rpgvale
1599924783602205
Loading...

Canções da Meia-Noite #53 - Arghen's Rise

Olá caros leitores a mais uma edição da Canções da Meia-Noite . Hoje continuaremos a percorrer a longa aventura de nossos heróis inicia...


Olá caros leitores a mais uma edição da Canções da Meia-Noite. Hoje continuaremos a percorrer a longa aventura de nossos heróis iniciada em The First Tale e que está caminhando para seus últimos passos. Na última parte os orcs encontrados pelo grupo haviam se mostrado um desafio maior do que esperado, resultando em uma batalha árdua, enquanto alguns segredos começam a ser revelados. 

Lembrando roleplayers que em breve nós estaremos voltando como nosso RPGCast, enquanto isso vocês podem conferir os episódios antigos. Além disso, está rolando uma promoção overpower em nossa FanPage no Facebook valendo um exemplar de Caçador de Apóstolos de Leonel Caldela autografado e se você investiu alguns pontos em sorte corre lá e participe http://migre.me/95dFv


O monstro estava a alguns centímetros de Elliot, que de costas para ele, examinava o corpo de Ckroig. Eu não podia atacá-lo a distância, minha magia atingiria o garoto, então fiz o que pude, gritei: 

- Elliot, atrás de você! 

O garoto virou-se e viu a enorme criatura pronta para usar a grande espada velha que havia recuperado. Elliot exitou por um momento e se levantou, afastando-se do orc de frente para ele, a passos curtos. 

Arghen ainda soltava frases perto de mim, coisas como “... foi assim que ele se foi...”, “...o fogo vai destruí-la novamente...”ou “socorro, papai”, mas eu não sabia o que fazer por ela. E, apesar de tudo, ela não parecia estar notando a situação ao seu redor, Arghen só via o fogo, mais nada. 

Eu não pude dar muita atenção a ela, ainda restava um inimigo e minhas forças não iriam durar muito mais tempo. Invocar Elliot tantas vezes estava me deixando exausto e minha espada continuava imersa em chamas, perdida a alguns metros de mim. 

- Nick! – gritou Elliot que havia se esgueirado para dentro de um dos retângulos. 

Apontei as mãos para o garoto e repeti as palavras mágicas, ele sumiu bem a tempo de esquivar de um golpe devastador. O monstro atacou com tanta força que abriu um buraco no chão, desfazendo o desenho, não poderíamos mais usar aquele retângulo. 

A criatura ficou parada tentando recuperar a espada cravada no chão, puxando a arma pelo cabo, sem progredir, eu não poderia perder essa chance. Trouxe o garoto alguns metros atrás do monstro, Elliot o golpeou no braço da espada, fazendo o monstro urrar de dor e largar a arma. 

O monstro parecia mais furioso e atento, pois quando notou que Elliot havia retornado não perdeu tempo. Horrok investiu na direção do garoto com seu imenso punho a toda força. Elliot desviou da grande mão da criatura movendo-se sutilmente para a direita e então saltou mais alguns centímetros para o lado caindo dentro do desenho mais próximo, então o fiz desaparecer. 

Eu sabia que já estava no meu limite, visto que a luz que a magia gerava estava fraca, o que antes era um brilho ofuscante agora não passava de uma fraca luminosidade e sem contar que o que Elliot tinha na cabeça não era mais uma boina. Tínhamos que terminar isso logo. 

Invoquei Elliot para chamar a atenção do orc que correu em sua direção, o monstro já havia se esquecido da espada que antes carregava, ele corria de punhos cerrados, o sangue manchando sua armadura e salpicando o chão que percorria. Elliot fugiu, correndo para a esquerda fazendo com que o monstro errasse o alvo e destruísse mais um desenho com um golpe poderoso. 

- Elliot, acabe com ele na próxima! – gritei – Não temos mais tempo! 

Ele sinalizou com a mão e desapareceu na fumaça branca. O orc parecia ter finalmente entendido o que estava acontecendo, pois começou a desferir uma série de golpes nos riscos do chão, destruindo a área da magia. Não havia muito que fazer depois disso, afinal, a essa altura, nem com a ignorância do orc nós poderíamos contar. 

