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Denilson Morais - A história dos Paladinos #PostdoLeitor

Saudações roleplayers, essa semana chegou em nossa taverna um pergaminho enviado por um de nossos leitores, contendo uma incrível ...



Saudações roleplayers, essa semana chegou em nossa taverna um pergaminho enviado por um de nossos leitores, contendo uma incrível matéria falando sobre uma classe tão querida por muitos rpgistas, os paladinos, onde nosso amigo Denilson Morais Junior explora toda história por traz dessa classe e como estes nobre guerreiros são citados no decorrer da história da humanidade até chegar ao mundo do RPG;
O escudo era de uma forma heráldica convencional, com cerca de quatro pés de altura, e obviamente novo. Quando olhou a lona que cobria sua superfície, com uma fina camada de aço sobrepondo uma base de madeira, ele viu o desenho de três leões dourados alternando com três corações vermelhos sob um fundo azul.
Poul Anderson,Three Hearts and Three Lions. 

Como descrito no livro do jogador de AD&D, o Paladino é o “homem de armas nobre e heroico, símbolo de tudo o que é correto e verdadeiro no mundo.” O Paladino é um guerreiro capaz de colocar sua própria segurança e interesses em segundo plano, em prol de uma causa maior; muitas vezes, um filho de uma casa nobre, dedicado a defender tudo aquilo que considera bom no mundo. Ele é o primeiro a entrar em combate contra as forças do mal, e o último a recuar diante da morte. Ser um Paladino nunca foi uma tarefa fácil, só os de mais alto valor conseguiram viver sob essa bandeira; e, acredite, muitos morreram tentando. 

Muito se sabe sobre quem e quais foram as inspirações para as classes básicas do rpg medieval. Os bardos, druidas, bárbaros históricos são bastante explorados, até por serem classes bastante difundidas nas mesas de rpg. Mas quem foram esses guerreiros, epítomes da nobreza, que moldaram nossa visão desse guerreiro divino? Livre-se do preconceito, e vamos embarcar na história dessa classe, talvez a mais odiada por jogadores e dms, e descobrir de onde veio essa lenda. 

Em primeiro lugar, o nome Paladino deriva de palatinus (palaciano), uma das sete colinas de Roma, onde descansam as ruínas dos palácios de César Augusto, Tibério e Domiciniano, e em cujas encostas foram construídos o Fórum Romano e o Circo Máximo. Contudo foi apenas no século XI, no poema narrativo “La Chanson de Roland”, que surgiram relatos sobre os primeiros guerreiros chamados de Paladinos. Eram eles Rolando e os Doze pares de Carlos Magno, que teriam lutado na Batalha de Roncesvales contra os sarracenos. O poema em si, não possui fidelidade histórica ao retratar a batalha ocorrida três séculos antes, mas está povoado pelo imaginário medieval da época das Cruzadas e pelos ideais de reconquista cristã da Península Ibérica; exercendo grande influência no nascimento da literatura medieval, podendo ser sentida ainda hoje na literatura e folclore. Defende-se que essa canção era recitada para animar as tropas antes de suas batalhas.


















A história narrada no poema é inspirada por uma campanha engendrada por Carlos Magno, durante o século VIII, através da Península Ibérica. Durante essa campanha se deu a Batalha de Roncesvales, onde a retaguarda do exército carolíngio, incluindo um certo Hruodland, prefeito das marcas da Bretanha, teria sido massacrado. Três séculos depois, eis que surge Rolando. Que teria perecido bravamente em batalha contra o exército sarraceno, após ter derrotado mais inimigos que qualquer outro soldado, brandindo Durandal, a espada inquebrável, e cavalgando Vigilante, seu cavalo de confiança. Em sua morte, Rolando teria tocado a trombeta Olifante, alertando o exército de Carlos Magno sobre o perigo dos mulçumanos, e então sido levado aos céus nos braços de anjos.

