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Canções da Meia-Noite #38 - A Busca por um Motivo

Saudações aventureiros devido a alguns problemas essa semana a Canções será feita hoje,mas a partir de semana que vem tudo volta ao nor...



Saudações aventureiros devido a alguns problemas essa semana a Canções será feita hoje,mas a partir de semana que vem tudo volta ao normal.Para dar inicio ao novo ano a história de hoje também representa um começo.Sempre que imaginamos o valoroso herói reconhecido por seus feitos as vezes esquecemos de que ele nunca teria chegado até esse ponto se não fosse pelo espírito e sentimento de querer se tornar um aventureiro e Guilherme Rezende (@_GuiRezende) nos permite acompanhar os primeiros passos de uma jovem na busca por esse sentimento.














A Busca por um motivo


A lua era crescente, daquelas que só aparecem um filete na parte esquerda.
Isso favorecia uma empreitada, e ela sabia disso. Tinha esperado uma semana, desde que vira aquele embrulho nas mãos dos guardas.

Ela ainda era criança, mas sempre fora avançada para sua idade, “talvez por isso que as notas não sejam tão altas”; ”eu boto fé nessa menina, mas é preciso que ela queira melhorar, sem isso não podemos fazer nada”; “ela é muito distraída. Não consegue se concentrar o suficiente para essa escola, e com todo o respeito pelo senhor e seu cargo nessa ordem, talvez seja preciso colocar ela em outras áreas, ela não nasceu para o combate senhor”; diziam os professores que tentavam, e só tentavam ensinar-lhe a arte do combate. Porém seu pai não poderia aceitar que uma filha de um General não nascesse para a batalha, afinal não era um General qualquer, ele fora o primeiro Hafling a atingir tal posto em uma ordem.
(Conseguiu seu título por ser considerado herói na batalha dos 14 anos, mas deixo isso para algum próximo conto, voltemos com a história da pequena Hafling).


Então ele fez o que todo bom pai faria em uma situação parecida...
Piorou as coisas...
Matriculou a menina em um ‘intensivo de combate’, como era chamado, mas todos sabiam que aquilo significava ‘internato’.
Deveria se apresentar logo no primeiro dia da semana, e só iria sair no penúltimo dia quando estivesse escuro. Assim só tendo um dia de descanso, que na verdade deveria ser dedicado ao estudo, porque todo primeiro dia da semana, logo pela manhã, eles eram submetidos a provas escritas que durava praticamente o dia todo.

Foi nesse internato que, um belo dia, ela avistou uma cena um tanto quanto intrigante, viu adentrar pelo portão da ‘casa’ seis guardas fortemente armados e alertas, escoltando um só homem.
O homem trajava uma armadura impecável que reluzia e por vezes cegava as pessoas com os raios do sol refletidos. Tinha um caminhar forte e seguro, um olhar congelante que causava intimidação e medo a quem ousasse cruzar com seus olhos, carregava uma patente em seu peito que a pequena Hafling não conseguiu distinguir, e outra patente em seu ombro, facilmente decifrável como ‘General’. Ele segurava com as duas mãos um embrulho marrom de mais ou menos 20 centímetros de altura e uns 30 de diâmetro.
“General“ – ela pensou – “O que um General estaria fazendo por aqui? E o que seria aquele embrulho?” – as perguntas remoíam seu âmago a tal ponto que a garota não conseguiu dormir aquela noite.
A pergunta era plausível já que sabia que os Generais e suas tropas eram divididos por setores, para que nenhum oficial tentasse tomar as terras de outro. Na prática isso nunca deu certo, mas em teoria funcionava perfeitamente.

Ela viu quando o homem partiu sozinho com seu cavalo, e uma semana depois quando seus homens partiram. O embrulho não foi visto em nenhuma das duas ocasiões.
Conclusão óbvia, o embrulho estava na sala de troféus dos jogos militares, que ficava no porão.