O orc continuava socando o chão, percorrendo o círculo que eu tinha desenhado. Em poucos segundos não haveria onde trazer Elliot de volta, o orc já havia destruído a metade da área mágica quando invoquei Elliot exatamente no retângulo oposto ao que o monstro golpeava. E então sem perder tempo o garoto correu. 

- Há! – gritou Elliot quando alcançou as costas do monstro. 

O garoto atacou mirando, como antes, o pescoço da criatura, mas talvez seu salto não tenha sido alto o suficiente. Elliot devia estar muito cansado, saltar, correr e golpear todas aquelas vezes e ainda estar de pé até aquele momento, realmente eram feitos admiráveis. 

Infelizmente o corte no ombro não matou o orc, apenas entregou a ele a situação de Elliot. O monstro se aproveitou e num giro muito rápido e grosseiro socou o garoto no estômago, fazendo com que ele caísse a alguns centímetros do retângulo mais próximo. Elliot ainda estava consciente, mas seu rosto ilustrava a dor que sentia. O monstro seguia em sua direção. 

Inesperadamente algo estranho aconteceu. Eu pisquei os olhos e quando os abri Elliot estava dentro do desenho, ainda do mesmo jeito como quando havia caído, ele não teria como ter entrado. Era como se a área mágica tivesse mudado de lugar, mas eu não tive tempo de pensar no assunto, o orc estava pronto para atacá-lo, então apontei minhas mãos na direção dele pronto para salvá-lo: 

- Lancastriae Relocate! – gritei, mas Elliot não desapareceu, não houve fumaça - Elliot! 

O monstro encontrou a chance que tanto procurava, aproveitando do fato de Elliot estar completamente indefeso e machucado graças a sua última investida. O orc chutou o garoto no estômago com toda a força que pode, lançando Elliot para longe a alguns metros de Arghen, descontando toda a sua raiva. 

- Elliot! – gritei. 

Mas não era com ele que eu deveria me preocupar. O orc furioso voltou-se para mim correndo a toda velocidade e antes que eu o percebesse ele já estava na minha frente. O monstro me golpeou com a cabeça, me ferindo com o chifre do seu elmo em forma de unicórnio e jogando-me para trás uns três metros próximos ao nosso amontoado de pertences. Eu havia caído sobre o que antes era minha barraca, quebrando todas as armações e estacas que antes a sustentavam (eu nem queria mais mesmo...). 

Urrei ao sentir a dor da queda somada ao profundo buraco que o chifre do monstro havia feito em meu peito. Em pouco tempo pude sentir o sangue, quente e úmido molhando minhas vestes. Fechei os olhos numa tentativa inconsciente de me reerguer, mas não adiantou. 

Quando foquei a visão novamente o alvo do monstro havia mudado mais uma vez, agora ele se dirigia até Arghen. A elfa ainda encontrava-se no chão, chorando, sem a menor noção do que estava acontecendo. A criatura urrava furiosamente, ou talvez vitorioso de nos ver tão indefesos, derrotados. 

O orc recuperou sua espada, dirigiu-se até Arghen e apontou a lâmina para a garota, seus olhos não pareciam demonstrar nenhuma misericórdia. Ela ergueu a cabeça e o mirou, seu olhar era de súplica, mas não por sua vida, ela suplicava pela floresta, por sua casa, seu lar. 

Eu não consegui pensar em nada para fazer, meu corpo não se movia, e não me restava nenhum poder mágico. Arghen estava sozinha e prestes a morrer e tudo que eu podia fazer era assistir. 

Eu vi a espada descer, cortando o ar a poucos segundos da cabeça da garota. E inesperadamente o som de metal se chocando substituiu o que eu esperava ouvir. Foi então que Elliot me surpreendeu mais uma vez, o garoto defendia a espada do monstro com minha espada, minha espada incandescente. 

- Elliot! – gritei – Suas mãos! – falei observando o garoto – não estão queimadas... 

O garoto segurava minha espada firmemente, como se ela não estivesse quente forçando a lâmina avermelhada pelo calor contra a grande espada velha do orc. O monstro estava pasmo. 

-Elliot – disse Arghen surpresa. 

