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RPG de Mesa & RPG Digital - por @gustavobrauner

Na coluna anterior [ link ], falei sobre o RPG de mesa (também chamado RPG de papel ). Dei algumas dicas de como começar a jogar — e t...



Na coluna anterior [link], falei sobre o RPG de mesa (também chamado RPG de papel). Dei algumas dicas de como começar a jogar — e também de por onde começar (livros, sistemas, cenários, etc.).Hoje, o tópico é outro: por que jogar RPG de mesa?

RPG Digital
Você já deve ter jogado RPGs de videogame ou computador — como World of Warcraft, The Lord of the Rings Online, DC Universe Online e provavelmente está esperando Star Wars: The Old Republic. Ou você talvez prefira jogar sozinho, debulhando Zelda, Final Fantasy, Dragon Age e está contando os minutos para o novo Diablo.
 Todos esses jogos são muito legais. Você pode gostar mais de um ou de outro, mas todos eles são muito legais por si só.
O que é legal…
                  Uma das vantagens dos jogos de videogame e computador é obviamente o visual; você pode ver o jogo acontecendo. Uma vez logado, você vê toda a ação em movimento, do seu personagem a todos os NPCs e os muitos efeitos especiais: armas e equipamento, magia, tiros, explosões, veículos e montarias, emotes e por aí vai…
                  Ao invés de imaginar a magia mísseis mágicos e suas “setas ou esferas de energia” (de Tormenta RPG), você vê as tais setas ou esferas se materializando, voando na direção alvo e acertando-o — e com todo o brilho e colorido que elas merecem. Isso não tem preço. É muito legal var todos os efeitos do jogo acontecendo.
Sem falar nos personagens dos outros jogadores, cada um customizado de acordo com os gostos e preferências individuais! O bardo com suas roupas chamativas e provavelmente usando um chapelão com pena, o anão com o escudo enorme e um belo machado pulsando com magia, o guerreiro com as duas espadas e armadura imponente… Ou os trajes cosméticos, misturando drops ou itens criados dentro de jogo pelo seu próprio personagem.
Os jogos de videogame e computador ainda têm a trilha sonora para acompanhar, o que mais que ajuda a dar o clima do jogo: aquela orquestra em momentos grandiosos, uma balada em uma cena de ação, os tons quase inaudíveis durante o suspense da exploração de uma masmorra… Ou efeitos sonoros mais simples, como o do uso de uma habilidade, item mágico ou magia.


… E o que não é tão legal assim
Por outro lado, os RPGs de videogame e computador são um pouco limitados em outros aspectos. Eles tornam certos elementos de jogo visualmente reais (e bastante impressionantes), mas se perdem quando o que está em jogo é a imaginação.
Mesmo em um jogo com milhares de opções de itens cosméticos, jogadores mais exigentes sempre vão acabar limitados por aquilo que é “mais parecido com o que quero pro meu personagem, mas o que eu quero mesmo não existe nesse jogo”. Claro que em se tratando de cosméticos, essa limitação não parece grande coisa, porque não afeta o gameplay geral.
 Vamos para outro exemplo, então. Como uma dungeon. Dungeons de RPGs de videogame ou computador costumam ser bastantes lineares e não oferecem muitas opções de solução. Você normalmente tem duas ou três opções para chegar ao final da dungeon e, de repente (e vale ressaltar esse “de repente”) mais uma ou duas maneiras de chegar até o fim delas.
 Mas não mais que isso; se você saltar pelo buraco errado porque parece um caminho mais fácil, é possível que seu personagem morra, que você encontre um bug e não consiga continuar (talvez com o personagem ficando stuck) ou simplesmente dê um crash no jogo e você precise resetar. Com certeza você já se deparou com uma coisa assim, não é? Jogadores que adoram fuçar e testar todos os caminhos dão de cara com esses problemas o tempo todo.
 Chefões são um caso especial dessa falta de liberdade dos jogos de videogame e computador. Enfrentar um chefão normalmente envolve ter o número certo de personagens no grupo (o que pode variar de 2, 3 até 12, 24 ou mais personagens), sem contar na quantidade exata de alguns papéis de combate: “para enfrentar Draigoch, nossa raid precisa de dois grupos — no primeiro, um tanque, um healer só para o tanque, um tanque secundário, um healer só para esse outro tanque e dois DPS; o segundo grupo precisa de um debuffer, um healer e três DPS”. É ou não é assim? Onde fica aquele “E se ao invés de atacar o Draigoch de cara a gente tentar trazer a caverna dele abaixo? Aí, não precisamos nem lutar…” — sinto muito; no videogame ou computador, isso (pelo menos por enquanto) é impossível. Na maioria das vezes não vale a pena nem tentar, porque sem a raid completa, é impossível vencer…
 Se você ainda precisa de outro exemplo, que tal este: na próxima vez que logar no seu jogo preferido, tente empurrar alguém pela janela. Qualquer um — NPC, mob ou outro jogador. O único MMO onde algo assim era mais ou menos possível (até onde eu conheço) era Age of Conan, em que um vídeo até se tornou famoso: um jogador e seu cavalo foram para o alto de uma ponte. Cada vez que passava outro jogador, o do cavalo dava um coice e jogava o personagem tentando atravessar a ponte rio abaixo. Curioso, não? Apenas um jogo com uma mecânica para algo tão simples quanto um coice ou empurrão…
RPG?
Outro tópico que sempre vem à tona quando comparando RPGs digitais com RPGs de mesa é a questão da interpretação. Afinal, RPG é a sigla de Role-Playing Game, ou jogo de interpretação de papéis (ou personagens). A maioria dos jogos de videogame ou computador não exige muita interpretação, nem tem mecanismos para isso — basta andar, matar, pilhar e destruir que você será bem-sucedido.
Felizmente, jogos mais modernos, como Dragon Age (e até alguns mais antigos, como Knights of the Old Republic — não por coincidência, ambos produzidos pela BioWare), já trazem maneiras de simular questões de interpretação; suas decisões ao longo do jogo vão influenciando as opções que você tem mais adiante a história.
E sejamos justos: praticamente todos os MMOs dos dias de hoje permitem que você “ligue” o modo RP (role-play) e aja e fale como o seu personagem (e todos os servidores sempre têm uma comunidade de role-players). Ainda assim, mesmo que você fale in character durante uma raid, pouca coisa realmente muda em termos de gameplay geral. Gritar para o Draigoch que ele é um dragão fedido não vai deixá-lo mais irritado…