Estava decidido; seria aquela a noite em que ela acabaria com a curiosidade que a corroía.
Aproveitou-se da lua ser crescente, e consequentemente as noites não serem tão claras. Roubou a chave do bolso do vigia no pátio central; não teve dificuldade graças à brincadeira que faziam nos intervalos das aulas. A brincadeira se tratava de conseguir tirar alguma coisa dos bolsos dos guardas sem que os mesmo percebam. A brincadeira era muito disputada já que quem fosse apanhado teria seu castigo, que poderia variar desde ir dormir sem a janta, a ser obrigado a pintar todos os muros do lugar. Não é preciso dizer que a pequena Hafling nunca fora apanhada.
Assim que conseguiu roubar as chaves do vigia sem ser notada, correu o mais rápido que conseguiu para o corredor principal onde daria de frente para a porta desejada.
Sabia que não seria fácil, pois havia rondas de vigias a noite inteira e quem fosse apanhado fora da cama após o toque de recolher, receberia um sermão de mais de duas horas do Sir Leopoldo, um velho pálido de dedos ossudos, que para piorar a situação, cultivava um bafo horrível com dieta a base de cebola especialmente para esses momentos. Muitos diziam que ele vivia puramente para dar sermão aos mais novos.

Ela se esgueirou pelo corredor alargado, aproveitando o máximo às sombras, que os castiçais pendurados ao longo das paredes, faziam. Passou pelo primeiro, o segundo e o terceiro sem maiores dificuldades. O problema estava em passar pelo quarto e último vigia; o vigia que ficava em frente à porta. Dia e noite lá estava o jovem rapaz, com sua lança, seu escudo, e suas olheiras que iam até as bochechas de tão grandes.
Se lembrou do presente de seu pai; uma pequena bolsa contendo um tipo de areia dentro. Ela pegou um punhado em sua palma da mão e assoprou em direção ao guarda. Poucos segundos depois ele estava coçando seus olhos e encostando-se à parede, mais alguns segundos se passaram e o vigia caiu em sono profundo.
Pronto; o plano tinha dado certo até ali. Agora era só uma questão de tempo até ela saber do que se tratava o embrulho misterioso.
Entrou no porão com os olhos atentos. Parou para tentar ouvir algum barulho dentro daquela sala...
Nada.

Ela mal podia acreditar na sorte que estava tendo até ali, mas decidiu não parar para pensar nisso agora. Seu prêmio estava logo ali, a uns 3 metros de distância. Ela já podia sentir o peso do embrulho em suas mãos. Os olhos estavam arregalados. O coração pulsando mais forte do que nunca. Era a primeira vez que fazia algo tão errado, mas tão bom, em sua vida. A respiração era ofegante, e suas mãos suavam muito. Quando finalmente alcançou o objeto e o abriu, sentiu uma sensação completamente inesperada.
Decepção. Era simplesmente o próximo troféu dos jogos militares.

- Um Troféu? – esbravejou.

Não sabia, mas o efeito da areia do sono já havia passado e, para o seu azar, falara mais alto do que gostaria e como resposta ouviu um sonoro:

- Quem está ai? Eu sei que ouvi algo.

Ela tratou de se esconder novamente nas sombras enquanto seu algoz a procurava pela sala.
Como não achou nada, e aparentemente tudo estava normal na sala, pensou que o barulho se tratava de sua imaginação ou algum sonho que teve.
Aquela noite a menina pensou sobre o que tinha feito, e concluiu que fosse qual fosse o ‘prêmio’ no final de sua jornada, ela teria tido a mesma reação.
Percebeu então, que não se tratava do prêmio, e sim a adrenalina que a busca, que lhe interessava.
Daquele dia em diante ela decidiu que não queria mais ser soldado, general ou qualquer que seja o cargo militar.
ELA GOSTARIA DE SER UMA AVENTUREIRA.

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