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Game Over #08 - Politicamente Correto

Hiho, guises! Acho que podemos começar a fingir que eu tenho um fuso horário diferente do de vocês, certo? Assim vocês já sabem q...



Hiho, guises!

Acho que podemos começar a fingir que eu tenho um fuso horário diferente do de vocês, certo? Assim vocês já sabem que a Game Over sai 17h - que na verdade são 18h, mas que pode acabar sendo 17h mesmo. Na verdade são 21:16h e eu vou publicar isso agora. Ok.

Agora vamos ao que interessa, certo? O tal do ~politicamente correto~. Venham comigo, padawans!

Vou começar falando sobre alguns jogos e dando alguns exemplos, pra vocês entenderem do que eu quero falar aqui hoje. Para a alegria de alguns meninos - e porque não dizer meninas também? - o primeiro exemplo é a exploradora Lara Croft!


Tomb Raider

O jogo conta com uma cena aonde a personagem principal é atacada sexualmente. A desenvolvedora, Square Enix, fez uma decisão claramente voltada para o marketing ao escolher que a Lara fosse a vítima desse ataque. Afinal, não teria um impacto comercial tão grande se a vítima fosse um homem ou até mesmo uma mulher aleatória, certo?


E quando os críticos começaram a questionar se ataques sexuais e estupros nos games mereciam ser repensados, o departamente de marketing voltou pra batcaverna e produziu uma nota dizendo que o jogo "não contém caráter sexual".

Resultado: nada no jogo mudou.

Smite

Vocês já me viram falar aqui de Smite, aquele mmo onde deuses lutam contra deuses, incluindo alguns deuses Hindus - o que gerou certa controvérsia. Vocês lembram dele, certo?



Alguns religiosos (em sua maioria seguidores do Hinduísmo) tentaram lutar contra o jogo, para que seus deuses não fossem "profanados" e "desrespeitados" dessa maneira.

Resultado: nada no jogo mudou.

Six Days In Fallujah

Six Days in Fallujah é um fps (first person shooter, aqueles jogos de tiro em primeira pessoa, vocês sabem) que se passa em uma das cidades aonde a guerra do Iraque foi mais brutal. Porém, os desenvolvedores (nesse caso, a Konami) tiveram problemas para lançar o jogo - e decidiram até adiar o lançamento, porque não queriam ofender as famílias dos soldados mortos na guerra. 


No final, a Konami decidiu que o mundo não precisa de mais um fps sobre guerras reais e nenhuma outra produtora quis continuar o projeto por um longo tempo.

Resultado: cancelado temporariamente.

And the winner is...

Então muito pouco ou quase nada muda na indústria dos jogos, apesar da pressão que algumas desenvolvedoras sofrem por suas escolhas. Mas aonde está o politicamente correto que tanto falam? A censura que muitos dizem existir? E a repressão contra a "criatividade dos artistas"?
Na verdade, isso tudo quase não existe. Talvez precisamos mesmo é de um pouco mais de censura nos jogos. Não a censura taxativa, mas a responsável que impede que o entreterimento seja desculpa para ofensas contra minorias.
A verdade é que os games falam o que querem e, mesmo alguns sendo grandes defensores da liberdade, existem poucas repressões em cima deles e muito pouco tem sido mudado no que diz respeito a minorias e ofensas. A transformação de mulheres em objetos, a discriminação das minorias, a transformação de estrangeiros em vilões, são todos exemplos de coisas comuns - e muitas vezes erradas - nos games. 



Na verdade, é justamente o "politicamente correto" que move a indústria dos games pra frente, tirando a gente daquele meio ocidental-branco-hétero e nos trazendo para a realidade do mundo.

Pessoas e grupos que, lentamente, lutam contra os padrões, são os verdadeiros responsáveis por mudanças, por jogos que permitem relacionamentos homossexuais, por exemplo, e outros pequenos passos na luta pela verdadeira liberdade. Nesse caso, chamar de "politicamente correto" é desmerecer pequenas lutas e vitórias contra determinada opressão, afinal, há de se saber definir entreterimento e entender que isso não pode ser travestido de ofensas.
Aqueles que levantam a voz e falam "JÁ CHEGA!" são banalizados (e nem sempre estão certos, claro), mas são eles os responsáveis pelas nossas vitórias. Ninguém é obrigado a concordar com o que os críticos tem a dizer, mas você pelo menos tem que ouvir - e entender - as reclamações deles.
Marketing nos games é uma indústria bilionária. Desenvolvedoras gastam milhões de dólares em pesquisas, existem inclusive profissionais de psicologia e psiquiatria treinados para incluir nos enredos elementos feitos para viciar os jogadores - e é sério! A opinião pública move a indústria dos jogos e, seria apenas estranho, se todas as empresas ignorassem essa mesma opinião.

Por fim, ninguém está sugerindo que a indústria gire em torno da opinião de minorias ofendidas, mas para a indústria dos games - que por muito tempo foi um nicho cultural fechado e restrito e agora é um dos maiores ramos do entreterimento do século 21 - seria no mínimo idiota ignorar a opinião do público.

Falar em "politiciamente correto" talvez seja uma péssima ideia.

Cheers!

See ya!
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