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Canções da Meia-Noite #81 - A Lenda dos Deuses e dos Nephilins - Parte 1

Saudações caros aventureiros e sejam bem-vindos a nossa taverna. No principio do mundo onde a existência de reinos ou mesmo de heróis nã...


Saudações caros aventureiros e sejam bem-vindos a nossa taverna. No principio do mundo onde a existência de reinos ou mesmo de heróis não era nem mesmo algo que se cogitada,  os deuses chegaram a um mundo marcado pelo caos e alteraram sua para sempre este lugar. Afinal, poderiam os deuses serem os maiores males de um universo? Quem nos traz este questionamento é Junior Ade, então peguem um pouco de cerveja e vamos a nossa história de hoje.


A Lenda dos Deuses e dos Nephilins - Parte 1 
Nos idos da Era Anciã, quando o mundo era povoado pelas feras reptilianas de tamanho gigante, não existiam ainda o que chamamos de continentes, muito menos civilizações.
Eram tempos de caos, onde o menor era desprovido de segurança, enquanto o maior se deleitava na carne dos fracos. No entanto, era o que se pode dizer natural.

Um dia, durante uma tempestade que escureceu os céus ancestrais, chegaram a Terra aqueles que viriam a ser conhecidos como Deuses Anciões: envoltos em chamas, enxofre e poeira.
Não se sabe de onde vieram, ou qual era seu propósito original, pois não é conhecido a existência atual de tais seres ou seus objetivos e pensamentos, mas sabe-se que não vieram sozinhos: eram quatro, e traziam consigo quatro escravos.
Suas formas eram distintas, e seus nomes, tão obscuros e longos, logo foram esquecidos. No entanto, são chamados distintamente quando se falam sobre eles.

O Deus de menor poder era conhecido como Cinzel. Sua função, dentre outras, era a de moldar a Terra e o mundo, dando-lhe formas e ângulos para o deleite de sua visão. Mesmo sendo o de menor poder, era imensamente mais poderoso do que qualquer um dos seres que habitavam a Terra. Sua altura ultrapassava a das altas árvores que cobriam boa parte do planeta. Sua forma era a de um grande roedor ereto, com longas orelhas e coberto de fuligem. Cobria-se com madeira e terra, pedra e fogo.

O Deus que vinha logo em seguida era chamado Banda, e desempenhava o papel de ajudador e arrumador do mundo e dos próprios Deuses. Suas proficiências incluíam juntar ossos, costurar peles e tirar doenças. Tinha o mesmo tamanho de Cinzel, e vagava pela Terra buscando uma forma de curar e salvar as criaturas nativas. Sua forma lembrava uma grande esfera negra, flutuando alguns metros do solo, e vestia-se com tiras largas de couro enroladas em toda sua circunferência. 
Como segundo na escala de poder, vinha Cajado, Deus responsável pelo aconselhamento e defesa dos Deuses. Era provido de grande poder, sendo capaz de paralisar e conter todas as criaturas existentes. Na Terra, caminhava sempre junto de seu escravo, observando e aprendendo. Alto, com dois pares de asas longas e escuras, um deles de couro, que se moldava ao seu corpo, e outro de penas alvas que cobria sua cabeça, tinha o topo com focinho longo e olhos ferinos. Voava ao longo dos planaltos e planícies, sempre mais alto. Era o de temperamento mais comedido, ignorando qualquer ofensa ou injúria vinda dos seres da Terra.

O último Deus, o mais poderoso dentre os quatro, ficou conhecido como Martelo.
Era uma criatura peculiar, de forma ruim: tinha o tronco e os membros largos e grossos, potentes armas de destruição, com mãos desproporcionalmente grandes, e uma cabeça provida de dois longos chifres curvos. Usava uma toga de ossos, com as costelas dos monstros que trucidara formando sua placa de peito. Seu cinto era feito com as tripas secas de suas caças e o elmo era feito de rocha e fogo. Escuro, manchado e coberto de cicatrizes, era a visão do caos e da dizimação, bem como seu agente direto. Sua força e seu tamanho descomunal eram o motivo de ter subjugado os três Deuses, últimos representantes de uma raça há muito destruída.
Sobre suas intenções
Eram esses os Deuses que chegaram à Terra nas Eras Anciãs. De formas diferentes agiam e pensavam, bem como viajavam em diferentes direções. Suas ações inconstantes tinham distintas reações no mundo, mas era fato que apenas um Deles era soberano sobre os outros: Martelo, que com chamas e fúria controlava aquilo que acontecia ao seu redor.

Sobre as intenções de cada um nela, pouco e muito menos se sabia, mas é nesse pouco que nos focaremos.
Cinzel era o Deus das formas, mas não amava aquilo que fazia. Sua mente era regredida, e trabalhava em algo por não mais do que algum tempo. Era o mais submisso e neutro dos Quatro Anciões, que eram jovens naquela época. Tudo que tocava ou criava era sob a ordem de algum outro poderoso, e esse nunca reclamava, apenas atendendo ao mando e entregando aquilo que lhe parecia o resultado adequado ao pedido.

