rpgvale
1599924783602205
Loading...

Canções da Meia-Noite #42 - O Peso do Mundo - Parte 2

Olá caros bardos. Hoje continuaremos a saga narrada na última edição da #CMN e que promete trazer muitas respostas para os mistérios de ...


Olá caros bardos. Hoje continuaremos a saga narrada na última edição da #CMN e que promete trazer muitas respostas para os mistérios de O Peso do Mundo  . Na primeira parte da história vocês se depararam com uma jovem clériga de Marah que se tornou vitima de dois elfos, enquanto seu irmão erguia a estranha espada de seu pai para iniciar sua jornada. Enquanto isso uma misteriosa figura cadavérica aguarda a chegada de seus aliados, ao passo que os cavaleiros de Khalmyr marcham em sua  fúria na busca de um p livro.O que será que os deuses teceram para estes quatro caminhos?


A ordem foi recebida de súbito, mas toda a comitiva parou ao ouvir Ortis. O cavaleiro examinava a trilha à direita da estrada principal decepcionado por não tê-la encontrado antes. Se prestasse mais atenção no caminho não teria perdido dias preciosos em buscas infrutíferas.

- Esta trilha leva a um pequeno vilarejo de vassalos, senhor. – adiantou um dos cavaleiros. A pista estava quente. Uma busca dividida pelo local encontraria os elfos antes mesmo que Azgher trouxesse consigo a luz de um novo dia. Cavalgaram até onde, pela vontade Khalmyr, tudo seria resolvido.


Inis Sildes estava novamente fora do casarão da fazenda e olhava os corpos no chão com indiferença. Estava entediado. Preocupado. Não. Estava nervoso! Começava a questionar a habilidade daqueles elfos. Será que teria ele mesmo que abordar a comitiva cheia de cavaleiros de Khalmyr?

Ficara sabendo a pouco da comitiva, através dos lábios trêmulos de um dos aventureiros antes de matá-lo. De acordo com o relato, o líder da comitiva era ninguém menos que Omar Ortis, o cavaleiro cuja força e técnica de combate rivalizavam apenas com seu senso imutável de justiça. Seria um adversário perigoso e o corpo frágil necessário ao disfarce poderia decretar sua ruína.

Sildes sorvia mais um gole do líquido fumegante de aroma ácido que sempre tomava após suas sinistras orações noturnas. Sentiu um arrepio e uma estranha sensação de urgência no peito. Nunca sentira aquilo antes. O recém obtido coração humano batendo mais rápido. Seria medo?

Ao longe, a cavalgada sinistra. O brilho das patas e das crinas em chama denunciava as criaturas vindas das trevas, mas revelava pouco de seus cavaleiros. Sildes não pôde evitar a angustia. Fossem quem fossem aqueles cavaleiros cavalgavam pesadelos!

Era certo que seu deus não o alertaria sobre isso. A natureza de sua crença não o permitiria. Quais eram seus interesses naquela região? Será que tinha relação com a comitiva ou até mesmo com o Livro? Os elfos estavam atrasados. Não sabia sequer se podia contar com eles. Sildes montou no cavalo de um dos aventureiros mortos e decidiu seguir, como se pudesse, as duas criaturas.

Eventos importantes ocorreriam em Lomatubar naquela noite. Nem todos os personagens envolvidos tinham idéia disso, mas aquela era uma noite de mudanças. Mudanças em vidas. Mudanças na História!

Tenebra já envolvia o mundo em seu véu de escuridão quando os cavaleiros de Khalmyr chegaram ao centro da aldeia. Os cascos pisoteando a terra atraíram a atenção dos moradores que se tranqüilizaram ao ver o brasão da Ordem ostentando a balança da Justiça.

Ortis deu a ordem sem precisar dizer uma palavra e logo os cavaleiros já estavam em busca de pistas sobre os elfos. Algumas horas e o cavaleiro perguntou a um dos aldeões para onde levava uma trilha que havia encontrado há pouco. Ouviu como resposta que levava a um modesto templo dedicado à Marah.

O rangido da antiga porta sendo aberta assustou os elfos. Ainda sobre a sacerdotisa, Lienn apontou para uma espada curta em meio às suas coisas. – Nós ainda não terminamos... – sussurrou o elfo. Heidrian já havia perdido as forças e os soluços de desespero davam lugar ao silêncio conformista comum aos derrotados.