RPG de mesa
Se você leu minha coluna anterior, já conhece RPGs de mesa como Tormenta RPG, 3D&T Alpha, Mutantes & Malfeitores, Old Dragon, Busca Final, Rastros de Cthulhu, Fiasco e muitos outros. Se não leu, bem, agora você já sabe por onde começar (embora eu recomende a leitura da coluna anterior de qualquer maneira).
RPGs de mesa são como RPGs de videogame ou computador; cada um tem uma temática, um estilo, um sistema e você gosta mais de um ou de outros. Mas todos têm várias coisas em comum. Tanto boas quanto ruins.
Nem tão legal assim…
Diferente dos RPGs de videogame e computador, em um RPG de mesa você precisa fazer todos os cálculos; da criação de personagem até a rolagem do dado e o somatório de todos os bônus e penalidades. Isso pode levar tempo, ou, no meio do falatório de uma sessão de jogo, ficar um pouco mais difícil. Não que seja mesmo difícil, apenas exige um pouco mais de atenção, coisa que o próprio jogo faz para você no videogame ou computador.
Normalmente, RPGs de mesa também não contam com trilha sonora própria. Ainda que um RPG traga sugestões de trilha sonora para uma sessão de jogo, e talvez duas ou três músicas disponíveis para baixar no site da editora (como as músicas do cenário de Eberron alguns anos atrás), isso é o máximo que você vai conseguir tirar em termos de música do RPG de mesa.
RPGs de mesa também não contam com uma tela ou monitor onde assistir a ação em movimento. No videogame e computador, clicando aqui e ali para usar uma habilidade ou conjurar magias você vê tudo acontecendo, com direito aos mais incríveis efeitos visuais (normalmente casados com efeitos sonoros igualmente impressionantes). O melhor que o RPG de mesa pode oferecer neste quesito são descrições do tipo “o vilão dispara uma bola de fogo parecida com um hadouken” ou “o rugido da criatura parece um misto do rugido de um leão com o de um urso”.
… E o que é MUITO legal!
Imaginação e liberdade. Simples assim. E essas duas coisas fazem toda a diferença.
Como os RPGs de mesa contam primeiramente com a imaginação dos jogadores, existe pouca coisa que realmente não possa acontecer ao longo de uma campanha de RPG de mesa. Usar a imaginação dá muita liberdade.
Por um lado, não existe uma tela onde ver a ação acontecendo. Entretanto, toda a ação se passa na sua imaginação, e contra a imaginação é impossível competir: na sua cabeça, a imagem de um NPC, monstro ou situação sempre vai ser melhor e mais impressionante que em qualquer jogo de videogame ou computador.
É simples: com as imagens e ações acontecendo dentro de sua imaginação, tudo fica a cargo da sua própria mente; assim, você sempre vai imaginar uma NPC mais bonita (de acordo com o seu próprio gosto), um monstro mais ameaçador (de acordo com o que você considera ameaçador) e uma situação mais empolgante, alegre ou assustadora (porque seu cérebro trabalha em conjunto com as suas próprias emoções).
No RPG de mesa, os mestres e jogadores se apropriam do jogo com muito mais intensidade que nos jogos de videogame ou computador; afinal, você sempre vai estar limitado ao que a empresa que desenvolveu o jogo pode lhe oferecer. No RPG de mesa, você está limitado apenas pela própria imaginação — o que, convenhamos, é muito mais que qualquer desenvolvedora pode oferecer.
Embora RPGs de mesa não venham com trilha sonora, qualquer jogador vai ter o seu próprio gosto musical. Isso significa que cada um tem os mp3 de suas músicas preferidas, e qualquer mestre pode montar a trilha sonora de sua própria sessão de jogo. Com um clique, aquela sessão que “não deveria” ter trilha sonora já fica tão emocionante quanto qualquer obra-prima do cinema: é possível separar músicas para o encontro com o rei, temas para momentos sombrios e de suspense, situações de combate e ação e, é claro, romance… Você conhece algum jogo de videogame ou computador que pode competir com uma seleção musical do tamanho de Hollywood (e além)? Não esqueça que a trilha sonora de qualquer jogo também pode ser aproveitada nas sessões de RPG de mesa…