A imagem de Elliot segurando minha espada, definitivamente quente, sem queimar as mãos me intrigou. “Vejo o fogo, mas não sinto a floresta morrer” Arghen havia dito... O desenho no chão mudando de lugar... Orcs disfarçados de elfos... O fogo ao nosso redor. 

Finalmente eu havia entendido o que estava acontecendo. E então eu pude fazer alguma coisa. 

- É uma ilusão! – gritei – O fogo é uma ilusão! A floresta não está em chamas! 

Arghen e Elliot me olharam confusos. Eu ainda não podia fazer nada a não ser avisar, precisava fazer com que eles entendessem o que estava acontecendo. 

- Arghen, você não sente a floresta morrer por que ela não está morrendo – eu gritava com todas as forças – é uma ilusão! A floresta está viva! 

- O que? Mas como...? – indagou a elfa. 

Ela fechou os olhos e em seguida tive a impressão de que ela estava prestando atenção ao cheiro do ar. Me ocorreu que até agora não havíamos sentido cheiro de queimado, talvez nem mesmo o calor do fogo. O simples calor da batalha havia ajudado a nos iludir. 

- Sinta, Arghen! Não há cheiro, não há calor! Essas chamas não estão queimando sua casa, só a sua confiança! 

Ela piscou, em dúvida. A garota me olhou e levou as mãos ao rosto, dessa vez, para secar as lágrimas. Elliot ainda estava na sua frente, fraco, quase cedendo à força do orc. 

Elliot fechou os olhos e cedeu a força do orc, a espada vacilou e caiu, mas ele não foi atingido pelo golpe do inimigo. No ombro do monstro havia uma flecha cravada, sua espada também estava no chão e Arghen estava de pé com o arco armado, mirando a criatura. 

- Saia daqui, não tenho a intenção de matar uma criatura como você – ela falava olhando nos olhos do monstro que não reagia – Saia daqui, o próximo disparo não será uma flecha comum, se não quiser ter o mesmo destino do seu amigo, corra! 

- Eu tenho que vencer... – falou o monstro sem entender o que estava acontecendo – o chefe vai... 

- Você é livre, não tem que obedecer a ordem alguma! Corra! – falou puxando o fio do arco com mais força, ameaçadoramente. 

Eu estava perplexo com as palavras da jovem elfa. Do mesmo jeito ficou o monstro, que depois de ouvir o discurso de Arghen saiu correndo, atravessando o fogo que nos cercava sem o menor medo, fugindo. A fuga do orc confirmou minhas suspeitas e logo depois as chamas se extinguiram revelando a mesma floresta, intacta. 

O monstro sumiu ao atravessar os limites da clareira, resmungando e derrubando árvores. De repente Arghen apontou o arco para um ponto aleatório da floresta, como se ela soubesse de algo espreitando. 

- Saia agora – disse a garota, como se alguém estivesse no lugar onde ela apontava – seus truques não vão funcionar mais. 

De alguma forma a elfa havia encontrado o autor do “incêndio” que tanto a amedrontou, era possível ouvir o som de passos lentos vindo da floresta. Finalmente os arbustos começaram a se mexer e a figura de um garoto de cerca de 1,70m apareceu. 

Ele vestia uma grande capa branca que lhe cobria quase todo o corpo. Era possível ver que sua mão esquerda estava coberta por uma espécie de faixa laranja, onde na parte que cobria a mão havia o desenho de um sol pintado de vermelho. Essa mesma mão segurava um grimório, grande e branco, ornado com ouro. Da face era possível ver apenas o olho esquerdo, o outro era coberto por tiras de tecido, brancas, talvez enroladas por toda a cabeça, não era certeza, pois o capuz escondia os detalhes. Apesar de tudo notei os cabelos loiros, amarelo sol como a areia do deserto, presos num rabo de cavalo por uma fita do mesmo laranja da manga esquerda. Era o mago ilusionista que desde o início vinha nos ludibriando. 

O estranho surgiu calado e assim permaneceu, segurando seu livro fechado. Era com certeza um mago, o grimório em sua mão e as ilusões eram a prova, mas se ele não abrisse o livro não havia o que temer. 