- Ele só pode estar de brincadeira – ironizou Lienn quando viu o garoto segurando a espada. - Deixa a espada no chão e vai embora moleque, se não quiser se machucar. – esse foi Mirthiri, diante da lâmina vermelha e da óbvia conclusão de que aquela não era uma espada qualquer.

Joan olhou de relance o cinto aberto do elfo que tinha um sorriso debochado no rosto e sentiu o peito inflar. Ódio!

- Vou sair daqui depois que suas cabeças forem separadas do pescoço, seus filhos da puta! – a determinação e a audácia de Joan pegaram os outros dois de surpresa.

- Fala como quem não tem nenhum apego pela própria vida, moleque. – Era Mirthiri, dando um passo a frente mostrando aceitar o desafio.

O azedo na garganta era medo e Joan sabia muito bem disso. Aquilo seria uma luta real onde sua vida estaria em jogo e ele teria que matar se quisesse viver. Em uma fração de segundos os ensinamentos do pai subiram não só à cabeça, mas também aos braços, pernas e coração. Era um guerreiro. Segurou forte o cabo da espada e analisou. Fosse ele mais alto, a espada curta do adversário não seria rival por causa do tamanho de sua própria espada. Mas era menor e por isso teria que encarar a lâmina do adversário bem de perto. – Tanto faz... - A iniciativa seria dele. Investiu! 

O enorme machado cortou o ar. Um braço e um pescoço rolaram displicentes pela terra úmida. Dois cavaleiros de Khamyr tiveram o mesmo destino. O relinchar mórbido dos pesadelos ecoou e muitas crianças que dormiam um sono tranqüilo urinaram em suas camas.

- É certo que está por aqui? – perguntou o algoz com a voz abafada pelo pesado elmo negro.

- Temos que procurar, ora! Achou mesmo que seria fácil? – respondeu o outro. O sorriso feroz nos lábios que jamais abandonava a face branca torneada com esmero – Seu senso de humor é notável, caro Myou.

Fudhoo Myou intimidava seus inimigos. Muitos já haviam desistido de combatê-lo diante da coisa hermética que era dentro de sua armadura de batalha. Segurando um machado maior que muitos guerreiros com apenas uma mão, fazia bem o papel recorrente na fantasia de guerreiro cujo rosto jamais fora visto.

Mas naquela noite seus adversários eram cavaleiros de Khalmyr. Homens que não se deixariam intimidar pela aparência. Teria que matar. A tarefa na dava prazer. Os dois ainda analisavam o terreno, quando outros cavaleiros investiram com suas lanças preparadas.

O elegante e fino sabre foi suficiente para evitar o ataque da lança. Um segundo movimento e um desenho vermelho foi feito no pescoço de um dos cavaleiros, suficiente para o sangue esvair em borbotões. Com a voracidade contida, Duckhein sorriu simpático para o companheiro – Eu não disse que não faria?

A elegância, velocidade e precisão com o que Duckhein empunhava o sabre contrastavam com os movimentos brutais do machado de Fudhoo. Ambos mortais. O centro da aldeia havia se tornado palco de um banho de sangue. Os cavaleiros de Khalmyr atacavam em ondas. E eram derrotados.

O sorriso de Duckhein deixou seu rosto por um momento e de súbito foi imperativo:

- Fudhoo, está naquela direção.

Toda batalha é cruel. A primeira é sempre pior que a última.

Os pensamentos de Joan se dissipavam enquanto sentia o impacto dos seus calcanhares contra o piso de pedra do templo. Mirthiri assumia uma postura que favorecia a velocidade de um contra-ataque subestimando a força da investida de seu jovem oponente.

O olhar do elfo se fixava na ponta da espada de lâmina vermelha. Não era um ladrão alheio às técnicas de combate com espadas de médio e grande porte. Sabia que vindo naquela velocidade, o garoto não conseguiria mais que um golpe vertical ou diagonal simples. Era uma questão de antecipar o ataque e isso seria fácil. Diagonal! Ombro direito! A lâmina curta paralela ao solo na altura dos olhos foi mais que suficiente para evitar o impacto do ataque. Como previra, a força do garoto não fora capaz de evitar a reorientação da postura que permitiria o contra-ataque e decretaria o fim da luta. Sem misericórdia, a lâmina buscou o pescoço do jovem adversário.