“O conde Rolando, com grande esforço e aos haustos,
Com grande dor, toca seu olifante.
De sua boca escorre o sangue brilhante,
De sua cabeça a têmpora está se rachando”
Enxerto traduzido de “La Chanson de Roland”

Mas Rolando não lutava sozinho. Nos vários poemas que narram as batalhas de Rolando, há referências aos Doze Pares de Carlos Magno, sendo Rolando seu líder. Rolando seria sobrinho do próprio Carlos Magno, e os Doze Pares a tropa de elite do Imperador, assim chamados por terem extrema semelhança, no que diz respeito à força, habilidade com armas e lealdade ao rei. Com a difusão do poema épico, a lenda de Rolando ganhou força, tornando os Doze Pares de Carlos Magno, símbolos e campeões da luta da cristandade contra a ameaça islâmica. 

No século seguinte, outra lenda daria força à figura do Paladino: Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Foi apenas no século XII que Godofredo de Monmouth, em sua Historia Regum Britanniae, narrou a “história” dos reis britânicos, desde seu nascimento com os exércitos troianos que escaparam da lendária Guerra de Troia até a dominação das ilhas britânicas pelos anglo-saxônicos, no século VII, tornando a lenda do Rei Artur conhecida entre as pessoas que não falavam o galês. Outros autores anteriores falaram da lenda de Artur, mas foi Godofredo quem abriu as portas para que essa lenda tomasse a Europa, e a literatura, de assalto. E a partir daí, Wace e Chrétien de Troyes, cada um a sua maneira, moldaram o mito da Tavola Redonda. 

Cada um dos Cavaleiros era imbuído dos ideais de justiça que moviam Rolando, e cada um deles tem sua própria lenda, mas os mais notáveis entre eles, talvez fossem Sir Bedivere, Sir Percival, Sir Gawain e Galahad. As histórias de três desses cavaleiros enfocam algumas das principais características dos Paladinos. Sir Bedivere é aquele que recebe a incumbência de atirar a espada Excalibur para a dama do Lago, e após falhar por duas vezes, enfim consegue cumprir seu dever, encontrando paz na obediência. Gawain, ou Galvão, era outro que ficou conhecido por uma de suas virtudes, a coragem.


Conta-se que um dia apareceu na corte de Camelot um cavaleiro todo trajado de verde, e propôs um trato para aqueles que tivessem coragem: ele ofereceria sua cabeça, se um jovem corajoso se comprometesse a entregar a sua em retribuição. Gawain dá um passo a frente, corta a cabeça do Cavaleiro Verde, e se compromete a comparecer um ano após na Capela Verde para cumprir sua parte no trato. Alguns dias antes da data marcada, Gawain se hospeda por três dias num palácio próximo a capela, sendo recebido por um lorde e sua esposa. Em troca de um presente para cada dia, Gawain deve também dar um presente. Enquanto o lorde sai caça, Gawain é tentado pela esposa do lorde, e acaba recebendo beijos e uma fita verde de sua anfitriã. Gawain dá de presente ao lorde beijos, mas não conta nada sobre o que houve. No dia marcado, ele comparece a capela, onde encontra o Cavaleiro Verde. Por duas vezes a coragem falta a Gawain, o que faz com que o Cavaleiro diga: “Meu jovem, esperava um homem corajoso diante de mim!” Nesse momento, Gawain se apega ao fitilho verde que recebeu de presente, ganhando coragem para colocar sua cabeça sob a pedra, para que fosse cortada. O Cavaleiro Verde era não outro, senão o anfitrião que havia recebido Gawain. Por sua coragem, Gawain ganha sua vida; mas por ter mentido, ele é marcado para sempre em sua testa. Em virtude de sua coragem, os Cavaleiros de Artur passam a usar fitilhos verdes em sua lança, para lembrarem de sua lição.


