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Canções da Meia-Noite #64 - O Diário do Mundo (Parte 2)

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Hey caros leitores, mais um dia de canções para cantar e uma história continuar, o que não leu a ultima edição? Então acesse esse link e confira em primeira mão http://bit.ly/OxOClG e para você que aguardava a segunda parte desta teoria sobre a criação, eis a resposta para entender por que os deuses se enfrentarão




















O Diário do Mundo (Parte 2)

Havia algo que parecia faltar a sua criação. Diferentemente das estrelas, que exibiam e irradiavam seu brilho ao longo do universo, brilhando e morrendo durante os períodos do espaço, aquela criatura a que dera forma simplesmente não fazia nada. 

Foi nesse momento que novamente surgira Omal. A inquietude e a desilusão d’Obem o havia tornado dócil. Não se moveu, mas falou: - Veio escarnecer de minha derrota, senhora? 

- Bem sabes que nenhum valor vejo nisso. – aproximou-se do grande plano horizontal, onde a forma imóvel da criatura permanecia repousada. Tocou o topo, depois o tronco, e por último tocou as pernas. – Vejo que o moldou a Sua forma, mas este não se mexe. 

Obem apenas assentiu. 

- Sabes que deixei minha contribuição na cabeça desse ser. – com o nó dos dedos, bateu no topo da criatura. – Mas ela se encontra vazia de funcionalidades. Deves dar a ela algo que a faça tomar decisões. 

Aquilo o tomou de assalto. – Uma mente, dizes. 

- Exato. – aproximou-se, e sentou sobre o plano. Acolheu a criatura nas mãos, e ergueu a voz. – A mente! – exclamou, e tocou na cabeça dela. 

Uma ínfima luz apareceu ali, mas logo desapareceu. 

A criação permaneceu imóvel. Obem sentiu-se decepcionado novamente. – Mais uma vez, ela permanece sem ação. É como se nada lhe dê motivação... Ou impulsos! – Tomou a criatura das mãos d’Omal, e tocou-lhe nas têmporas. – Impulsos! 

Uma fina língua de chamas surgiu em seu dedo, e o topo da criação novamente brilhou, mas logo se apagou. Ela permanecia imóvel. 

Obem deitou-a sobre o plano novamente. Parecia que nada surtia efeito. Omal a tudo observava em silêncio. Alto, falou. – O que são impulsos, se não frutos de outros desejos antigos, Criador? – aproximou-se da criatura, mas hesitou. – Deseja mesmo dar existência a algo tão insignificante quanto isso? 

Ele respondeu. – Meu desejo e minha vontade são as mesmas, e nesse instante elas se voltam para o mesmo propósito: dar existência própria a essa criatura que vês agora. 

- Que assim seja, Obem. – aproximou a mão do ser e disse: - Lembranças! 

Mais um facho de luz. Dessa vez, a forma sobre o plano tremeu, mas logo parou, voltando a ficar estático. 

- Memórias estáticas e vazias, Obem. – falou Omal. – Apenas isso lhe demos: uma mente vazia, sem nenhuma memória para lhe impulsionar, ou desejo para se movimentar. 

Obem refletiu, e então disse. – Então lhe demos lembranças, Omal, para que possa desejar, buscar e falar. 

Ia de encontro ao plano, quando Omal interveio. – Mas que lembranças, Obem? Não existe ou existiu qualquer tipo de acontecimento que ele tenha vivido, ou mesmo acontecimentos que nós mesmos tenhamos passado para que dele se relembre. 

Obem novamente parou. Omal então falou. – Façamos algo para que se lembre, entretanto. Criemos a ‘história’, para que nela ele se baseie e encontre fundamentos para suas ações. Mas quais? 

Por um tempo refletiram, e Omal falou. – Pois bem, criemos a história da origem dele. 

- Mas sua origem não se pode ser dada no infinito vazio, Omal. – sobre isso, Obem foi taxativo. – Faremos para ele um ‘mundo’, um local onde poderá se fixar e em que possamos nos inspirar para concluirmos a ‘história’. 

Omal assentiu, e juntos se afastaram do plano onde jazia imóvel o foco de seus pensamentos. Primeiro, buscaram um local apropriado. Em uma galáxia encontraram uma grande e brilhante estrela de fogo. – O Sol. – foi o que disse Omal, e Obem percebeu que alguns corpos celestes de tamanho considerável eram atraídos para o centro. – Um poder invisível puxa os outros em seu redor, sem tirá-los de sua rota natural. – concluiu Obem. Era incrível: os corpos celestes descreviam círculos quase perfeitos ao redor daquela grande estrela. 

