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Canções da Meia-Noite #63 - O Diário do Mundo (Parte 1)

Saudações aventureiros, finalmente a noite chegou e após um longo dia de serviço nada como ir para taverna para relaxar um pouco não é me...

Saudações aventureiros, finalmente a noite chegou e após um longo dia de serviço nada como ir para taverna para relaxar um pouco não é mesmo? Então podem se aproximar pois mais uma noite de contos ireis começar.

De onde viemos? Por qual motivo os deuses em sua existência e sabedoria criaram o universo e nos colocam a prova todos os dias?  Esta é uma pergunta que necessita de grande sabedoria para achar sua resposta, mas entre nossas aventuras encontramos magos e clérigos que narram varias ideias do motivo de ações tão misteriosas ocorrerem e hoje Adeildo Júnior nos traz uma dessas histórias.




















Primeira parte: Do Mundo e da Criação

No princípio, o universo era habitado apenas por duas divindades cósmicas: Obem e Omal. 

Estavam eles sozinhos, flutuando livres pelas imensidões negras e profundas das miríades e longínquas galáxias. 

Obem, a mais antiga e poderosa entidade, possuía a forma de um grande titã, com dois braços, duas pernas, e um longo e negro manto cobrindo-lhe o corpo, deixando a mostra apenas uma parte do peito nu. Esse manto era formado por nuvens cósmicas, asteroides e nebulosas. Seu topo, sua face e seu pescoço possuíam pele flácida, e uma comprida e úmida língua repousava entre seus lábios. 

Omal, a divindade mais recente, possuía a forma de um titã também. No entanto, possuía as mãos e dedos em garras, um rosto ferino e obtuso. Era a de maior astúcia dentre eles, dotada de uma enorme e abrangente visão, podendo enxergar o fim de todas as estrelas, e além. Seu manto deixava apenas o topo e os ombros expostos. Era formado por buracos negros, supernovas e meteoros, sempre engolindo estrelas por onde passava. 

Essas duas criaturas viviam em harmonia, sempre a uma distância segura, mas nunca muito distantes. Obem, com seu poder, surgira no início de tudo, sendo ao mesmo tempo a entidade criada e a entidade criadora. 

Omal surgiu logo em seguida, justamente quando na primeira morte de estrelas, na origem do primeiro buraco negro. Sua existência passou despercebida ao criador/criatura a princípio, mas logo sua energia se tornou grande, tornando-se sensível a Obem. 

Naquela época, o tempo não existia, sendo um conceito abstrato que não era medido ou domado. As coisas ocorriam conforme uma série de acontecimentos encadeados. No entanto, usando a contagem de tempo linear, trilhões de trilhões de anos haviam vindo e ido. 

Em determinado momento, quando Obem viajava pelo espaço, observou o modo como surgiam as estrelas. Quando na criação de tudo, Obem dispensou uma parte de sua energia ao universo, dando-o o poder de se expandir por conta própria, mas Ele nunca estava por perto para ver o modo como tudo se dava. 

Observou durante muito tempo as nebulosas difusas, sentindo-se maravilhado a cada estrela que surgia de seu centro. Sentia-se igualmente emocionado quando uma gigante vermelha ou uma supergigante marcava o fim de seus ciclos de iluminação no cosmos. 

Não havia um conceito de existência, pois tudo eram estrelas, nuvens escuras de hidrogênio e poeiras que começavam a se contrair, esquentar e por fim se tornar bolas densas rodopiantes e incandescentes. Tudo tinha um início, meio e fim. Nada restava além de anãs brancas, ou buracos negros, surgindo e desaparecendo. 

Mas ainda assim, o fascínio que esse ciclo exercia sobre Obem era inominável. Sendo assim, levou sua admiração perante Omal. 

Essa, por sua vez, via beleza apenas em si e em seus buracos negros, símbolos da destruição e do fim. Obviamente, não expunha suas ideias e pensamentos a Obem. 