Por fim, o mais “paladinesco” dos Cavaleiros da Tavola Redonda, foi Galahad, ou Galaaz, filho de Lancelot. Ele era conhecido por sua pureza, sendo capaz de se sentar na Cadeira Proibida, o lugar reservado ao homem que encontraria o Santo Graal e que matava todos aqueles não-dignos que se sentassem nele. O grande poder e sorte de Galahad são lendários, ele derrota os mais incríveis inimigos sem esforço, devido a pureza, dedicação e fé em sua causa. Devido a esses aspectos, ele é considerado a reencarnação de Jesus na forma de cavaleiro.


O Cavaleiro Templário é verdadeiramente, um cavaleiro destemido e seguro de todos os lados, pois sua alma é protegida pela armadura da fé, assim como seu corpo é protegido pela armadura do aço. Ele é, portanto, duplamente armado, e sem necessidade de temer demônios ou homens.
Bernard de Clairvaux, 1135. De Laude Novae Militae.

Os Cavaleiros Templários também poderiam ser considerados como paladinos, na visão de que esses são guerreiros devotados a uma divindade, e na proteção de seus fiéis. Eles foram fundados por Hugo de Prayens em 1118, após a Primeira Cruzada, com o intuito de proteger os peregrinos que se dirigiam a Jerusalém, de ladrões durante o percurso, e dos ataques mulçumanos quando chegavam à Terra Santa. Em sua origem eram conhecidos por defender sua fé acima de tudo, e garantir a segurança dos cristãos, assim ascendendo a um grande poder político e econômico. Contudo foi justamente esse poder que teria precipitado o fim da ordem, muitos anos mais tarde. 

Eis as bases para a estruturação da figura imaginária do Paladino. O guerreiro puro, corajoso, obediente, forte; aquele que luta até o fim para defender seus ideais e seu deus, assim como pelo bem dos necessitados. De origem nobre, mas que encontra na devoção um meio de vida; e que por vezes não encontra um fim na morte, mas a glória que vem com o sacrifício.


     
Ainda em tempo, o Paladino como conhecemos hoje foi influenciado pelo romance “Three Hearts and Three Lions”, de Poul Anderson; a estória retrata a trajetória do soldado Holger Carlsen, membro da resistência dinamarquesa contra os nazistas, que após ser atingido por uma explosão se vê num mundo paralelo, onde desempenhará um papel como campeão da ordem e da justiça, indo sempre contra as forças malignas do caos. 

Desse romance derivou o tradicional alinhamento de Dungeons&Dragons, sedimentando por fim a figura do Paladino como campeão do bem e da ordem; tomando para si os mais altos ideais de heroísmo, aliando a força para combater o mal e o poder para curar os necessitados. Vivendo sob um rígido código moral, portando o símbolo de suas crenças, e o poder e coragem para realizar os maiores feitos. 

Talvez seja até por causa dessa rigidez que os paladinos muitas vezes são tratados, por jogadores e dms, como os grandes malas do grupo de aventureiros, restringindo as opções dos aventureiros, ao mesmo tempo que pode desviar de seu caminho sempre que uma alma necessitada aparecer, tornando os outros jogadores coadjuvantes de seus delírios de grandeza. Mas veja bem, Paladinos não precisam ser esses personagens malas. Na grande maioria das vezes, ser Leal e Bom não é a mesma coisa que ser Leal e Bobo. Paladinos podem ser os mais ambiciosos e incansáveis aventureiros, ser o fiel da balança no que tange a sobrevivência do grupo e o sucesso em suas empreitadas; e se trabalhado sob uma certa ótica, poderia ser colocado como o mais perigoso vilão para um grupo de personagens. 

Mas isso já é outra história...



Agradecimento especial para autor Denilson Morais Junio "Dr D" responsavel pela matéria e se vocês desejam falar com ele podem estar entrando em contato pelo e-mail dmoraisjr@gmail.com. Lembrando a todos vocês roleplayers que também desejam mandar suas matérias para nós, podem estar enviando para contato@rpgvale.com.br.


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