O corpo mais próximo era completamente vermelho. – Quente demais, seria perigoso para a vida de nossa criação. – Obem falou por fim. Omal sorriu para si. “Tem um ‘nossa’ no meio dessa frase”, pensou. 

O segundo planeta parecia calmo, mas Omal falou. – Veja: não existe nada além de nuvens de ácidos, que podem destruir a existência do ser. Antigamente ele possuía longos e plácidos mananciais de uma substância em forma líquida, mas já não é assim. 

Obem concordou. O terceiro planeta era peculiar. Em sua maior extensão era de coloração azul. Omal falou. – Essas extensões azuis, estavam presentes há muito tempo naquele planeta de antes. 

Obem assentiu pensativo. Viu que aquele planeta era enorme, pouco maior que o anterior (pouco em uma escala enorme). Havia uma grande extensão de rocha no centro daquele longo oceano azul. 

Omal, por motivo nenhum além de impulso, bateu com o punho sobre a extensa placa de rocha. A força foi tamanha que esta se partiu, e moveu-se em direções opostas às outras. Obem, consternado, questionou-a sobre aquilo. 

– Haverá muitas histórias sobre como esse mundo surgiu, apenas estou ajustando os fatos para que possamos ter alguma inspiração. 

Obem deu de ombros. – Que assim seja. Escolhemos esse? – Omal assentiu, então retornaram para junto da criação. 

Essa permanecia imóvel. Obem acolheu-a em suas mãos, e o transportaram para o local escolhido. Ficava em um super-enxame que deram o nome de Super-enxame Local. Dentro dele, havia o enxame de galáxias onde se encontrava o sistema solar escolhido. A esse enxame chamaram Grupo Local. 

A criatura era visivelmente grande demais para o local. Sendo assim, Obem voltou a moldá-la, até que sua forma foi tida como perfeita em dimensões. Omal e Obem também diminuíram suas formas e desceram a superfície daquele planeta. 

Pousaram a criatura em lugar tomado por um tipo estranho de existência: pareciam pequenos dedos verdes, finos como raios de luz. Tinham um cheiro agradável, e cobriam vastamente o local. – Chamemos de grama. – sugeriu Obem. Omal assentiu. 

O terreno onde estavam era acidentado, com ondulações para todos os lados, como se fosse um longo oceano de terra e grama. 

- Finalizemos a história, primeiro, depois demos nomes a esse mundo e suas propriedades. – Omal falou, ao passo que Obem concordou. 

Assim, sentaram-se em um grande local plano, afastado de onde estava a criatura. Omal iniciou. – A história que lhe daremos, devemos criar motivos e consequências, meu Senhor. 

Obem então falou. – Mas que motivos, e que consequências? 

Omal disse. – Iniciemos com a origem desse mundo. 

Obem interveio. – Por que não dizemos a real origem desse mundo à criatura? 

Omal entendia o ponto d’Obem, mas sua mente astuciosa havia perscrutado o futuro de sua criatura, portanto falou. – Temos a história de um mundo inteiro para criar, meu Senhor. Daremos a ele várias possibilidades e chances de encontrar em que se apoiar e acreditar. – Omal sorria, com um olhar de malícia. – Será muito útil no desenvolvimento de suas memórias que ele possa optar por algo em que acreditar e depositar suas perspectivas. 

Obem estava consternado novamente, pois não podia ver o real futuro daquela sua criatura, mas podia ver as intenções na mente d’Omal. – Quanto a isso, deixarei contigo, para que faças do jeito que lhe aprouver. 

Omal assentiu, e iniciou. – Demos-lhe as seguintes opiniões e possibilidades: o mundo como conhecemos, se originou de uma grande e poderosa explosão cósmica, que semeou o universo de planetas, rochas, estrelas e galáxias, cada um de acordo com a distância com que foram lançadas. 

“De outra forma, digamos-lhe que sua origem foi fruto de uma grande entidade superior, de poderes e alcance titânicos e soberanos sobre o universo e sobre tudo. Onipresente, onisciente e onipotente, que deu forma a esse mundo e universo com o poder de sua mente e intento. Foi Ele que moldou nossa criação, deu-lhe existência e deixou que vivesse no meio de um grande paraíso utópico entre dois grandes rios.” 