O modo como viu o surgimento e o desaparecimento das estrelas e o crescimento do universo o manteve entretido durante um período de tempo excepcionalmente longo. No entanto, aquela visualização começou a deixá-lo perdido em muitos pensamentos. Em um momento, foi tomado por uma ideia nova. Foi então ao encontro d’Omal, mas não a achou, a princípio. 

Atravessou o universo, buscando-a. Foi encontrá-la vagando pelos limites de tudo que há, munida de seu manto de buracos negros e supernovas. 

“O que fazes rondando as extremidades da escuridão?”, perguntou Obem. 

“Aquilo que faço desde o momento em que teus buracos negros me geraram: saciando minha mente com o conhecimento”, respondeu Omal. 

“O que chamas de conhecimento não passa de curiosidade infundada e desnecessária.”, disse Obem, e completou: “Assuntos tinha a discutir contigo, mas vejo que ainda se curvas diante de teus desejos mais incautos. Deixar-te-ei sozinha, para que termines tuas especulações, pois buscas o segredo de tudo, e nada acha.”. 

“Assim será também com tua criação, Pai de tudo.”, bradou Omal, antes que Obem a abandonasse falando sozinha. “Pensas que não tenho perscrutado sua mente durante todo o infinito? Enxerguei suas intenções ao longe e hei que te digo isto: tua criação terá de mim aquilo que mais detestas, e ela buscará incerta pelas razões e motivos de tudo que foi e será.”. 

Após pronunciar essas palavras, afastou-se de diante dele, e fugiu para além das bordas de escuridão e ausência de existência do universo. 

Obem, consternado com aquilo que Omal proferira sobre o futuro de suas vontades, cruzou o universo o mais rápido que se permitia. Quando se sentiu seguro, tentou acalmar-se. Resolveu que não deixaria que a maldição d’Omal o abalasse ou a sua criação, que passara de ideia a objetivo. 

Preparou o universo para sua tentativa de fazer algo novamente surgir. Não era algo fácil, pois tudo surgira junto de si, e não sabia como poderia dar forma novamente a algo a partir do vazio. Cercou-se de rochas, nebulosas, galáxias e supergigante vermelhos e montou um grande plano de luz no centro do universo. 

Sobre ele, debruçou seu manto longilíneo. Uniu sua energia de criação, que usara na geração do universo, ao poder incrível de seus pensamentos. Iniciou sua tentativa dando forma a sua imaginação. Com suas mãos, moldou uma estrutura baixa, pequena, utilizando uma parte da energia de seu manto. Estavam lá os braços, que possuía, as mãos, que possuía, as pernas e pés, que também possuía. Por último, moldou o topo. Parou e pensou por um tempo. 

“Não desejo me ver refletido nessa criatura.”, pensou. Sendo assim, moldou sua cabeça de modo a ser um pouco maior em altura e mais robusta em seu diâmetro. Lembrou-se d’Omal, e resolveu desenhar seu longo focinho naquele rosto, para mostrar que nada era sem a vontade dele. 

Nesse ponto, surgiu Omal. Sua aproximação foi ocultada pelos buracos negros. Quando Obem a percebeu, era tarde, e essa já pairava acima de seu molde. 

“Como te disse, isto terá de mim aquilo que mais detestas.”. Desse modo, sacou o molde incompleto de sobre o plano, e ergueu-o a altura de sua vista. “Que seja conforme digo: eternamente buscarás, e nunca há de encontrar, pois minha sede o consumirá até que a mim retornes, pedindo que te alivie dela. Nesse momento, te tirarei desse mundo, e enfim conhecerás a escuridão da ignorância.”. Com essas últimas palavras, arremessou o molde para Obem, e novamente desapareceu no centro de seus buracos negros. 

Obem aparou com calma o molde. Delicadamente analisou-o, e viu a mácula que Omal deixara nele: um pequeno buraco no centro da cabeça, onde uma diminuta esfera cinzenta e pulsante se encontrava. Desse modo, surgira o primeiro cérebro, aquilo que pensava por si somente, e decidia aquilo que era de maior importância para si. De tudo que viera a seguir, fora esse a mais terrível e astuciosa zombaria d’Omal, fazendo com que sua criação fosse dominada por instintos incontroláveis e insaciáveis. 
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