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Canções da Meia-Noite #30: A história por trás da história

Olá, leitores de plantão! Voltando mais um vez das jornadas com outra super narração para mais uma Canções da Meia-Noite! A história de...



Olá, leitores de plantão! Voltando mais um vez das jornadas com outra super narração para mais uma Canções da Meia-Noite! A história de hoje é contada por uma grande amiga barda chamada Carol (@princesswyndia ), que vem até vocês narrar uma fantástica aventura vivida por ela e seu grupo de aventureiros.Então se acomodem na taverna,peçam ao jovem anão suas cervejas e confiram essa incrível narração!




A história por trás da história
Era uma noite tempestuosa e a lua, quando podia ser vista brilhava vermelho como sangue, uma noite em que acontecimentos sinistros estariam em andamento. Em uma floresta numa região fronteiriça do sagrado Império Elorano havia uma grande mansão, cujos arredores eram patrulhados por alguns batedores elfos. 


No interior da mansão se encontrava Tristania, outrora uma orgulhosa general dos elfos, conhecida por suas notáveis beleza, habilidade com espada, magia e capacidade de liderança. Ela era um símbolo de tudo o que se espera de um elfo, tida como referência e inspiração para todos. E naquela mansão ela era uma prisioneira. Seu crime: carregar em seu ventre um meio elfo, o fruto do amor entre um humano e um elfo. Ser um meio elfo passou a ser um crime há pouco mais de duzentos anos, quando a última rainha dos altos elfos de Ethruria, a rainha Vershala, teve uma visão em que um meio elfo traria uma grande desgraça aos reinos élficos, e para impedir que a visão se cumpra a rainha decretou a pena de morte a todos os meio-elfos, e para aqueles que fossem concebidos depois do decreto, estes teriam de ser executados pelos próprios pais. Vários assassinatos ocorreram, alguns bebês foram mortos, mas em muitos casos os pais fugiam com as crianças, por não conseguirem pôr em prática essa pena cruel, e eram caçados pelos agentes leais à Vershala como traidores. Até que um dia a rainha desapareceu, e os altos elfos permaneceram sem rei, uma vez que todos os candidatos a rei precisavam passar por um teste, e ninguém conseguiu vencer o teste depois de Vershala, fossem nobres, humildes, guerreiros, magos ou o que quer que fossem. Nenhum elfo conseguiu.



Sabino é um dos melhores patrulheiros que já se alistou nas legiões do Império Elorano, ele conseguia se camuflar e sobreviver em qualquer terreno selvagem por mais hostil que seja. Sua viagem havia sido longa, e sua busca pela localização desta mansão fora incrivelmente árdua e penosa. Mas ele não está disposto a entregar à própria sorte uma das melhores pessoas que ele já conheceu em sua vida, grávida do homem que um dia já foi seu melhor amigo e capitão. Sabino se lembra dos amigos que fez durante sua última jornada, do quanto se tornaram próximos, de como a maioria deles morreu, traída por seu líder, Fallcrest o paladino caído, e outrora melhor amigo e capitão de Sabino.

Tristania era a última amiga viva de Sabino, era o principal pensamento do patrulheiro, e se deixando guiar por essa idéia Sabino traçou planos, observou, analisou e criou um plano que estava sendo posto em prática. Sabino sabia que os elfos poderiam enxergar à noite, mas com grande dificuldade em meio à tempestade que ocorria especialmente naquela noite. O patrulheiro adentra ao território patrulhado pelos elfos, permanecendo camuflado e passando despercebido. O primeiro dos elfos passa por Sabino sem se dar conta de nada, e um dardo atirado pela zarabatana carregada por sabino atinge o guarda, que desfalece quase que na hora.



Mais adiante um outro guarda patrulha a região, ele não percebe Sabino surgir atrás dele, e apenas tarde demais ele se dá conta do perigo que corre, quando o patrulheiro humano lhe agarra pelas costas e com uma das mãos ele leva ao rosto do elfo um pano com um preparado inalado pelo elfo, que o faz desmaiar.

Um a um os guardas caem nas armadilhas de Sabino, até que ele possua uma rota clara, segura e discreta até a mansão. Num salto Sabino consegue apoiar um dos pés no muro ao redor da casa e em seguida passar por cima do mesmo, como um fantasma. A tempestade ajudou muito na tarefa que está por concluir. Sabino atravessa o jardim, e quando é notado por um dos caçadores leais ao decreto de Vershala, sai do peito dele uma lâmina de espada ensanguentada. Em seguida a lâmina é retirada, e atrás do caçador se encontra Melissa, uma elfa de porte físico atlético, muito boa lutadora, capitã das Donzelas, uma unidade de amazonas elfas que cavalgam unicórnios. Melissa faz um aceno discreto para Sabino com a cabeça, e então ela deixa o local silenciosamente. Sabino faz o mesmo.

Após contornar a mansão, Sabino consegue encontrar uma porta dos fundos destrancada, sem guardas, conforme Gwydion, o irmão mais novo de Tristania havia dito que estaria. Sabino entra na casa. Com arco e flecha à mão, e passos silenciosos como uma sombra, Sabino adentra os cômodos. A cozinha estava deserta, então o patrulheiro não perdeu tempo, indo direto para um corredor mal iluminado. Um dos caçadores estava de vigília no final do mesmo, mas só se deu conta de que a casa havia sido invadida depois que a flecha de Sabino lhe atravessou o pescoço, fazendo com que morresse afogado em seu próprio sangue. Esses elfos miseráveis não concediam misericórdia a ninguém, Sabino também não trouxe nenhuma para com eles.



