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Canções da Meia-Noite #82 - Carrasco, rei

Saudações roleplayers, hoje nossa taverna terá uma história um pouco diferente, partindo do esti...


Saudações roleplayers, hoje nossa taverna terá uma história um pouco diferente, partindo do estilo de narração para os poemas, temos as palavras que expressam o verdadeiro sentimento por traz daqueles que empunham sua espada em nome dever e se tornam executores dos julgados condenados, sendo que as vezes cabe a um rei tomar esse papel. Que nos traz essa história é @menesquente, portanto se acomodem na mesa mais próxima e vamos a nossa canção de hoje.


Carrasco, rei
Os céus eram tão cinzentos como fumaça de guerra; mesmo em tempos de paz o mal não se transpusera 

Estando em meus aposentos reais; sentia-me um pouco como um monstro de aparências chacais 

Eu era o Lord mas diziam-me que tinha tarefas a fazer; para manter-me real, não poderia deixar de haver 

De meu conforto encaminhei-me pelo caminho que andava a morte; tão asquerosa e necessária quanto à sorte; 

De meu castelo grandioso viam-me em forma de respeito e glória; mas no fundo da minha alma, perguntava-me: É realmente uma vitória? 

Avistava os grandes campos verdes e frios a volta; ao caminho daquele condenado com minha pequena escolta 

Encarei-o de queixo erguido, calado como um monumento; mas na verdade, meu eu mais profundo gritava em voz baixa por dentro 

Suas ultimas palavras soaram como sons de insanidade; muito estranho para um jovem daquela idade 

“Diga a minha família que peço desculpas; afinal, todos sabem sou intimo das culpas 

Diga também, milorde, que sou inúmeras coisas, de verdade; porém tais essas que não sou, é um ser covarde” 

Em silêncio afirmei para tal; mesmo que sincero, a morte hoje era meu serviçal 

Com olhos baixos, quase tristes, pedi aquela de fio cortante; tão mortífera e colossal, quanto brilhante 

A cabeça do condenado deitara em seu ultimo travesseiro gelado e duro; mesmo eu, tentava encarar aquilo como se estivesse no escuro 

Murmurei orações aos novos e antigos deuses como uma péssima despedida; tão fria e pesada quanto toneladas de ouro em pepita 

Antes mesmo de o ato acontecer já sentia o cheiro de cadáver que impregnava; minhas vias nasais estagnava; e um pouco de mim, estragava 

Manchado de vermelho aquele gramado branco de neve ficou; com um sobrepeso peculiar, a cabeça que despencou 

Manchado também era a alma minha; que se sentia muito além de só mesquinha 

Limpo era o sangue de minha espada; suja era consciência afastada 

O respeito e a admiração que tinham em mim engradece; já meu espirito pacato estremece 

Pensam que é pelo poder; não passa de um amaldiçoado dever 

O gramado que dentro de mim habita é feito de sangrentas rosas; que são tão cheias de honra, que as sinto desonrosas 

Queria que fosse o ultimo dos pecadores; mas em meu destino está à morte, com suas dores e horrores. 

Sou tão, por mim amaldiçoado; quanto pelo meu povo, amado.


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