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Canções da Meia-Noite #46 - Come & Go

Olá caros aventureiros da região, nada melhor do que começar a semana com uma boa canção!E hoje continuaremos uma história (se você ain...


Olá caros aventureiros da região, nada melhor do que começar a semana com uma boa canção!E hoje continuaremos uma história (se você ainda leu confira agora http://bit.ly/n90f67 )  que já percorreu todos os vales e reinos deste lado do mundo, onde um grupo de jovens heróis percorriam seu conturbado caminho, que a cada momento se deparam com mais problemas, o que poderá acontecer agora?























Come & Go

O monstro na minha frente tinha mais de dois metros de altura, sua pele era escura, em algumas partes cobertas por pelos, em outras pela armadura de metal envelhecida e torta. Seus braços eram enormes e também estavam protegidos por amaduras. Apesar de eu não ter prestado muita atenção anteriormente era com certeza um dos orcs que seqüestraram Arghen, mas eu não tinha como saber qual exatamente. Sua cabeça estava coberta por um elmo de bronze em forma de bode e pelos cabelos desgrenhados.

A floresta ardia em chamas, o fogo havia cercado completamente a clareira onde poucos minutos atrás nós acampávamos. Arghen chorava cada vez mais desesperada, ver a floresta que era seu lar queimando ao seu redor não era fácil para uma elfa protetora da natureza. Ela cobria o rosto com as mãos, talvez para não ver o fogo consumindo sua casa.

Apesar de eu estar encurralado com as chamas as minhas costas e o inimigo enfurecido logo a minha frente, a garota não parecia se importar, o que era compreensível. Os elfos têm uma ligação tão forte com a natureza que chega a ultrapassar os limites da razão. Ver que Arghen se importava mais com as arvores ao seu redor do que com os companheiros não me machucava nenhum pouco. Seu estado sim, me partia o coração.

- Lembra de mim senhor Músico? Sou eu Ckroig, o “elfo” não lembra? O que você pôs para dormir – começou o monstro – o chefe não ficou feliz com aquilo e eu fui punido, não gostei, mas não se preocupe nós vamos acabar com vocês bem rápido, e logo depois vamos estraçalhar aquela garota – disse o orc desdenhando de nossa situação.

Enquanto ria de mim o monstro começou a avançar, me fazendo recuar cada vez mais para perto do fogo. Eu precisava pensar em algo enquanto eu ainda tinha tempo.

- Nick! – gritou Elliot quando o inimigo estava a um passo de mim.

Eu não tinha o que fazer, estava desarmado e não conseguia pensar em nenhuma magia que me ajudasse com o tempo restante. Só me passava pela cabeça desenhar um retângulo no chão e enviar o orc até meu baú, mas achei que Grabb não iria apreciar o presente.

Eu estava prestes a me jogar nas chamas e tentar escapar de alguma forma quando uma cena incrível me prendeu: Elliot se esgueirou pelo espaço entre o braço da criatura que o prendia e sua armadura se livrando da prisão tão rápido que o orc não percebeu quando o garoto sumiu por baixo de suas pernas. No instante seguinte ouvi apenas o urro da criatura que saiu desnorteada segurando a mão esquerda que sangrava, sua espada jazia no chão. Elliot havia usada minha adaga.

Ele segurava a arma com a mão direita, a lâmina voltada para trás o rosto sério como eu nunca tinha visto. O garoto foi até Arghen e tirou-a de perto do monstro enfurecido que ainda urrava e socava o ar fazendo chover sangue e levou para um lugar seguro. A elfa não pareceu reagir à fuga de Elliot, quando o garoto a segurou sua expressão continuou a mesma, desolada e horrorizada, como se ela ainda estivesse sentada no mesmo lugar, e não no colo de seu “herói”.

Felizmente essa cena não havia tomado apenas a minha atenção, o orc que me ameaçava também estava surpreso ou confuso, não sei. Ele olhava para seu companheiro sem entender o que havia acontecido. Elliot estava livre do aprisionamento do orc, eu não podia ficar para trás e deixar essa chance escapar.