Sabino abre a porta guardada pelo caçador, é uma escada que leva até os porões da casa, os porões e a masmorra. E passo após passo o patrulheiro desce até chegar a uma porta entreaberta, para em seguida abri-la de uma vez. O carcereiro leva um susto, e chega a fazer menção de soar o alarme, mas sua tentativa é frustrada quando uma flecha atravessa sua mão, sendo sua ponta fincada num armário de madeira atrás dele, e sua voz silenciada quando uma outra flecha lhe atravessa o coração. Seu corpo desaba, sendo impedido de cair todo ao chão somente pela flecha que prende sua mão ao armário.

Com mãos hábeis o patrulheiro revista o carcereiro, até encontrar as chaves das celas, e em seguida inicia sua busca pelas celas fechadas. Após espiar a terceira cela Sabino encontra sua amiga, deitada num canto, com a gravidez em estágio avançado, ela transpira muito, sua respiração está ofegante, e ela sente muitas dores. Sabino percebe que Tristania está em trabalho de parto.

Tristania sorri ao ver o amigo ali, uma lágrima percorre seu rosto, e novamente as dores do parto parecem tomar conta dela. Sabino tira suas luvas o mais rápido que pode, e em seguida ele esvazia seu cantil em uma bacia jogada ali. Sabe que suas condições não são as melhores, mas não tem outra saída. Tristania terá de dar à luz ali mesmo. Sabino dá uma das flechas para Tristania morder e põe seu manto sobre o rosto dela para abafar seus gritos, e após intermináveis minutos a criança nasce, uma menina, uma meio-elfa. A criança recém nascida chora, após vir ao mundo num lugar frio e escuro como aquele. Tristania mal consegue conter a alegria por ver sua filha respirando e bem, mesmo diante de todas as dificuldades. Sabino entrega a menina aos braços da mãe, que a acaricia, enquanto Sabino vai até a porta para verificar a movimentação dos guardas.



- Obrigada por tudo Sabino. Por um momento achei que morreria aqui. - Diz Tristania enquanto tenta se levantar, mas com muita dificuldade.
- Deixa para agradecer depois que sairmos daqui. Espero que consiga utilizar sua mágica para nos tirar desse lugar. - Diz Sabino, revelando a única falha de seu plano.
- Do jeito que estou debilitada o máximo que consigo fazer é levar um de nós até os limites da floresta, e mesmo que eu faça isso, não tenho condições de ir muito longe. - Lamenta a elfa.
- Maldição! - Pragueja Sabino - Pegue isso e me siga, vou tentar abrir caminho para passarmos em segurança. - Diz ao patrulheiro ao entregar uma de suas espadas para Tristania, e os dois seguem pelo corredor da masmorra até chegar às escadas, quando eles começam a ouvir gritos horrorizados vindos do lado de fora da casa.



O exterior da casa parecia um verdadeiro pandemônio. Zumbis caminhavam pelo jardim, entrando por uma passagem dada por portão que se encontra derrubado e fumegante no chão. Flechas voam por todo lado, atingindo os mortos-vivos e muitos dos guardas saem da casa para combater a ameaça.
Várias das criaturas são abatidas no confronto contra os guardas, mas o mesmo acontece com os elfos, e a cada elfo caído em batalha, um novo morto vivo se ergue, mas ainda assim a guarda não recua. Sabino sabe que essa é a oportunidade perfeita para que ele e Tristania possam escapar, ele acena para ela e os dois correm, ele em velocidade reduzida para que a elfa debilitada possa lhe acompanhar. E em meio à morte e à destruição, ele vê atravessando os portões um homem vestindo uma armadura negra, com um brilho profano no lugar dos olhos, e montado num corcel negro com chamas aonde deveriam ficar a crina e os cascos, e o brasão to traidor.

Sabino reconhece Fallcrest de imediato, e tem idéia do que ele se tornou como punição de Elor, o deus patrono dos humanos e principal divindade do Império, por seus crimes. E sabe que não há a mínima chance de vitória naquelas condições. O patrulheiro tenta a todo custo ajudar a amiga a se levantar, quando são percebidos pelo cavaleiro de armadura negra.



Fallcrest aponta para Sabino e Tristania, e ordena que suas criaturas desmortas capturem a ambos. Sabino dispara duas flechas em direção aos dois mortos vivos mais próximos, ambos são abatidos, e novamente a dupla é posta a correr. Após chegarem ao muro que rodeia a mansão, Tristania cai, mantém a criança a salvo, mas ela não está em condições de dar mais um passo. Sabino observa a amiga, olha para as criaturas, e aceita seu destino, morrerá, mas as criaturas pagarão bem caro por isso.

Antes que o patrulheiro avance rumo á própria morte, Tristania segura sua mão, e o puxa, lhe entregando a criança e diz:



-Não, ainda não é sua hora. Leve minha filha e cuide dela. Seu nome é Arcanya.

Sem dar tempo para que Sabino proteste, Tristania utiliza suas últimas forças para invocar um encantamento e fazer Sabino desaparecer dos arredores da mansão, e Tristania, com altivez e dignidade se levanta, e encara pela última vez seus algozes.

Longe dali Sabino reaparece ainda na floresta, com Arcanya nos braços. Ele ainda consegue ver a mansão, e tem sua espinha gelar ao ouvir o grito de Fallcrest como quem tivesse perdido algo que lhe fosse muito caro.

Sabino se retira dali o mais rápido que pode, pois precisa esconder a si mesmo e a criança dos mortos vivos e dos caçadores elfos.
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