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Canções da Meia-Noite #75 :O Guardião da Deusa Protetora (Parte2)

Olá aventureiros, pode parecer uma daquelas histórias que quando você ouve logo pensa que não p...


Olá aventureiros, pode parecer uma daquelas histórias que quando você ouve logo pensa que não passa de palavras ditas por algum guerreiro bêbado na porta da taverna, afinal, não é todo dia que você ouve falar sobre um anão que salvou um elfo. Na última edição da canções, o nosso nem um pouco humorado amigo anão Mika, ajudou o elfo Zentran em uma luta contra um bando de kobolds, garantindo um pouco de XP e deixando seu machado coberto de sangue. Agora ambos seguem um novo caminho juntos e os segredos carregados pelo elfo começam a criar um novo destino para nossa aventura.
















  A Jornada em Caledora : Amizade Esquisita (Parte 2)
– Deixa ver se eu entendi bem… Você veio da Unibangar, que é longe que nem o fim do mundo, por que tem que encontrar as partes da sua vestimenta sagrada e a líder do seu povo teve um sonho que você deveria se encontrar com um homem que estaria aqui? E esse homem segue as estrelas?

Caledora era um mundo de muitas coisas fantásticas, inexplicáveis até, porém para Yldo, um rapaz comum, bem pragmático por assim dizer, os últimos dias estavam longe do que ele considerava normal. Agora, em menos de três dias, jovens apareciam começando viagens pelos motivos mais insanos. Ele já tinha visto grupos indo para buracos ou castelos supostamente amaldiçoados atrás de riqueza ou poder. Muitos voltavam e desistiam, outros morriam em alguma poça de lama. Havia até o conto do “clérigo teimoso”, que falava de um grupo que morreu, pois o clérigo não quis curar as feridas dos companheiros e preferiu entrar na luta.



Mas aquele jovem na sua frente e o ryurin – era assim que seu pai chamava o tal Long – estavam se arriscando por sonhos ou por visões. Isso já era um absurdo! O recém-chegado tinha um sorriso honesto no rosto de quem não teme, nem por um segundo, o caminho que escolheu.

- Isso mesmo! Por acaso conhece alguém assim?! Algum homem do povo do dragão, para ser bem específico?! – Para Bado, tudo era novo e cheio de cores. Na sua terra natal, as geladas montanhas de Unibangar, o branco era a cor predominante. Já nas terras quentes cada lugar era composto de inúmeras tonalidades de múltiplas cores. Ainda mais naquela cidade, umas das maiores do mundo. Pleikut, a Eterna.

Comida de várias regiões, sotaque de povos que ele nunca ouvira falar, além de povos que ele só conhecia pelas histórias dos sacerdotes. Estranhamente, para ele, ainda não encontrara nenhum elfo.
O rapaz que o atendeu era humano, mas um dos mais esquisitos. Parecia ter sofrido algum mal quando criança, pois seu rosto estava meio torcido, talvez fosse dor de barriga.

– Bem… -Yldo conseguiu arrumar forças para agir dentro do normal. – Não sei se é quem você procura, mas esteve aqui um ryurin com uma conversa doida como a sua. Teve uma visão nas estrelas ou algo assim, se quer minha opinião ele era louco e… – Yldo viu que os olhos do rapaz brilhavam e podia jurar que ele estava quase chorando de emoção.

- Me diga, ele ainda está aqui?! Anda! Chame-o aqui!
- Não, não… Ele já foi. – Yldo ficou feliz quando Long partiu, o pai ficara encantado com o estrangeiro e, mesmo não assumindo, estava com ciúmes daquela empatia que dois aventureiros dividiam, um que começava uma jornada e outro que já conclui a sua.
- Maldição! Por Keingura! Cheguei atrasado! E agora?… – Bado foi até a janela, estava num ponto alto da cidade, de onde podia ver boa parte daquele formigueiro. Estava fora de cogitação voltar para casa, mas por onde ele devia continuar sua busca? “Talvez os guardas da muralha soubessem de algo…”
– Bem, tenho que começar logo então. Obrigado, que os deuses lhe protejam! – Deu alguns passos em direção à porta quando Yldo chamou por ele.

- Ei! Ei! Antes que parta, posso te perguntar uma coisa? – Algo mexia dentro do peito de Yldo. Era uma angústia, uma energia que não queria deixar ele parado. Era o chamado.
- Até imagino o que você quer saber… – Ele tirou o fardo que carregava, uma mochila de viajante bem diferente.

