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Game Over #07 - Ser gamer é coisa de gay! (e de hétero)

Hiho, pessoas! Como toda terça, cá estou eu com mais uma Game Over pra vocês! E dessa vez estou um pouco (muito) atrasado, mas tu...


Hiho, pessoas!

Como toda terça, cá estou eu com mais uma Game Over pra vocês! E dessa vez estou um pouco (muito) atrasado, mas tudo bem, sei que vocês não se importam. Aliás, quem quiser sugerir um tema para as próximas Game Over(s) - ou só me dar bronca pelos atrasos - pode me procurar no twitter mesmo, ok?

Sem mais enrolação, vamos para a Game Over!

Por muito tempo tenho visto discursos aleatórios na internet sobre machismo e sexismo nos games. Sim, é mais um daqueles assuntos delicados (como falar de religião, lembram?), mas que de vez em quando é bom lembrar pra repensarmos um pouco nas nossas atitudes.

Realmente, na primeira vista, a maioria dos games pode parecer um tanto quanto sexista e feito de homens jovens e héteros para homens jovens e héteros - e um tanto quanto ofensivo para qualquer um que não se enquadre nisso. Em uma análise rápida dos jogos mais populares, podemos mesmo achar que os jogos (e seus jogadores) são sexistas, imaturos e segregam qualquer um que não se enquadre no seu gosto.

Mas não é como se no UFC os caras usassem muita roupa também...
Pra ser sincero, há um pouco de verdade nisso - apesar de querermos mesmo negar. Mas será que o mainstream da comunidade gamer é mesmo assim? A realidade pode ser um tanto quanto diferente e a resposta, por mais impressionante que seja é:

Não, não e não. Não senhores, jovens padawans, os games não são assim.

Desde o primeiro The Sims até o atual Dragon Age, os jogos não tem medo de mostrar e permitir relacionamentos homossexuais. Grandes desenvolvedoras como a Bioware tem se mostrado completamente a favor dos direitos dos jogadores gays (e lesbicas e afins, óbvio) para criar romances, como qualquer um. Duvida? Vem comigo!

Muitos podem não saber que, nos anos 80 e 90, a Nintendo teve uma grande história de censura que foi desde transformar o sangue vermelho em azul até remover decapitações no Mortal Kombat. Aliás, lembra do personagem Birdo (de Super Mario)? Ele é provavelmente o transsexual mais famoso da história dos games. E é sério. No manual original em Japones de Super Mario, estava lá escrito claramente que ele é transsexual. Simples assim.

...... porém, isso foi removido no manual da versão ocidental. MALDITOS SEJAM VOCÊS!

Dragon Warrior III é outro exemplo, porém, só teve permissão para ser lançado aqui no ocidente com censura. Querem mais um exemplo? Conker's Bad Fur Day, de 1999. Por mim, podemos citar também o Streets of Rage 3, da Sega, mas esse último teve um motivo um pouco melhor pra ser censurado. Não que eu concorde com a censura, mas, bom, vou deixar que vocês mesmos olhem e julguem por si.


E a influência homossexual nos games não acaba por aí! Os MMOs e o nosso querido RPG tem a mais expressiva taxa de igualdade nos games. Afinal. por sua natureza, esses tipos de jogos permitem que você seja quem quiser - homem, mulher, dragão, morto vivo, etc. Sexualidade nunca foi algo que você precisa escolher ao criar um personagem e eu tenho certeza que vocês já repararam nisso. Aliás, em muitos jogos você pode até tentar a sorte com alguém do mesmo sexo e vai ver que isso nem é tratado como se fosse grande coisa! Aqui vai um exemplo:

Fall Out 2 tem a honra de mostrar o primeiro casamento gay na história dos video games!

Se você jogar com um personagem feminino, por exemplo, vai descobrir que até mesmo as prostitutas não fazem distinção e aceitam dormir com você assim mesmo! Bom, acho que depois que o mundo é devastado por uma guerra nuclear nós temos coisas mais importantes pra nos preocuparmos do que a opção sexual de cada um, né.

Querem exemplos? O clássico Chrono Trigger, tinha uma personagem chamada Flea que... vejam vocês mesmos:


E Persona 2 e Persona 4 permitem, inclusive, que você jogue com um personagem gay! Um dos protagonistas de Persona 2, Kuruso Jun, podia ter um relacionamento gay com um dos personagens principais. E tem também uma memorável cena em Persona 4 onde o personagem Kanji luta contra a sua identidade sexual. A cena é representada por uma luta contra uma versão gay dele mesmo em um banheiro!

Claro, vale lembrar que tais personagens são extremamente afeminados - mas isso é uma coisa cultural, pois essa é a maneira que os japoneses expressam personagens mais gays. O que não é uma regra, é claro.

Janji - Persona 4
Stars Wars: Old Repuplic tem uma personagem chamada Juhani que é exclusivamente lésbica. Na verdade, na versão original do jogo ela poderia ser bissexual (como é de praxe nos jogos da Bioware, vide Dragon Age 2), porém, isso foi alterado em um patch. Sexualidade nunca foi impedimento nos jogos da produtora.

O famoso Fable, da Big Blue Box, não espantou ninguém quando anunciou que você poderia dormir e casar com quem quisesse - homem ou mulher. 

Outro exemplo? O famoso Skyrim, da produtora Bethesda. Alguns acusaram a produtora de "manter em segredo" isso, o que o Pete Hines respondeu de uma maneira bem simples.
"Não é como se fosse segredo, só não achamos isso grande coisa. Você pode casar com quem quiser." (Pete Hines, via Twitter)
E não acaba por aí! Seguem alguns trechos de um discurso do David Gaider, da Bioware, quando a empresa foi acusada de "desapontar o jogador homem e hétero":
"(...) os romances no jogo não são para o 'jogador homem hétero'. São para todo mundo."
"(...) você pode chamar de 'politicamente correto', se quiser, mas a verdade é que os privilégios estão sempre com a maioria. Eles estão acostumados a serem mimados e acham que está errado quando isso não acontece. (...)"


Entretanto, fora dos RPGs a representação dos gays é menos frequente. Mas, ainda assim, existem personagens secundários gays em The Longest Journey e até mesmo em Metal Gear Solid. Mas também devemos lembrar que jogos como FPS (first person shooters - jogos de tiro em primeira pessoa) não costumam se importar nem mesmo com a identidade do personagem. Você não escolhe sexualidade (pois isso não importa) e geralmente não escolhe nem mesmo a aparência, pois isso não faz a menor diferença para a proposta do jogo.

Alguns podem já estar se perguntando: "porque diabos sexo nos jogos é importante para a comunidade gay"? Bom, na verdade, é imporante para todos nós - gays ou não. Excluir gays e afins dos games é excluir mais da metade da população gamers e limitar os jogos tanto na criatividade quanto no alcance comercial.

Gays e lésbicas precisam de personagens com os quais se identificar assim como você, hétero random, também precisa. Aliás, alguns podem até precisar mais do que você, uma vez que na vida real podem sofrer uma segregação maior ainda. E todos nós sabemos que os games também são uma forma de fugir da realidade e entrar em uma zona de conforto, certo? Muitas pessoas precisam e usam os jogos como uma forma de se sentir importante e conseguir um respeito/conquistas que não conseguem na vida real, independente do motivo.

Enquanto a luta pela igualdade no mundo real andar lentamente para frente, é reconfortante saber que, no mundo virtual, algumas dessas batalhas já foram vencidas. 

E eu, como gamer, vou sempre apoiar o direito de igualdade de todos os nossos irmãos gamers. 

E você?

Cheers!
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