Joan sentiu o impacto nas pontas dos dedos sem perceber que ficara de olhos fechados. Ainda estava vivo porque sua defesa havia sido perfeita. Poderia ter pensado que a ação foi inconsciente, mas a verdade é que um verdadeiro guerreiro é preparado para agir e não pensar durante um combate. O duro treinamento com o pai surtiu efeito. A lâmina curta teve a viagem interrompida pela lâmina de sua espada. Seu pescoço posicionado de maneira a não perder o adversário de vista. A certeza do elfo se tornando descrença causou uma fração de segundo de distração que soube aproveitar muito bem.

A lâmina vermelha girou como um pêndulo quebrando qualquer possibilidade de defesa. O movimento foi feito com a destreza e a força de um obstinado. Lienn arregalou os olhos em surpresa e desespero. A guarda do irmão completamente quebrada. O pequeno salto para trás para reorientar a lâmina para a estocada. A ponta da espada buscando o inimigo:

- Mirthiri cuidado ele v... – Não dava mais tempo. O garoto sabia o que estava fazendo. Tinha técnica. Tinha estratégia. Tinha medo e sabia exatamente como deixá-lo influenciar no combate na medida certa. Era um erro subestimar um jovem tão talentoso. A espada atingiu Mirthiri fazendo jorrar uma generosa quantidade de sangue enquanto estraçalhava os tendões de seu ombro. O elfo caiu ajoelhado e sua espada foi ao chão. Estava derrotado. O embate não durou mais que 5 segundos.

Lienn saltou como um lince faminto sobre sua presa. Usava apenas um punhal. O sorriso de ainda pouco desvanecera totalmente dando lugar à concentração. Postura de defesa. Adaga na altura dos olhos. Mão direita em movimentos livres para distração.

O punhal era curto e não seria adversário para a espada. Mas o elfo confiava em sua velocidade para esquivar dos ataques. Estava totalmente na defensiva por isso ele mesmo não poderia se dar ao luxo de errar. O contra-ataque poderia ser fatal. Joan media o oponente. Fitou seus olhos escondidos sob os fios do cabelo negro. A aparência ameaçadora. Respiração ofegante. Ódio rivalizando com frieza.

- Venha. Vou fazer com você a mesma coisa que acabei de fazer com o merda do seu irmão. – O insulto terminou em escarro. Joan tentava suprimir o medo que sentia por trás das palavras para que a provocação rendesse a reação esperada, embora soubesse que poderia ser a garantia de uma morte lenta e cruel. Morrer era um alívio, mas detestava sentir dor.

Lienn não podia acreditar. O insulto fez ferver o sangue que não demorou a subir à cabeça. Venceu a distância que os separava em um salto sem perceber o sutil passo de Joan na intenção de ficar de costa para os bancos de madeira que serviam de assento em dias de pregação. A lâmina vermelha ainda fez um talho superficial em seu braço antes do impacto que arremessou o garoto para cima dos bancos. O barulho ecoou no templo. A lâmina vermelha foi largada. A distância calculada.

Fudhoo e Duckhein traziam terror ao centro da aldeia enquanto pavimentavam a estrada com os corpos dos cavaleiros que entravam em seu caminho até que viram algo que lhes chamou atenção.

O senhor de vestes escuras, pele muito clara e cabelos lisos e ralos estava no meio da estrada parecendo esperar tranquilamente a aproximação das montarias flamejantes enquanto segurava apenas uma espada longa. Duckhein tentava entender algo enquanto Fudhoo preparava o machado impregnado do sangue de homens justos para mais uma morte.

Sentiu a dor de costelas quebradas. Os olhos lacrimejaram. Joan detestava a dor e dessa vez iria ignorá-la porque tudo saiu como planejado.

Lienn não podia mais esperar para rasgar a cara daquela maldita criatura no corpo de criança. Afastava os bancos derrubados sem se importar com mais nada até que um veio em sua direção como que por vontade própria.

A distancia era suficiente e Joan não vacilou em empurrar um dos bancos na direção do elfo. A força que fez poderia romper a musculatura de suas pernas, mas da mesma forma que havia decidido ignorar a dor começava a querer ignorar o impossível. Lienn tropeçou e a espada que jamais havia estado realmente fora de alcance foi em direção a seu rosto. Joan sequer levantou.