Banda, com sua forma esférica e gigante, rodava o mundo atrás de algo que o tornasse útil. Sua mentalidade o impulsionava adiante para algo que não sabia explicar: apenas consertava coisas, ajudava algum ser, aconselhava seus irmãos, mas apenas quando lhe era pedido. Era, em parte, aquilo que faltava em Cinzel, sempre disposto e amistoso com aquilo que tocava e sentia afeto imediato por tudo aquilo que passava por ele.

Cajado era um Deus com uma mente de certa forma prodigiosa: via longe, ouvia com atenção, e era curto em suas respostas. Sua estabilidade se devia ao fato de que era ele o responsável pela ordem das coisas no planeta: guiava as manadas de répteis em migração pelos locais seguros, mas respeitava a natureza quando ela reivindicava algum dos seus seguidores, pois acreditava que tudo tinha sua ordem natural. Por ser brando e pensativo, usava poucas palavras, e mantinha-se sempre a uma distância segura dos outros Deuses, que costumavam brigar de forma colossal. Sua função era contê-los, prendendo-os ao chão de forma a amainarem suas mentes.

Sobre Martelo pouco se podia falar, pois era pouco visto, e a simples menção de sua chegada era ouvida como tempestade. Sua força, seu caráter explosivo e irrequieto era o som dos trovões e o motivo das revoltas no grande oceano. Seu punho de aço na subjugação dos irmãos o garantia a solidão, que era uma companheira amigável e comum. Quando despejava sua vontade sobre os Deuses, fosse ela qual fosse, exigia imediatismo e, quando não o recebia, descia sua fúria sobre a cabeça de qualquer ser ou coisa que estivesse ao alcance de suas poderosas iras.

Os Deuses eram, em suas totalidades, extremamente apegados àquilo que possuíam, e tomavam para si tudo que parecesse necessário ou mesmo apenas bonito.

Sobre seus escravos (Nephilins)

Os Deuses anciões eram seres de poder imensurável, e possuíam motivações e faces diferentes entre si, mas existia algo que era comum a todos eles: seus escravos.
Eram quatro, sendo um servo para cada Deus. Possuíam a forma dos seres humanos modernos, mas eram mais altos, beirando os dois metros e meio. De pele escura ou clara, variando a face dependendo de quem serviam. Eram feitos à imagem de seu Senhor, contendo algo ínfimo de seu poder alojado em si.
Haviam sido criados sob as ordens de Martelo, que buscava alguém em quem descontar sua fúria quando sentisse vontade, e foram moldados por Cinzel, que juntou um pouco de serragem, uma porção de capim, duas gotas de água e pedras moídas. Em cada um deles foi depositado uma parte do pensamento dos Deuses, para que se formassem fortes e obedientes.
Sobre eles, algo mais explicado se é sabido.
O servo de Cinzel era chamado Carpinteiro, possuía uma forma atarracada, magra e pele escura. Possuía mãos calejadas, feridas nos pés descalços e usava apenas uma túnica de peles apodrecida sobre o corpo. Como servo de Cinzel, moldava pequenas árvores, construía pequenas cavernas e erguia ilhotas em lagos. Tinha a mesma visão sem vida de seu Mestre, partilhando também de sua indiferença ao que acontecia ao redor. Estava sempre por perto.
A serva de Banda se denominava Curandeira e, assim como os outros escravos, possuía o temperamento igual ao de seu Deus. Vestia-se com folhas e escamas. Ao contrário de Carpinteiro, Curandeira vivia longe de seu mestre. Essa distância que mantinha era por pedido do próprio Banda, que o mandava para longe em busca de algo em que pudesse ser útil. Não existe muito que dizer sobre ela. Era apenas um ser que vagava sozinho e ajudava com pequenas coisas. Sobre sua forma pode-se dizer que era alguém ordinário: enquanto os escravos se mantinham por perto e inteiros, Curandeira esquecia-se de si completamente, o que o tornava uma visão desgostosa: pés grotescos e com dedos faltosos e cobertos de moscas em feridas abertas e não tratadas, seios flácidos secos.

Aquele que servia Cajado não possuía nome ou título. Sua mentalidade, espelhada em seu Mestre, o tornava alguém de difícil compreensão. Até mesmo Cajado pouco sabia sobre ele, mesmo estando em sua companhia desde sua criação. A única coisa que parecia sabida sobre ele era sua aparência exatamente igual ao de seu Mestre, mas em uma escala menor. Acompanhava Cajado onde quer que Ele fosse, voando quando Ele voava e caminhando quando Ele caminhava.

Destruidor, como Martelo o chamara, era um escravo repugnante de mente. Com sua forma grotescamente forte, braços desproporcionais ao corpo, um rosto arruinado, era o único que odiava seu Mestre. Sua cara de repulsa toda vez que Martelo se aproximava apenas mudava quando Ele levantava a mão para esbofetear lhe, o que fazia com uma frequência quase religiosa. Sobre ele, nada de proveitoso se pode falar, pois era o mais ignorante dos quatro servos dos Deuses Anciões.
Sobre a cópula dos escravos
Como foi dito, os Deuses se encontravam pouquíssimas vezes e nesses momentos dificilmente algo pacífico acontecia.

