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Canções da Meia-Noite #43 - O Peso do Mundo - Parte 3 (Final)

Saudações aventureiros.Hoje temos o desfecho da aventura que tem guiado o jovem Joan em sua  sombria  trajetória ,que na última parte ...



Saudações aventureiros.Hoje temos o desfecho da aventura que tem guiado o jovem Joan em sua sombria trajetória ,que na última parte usou a espada rubra para salvar sua irmã dos misteriosos elfos que invadiram o pequeno templo, ,enquanto isso os paladinos de Khalmyr encontram um novo e tenebroso desafio.Agora os caminhos começam a se cruzar e os enigmas se juntam,revelando um segredo muito maior que seus protagonistas possam imaginar.



    - Vim buscar o livro que vocês roubaram. – Ortis sem demonstrar reação diante da rendição. Vão buscar. Eu espero aqui. – acrescentou com a certeza de que os elfos sequer cogitariam a hipótese de fugir. Em seu coração, sentia alívio. A missão ainda procedera. Encarou o jovem com respeito e caminhou em sua direção: Daremos um enterro digno a ela. – recebeu um aceno como resposta.

Ortis estranhou o fato de nenhum de seus comandados ter voltado ao som de seu berrante. Já com o Livro, decidira retornar carregando o garoto em sua sela enquanto arrastava os dois ladrões por uma corda improvisada. Respirava o ar de missão cumprida até que esse escapou de súbito ao se deparar com o cenário de guerra que havia se tornado a estrada que levava ao vilarejo. Seu maxilar enrijeceu diante dos corpos dos companheiros mortos por um adversário que até então não conhecia.
            Sildes o reconheceu de pronto comparando com a descrição do aventureiro que matara. Quando viu os dois elfos a mente trabalhou rápido:

            - Proteja o Livro Ortis! Estes homens são servos da intriga e estão aqui para levá-lo! – Gritou.

            - Fudhoo, alcance o cavaleiro. Deve estar com ele! – reagiu Duckhein tentando entender porque o velho afirmou que eram “servos da intriga”.

            Ortis desmontou com um movimento perfeito enquanto retirava Antares da bainha. O cavaleiro negro investia em sua direção, então fez o mesmo tentando afastar-se ao máximo do garoto.
            Fudhoo disparou um terrível golpe horizontal visando a cintura do cavaleiro. Força suficiente para atiçar a poeira do solo. Veterano de inúmeras batalhas, Ortis sabia ser um golpe extremamente destrutivo, porém fácil de ser evitado. Um pequeno salto para trás interrompendo a própria investida foi suficiente para a esquiva, a postura já se preparando para o contra-ataque.
            A verdade é que cavaleiro de Khamyr subestimara o oponente. Fudhoo já encontrara muitos adversários que acharam que aquela estratégia seria suficiente para evitar a morte. Girando rapidamente nos calcanhares enquanto posicionava seus pulsos para interromper a força do ataque, transformou o golpe horizontal em um ataque vertical. Seus movimentos pareciam ignorar o peso da armadura de batalha. O golpe atingiu Ortis de baixo pra cima e foi suficiente para derrubá-lo violentamente.

            Sildes havia decidido focalizar-se na defesa. Precisava ganhar tempo. Precisava pensar. O Livro estava perto e ao mesmo tempo longe. Sempre fora adepto das maquinações, das redes intrincadas de intriga. Mas as variáveis se misturavam e começava a perder a paciência. A idéia de abandonar o disfarce era sedutora. Tudo poderia ser resolvido com uma baforada, exceto por essa botar tudo a perder.
            A mesma falta de paciência era compartilhada por seu oponente. O tilintar de lâminas inúteis já durava vários minutos enquanto ambos pareciam saber que escondiam seu verdadeiro potencial. O sorriso já havia deixado por completo os lábios de Duckhein quando decidiu recorrer a um plano que só não seria perfeito por ter que deixar seu companheiro para trás. Lamentou por não ter pensado nisso antes, sem lembrar que fora a lealdade que não o permitira fazer. Até agora.

            Faltava-lhe ar. Sentiu algo escorrer sob as placas de sua armadura e sabia o que era. Decidira não pensar na profundidade do corte enquanto se preparava pra levantar. Ortis já havia gasto a única chance de sobrevivência oferecida por Khalmyr e não estava disposto a decepcioná-lo.
            Mas mal abrira os olhos quando o enorme machado veio novamente ao seu encontro. O inimigo não oferecia trela. Rolou para se livrar do ataque. Em mais um movimento estava de pé preparado para o combate.
            Fudhoo retirou com facilidade a lâmina do machado que cravara profunda o solo arenoso. Frieza nos movimentos. Pesar nos pensamentos.

            - Maldito Vampiro­!  – Sildes esbravejou quando a nuvem de fumaça se formou ao seu redor enquanto o adversário desaparecia completamente. Seria impossível deter sua fuga. Um novo sentimento tomou conta do seu peito. Um que jamais havia experimentado. Era ira. Era o gosto azedo do fracasso. Sabia exatamente qual era o plano do adversário e não podia fazer nada para impedi-lo. Não sem estragar o disfarce. Pensar nisso o consumia em ódio.

            Joan havia recuperado a consciência a pouco e se fosse covarde iria preferir não ter feito diante o que acabara de presenciar. A nuvem de fumaça movia-se como que por vontade própria em direção ao cavalo onde estava até se transformar naquele homem que parecia mais um morto de tão branco. Seria Leen vindo busca-lo? Se fosse não seria sem luta! Por mais que fizesse questão de esquecer, ainda era imaturo. Ainda não entendia nada sobre as forças que regem o mundo e por isso tentava segurar firme o cabo da espada sem conseguir conter o tremor e nem o medo.
            Duckhein havia recuperado a calma e chegou a se divertir com a caricatura de coragem pintada nas atitudes do garoto diante dele:

            - Não precisa me ameaçar, mocinho. Estou aqui procurando um Livro. Sabe onde posso encontrar? – Joan hesitou diante da simpatia do “deus da morte” – Obrigado, você é um rapazinho muito gentil. – complementou Duckhein pegando um alforje como se pressentisse que ali estava o que procurava.
            Com o Livro em mãos se permitiu olhar novamente o garoto e se surpreendeu ao ver a espada que segurava:

            - Ora se não é a Lâmina Corrupta. Que ironia! – Sem perder o sorriso no rosto o vampiro fitou os olhos de Joan – Esse será um até logo, pois é você, garoto, o homem que irá tirar a minha vida... – palavras proferidas enquanto Duckhein substituía seu corpo novamente por uma compacta nuvem de fumaça. – Adeus, caro Fudhoo!

            - Ele não irá agüentar – pensou Sildes tentando distrair-se dos próprios pensamentos enquanto observava a luta entre Ortis e o cavaleiro de armadura negra. Não conseguiu o Livro e com o fracasso da comitiva também perdera o sentido sussurrar discórdia entre o Reinado. No entanto, ainda restava uma coisa a ser feita.

            Antares era realmente uma espada espetacular. Onde o escudo já havia quebrado a lâmina resistia. Mas não por muito tempo. Ortis não conseguia contra-atacar, sentia-se como o aço incandescente sendo paulatinamente golpeado pelo martelo da forja. As metáforas dançavam em sua mente e o desconcentravam, fruto de exaustão. Por clichê que parecesse, era verdade que jamais havia enfrentado um adversário tão duro. E a recíproca era verdadeira. Sob o elmo, Fudhoo admirava a resistência do cavaleiro. Não lembrava a última vez que seus músculos rangeram devido a quantidade de golpes em uma batalha. O cavaleiro de Khalmyr era como uma muralha de aço. Teria problemas se o velho decidisse se juntar ao adversário depois da fuga de Duckhein. Não se sentia traído. Seu companheiro fez a coisa certa. Sua missão era mais importante que suas vidas, seus códigos de honra. Suas naturezas.

            - Perdoe-me Khalmyr, é tarde demais... – balbuciou Ortis antes de cair exausto. O golpe que partira Antares seria suficiente para fazer o mesmo com ele caso fosse esse o desejo do seu adversário. Mas não era.

            - A deusa designou que o conhecimento contido no Livro ainda não poderia chegar nas mãos dos elfos. Sinto muito pelos seus, cavaleiro! – Ortis, quase inconsciente, mal podia entender as palavras proferidas através do elmo negro.

            - Então era isso? – Sildes caminhava em direção aos dois. Fudhoo respirou fundo tentando acumular ar nos pulmões para mais uma dura batalha. A armadura negra escondia sob si o cansaço do homem que a envergava. – Não tentarei impedir sua fuga – provocou o velho com ar debochado.

            - Não tenho pressa – mentiu Fudhoo.

            - Bobagem! Eu sei que sua missão aqui já foi cumprida. Além disso, eu não estou com humor pra terminar de matar alguém que está convalescendo. – disse Sildes entre sorrisos. Não podia enxergar o rosto de surpresa sob o elmo, mas tinha certeza que aquele homem se perguntava como ele sabia.

            Fudhoo não havia percebido o exato momento em que o golpe de Ortis perfurou sua armadura. O sangue que não parava de esvair desde então era a prova irrefutável que o cavaleiro de Khalmy havia pronunciado seu derradeiro veredicto. Suas pernas vacilaram e seus joelhos foram ao chão. Estava a mercê do velho que passou do seu lado com indiferença – Eu disse que não tentaria impedir sua fuga – disparou entre os dentes sorridentes enquanto caminhava em direção ao garoto.

            - Qual é o seu nome? – perguntou Sildes tentando manter um mínimo de simpatia. Já havia tido 1000 disfarces, nenhum deles simpático. – “Joan” – respondeu relutante.
           
            - Sabe manejá-la, Joan? – disse tomando com cuidado a espada e cortando o ar com alguns movimentos rápidos – é uma boa espada, aliás, uma ótima espada! – acrescentou.

            Joan encarava o senhor com um misto de admiração e medo.

- Você sabe quem foi Atlas? – perguntou já sabendo a resposta – ele foi um deus de um mundo muito distante de Arton. As pessoas desse mundo acreditavam que Atlas carregava esse mundo nos ombros, tamanha sua força.

Joan escutava com atenção, mas não entendia.

- Imagino que não tenha para onde ir não é mesmo? O que acha de vir comigo, Joan? Eu posso te ensinar algumas coisas e se você for dedicado poderá me superar Um dia poderá ter o poder para resolver todos os problemas daqueles que ama...como um deus...  – Sildes fazia questão de evitar pausas, como um mercador tentando empurrar seu produto a fregueses ingênuos. O garoto deu um passo atrás. Mas seus olhos brilhavam. Sildes sorriu:

- Mas Joan não é o nome de um deus... – brincou Sildes – de hoje em diante te chamarei Atlas, o deus que jamais se curva ante o peso em seus ombros.

O garoto sorriu tímido, mas gostou da idéia, dando mais atenção à palavra “deus” e ignorando totalmente a palavra “peso”. Partiu com um vislumbre de esperança em seu futuro achando que poderia enterrar seu passado. Ainda era jovem e jovem que era, nada sabia sobre as forças que regiam Arton.  Não podia saber que tais forças tinham um plano pra ele e que a partir daquele dia jamais seria chamado de Joan novamente. Não percebeu que atrás de si, dois elfos morriam envenenados.

            Dias depois, no extremo sul de Arton, um Bugbear gigante parecia gostar do que ouvia:

            - Tenho certeza absoluta que o Livro não será utilizado na Guerra, general Ironfis. O ataque poderá ser realizado quando o senhor desejar. O segredo por trás da flecha de fogo certamente não será revelado. Pelo menos por enquanto. A sua vitória é a vontade dos deuses – conspirava o homem de manto negro que garante seu disfarce em meio ao sem número de goblinóides. O general gargalhava enquanto as palavras que condenariam para sempre os elfos de Lennorien eram proferidas. Sob o manto lamentava-se alguém que neste momento poderia ter o segredo para si. Porque ele saberia, como ninguém, a hora certa de revelá-lo... 


O Peso do Mundo Parte 1 - http://bit.ly/xtFwqB
O Peso do Mundo Parte 2 - http://bit.ly/xxhnYy


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