- Onde está o outro? – perguntou Arghen de repente. 

- Não há ninguém aqui além de mim – respondeu a figura misteriosa sem emoção na voz. 

Era possível ver apenas as faixas que cobriam sua boca se mexendo. Ele falava com uma calma que eu jamais teria com alguém me apontando uma flecha. 

De repente Arghen disparou sem rodeios. A seta cortou o ar e feriu o suspeito no ombro esquerdo, fazendo-o deixar o livro cair ao som de sua dor. Ela armou o arco novamente e disse: 

- Não brinque comigo, há mais alguém aqui sim! 

- Não, não há eu sou o único aqui – apesar do ferimento sua voz continuava vazia. 

Arghen parecia completamente segura da presença de uma segunda pessoa, apesar de eu não ter a menor ideia de como. Ela manteve arco armado, mas dessa vez mirou um segundo ponto na floresta. De alguma forma a elfa sabia que havia mais alguém por perto. 

Eu me perguntava o quão forte aquela garota era, afinal ela estava sozinha agora, e parecia que havia dois inimigos. Eu pensava em tantas perguntas sem respostas que meu cérebro começou a vacilar e meus olhos insistiam em ficar fechados. 

- Saia você também – disse determinada – eu não tenho tempo a perd... 

De repente a expressão da elfa vacilou, mudou de segura para confusa e depois para dúvida. Em seguida ela baixou a cabeça, como se tentasse se concentrar, fechando os olhos com força. Ela desceu o arco, e voltou-se para a figura a sua frente. 

- Você vai pagar por ter me feito acreditar que a floresta estava em chamas! – disse como se tivesse esquecido o que estava acontecendo, esquecido seus próprios pensamentos. 

Arghen disparou outra flecha, atingindo o estranho no braço direito desta vez, ele não reagiu. A elfa puxou outra flecha e atirou alvejando a perna esquerda. À medida que o estranho encapuzado ficava mais ferido eu ficava mais confuso, não tinha mais alguém escondido na floresta? 

- Huhuhuhu – de repente a voz do sujeito havia mudado, parecia mais grave, de alguém mais velho – seus esforços são inúteis, essas flechas não vão me derrotar. 

Apesar de o meu ferimento estar tingindo minhas vestes de vermelho e a dor estar debilitando meus sentidos, eu ainda conseguia acompanhar a conversa. Porém eu temia que Arghen estivesse sendo iludida novamente, então usei todas as minhas forças para gritar: 

- Arghen, ele deve ser uma ilusão também! Suas flechas não vão matá-lo! 

- Não se preocupe, sei que está ali – respondeu a garota – e sei que vou matá-lo! 

Eu não entendia como ela podia estar tão convicta, mas meu estado não me permitia interferir mais. Meus olhos já estavam pesados, eu estava perdendo a consciência. 

- Leve essa flecha para o seu túmulo! – disse a elfa, que disparou uma seta que atingiu o alvo no lado esquerdo do peito, fazendo o sangue jorrar. 

-Hahahah... Uma flecha comum não irá me derrotar, esse ferimento é ridículo – falou a figura na mesma voz estranha de antes, em resposta ao ataque. 

- Mas essa não é uma flecha comum – falou Arghen se voltando repentinamente para mim, dando as costas para o alvo. 

- Ei espere! – disse pela primeira vez mudando o tom de voz, ele parecia desesperado – O que é isso? Que dor é essa, meu peito está queimando! 

- Essa flecha está imbuída com o mais poderoso ácido que existe – respondeu a elfa como se fosse algo habitual explicar como alguém está morrendo – em segundos seu peito irá derreter e em alguns minutos terá chegado ao seu coração – ela falava tudo isso sem voltar os olhos para o sujeito, como se já não tivesse mais importância. 

- Maldita elfa! - disse em meio a gritos de dor e urros de raiva. 

Arghen estava na minha frente, ela tirou uma pequena bolsa de couro de um dos compartimentos de sua roupa e em seguida a ouvi dizer “Você está bem?” E antes que eu pudesse responder meus olhos se fecharam e minha mente parou. Eu caí inconsciente.
Contos 1852019375171865754
Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos