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Contagem de Corpos #haloweenroleplayer

Segurem seus dados e carreguem sua barra de health porque vai começar a “ Contagem de Corpos ”, conto do autor convidado Fábio Mourão – o ...

haloween-rpgista

Segurem seus dados e carreguem sua barra de health porque vai começar a “Contagem de Corpos”, conto do autor convidado Fábio Mourão – o Maldito. Quem acompanha as twittadas do cara pelo seu perfil @ditopelomaldito, já sabe o que pode esperar nessa história alucinante. Se liguem aí.

Sua primeira ação foi tentar respirar. Fez uma força estrondosa para inflar os pulmões de ar, mas nada aconteceu. Perdera essa capacidade. Pensou que ia morrer, mas notou que as coisas já não eram assim tão simples.

Com certa dificuldade conseguiu abrir os olhos, sentiu que alguma coisa viscosa pesava em suas pálpebras e escorria pelo rosto. Não sabia o que era e também não se importou.

Tentou falar, mas não ouviu a própria voz. Apenas um grunhido abafado foi ecoado de sua garganta ressecada. Estava com sede. Não, sede não,... fome. Precisava se alimentar.

Deitado de onde estava girou a cabeça para os lados e checou a redondeza, se viu estirado na calçada de alguma rua sem importância. Nada de comida até onde sua visão alcançava.

Foi então que ela eclodiu, a dor.

Começou como um vazio na barriga, passou por um latejar na cabeça e logo suas entranhas ferviam inexplicavelmente. Fez o que pôde, repetia os movimentos aleatoriamente, não respirou, piscou a pálpebra melada e tentou falar. Não, fez melhor... Preferiu gritar.

-Oorrraghhh...

O mesmo grunhido moribundo.

A associação foi fácil até mesmo para sua mente prejudicada. Uma coisa levava a outra e tudo levava a um ciclo infinito. Precisava saciar a fome se quisesse amortecer a dor, mas emitindo aquele som fraco e patético jamais conseguiria colocar os dentes ensebados em alguma coisa que valesse a pena mastigar. Precisava de ajuda, mas estava sozinho.

Apoiou-se nos braços e impulsionou o corpo para cima em uma tentativa um tanto desengonçada de ficar em pé. Mas sem entender o porquê, não deu muito certo.

O vento mudou e trouxe com ele um odor peculiar. Finalmente alguém tinha ouvido seu desespero e provavelmente estava vindo em seu socorro, poderia se alimentar e logo a dor iria  desaparecer. Pelo menos por algum tempo.

Rastejou como pôde ao encontro de sua salvação que em primeiro plano surgiu da esquina na forma de um cão da raça pastor alemão que começou a latir freneticamente quando encontrou o que procurava.

Sem medo de ser atacado, estendeu a mão em direção ao animal que propositalmente manteve uma distancia segura daquele pobre corpo fragilizado.

Achou que se ao menos pudesse alcançar a coleira do cachorro, estaria salvo. E assim ele fez.

Esticou os dedos esquálidos em direção ao cão e como em uma operação bem sucedida a dor simplesmente cessou.

As ligações de seu pescoço foram rompidas pelo aço de uma lâmina que em um golpe certeiro deu fim aquela agonia.

***

A cabeça rolou aos pés de Atílio sujando seu coturno com algum corrimento pútrido que emanava dos olhos da criatura.

-Mas que merda, eu engraxei hoje de manhã.

-Ossos do ofício...

-Que se dane! Faz essa merda de cachorro parar de latir ou ele vai colocar todos os zumbis do lugar na cola das nossas bundas.

-Melhor não falar assim com o Hunter, você também não ia querer que ele ficasse na cola da sua bunda. Senta aí garoto, relaxa! Esse aqui já era. -O cão obedeceu prontamente- Se não fosse pelo Hunter, esse aí teria nos pego de surpresa.

Com a ponta do facão que acabara de usar naquela execução, o homem raspou a sujeira deixada na bota pela cabeça recém decepada. Seu companheiro recompensou o cão com um pedaço de carne seca e se abaixou para resgatar uma mochila que repousava ao lado do corpo decapitado pelo amigo.

-Veja só, o cara estava preparado. Aqui tem comida, lanterna, água e até um 38 municiado. Parece que os monstros pegaram o coitado bem no meio de uma rota de fuga.

-E por pouco ele não nos pega no meio da nossa!

-Graças ao Hunter...

-É graças ao pulguento ali. Pega logo isso e vamos dar o fora daqui. Com um pouco de sorte encontramos mais dois desses e eu fecho o dia com 20 abatimentos na minha pontuação. E com isso eu mantenho minha liderança.

-Ta de sacanagem? Esse zumbi nem tem pernas, tá pela metade. Não conta!

-Não fode Henrique! Ele tinha uma cabeça, não tinha? Então conta ponto. O que você sugere? Que eu fique com 18,5 só porque o gênio aqui tava fugindo sem pernas?

-Acho justo. Meio corpo, meio ponto.

-Você só pode estar brincando. Vai à merda.

- Nós não somos selvagens, Atílio.  Nós matamos zumbis por questão de sobrevivência, não somos caçadores de cabeças. Ou seja, é o zumbi que conta e não a cabeça.

-Você sabe que temos que acertar essas coisas na cabeça para matá-las

-Isso é conseqüência.

-Au!Au-au-au!Au!Au!

-Mas que inferno! Porque esse saco de pulga ainda está latindo?!

Henrique se virou e seguiu a indicação do cão. Hunter latia desesperadamente para duas dúzias de cadáveres ambulantes que ao final da rua iniciavam uma marcha dessincronizada em direção à dupla. Ao avistá-los o homem vestiu a mochila que acabara de encontrar e se levantou ao mesmo tempo em que se armava de um enorme machado de lenhador.

-É seu dia de sorte Atílio. O Hunter encontrou um novo recorde pra você bater.

-Ficar e lutar ou correr e viver?

Ambos olharam simultaneamente para o corpo mutilado antes que Henrique pudesse responder a pergunta do amigo.

-E fechar o dia com você se gabando de estar meio ponto a minha frente? Nem pensar!

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