O elfo realmente não podia acreditar. O corte em diagonal em direção ao céu poderia ter arrancado o pescoço pelo caminho. O instinto o fez perceber a tempo e por isso estava vivo. Estava de pé e chegou a gargalhar diante da falha. Mas o garoto também sorria. A gargalhada silenciou no momento em que seu rosto ardeu.

O barulho dos bancos caindo no salão principal foi suficiente para despertar o estado de choque. Um sentimento pungente arranhava um canto de seu espírito. Heidriann chegou ao salão e o que viu foi inacreditável.

À sua esquerda, um dos elfos suava frio tentando a todo custo conter o sangue que esvaia de seu ombro. No centro, o elfo que tentou violentá-la. O rosto tingido por uma camada densa de sangue escuro. Além deles, Joan, acuado por entre os bancos segurando displicente uma espada de lâmina vermelha. O jovem estava à mercê do seu algoz. Correu em sua direção.

Naquele momento Joan achou que havia vencido o combate. Ele não fechou os olhos e nem sentiu náuseas quando a sua lâmina encontrou o queixo do elfo percorrendo o caminho que atravessava o rosto, rasgando e devorando inclusive a orelha e o olho direito.

Mas Lienn estava vivo. Arriscou tocar o próprio rosto e trêmulo sentiu a carne viva arder como brasa. Olhou o chão e viu nacos de carne e cartilagem disforme que logo identificou como sendo o que restou de seu olho e orelha. A ira foi suficiente para afastar a dor. Quando encarou novamente seu agressor não conseguiu ser criativo suficiente para pensar em um castigo que o fizesse pagar. Decidiu pelo mais óbvio: retalhá-lo!

Joan estava exausto e tinha dificuldade para ficar de pé. A espada parecia muito mais pesada agora. Mas era um guerreiro e aquela era sua primeira guerra. Ergueu-se e encarou a face do inimigo como se envolta por uma névoa, estava perdendo a consciência, mas não admitia perder a batalha.

O gigantesco machado cortou o ar. Uma força desumana foi feita para interromper sua viagem. Fudhoo segurou mais firme as rédeas para se manter na montaria. Havia errado o ataque.

Não teve reação diante do impacto súbito e uma face de espanto formou-se sob o elmo de aço negro. Estava no chão sem perceber a terrível queda. O corpo doendo dentro da armadura sem entender o que acabara de acontecer.

Mas Duckhein viu. Seus olhos nunca o trairiam. Devia admitir que o contra-ataque do velho fora espetacular e não fossem seus reflexos sobrenaturais certamente estaria no chão junto de Fudhoo e os cavalos, corcéis fortes, porém comuns, como quaisquer outros, não fosse suas ilusões julgadas nem um pouco divertidas pelo seu companheiro.

- Sabe que vai pagar pelo que fez, não é mesmo distinto senhor? – O sabre mirando o adversário, sorriso crescendo na boca. A tranqüilidade posta em cheque. Aquele não seria um adversário fácil e o tempo era curto. Se o coração ainda batesse, estaria fazendo acelerado naquele momento.

Sildes olhou no fundo dos olhos vermelhos do homem que o estava desafiando. A postura de ataque foi sua resposta. Suas almas refletidas na cor de seus olhos. Ácido. Fogo.

Fudhoo tentava se erguer com a dificuldade de quem tem uma tonelada sobre si. Quando observou o choque entre a espada longa do velho e o sabre de Duckhein teve certeza que estava diante de um combate entre dois grandes mestres. 

Heidriann diante de Lienn. Braços abertos tentando impedir mais derramamento de sangue. Joan tentou protestar, mas suas pernas amoleceram. A espada servindo de apoio para não cair. Todo o ar que parecia alocado nos pulmões desde a hora em que entrou naquele lugar saindo de uma vez só.

- Nada irá acontecer com você, meu amor! – a clériga perdeu-se em si mesma. Lienn se viu obrigado a rir do rubor que tomou o rosto da jovem depois de ouvir suas próprias palavras.

