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Canções da Meia-Noite #31 - A Farsa que somos

Saudações aventureiros! Sejam bem-vindos a mais uma edição da Canções da Meia-Noite que hoje traz uma história curta ,porém servirá de...



Saudações aventureiros!

Sejam bem-vindos a mais uma edição da Canções da Meia-Noite que hoje traz uma história curta ,porém servirá de lição para muitos aventureiros, mostrando um grande perigo  no dom da imortalidade,afinal de que adianta a vida eterna em uma mente cheia de pertubações?O responsável por essa história é  Renan Becker (@R_NA_) ,escritor dos blogs Estanho Mundo e Brave New Wolrd,confiram a seguir!


A FARSA QUE SOMOS




- Você já pensou se estivermos errados?

- O que? Não me venha com bobagens, não agora.

- Por quê? Pretendes ir a algum lugar em especial esta noite?

- Deixe de bancar o bufão e me ajude pensando em algo, não podemos passar a eternidade aqui.
- Você sabe que podemos!

- Graça, às vezes eu penso por que raios eu ainda ando com você.

- Na verdade, sou eu que sempre lhe acompanho velho amigo Nunes.
- Pois bem! Se você não se importa de passar a sua imortalidade preso em um navio enquanto ele lentamente enferruja, divirta-se! Eu tenho muitas donzelas ainda para desfrutar e muitos outros homens para matar.

- Vá em frente, afinal, depois desta porta em nossa frente há muitos homens para se matar. Na verdade você já matou vários deles! Deve ser por isso que eles insistiram em nos prender aqui e atirar a cada rangido que a dobradiça faz.

- Se VOCÊ se mantivesse mais atento em vez de ficar filosofando enquanto eu me recuperava de uma saraivada de balas, eles não teriam nos trazido para este porão infeliz.
- Isso serve para aprendermos que os humanos quando encurralados em pleno mar são capazes de grandes feitos. Ora, arrastaram o grandioso vampiro Nunes enquanto este se recuperava em seu sono de morte.
- E claro que fizeram isso depois de perceberem que só atirar na minha cabeça por repetidas vezes não bastaria.

- Sorte que não ficarão cicatrizes, exceto em seu orgulho, é claro.

- Graça, dê graças que no momento a minha ira com ELES é superior a minha ira com VOCÊ.

- Meu morto amigo: ambos já estamos cansados de saber que brigas internas nunca levam a nada, lembra daquela vez na Dinamarca? A conversa é o nosso único alivio.

- Prefiro levar mais uns tiros e fazer o mundo ter mais viúvas a ficar um segundo a mais aqui com você!
- Eu só faço os comentários, as ações são sempre com você.

A cerca de uns três metros e uma porta de aço de distância cinco marinheiros armados com fuzis intensamente apontados para a dita porta tremiam, resmungavam e rezavam, fossem crentes ou não.
A porta rangeu e os tiros começaram.

Antes que homem algum fosse capaz de gritar uma arma parou de disparar, um corpo caíra onde a pouco havia outro. O vampiro fez mais uma vítima, matara mais um e levara mais cinco tiros certeiros. Outros marinheiros surgiram de uma escotilha atirando também e mais uma vez o morto vivo viu-se obrigado a recuar. Mas não antes de dilacerar uma garganta alheia em meio a sua fuga para a prisão segura.
Fechou a porta atrás de si enquanto esperava a sua débil regeneração fazer a limpeza das balas.

- Apenas dois dessa vez, amigo Nunes?

- Cale-se, por favor. Faça algo de útil e lembre-me de torturar lentamente o engenheiro que achou que navios blindados seria uma boa ideia. Não tenho forças para abrir um buraco nesta fuselagem e fugir daqui!

- Quer conversar agora?

- Pior que estar preso aqui, é estar preso aqui com você.

- Este eu tenho certeza ser também o maior temor dos humanos lá de fora.

Apesar das constantes baixas causadas pelo vampiro, o que mais assustava os homens naquela embarcação era o fato do monstro nunca parar de conversar com alguém sempre que voltava para o seu abrigo.

O que era capaz de irritar aquela besta das trevas, com certeza deveria ser temido muito mais que a morte. E mais tenebroso ainda era que o vampiro eles podiam ver, mas tinham absoluta certeza de que a câmara estava vazia quando aprisionaram o nosferatu lá dentro.

- Sorte de eles enfrentarem um monstro com eu, pois ninguém merece enfrentar um monstro como você.

- A graça da consciência é para poucos.

- Agraciados são os outros então.


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