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Canções da Meia-Noite 65# - O Farol Negro (Parte 1)

O destino é tão traiçoeiro quanto um ladino e pode roubar coisas de grande valor, fazendo até um paladino se tornar um bárbaro e perder...


O destino é tão traiçoeiro quanto um ladino e pode roubar coisas de grande valor, fazendo até um paladino se tornar um bárbaro e perder a razão. O que você faria se algo fosse arrancado de você? E ainda por um companheiro de aventuras? Quem nos traz essa situação é o bardo @mestreurbano, então sente-se, peguem um caneca cerveja e ouçam está canção.
















O Farol Negro 

Talvez eu tenha feito aquilo por amor. Não, o amor só foi o combustível. Nem por honra ferida. Eu não ligava tanto para isso. Quem sabe por justiça. Não, não. Justiça era outra coisa. Amizade, eu fiz aquilo por amizade. Claro que agora era uma vingança, pura e simples. Mas tudo por culpa da amizade. 

Meu nome é Rikard D’UIdar, mas já fui um Nolan. Traí meus amigos, aliados, família e deuses, por um desejo sombrio e profundo de destruir meu inimigo por completo. 

Você não deve me conhecer, então acho melhor contar a minha história, assim você também pode me odiar. 

Minha família era a Protetora ou Real Guardiã, como o povo falava. Morávamos no Farol Negro. O castelo ficava na ilha de Siren, recebia o nome da deusa do canto e das ondas. 

Ali era o ponto de fuga, a última salvação dos reis. Há séculos éramos os guardiões dos herdeiros dos Oivas. Quando nosso reino entrava em guerra, o rei levava seus homens para dentro do continente e seus filhos ficavam em nossa ilha. 

Todos os filhos, protegidos e protetores ficavam amigos, assim era criada uma aliança única e verdadeira. Porém, até isso, até mesmo isso, era nada contra uma alma maldita, como uma maçã podre estragando tudo a sua volta. 

Antes de apresentar o culpado por toda essa dor, fora eu mesmo, gostaria que você conhecesse meus amigos. 

Neiko tinha vindo da terra do Sol Nascente e, numa espécie de troca de camaradagem, minha irmã Lavínia foi para aquela terra longínqua. Nunca mais a vi. 

O povo do dragão tinha olhos rasgados e uma calma que me dava nos nervos. Sentia seu cheiro de mel e especiarias muito antes dela chegar ao nosso porto. Namoramos quando jovens, talvez se nosso amor fosse mais forte, nada disso teria acontecido. Ou sou apenas eu querendo extirpar minha culpa. 

Ela passou muito tempo sem ir para sua terra natal. De repente, ficou um pouco mais de um ano lá. A partir daí, ia e voltava a cada seis meses. Eu era muito burro para não perceber que havia algo de errado. 

Euqinreh Bocaj era um mercenário, vinha de uma família de mercenários e o que fazia melhor nessa vida era ser mercenário. Toda a sua linhagem vendia suas habilidades para o primeiro que pagasse bem. O lema deles era “Nunca quebre sua palavra”. No caso, a palavra era o contrato firmado. Se alguém precisava ter um aliado fiel do lado na guerra, protegendo seu flanco, escolhia um deles. E era preferível ter um Dragão de adversário, que enfrentar um Bocaj no campo de batalha. 

Euqinreh era com certeza o melhor que já surgiu desses guerreiros. Tinha um temperamento explosivo como o pó alquímico dos gnomos do deserto. Por isso, não tinha fechado um contrato com ninguém, sempre arranjando problemas. 

Lógico que uma amizade com alguém assim só podia nascer depois de uma briga, e uma das boas! Um bairro da ilha ficou meio destruído. Depois das desculpas pedidas aos moradores e tudo pago, ele foi preso e “contratado” para ficar sempre ao meu lado, o que facilitava nossa amizade e também nossas rixas. Tenho certeza que foi quem menos sentiu pelo que fiz, ele sempre dizia que eu acabaria fazendo uma grande merda. 

Meu irmão Carl sempre foi uma incógnita. Era cheio de energia e gostava de participar de todas as aventuras que aparecia. Tinha um gênio forte, de palavras sinceras. Faltava a ele diplomacia para subir na carreira militar dentro do Reino. Provavelmente tenha sido no final, o único que entendeu o que fiz. Não que isso mude seu ódio por mim, se ele pudesse, me partiria ao meio com a lendária montante, a Devastadora. 

Com certeza, quem mais sofreu foi Vicent, eu era um herói para ele, o maior herói. Por causa disso, se esforçou para ser útil, tentou ser guerreiro para me seguir, porém foi na magia que encontrou a vocação da sua vida. Ele me amava como a um pai. Algumas piadas diziam mais que isso. E foi exatamente esse sentimento um elemento essencial para a minha vingança se concretizar, mas ainda não é hora de falar disso… 

Henialanxi Lethaln Oivas ou simplesmente Heni, era o culpado, o traiçoeiro. Meu melhor amigo e meu irmão pela tradição. Era dele que eu deveria cuidar. Eu enfrentaria todos os reinos deste mundo e de outros por ele, e fiz muito isso. Desde cedo eu sangrei para honrar nosso laço, já tinha matado mesmo antes de ter pelos de homem no rosto, pois o pequeno príncipe gostava de fugir do castelo. 

Por vezes tive que me interpor entre o herdeiro e Carl, meu irmão, o qual sempre dizia que ele merecia uma surra para virar homem, que um Rei precisa saber se defender não importando quem o protegesse, e, talvez a coisa mais sábia de todas, que Henialanxi ainda faria muitos chorarem, inclusive a mim. 

E foi quando Acire entrou em nossas vidas, quando realmente amei alguém de verdade, que o verdadeiro Henialanxi apareceu. 

Ela era filha de nobres, uma ótima escolha para um rei, porém Yrianis já era sua mulher. E qualquer homem seria feliz com ela por três vidas, menos Heni. Aos olhos dele, ela era imperfeita, por mais formosa que fosse. Faltava algo a ela… ela não era minha. 

Na mente insana do meu protegido, tudo o que eu tinha era mais importante do que tudo que ele tinha acesso. Por vezes, ele me tirava brinquedos ou armas. Dizer que fui cego seria errado. Só achava que ele era mimado, qual riquinho não é? 

Eu e Acire tínhamos encontros escondidos, não seria fácil conseguir a mão dela.
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