- Quer saber de uma coisa, sua vadia? Eu já estou cheio de você. Fica aí pagando de pura, mas no final quer fornicar com crianças. Sai da minha frente se não quiser que eu acabe com sua vida miserável. Eu não me importo de transar com cadáveres, sabia? Até mesmo porque É BEM PROVÁVEL QUE NENHUMA OUTRA MULHER QUEIRA SE DEITAR COMIGO DEPOIS DO QUE ESSE MALDITO ATRÁS DE VOCÊ FEZ COM O MEU MARAVILHOSO ROSTO!! - As últimas palavras ditas através de gritos histéricos que dispararam perdigotos ensangüentados em direção a sacerdotisa. – Eu vou contar de um até três e espero que aquela prostituta do panteão que você chama de deusa tenha dado sabedoria suficiente para fazer você sumir da minha frente. Um...Dois...Três!!!
Fudhoo quase não podia acompanhar os movimentos daqueles homens. Eram rápidos, precisos. Duckhein levava vantagem por seus poderes, mas tinha dificuldades em defender as combinações implacáveis do adversário. Talvez por não ter necessidade. Os cortes abertos se fechavam logo depois por vontade própria.

Sildes logo percebera a real natureza de seu oponente e sabia que seria impossível derrotá-lo com aquela arma. Com sua verdadeira forma seria diferente, é claro, mas ali se limitava a ganhar tempo. Ou talvez estivesse perdendo tempo. As variáveis começavam a ficar confusas. A presença daqueles dois havia sido um infortúnio e um mistério. A presença dos Cavaleiros de Khamyr não. Sabia que o Livro estava perto.

Os pensamentos causaram distração e um corte profundo foi aberto em seu pescoço. O líquido verde e viscoso rolou farto para a surpresa do vampiro.

- O que é você? – Duckhein mostrava mais curiosidade que preocupação quando o ferimento começou a fechar.

Heidriann não gritou. Não esboçou reação além de um sorriso irônico no canto da boca. Joan só percebeu o que aconteceu quando algumas gotas de sangue pingaram em sua testa vindas do punhal que atravessara o vestido branco.

A clériga finalmente havia entendido a natureza do plano. A traição não se limitava a contaminar a família e nem em fingir ser frágil para despertar o sentimento de proteção. Não estava na magia que levou o garoto a acreditar que realmente corria perigo e nem em seduzir o elfo para recuar no momento certo e fazê-lo perder o controle. A traição vinha de seu coração, do amor verdadeiro que sentiu por Joan a ponto de aceitar morrer para protegê-lo. O plano dera certo. Pra isso precisava morrer e seu mestre sabia disso, embora ela mesma não percebesse. O ódio havia sido despertado de maneira irreversível. Heidriann morreu sem saber se traiu ou foi traída. Morreu da forma como morrem todos os Szaziitas.

Joan largou a espada e apertou o corpo inerte da jovem mulher contra o peito. Tinha esperança de assim ir para o reino do mesmo deus que ela quando acontecesse o que pra ele era inexorável.

- Não é preciso julgamento para condenar o ato que está prestes a cometer, elfo! Afaste-se do garoto, eu Ordeno! – as palavras firmes de Ortis ecoaram no salão. Era hermético em sua armadura. Espada e escudo prontos para decretar, a sangue se preciso, o veredicto de Khalmyr.

- Não se intromet... – Lienn não conseguiu terminar a frase ao encarar o semblante do cavaleiro. Ortis era um homem de porte. Aos 35 anos, ainda mantinha a envergadura de um jovem campeão. Sua armadura prateada refletia como um espelho todos os tons daquele cenário de sangue, mármore, madeira e carne. Empunhava Antares, a espada bastarda desprovida de qualquer marca de combates anteriores. Era limpa. Como se jamais se impregnasse de remorso diante dos adversários que condenou.

- Pare com isso, Lienn. Agora! Se o garoto for morto também morreremos neste local sem sequer sermos julgados. Somos sobreviventes, lembra? – a dor do ferimento aberto ainda fazia com que Mirthiri tivesse dificuldade em obter o tom necessário para conter a loucura do irmão. Lienn podia ser louco, mas não burro. O seu amor pela própria vida gritava mais alto e ele sabia que nenhuma cela era capaz de mantê-lo preso por muito tempo. Um dia ele encontraria aquele moleque nem que tivesse que ir até os reinos dos deuses. Largou a adaga e se entregou.
Contos 3509836338822953558
Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos