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O crescimento do rpg, a discussão está dando frutos no #AcBd

Olha só brothers, nossa discussão sobre as barreiras para o crescimento do rpg, rendeu bons frutos… nosso amigo (e o meu mentor rrpgista) G...

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Olha só brothers, nossa discussão sobre as barreiras para o crescimento do rpg, rendeu bons frutos… nosso amigo (e o meu mentor rrpgista) Gabriel Ilário, professor e rpgista nos mandou uma reflexão sobre o tema. Simbora acompanhar a visão desse poeteiro.
Olá. Realmente, o Decisivo e Crítico dessa semana (28/11) trouxe  para a discussão um tema cabeludo. Eu nunca tinha olhado por essa ótica, pra falar a verdade: a educação interligada ao aquecimento do mercado (nesse caso o mercado de RPG). Nunca pensei nessa ótica pelo fato de, como professor, tentar incutir em meus alunos alguns valores mais profundos do que consumir. Contudo, concordo com a linha de pensamento do Alê. Podemos dizer que uma sociedade que consome literatura (em qualquer das suas formas) seja uma sociedade saudável do ponto de vista intelectual? Acho que sim. A literatura se enquadra como uma forma de arte e podemos observar, ao longo da História da humanidade, que só consome arte a sociedade que vive um estado de conforto prosperidade. Mas a questão não é discutir se vivemos numa sociedade rica ou não. A questão aqui é esse gargalo que faz com que existam poucos rpgistas por aí.
Retomando, então, as questões da coluna Decisivo e Crítico vemos que a Educação em nosso país (e acredito que em vários outros lugares do mundo também) engatinha.
Está longe do que se pode chamar de ideal. Nosso sistema educacional vira e mexe recebe novos nomes, novas teorias, novos métodos, mas continua antiquado, medieval (e, nesse caso, medieval não é nada bom). Eu, o Alê e, tenho certeza, muitos outros, sofreram na escola por causa do RPG: professores que ignoravam a natureza do jogo, que acabavam, na maior parte das vezes, podando nossa criatividade. Enquanto todo mundo estava escrevendo redações convencionais, a gente produzia verdadeiras tramas nas aulas de Redação, com obstáculos, início-meio-fim, desfecho, ganchos para outras histórias etc. E, muitas vezes, éramos criticados. Não que nós (e os rpgistas em geral) sejamos gênios superdotados. Longe disso. Apenas estávamos familiarizados com a leitura, com o exercício imaginativo e com a criação de histórias. Afinal, aventuras são, em resumo, histórias. E não é só quanto ao RPG: em grande parte das escolas se proíbem trabalhos digitados, consultas à internet (!) e tantas outras coisas absurdas.

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Então, de onde vem esse problema? Somos fadados a sermos “atrasados” para sempre? Sim, e não. O problema é um problema estrutural: temos um sistema de educação frágil, a formação de professores no Brasil é capenga (eu cursei uma licenciatura, sou professor, sei do que estou falando). A luta é dura e desigual: temos inúmeras gerações que estão sendo educadas na frente da TV, vendo Big Brother. E atenção: são crianças! Se você é adulto e quer perder seu tempo vendo programas desse tipo, ok. A vida é sua, você a estraga como quiser. Mas, crianças?! Eu cresci assistindo à Tv Cultura e, confesso, até hoje acho que é a melhor programação da TV aberta no Brasil. E é uma programação que estimula pacas o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, a imaginação.
Só pra finalizar, queria colocar uma questão para reflexão: o problema aqui em questão passa sim pela educação. Mas, será que ele não vai além, ainda? Vivemos numa sociedade de aparências e de resultados.
Assim, o importante não é você ser um cara capaz, inteligente, que estudou para ocupar a posição que tem hoje. Se você só parecer capaz, inteligente, já vale. Conheço muita gente que, se pudesse, não iria um dia na aula; só no último, pra pegar o diploma. O que vale não é o caminho a ser percorrido. Infelizmente. Veja o exemplo desses motoristas que, em feriados voam nas estradas. Pra eles não vale a paisagem no caminho, a conversa com os amigos nem nada: o que vale é chegar antes dos outros. Nossa sociedade é assim. Pra que ler os três volumes do Senhor dos Anéis se dá pra ver o filme? Pra que quebrar a cabeça pra passar de fase no game novo se é mais fácil baixar um código da internet ou então ler um tutorial que ensina como derrotar o chefão com vida e tiros infinitos? E aí você quer que um moleque que vive nesse mundo se interesse por um jogo em que todo mundo fica sentado em volta de uma mesa, imaginando uma história, uns ajudando os outros a vencer desafios e, incrível, não tem vencedor e perdedor?
Pois é, quando comecei a jogar RPG, nos anos 90 (to ficando velho mesmo) era esse o mote do jogo: é um jogo de contar histórias em que ninguém ganha ou perde. Ou melhor, todos ganham se todos se divertem. Pode até ser que essa “batalha” já esteja perdida. Mas, se fosse pra desistir eu não seria professor, não é mesmo? E, se o RPG é um jogo de faz-de-conta, vamos imaginar, né?

Faça como o Gabriel e mande também a sua mensagem para o acampamento bardocontato@rpgvale.com.br
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