Ao notar que a criatura estava distraída girei o corpo e chutei a mão que segurava a espada, com toda a força que eu pude. Não era muito em relação à do monstro, mas foi o suficiente para ele derrubar a arma, aproveitei e corri para perto de Elliot e Arghen. O outro orc ainda estava ocupado com o ferimento que Elliot havia lhe feito.

- Vocês estão bem? – perguntei aflito.

- Sim – respondeu Elliot – O que vamos fazer? Arghen está paralisada, não consegue nem ficar em pé!

- Vejo o fogo, mas não sinto a floresta morrer – murmurou a garota ainda desolada com a situação.

Tive de ignorar o que Arghen disse, até por que eu ao entendi. Olhei para Elliot e disse:

- Temos que dar um jeito nesses orcs primeiro! – falei – Arghen vai ter que esperar.

Eu não tinha tempo para Arghen com o seu problema, seria arriscado demais, não poderíamos contar com ela. Olhei o cenário de relance, tentando encontrar algo útil, então vi minha espada a alguns metros atrás da garota, imersa nas chamas, incandescente, também não poderia contar com ela.

Nós estávamos perto da barraca, a uns três metros do fogo. Os dois orcs já estavam se recuperando, tive tempo de identificar Horrok, usando um elmo em forma de unicórnio, bastante questionável, enquanto balançava sua mão ferida.

Eles iriam se estabilizar em pouco tempo, eu precisava pensar em algo, foi quando olhei para a lona que cobria minha barraca. Tive uma idéia. Então me voltei para Elliot.

- Elliot, pode fazer com que os dois se distraiam? – falei de repente – Apenas alguns segundos – observei que Elliot estava de boina.

- O que? – respondeu surpreso – Posso tentar, mas o que você vai fazer?

- Não me questione! – respondi me lembrando do ultimo plano que contei a Elliot – Essa boina é de couro não? – mudei de assunto.

- Hein? O que...?

Elliot não teve tempo de responder, os orcs estavam vindo na nossa direção mais furiosos do que nunca. Eles também haviam recuperado suas espadas, e estavam loucos para usá-las, não tínhamos tempo.

- Aqui! - falei pegando a lona da minha barraca – Me ajude com isto!

Elliot logo compreendeu minha intenção. Ele segurou a outra extremidade da lona e nós a esticamos e corremos na direção dos monstros. Os orcs podiam ter notado a armadilha, mas eles não tiveram tempo de escapar.

Os dois caíram, um por cima do outro. Horrok tentou se levantar, mas Elliot correu e o chutou. A nova situação pareceu confundi-los, talvez eu tivesse superestimado os dois quando achei que perceberiam o truque. Os dois estavam tontos mais uma vez.

- Agora os mantenha no chão! – avisei.

- Certo – gritou Elliot estendendo a lona sobre os monstros – Há! – gritou quando chutou Ckroig que tentava se levantar.

O círculo de chamas ainda ardia e os monstros se debatiam sob a tenda, se enrolando cada vez mais. Eu me afastei do emaranhado de orcs e lona uns cinco metros e comecei a desenhar no chão, forçando o chão terroso da floresta com os pés. Eu fui seguindo ao redor dos monstros, tomando-os como o centro, meus desenhos os circundavam. Ia levar algum tempo, apesar de não ser complicado meu plano não ficaria pronto rápido.

Os monstros não paravam, os chutes do garoto não os confundiam mais, apenas os deixava mais enfurecidos agora. Eles estavam começando a se livrar quando Elliot disse:

- Nick! Eles estão escapando! – gritou ao vê-los rasgar a tenda com as espadas.

- Dê um jeito! Eu preciso de mais tempo! – falei quando estava na metade do desenho.