Em um dos últimos encontros que tiveram, seus escravos foram forçados a se unirem em Suas presenças.
Sobre cada um deles foi posta a marca do Nephilim, um sinal da escravidão e da contenção que a raça dos Deuses desenvolvera como forma de impedir que seus já muito pensativos escravos tomassem qualquer liberdade no mundo em que dominavam.
Cajado, em segredo, retirou a marca de seu escravo, pois tinha um afeto pequeno mais significativo por ele, e não gostava da ideia da servidão impensada. Algo não saiu certo, porém, com relação às marcas postas em Curandeira e Carpinteiro.

De alguma forma, a marca despertou a mente do servo de Carpinteiro, e clareou a de Curandeira. Cajado percebeu isso, mas estava ciente de que não deveria falar sobre isso, ao passo que os escravos dos citados Deuses esconderam isso de seus Mestres.
Quando se separaram novamente, Carpinteiro se desviou do caminho tomado por Cinzel, indo em busca de Curandeira.

Sem que fosse percebido, Cajado seguiu-os.
Após algum tempo perscrutando a mente dos dois, percebeu que eles haviam tomado ciência de suas existências e de suas necessidades.

Assim, nos tempos anciões, aconteceu a primeira cópula entre Nephilins, sobre um céu claro e um teto de folhas, perante os olhos de Cajado e de seu servo.

Ficaram juntos durante um curto período (para Ele) até que algo incrível aconteceu: em meios às dores e aos gritos, uma cria saiu das entranhas de Curandeira.

Abismado, mas não amedrontado, Cajado observou seu desenvolvimento, o modo como crescia e suas proficiências, e ficou chocado quando percebeu que a cria possuía os dons parecidos com o de seu escravo, mas em uma escala menor ainda, sendo capaz, no máximo, de mover pequenas pedras e paralisar pequenos animais.
Em um espaço de tempo longo para os escravos, várias e muito mais crias surgiram, primeiro surgindo de Curandeira, até que começaram a juntar-se entre si, gerando criaturas que eram imagens em menor escala dos outros escravos.
Cajado então percebeu certo padrão nos nascimentos: aqueles que herdavam de Carpinteiro e Curandeira geravam heranças com os poderes reduzidos de Seu próprio escravo. Essas crias, quando se juntavam com Curandeira, que copulava com suas próprias crias, geravam outras criaturas com herança de Carpinteiro. A herança de Carpinteiro junto com a herança de poder do escravo de Cajado gerava criaturas com herança em Curandeira.

Essa última, se unida com uma herança do escravo de Cajado, gerava as criaturas com espelho em Destruidor. Esses não geravam nada além de mais destruidores, todos eles com o sexo masculino, que Cajado classificara com sendo o dominante. Essa cria era a mais brutal, tomando sua genitora, suas irmãs e até mesmo a cria de suas irmãs com outros machos.

A população estava crescendo de forma incrível, e Cajado percebia que, a cada dia passado, seu escravo se tornava mais inquieto. Olhando em sua mente, o Deus percebeu que ele começara a desejar Curandeira, pois ela havia se transformando em uma bonita e atraente criatura quando ganhou a consciência de sua própria condição decrépita. Por esse motivo, seu escravo passou a observar durante horas e dias seguidos a mulher, aguardando o momento para se aproximar.

Quando esse pensamento ficou claro para Ele, Cajado agiu: usando seu poder de controle, induziu todas as criaturas a deixarem o local durante alguns poucos momentos.
Seu escravo percebera a chance, e chegou ante a Curandeira.

Cajado havia se afastado por um tempo, e quando voltou encontrara seu servo sentado ao lado dela, completamente nu e em silêncio. Curandeira estava ao chão, completamente suada e exausta. De seus lábios, apenas um frase saiu, antes que dormisse.
– Pai de Deuses será, Guia...

Cajado ouviu, e guardou para si. Antes que pudesse dizer algo, seu escravo se ergueu, passou a túnica sobre sua cabeça e voltou para Seu lado, juntamente com sua introspecção.
O Deus previu que dessa cópula adviria a perdição para os Deuses, mas não diria nada até ter certeza. O tempo necessário para que as novas crias nascessem veio e duas crias vieram de uma única vez.

O primeiro a sair era um espelho de seu escravo, sendo reflexo mais poderoso em escala de poder ao seu genitor, podendo paralisar seus irmãos e até mesmo os escravos que ali se encontravam.
A segunda cria a sair era um pouco mais delgada, mas não em menor poder. Era reflexo de seu escravo, mas o rosto lembrava o do Deus Cajado.

Assim nasceram as crias dos três escravos, e cresceram e se multiplicaram, escondidos da visão dos outros Deuses e protegidos por Cajado e seu servo.
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