Tinha um compartimento na parte de baixo e uma abertura de cima, onde normalmente se colocavam os equipamentos, estava fechada por um ferro circular. Por fora tinha o desenho de um lobo branco que parecia estar vivo. Qualquer desviasse o olhar por um momento, em outro acharia que o lobo tinha mudado de posição.

– Não fique encabulado, não é primeiro que pergunta sobre ela. Veja, ela tem dois espaços, esse menor eu abro por baixo, onde guardo uma muda de roupa, comida e algumas outras coisas. A parte de cima é especial, vê? Está fechada com essa trava. Ela só vai abrir quando eu conquistar o direito, essa mochila na verdade é um artefato criado pelos deuses para guardar uma proteção divina.

O lobo desenhado, agora podia ser visto claramente correndo pela mochila. Soltou um uivo mudo, mas Yldo se arrepiou. Uma energia parecia emanar do garoto.

- Quem é você?
- Eu sou Bado de Alcor, o espírito do Lobo Branco de Unibangar, Guardião sagrado de Keingura, a protetora. Comecei a seguir o que chamamos de “o caminho”, onde todos os guardiões devem crescer em espírito e força, além de encontrar o artefato do seu espírito, a vestimenta que eu falei, que será guardada nessa mochila especial e só deve ser usada para lutar pela justiça, proteger os indefesos e contra o mal. – Bado falou tudo isso de costas, quando virou para Yldo fez um sinal com a mão, onde levantava o dedo indicador e mindinho, muito usado pelos jovens para indicar que algo era legal. – Consegui matar sua curiosidade?

Com queixo caído, Yldo não conseguia assimilar tudo o que foi dito, mas não podia deixar de fazer a pergunta que queria.

– É… bem… obrigado por dividir isso comigo, mas eu não queria saber da sua mochila não. – Bado ficou descompassado.
- Hum, eu e minha boca grande! Certo… E o que você quer saber?
- Eu quero saber por que você, assim como aquele tal de Long, se arriscam. – Yldo ficou irritado, pois a cara de Bado era de quem não entendia a pergunta. – Você podia ficar no seu lar, em paz e seguro. Por que correr atrás de algo que pode nunca encontrar e, pior, pode morrer e seus familiares vão sofrer? DIGA-ME O POR QUÊ! – Yldo só percebeu que gritava quando viu que todos os presentes olhavam para ele. Nunca tinha agido assim.

Bado era mais novo que aquela pessoa na sua frente. Mas sabia que tinha uma experiência de vida muitas vezes maior.

- Não sei sobre os outros, porém, acho, que a essência é a mesma. Sei que pretendo algo difícil, para não dizer impossível, e se falhar pessoas vão chorar por mim, só que prefiro isso a encarar essas pessoas se eu fugir dos desafios e dos problemas que a vida coloca na minha frente.
- Desafios? – Aquilo que mexia dentro de Yldo estava para explodir.
- Isso, como olhar a mulher que amo e dizer que sou um covarde que foge no primeiro obstáculo? Prefiro que ela chore em cima do meu cadáver. – Claro que Yldo não sabia quem era Natali e nem que ela era a sumo-sacerdote de Keingura, e só por isso o amor dele era fadado ao fracasso. – Não sei se você passou por isso, Yldo. Todos têm um motivo para se aventurar, seja por dinheiro, fama ou por amor, mas todos sentem ser diferentes, acho que somos meio egoístas.

Bado cresceu na visão de Yldo, parecia seu pai quando o aconselhava. Aquele jovem conseguiu alcançar um ponto fundo na alma dele.

- Agora eu vou embora, vai ser difícil achar esse tal de Long. Foi bom falar com você, sua pergunta fez com que eu fortalecesse minhas convicções. Até mais e obrigado, meu amigo!

“- Amigo?” – Yldo não entendia porque ele agradecia, era ele quem estava sendo ajudado. Saltou o balcão e foi atrás de Bado que já estava na rua.

- Bado! Bado! Espere!
- Pelos deuses, homem! o que houve? Esqueci algo?

- Não, não. Você me chamou de amigo e amigos não deixam os outros perdidos. – Quem visse Yldo não saberia dizer o que tinha acontecido para ele estar com um grande sorriso no rosto. – Acho que sei onde você pode achar o Long.
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