Elliot saltou até as bagagens e começou a vasculhar tudo. Ele pegou minha mochila e tirou de dentro duas garrafas de vinho que sempre fazem parte do meu estoque particular. É muito difícil para eu descrever essa cena de indiscriminado desperdício e violência. Mas pelo bem da história, farei esse sacrifício.

Elliot muniu-se da minha preciosa bebida e não hesitou em quebrar as duas garrafas na cabeça dos monstros. Os dois orcs pararam de se debater, tontos ou talvez bêbados. A tenda havia sido reduzida a retalhos.

Eu aproveitei a chance e acelerei meu trabalho, talvez não tivesse ficado perfeito, mas eu não tive tempo de perceber. Os orcs não deviam estar bêbados, pois em poucos segundos se livraram da barraca usando seus dentes e espadas numa fúria insana.

O garoto não tinha o que fazer se não recuar. Os orcs já estavam livres e de pé, iam em direção a Elliot que sacou a adaga. O garoto foi se afastando, empunhando a arma que era sua única defesa contra os enormes monstros. Bem a tempo eu tinha terminado meu círculo, um círculo feito de retângulos.

- Lancastriae Relocate! – gritei apontando minhas mãos na direção de Elliot quando ele recuou para dentro do retângulo a suas costas.

O garoto sumiu numa densa nuvem de fumaça branca, confundindo completamente os dois orcs que fatiaram o ar onde Elliot estava, segundos depois de ele ter sumido, a salvo. Meu plano tinha funcionado, graças aos deuses!

Eu apontei as mãos para outro dos retângulos, dessa vez atrás dos inimigos e repeti as palavras mágicas. Com mais uma nuvem de fumaça eu trouxe de volta Elliot, tão confuso quanto os inimigos. E com um pedaço de boina a menos, era o couro dela que estava fazendo a magia funcionar.

- O que foi isso? O que você fez comigo? – gritou ele, chamando a atenção dos monstros.

As criaturas avançaram novamente contra o garoto que não sabia o que fazer, afinal ele tinha acabado de visitar o meu baú e voltado sem a menor explicação, então eu o salvei e em seguida o trouxe de volta, mais afastado dos orcs do que antes. A confusão de Elliot estava estampada na sua face, porém sua adaga ainda estava em mãos, então eu gritei:

- Ataque!

Elliot viu a oportunidade lhe chamando quando percebeu que os inimigos estavam de costas para ele. Sem hesitar o garoto investiu contra um dos monstros, Ckroig, que foi cortado do ombro esquerdo até sua cintura, em um ferimento diagonal. Elliot olhou para mim e sinalizou com a cabeça, entendendo o plano.

O orc não viu o ataque o que só contribuiu para que sua fúria fosse mais devastadora. A criatura urrou e brandiu sua espada no ar enquanto procurava insano pelo garoto.

Elliot aproveitou o estado de surpresa do outro orc e saltou na sua direção, mirando a adaga no braço direito do monstro. O golpe não foi tão bem sucedido quanto o anterior, pois Elliot foi atingido por um braço errante do outro orc em estado de fúria.

-Aargh! – gritou indo parar a centímetros do retângulo mais próximo, sem largar a arma.

Os orcs foram alertados pela exclamação do garoto e correram na sua direção. Ckroig na frente, pronto para se vingar do corte nas costas.

- Elliot, no desenho! – gritei – Entre no desenho!

Eu não pude acompanhar Elliot quando ele saltou para o retângulo, seu movimento foi tão rápido que quase o perdi de vista. Apontei as mãos para ele o mais rápido que pude e falei novamente:

- Lancastriae Relocate! – minhas mãos cintilaram, e com uma nuvem de fumaça Elliot desapareceu de novo.

Ele sumiu bem a tempo de evitar a lâmina do monstro, deixando apenas a fumaça característica. Os orcs, cada vez mais perdidos, viraram-se na minha direção, ignorando o garoto sumido.