Como os RPGs de mesa são limitados apenas pela imaginação dos participantes, você tem à sua disposição um número praticamente infinito de cosméticos — seu personagem, aliados e pets podem vestir o que você puder imaginar, porque não dependem de renderização ou de uma empresa desenvolvendo e disponibilizando para download. Basta você querer e está lá. O mesmo vale para a ação.
O mesmo acontece com situações de ação, exploração de masmorras e, é claro, no combate contra o chefão final de uma sessão de jogo. Enquanto nos RPGs de videogame e computador você fica limitado por não ter este ou aquele item, ou por não ter o número certo de pessoas no grupo ou por não ter as classes certas para enfrentar determinado chefão, no RPG de mesa isso não acontece.
No RPG de mesa, os desafios são pensados pelo mestre tendo em vista as possibilidades dos personagens e no tesouro que já encontraram (ou que estão para encontrar, de acordo com as aventuras do grupo). Ou seja, nada de ficar chupando o dedo na frente do monitor ao invés de correr para a dungeon enfrentar um monstrão porque faltou um death knight no grupo — no RPG de mesa, os desafios são pensados levando em consideração o que os personagens podem enfrentar! E se faltar um death knight, o mestre “arranja” para que um NPC desta classe acompanhe o grupo…
Em RPGs de mesa, você também não fica limitado pelas possibilidades que o jogo lhe oferece; como aqui a imaginação é o limite, você e seu grupo de jogo com certeza vão pensar em dúzias de maneiras diferentes de resolver certas situações — e sem dúvida o seu mestre de jogo não pensou na maioria delas! É claro que isso é bom; afinal, o importante é se divertir, e surpresa (para os dois lados, mestre e jogadores) é sempre um tempero a mais em qualquer sessão de jogo. Naquela armadilha em que o chão pega fogo e o mestre acho que todo o grupo ia perder alguns pontos de vida, um jogador teve a brilhante ideia de usar seu equipamento de escalada para fazer uma trilha pelo teto da caverna… Tente isso no seu MMO ou outro videogame preferido…
Lembram daquele exemplo sobre empurrar alguém pela janela? Pois é, nos RPGs de mesa, isso jamais será um problema (mas não tente com alguém muito mais forte que você!).
RPG!
No quesito interpretação, os RPGs de mesa reinam absolutos. É conversando com seus colegas de grupo e interpretando ao longo da sessão que o jogo avança. Você está praticamente o tempo todo in character, falando e agindo como seu personagem. O “modo RP” está sempre on.
E mesmo as quebras de interpretação são divertidas; afinal, até o jogador interpretando aquele mago fleumático e caladão pode soltar um “M***RDA!!!” a plenos pulmões quando todo o planejamento do grupo vai pelos ares…
Mesa ou Digital?
                  Eu adoro RPGs de videogame e computador. E também adoro RPGs de mesa e de papel. Sei das limitações de ambos, mas sempre uso exemplos de um quando o outro precisa. Por exemplo, às vezes uso as imagens de certos poderes de jogos de videogame para os jogadores visualizarem melhor as habilidades de determinado monstro ou NPC na mesa de jogo Sempre funciona.
Discutindo no Ventrilo (ou no live chat do MMO), às vezes um exemplo de RPG de mesa ajuda bastante também (“a classe burglar de LOTRO é tipo o ladino de Tormenta RPG — você sempre joga de ladino, então começa jogando de burglar”).
Não deixo de jogar RPG de mesa ou RPG digital pelas limitações; elas fazem parte do jogo (com perdão do trocadilho). E sugiro que você faça o mesmo: jogue o que jogar, avalie cada caso por suas forças e fraquezas próprias. As forças de ambos superam em muito as limitações.
Se você precisa de uma dica, a minha é: busque sempre a diversão.
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