

- Que merda foi essa Roger?!

- Eu não faço a menor idéia Alcyr, acho melhor você dar no pé, porque se forem os militares você realmente fodeu com eles.

Alcyr agarrou Yris, ainda meio tonta por conta da explosão, e os dois sairam correndo para fora do bar só para descobrir que uma parte da cidade estava em chamas e uma outra parte estava em ruínas. Ele sabia que precisava ir para um lugar alto e descobrir o que estava acontecendo ou então morreria procurando uma rota de fuga como um rato em um labirinto.

Entrou no prédio na frente do bar e subiu até o último andar, encostou Yris num canto escondido ao seu lado, foi até o parapeito e colocou um óculos que parecia de mergulho mas na verdade é um binóculo bem potente que ele havia comprado de um goblin mecânico nas florestas vermelhas ao sul do pantano da agonia.

Bastou um gesto para aumentar o zoom e outro gesto dos dedos para focar, seu binóculo é controlado pelo movimento de suas mãos e tinha uma resolução absurda de imagem. Procurou no chão mas só encontrava pessoas correndo, foi então que pensou em olhar para o ceú e teve a visão mais aterrorizante de sua vida.

Alcyr avistará um dragão e depois outro e mais um e o quarto e último do grupo, como se não bastasse uma besta destruidora sumida à 5 mil anos ele estava vendo quatro delas.

Não havia tempo para pensar, guardou o binóculo, pegou Yris no colo, prendeu o gancho de uma corda no parapeito e a enrolou no braço jogando-se do prédio correndo na vertical pisoteando as janelas como se fosse um maratonista correndo de um warg com fome.

Aos berros, Yris batia no peito do homem, mas parou durante alguns segundos pois foi quando pode olhar para o rosto de Alcyr, ela viu os cabelos meio grisalhos de seu cavanhaque por cima de uma pele meio morena e olhos cor de mel, mas o que mais lhe chamou a atenção foi a cicatriz que começava perto do olho direito e descia até a mandíbula. Voltou a si com o impacto do chão e então desceu do colo de Alcyr.

- Eu acredito em você, avistei quatro dragões vindo para o bar e precisamos fugir agora, sem perguntas e sem choro, ok?

Ela apenas sinalizou com a cabeça.

Era tarde demais para pegar o portão principal pois os dragões haviam botado fogo em todas as saídas terrestres. Os dois corriam por entre os prédios mais altos tentando encontrar alguma garagem subterrânea ou algum veículo que pudesse os tirar dalí em meio ao fogo que jorrava dos céus.

Por acaso em sua corrida encontraram o estacionamento do bordel élfico, o estabelecimento estava protegido por completo com algum tipo de magia aparentemente poderosa. Entre a dupla e o bordel estava o trio do bar. O orc parecia ser o líder e foi o único a falar meio rosnando e cuspindo palavras estranhas.

- Graaaarr! Achou que ia fugir de mim assim lindinha rarrrrrrr.

- O que quer que ela tenha lhe feito não valhe a tentativa de passar por mim. Quanto você quer para nos deixar passar?

- Hahahah *snorf* Graaaarr! Eu quero o que os dragões vão me pagar por ela, você não tem o que desejo, conversa encerrada.

Alcyr passou Yris para suas costas, ele sabia que se demorassem demais para entrar no alcance da magia seriam torrados pelo fogo dos dragões no próximo ataque. Foi nesse momento que ela presenciou os movimentos do grande ex-general de Alfair.

Correu em direção aos três disparando uma chuva de balas que acertaram diretamente o troll da esquerda mas que os outros dois foram capazes de desviar. Se jogou para a direita desviando de um machado que passou por cima do ombro e em seguida deslizou para o chão parando embaixo do outro troll que não havia conseguido nem recarregar seu trabuco de cano duplo dos vários tiros que errou e acabou morrendo com um bala no meio da testa.

Sobrava o orc e os dragões já estavam se aproximando, o tempo estava esgotando. Um segundo de sua distração foi o suficiente para que o orc acertasse uma machadinha em cada pistola jogando-as para longe. Alcyr reagiu com um chute no queixo do orc e um pulo para trás.

Trocaram olhares rápidos, o orc sacou seu machado de batalha que tinha o mesmo tamanho de um humano e Alcyr por sua vez desenfaixou o braço direito revelando seu membro mecânico, perdera seu braço durante a guerra das rosas e receberá o implante do mesmo goblin mecânico que lhe vendera os óculos.
Correram na direção um do outro mas Alcyr parou e começou a correr em direção a Yris que estava paralizada de medo. O orc sem entender muito bem continuou perseguindo Alcyr até que foi pisoteado por um dragão negro.

O orc soltou um urro de dor que poderia ter ecoado por toda cidade se não fosse o caos do momento. Resmungou alguma coisa para o dragão que lhe arrancou a cabeça com uma mordida ignorando o que ele havia falado.

- Yris, acorde, me escute! Yris!

Alcyr sacudia a garota e dava tapas em seu rosto mas ela estava em choque, a situação havia chegado no pior possível e ele já estava imaginando que não escaparia dessa com vida. Respirou fundo e decidiu que faria o melhor que podia.

-Yris isso vai doer um pouco, mas quando você estiver la dentro estará segura. Procure por Jarden, diga que o general de Alfair lhe mandou.

Depois de dizer isso arremessou a garota direto na janela do segundo andar do bordel e virou-se para encarar aquela que podia ser a última luta de sua vida.

Ele não precisava perguntar e também não queria saber os motivos do inferno que estava acontecendo alí, por isso correu preparando suas faixas com um laço para agarrar uma de suas pistolas. Arremessou a pistola no ar e na direção do dragão, desviou de uma patada pulando para a esquerda, depois de outra patada pulando por cima do ataque e aproveitou para escalar essa pata e tentar chegar a cabeça da besta.

Não podia acreditar que estava sendo tão fácil, segurou a pistola que caiu de volta em suas mãos e virou-se para acertar um tiro na cabeça do dragão mas o que viu foram seus dentes e uma garganta enorme preparando para cuspir chamas em sua direção.

Ele foi rápido o suficiente para não ser torrado vivo mas a queda acabou por quebrar o braço não-mecânico de Alcyr.

O dragão naquele momento parecia gargalhar de desdém da tentativa do ex-general. Ele não se daria por vencido e ignorando toda a dor do braço esquerdo sobrecarregou a energia do braço direito e pulou muito mais alto do que um homem comum conseguiria em direção ao focinho.

O soco no impacto soltou uma explosão de energia e alguns parafusos se soltaram do braço voando longe, além de um mangueira de pressão que se rompeu. O dragão cambaleou para trás e Alcyr pousou sem muito apoio no chão quase dando de cara na terra.

Por apenas um segundo ele acreditou que a batalha estava ganha, mas o bicho não iria morrer fácil dessa forma, recobrou o equilíbrio e com apenas um movimento deixou o ex-general colado no chão com apenas a cabeça visível entre as unhas da pata.

- Humano imbecíl, enfrentando um dragão sozinho dessa forma.

- Olha só dragões também falam, desde quando vocês são inteligentes?

- Ha ha ha, muito engraçado humano, foi muito divertido brincar com você, mas já que conseguiu me marcar vou deixar uma marca em você como agradecimento e vou pegar o que vim buscar. Espero que você viva o suficiente para podermos brincar novamente. Grwa hahahaha.

Dito isso o dragão cuidadosamente fez um corte no peito de Alcyr para que ele não morresse e ainda assim ficasse marcado para sempre. Ao terminar arremessou-o contra um prédio no outro lado da cidade.

Antes de ficar inconsciente e atingir o prédio Alcyr viu o dragão passando pela barreira mágica e sussurrou.

- Não…. Yris….


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