- Ei! Pra cá não! – gritei

Para que meu plano continuasse dando certo eu precisava manter os monstros dentro do círculo de retângulos, se eles viessem em minha direção estaria tudo acabado. Como eu estava desarmado tiver de usar outra magia para repeli-los. Então recitei as palavras mágicas em voz alta:

- Radius Sonora! – falei voltando minhas mãos para Horrok e Ckroig.

Minhas mãos brilharam. Meus dedos começaram a formigar e quando os orcs estavam a poucos metros de mim atirei. Um disparo de energia sônica que cortou o ar fazendo um barulho de doer os tímpanos, a magia voou rapidamente até os orcs atingindo-os no peito, fazendo-os recuar com o impacto.

Meu repertório mágico não é muito voltado para o ataque, então esse era meu ultimo recurso. O disparo cria um barulho muito peculiar causado pela energia sônica cortando o ar, o que pode atordoar os alvos, caso eu tenha sorte. Essa magia não causa muitos danos ao atingido, mas seu poder foi útil para colocar meus amigos orcs onde eu queria.

Os monstros se desesperaram correndo de um lado para o outro, sem entender o que acontecia, pelo jeito eu tive sorte, eles ficaram atordoados. Certifiquei-me de trazer Elliot no lugar certo para impedir os orcs de saírem do circulo, colocando-o sempre no caminho das criaturas. O que foi muito bom por que sempre que o garoto tinha a chance ele os atacava, o que os deixou mais feridos e desnorteados do que nunca.

Horrok, o orc cabeça de unicórnio, caiu devido a saraivada de golpes, talvez morto ou apenas inconsciente. O outro urrava tentando acertar Elliot com seus golpes insanos, mas o garoto era muito ágil e esquivava das investidas com facilidade, abaixando-se para evitar um corte, saltando por cima da espada ou pulando para dentro dos retângulos quando sua destreza não era o suficiente para salvá-lo.

Eu não ia conseguir invocar Elliot por mais tempo, então resolvi preparar um golpe final. Provoquei o orc para que viesse na minha direção:

-Ei feioso! Venha aqui se você for bem... orc? – falei em tom de desdém.

O monstro correu até mim, (feioso é um adjetivo fatal contra orcs) fazendo suas feridas mancharem o chão com o sangue. Ele parecia mais furioso do que nunca, então eu não podia errar. Antes que Ckroig me alcançasse invoquei Elliot no lugar exato logo atrás da criatura.

O garoto surgiu e investiu contra o inimigo saltando e golpeando o monstro no pescoço com a adaga, fazendo um corte profundo. O monstro parou, colocou a enorme mão sobre a ferida e despencou. O sangue jorrava com muita força, Elliot acertou a artéria da criatura. Ele caiu morto.

- É isso aí! Nick você é demais!– gritou Elliot, comemorando.

-Ei se acalme, ainda temos que ver o estado de Arghen não é? – falei sem conseguir esconder o sorriso de alívio.

- Ah, certo! Talvez eu possa ajudar! – disse vindo na direção da garota.

-Não, tudo bem eu ainda tenho um pouco de poder mágico sobrando e conheço uma magia que pode acalmá-la – falei procurando um item no bolso interno do casaco – procure se não há algo de útil nas coisas dos orcs...

-Tudo bem – disse o garoto se aproximando mais das criaturas – mas acredito que eles não tenham nenhum dinheiro...

Respirei aliviado, tínhamos nos livrado de dois grandes problemas. Pois eu não poderia continuar fazendo magias por muito mais tempo todas essas investidas de Elliot haviam exigido muito do meu poder mágico, que já é um tanto limitado. Olhei para Arghen, ela ainda estava no chão chorando, e então voltei meus olhos para Elliot, e não gostei do que vi.

Um dos orcs estava se levantando, reerguendo-se. Horrok não havia morrido, estava de pé e a visão de seu companheiro morto aos seus pés não melhorou seu humor. Ele juntou a espada de Ckroig do chão e foi na direção de Elliot.
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