Obem ouvia, mas se assombrara com a mentalidade d’Omal. Não conseguiria conceber uma teoria absurda dessas nem que se esforçasse durante toda uma eternidade. – Isso será inaceitável, e é óbvio que a criatura não acreditará nessa história. 

Omal tentou arrefecer Obem, dizendo-lhe. – Deixemos que ele decida por si mesmo em que acreditar. Mas agora lhe peço que não me interrompa novamente, pois não terminei minhas teorias ainda, meu Senhor. – Obem fez um sinal com a mão, para que ela continuasse. 

“Ainda podemos lhe apresentar outra teoria existencial, meu Senhor: a vida, como ele virá a conhecer, pode ter sido semeada pelo universo. A queda de rochas estelares, imbuída de pequenas criaturas não inteligentes e de tamanho insignificante poderia ter dado iniciado à evolução e o estopim lento e arrastado de todas as formas conhecidas de vida que virão a existir nesse nosso mundo.” 

Obem parecia não aceitar nenhuma teoria, mas disse. – Deste tuas teorias, e disseste que devemos dar-lhe a opção de buscar algo em que acreditar. Pois que assim seja: que escolha aquilo que lhe parecer mais agradável e plausível. Mas ainda nos falta muito que criar e desenvolver. Por onde começaremos agora? 

Omal, sempre sorrindo maliciosamente, falou. – Meu Senhor ainda não entendeu? – ergueu-se, e foi sentar-se ao lado d’Obem, com um braço sobre seu ombro. – Minhas teorias... Serão elas as responsáveis pelo advento de toda a história desse mundo. Nosso papel como criadores e pensadores terminou. – levantou-se, e falou. – Devemos agora dar forma as histórias que criamos, acelerar o tempo, e montar essa ilusão na mente de nossa criação. – voltou-se para Obem. – Ele viverá, crescerá e buscará os motivos para tudo nesse mundo. Nossa tarefa agora é dar forma a esse mundo, para que nele encontre suas bases e medos, suas coragens e seus amores, sem nunca encontrar nem um, nem outro. 

- Isso é cruel, Omal. – Obem estava em pé, encarando Omal. – Como pode conceber algo tão sórdido e descabido quanto isso? 

Omal então parou de sorrir. – Velho tolo, Senhor de um universo vazio, sem nenhuma motivação para a criação senão a admiração. – sua voz era escarnecedora. – Eu sou a única coisa nesse mundo pobre que realmente valha algo. Nossa criação não foi feita para ser admirada e presenteada, mas sim para sofrer, lutar, morrer e abandonar esse mundo, para ser tomada pelos próximos e dirigida com ferocidade. Pois eu e você somos as duas facetas da criação: o bem, com sua compaixão e devoção, e o mal, com minha audácia, angústia, ganância e falta de pudor. Fomos feitos para sermos opostos, e assim será na criatura, pois se digladiamos sobre o que é direito ou esquerdo, assim será nela. 

Falou isso, e não deu tempo d’Obem responder. Lançou sua escuridão sobre a terra, e desapareceu. Quando tudo havia voltado ao normal, Obem lembrou-se de sua criatura. Correu de encontro a ela, mas não a encontrou. 

Foi achá-la em pé sobre um grande rochedo, perto do oceano. Obem achou incrível que ela tivesse se movido tão depressa, mas deu por conta que muito tempo havia passado desde que discutira com Omal sobre as origens e a história. 

Ficou maravilhado, pois a criatura olhava fixo para o céu, mirando o grande sol, com uma mão estendida tentando agarrar a grande estrela brilhante, tão distante e inalcançável. 

Obem não se deixou ser visto. Entendeu, por fim, o intento d’Omal. Pois a criatura despertara quando partiram, e iniciara sua peregrinação pelo mundo. Desse modo, Obem sorriu consigo, e abandonou o mundo, partindo para longe daquela galáxia, ficando a observar o desenrolar de um novo mundo, de uma nova existência, de uma nova criação. E se agradou, mas não mais interferiu. 

- Pois é chegada a era do homem, meu filho, e será sobre ele que cairá o fardo de dirigir esse mundo, que de boa vontade lhe presenteei. 

Assim, desapareceram da Terra aquelas duas entidades cósmicas, criadoras e criaturas de sua própria existência. Deles, nem mesmo o mais sábio daquela ilusão humana desconfiava. Mas esses sempre olhavam para o céu, de dia ou de noite, buscando algo que não sabiam divisar.
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