rpgvale
1599924783602205
Loading...

Canções da Meia-Noite #28 - Adrian The Swordlord

Saudações caros amigos bardos,lamento por não estar presente na última semana ,mas aqueles malditos gnolls roubaram meus contos!Mas agora r...


Saudações caros amigos bardos,lamento por não estar presente na última semana ,mas aqueles malditos gnolls roubaram meus contos!Mas agora recuperei todos eles e estou de volta com uma narração de um  grande contador de histórias ,que vem marcando presença aqui na Canções da Meia-Noite,estou falando do Junior (@TheJuniorAde ),que hoje vem trazendo um conto fantástico para todos vocês,então confiram a seguir.



Adrian The Swordlord

O som de metal se chocando, combinado ao odor fétido de sangue e lodo dominava a cena no campo de batalha.

De um lado, usando apenas laminas toscas e cegas, o exercito do Quinto Reino Abençoado, com suas cotas de malha fina, sujos e desordenados, lutando por uma causa que não era sua.

De outro, um exercito disforme, mal distribuído e portando porretes de ferro. Traziam emblemas rúnicos pintados em seus escudos, e usavam apenas uma roupa de couro batido e negro. Marchavam sob o comando dos bárbaros povos Seigh, cuja origem foi ignorada durante muito tempo.



Fazendo às vezes de barreira, um destacamento escasso e desorganizado fazia o melhor para deter o avanço dos bárbaros, que chegavam como uma nuvem de formigas trocando de formigueiro.

Um soldado chamado Terrance era o responsável pelo destacamento. Portanto, possuía uma espada real, dada a todos os lideres de destacamento, como um meio de encoraja-los para a batalha.

Ele abria caminho a golpes de espada, às vezes ate mesmo com o corpo, forçando o caminho e tentando abrir um caminho para seus soldados passarem.



No alto da colina, longe da batalha o suficiente para se sentir tranquilo, o rei observava a tudo complacentemente. De certa forma, a frente de batalha havia sido enviada para cansar o inimigo, mas sua artimanha não havia surtido efeito, e seu exercito estava sendo rechaçado violentamente.

Um dos guardas reais, portando uma lança de metro e meio de comprimento, chegou-se para perto do rei. Não houve reverencia nem mesura, e o guarda logo iniciou:

- O relatório da atual situação, majestade, é de que o avanço inimigo esta se tornando perigoso. Do modo com que lutam, chegarão nessa encosta dentro de algumas poucas horas. – o rei virou-se solenemente, e simplesmente assentiu. Novamente sem reverencias, o guarda virou-se e saiu. O olhar do rei se voltou para o campo de batalha novamente, e um suspiro longo e pesado escapou. – Teremos de mudar de tática.



Circundando a área, uma faixa florestal estreita formava uma espécie de cerca, que delimitava a zona de guerra. Montado em um alazão branco e enorme, o rei seguiu pela margem desse caminho, longe dos olhares de todos.

Logo, estava perto o suficiente do local onde o senhor daquele povo bárbaro estava, com um manto de peles sobre os ombros, ladeado por seus filhos de porte imenso.

O cavalo do rei apareceu resfolegando a frente do grupo, que sacou suas armas imediatamente.

- Venho negociar, senhor do povo Seigh. – a simples menção daquela palavra pôs o chefe Seigh em pé. – O que raios teria eu para negociar com você, senhor do povo central?

Os dois governantes estavam a uma distancia de aproximadamente vinte metros um do outro.

- Essa guerra e essa matança são desnecessárias. Não quero mais perder meus homens.

O chefe Seigh gritou alto, como que para os arautos divinos escutassem:

- Você pensa que eu me agrado de matar seu povo? Você acha que me agrada ver o MEU povo caindo também? – o rei então se pronunciou novamente. – Vamos decidir essa guerra como nossos pais e avos decidiam antigamente.

O chefe Seigh pareceu compreender completamente, e um sorriso se desenhou em sua face. – Que assim seja, filho do Quinto Reino. Que nossos campeões decidam!



No destacamento frontal, Terrance brandia sua espada de modo desajeitado, devido ao excesso de pessoas por perto. Um bárbaro levantou sua maça e destinava-a a cabeça do soldado. Antes que arma terminasse seu percurso, no entanto, uma flecha atravessou seu peito.

Terrance procurou pelo terreno o local de onde partira tão veloz e oportuna flecha. Seus olhos se arregalaram, e ele foi inundado por uma renovada e aterradora fúria. Virando novamente adiante, bradou alto para seu destacamento:

- Abram caminho para o Adrian! – o som daquele nome pareceu a todos como um encanto, e ate mesmo os moribundos e feridos encontraram força para ‘limpar’ o caminho para o soldado tão aguardado.

Logo, uma fileira estreita e longa se desenhou no centro da planície. Os bárbaros não entendiam o porque daquilo, e continuaram tentando lutar, mas a barreira formada pelos soldados do primeiro destacamento era forte e não permitia o avanço inimigo.



Sobre galopes potentes, um guerreiro trajado de armadura completa cavalgava velozmente pelo caminho aberto pelos soldados. Sua visão era como um vulto que se movia mais rápido do que o vento.

A alguma distancia dali, um arqueiro bárbaro apontava sua flecha ao vulto.

Foi um tiro certeiro, que voou diretamente de encontro ao guerreiro.

O barulho que a flecha emitiu foi o suficiente para alertar o cavaleiro, que a aparou com as mãos nuas antes que essa se cravasse na carne de seu cavalo. Com o susto, o cavalo empinou nas patas traseiras, e quase lançou Adrian longe. Mas esse se manteve firme na sela, e acalmou o animal.

Um dos bárbaros conseguiu romper a barreira, e correu ate Adrian com seu bastão em mãos.

Adrian parecia não perceber sua aproximação, e continuou arrumando alguns itens na sela de seu cavalo.

Quando o bárbaro estava a apenas uma lança de distancia, Adrian desembainhou a lamina que carregava no lado esquerdo da cintura. Foi um saque rápido, e logo a lamina já estava trespassada no peito do bárbaro.



Adrian sacou sua outra lamina, e começou a correr pelo caminho aberto pelo destacamento. À medida que avançava, o exercito real saia de sua área de combate, para não atrapalha-lo e acabar sendo atingido por suas laminas.



Adrian esgrimia com maestria, e dava combate a todos os bárbaros que se punham em seu caminho. Sua técnica e sutileza eram únicas, e sua luta parecia como um refinado transe de dança.

Suas espadas moviam-se sincronizadas, como em um ritmo invisível. Seu fluxo de batalha era refinado ao ponto em que fechava os olhos para lutar.



O chefe dos Seigh falou:

- Nossos campeões decidirão a guerra nesse dia. Os termos são estes: o meu campeão lutara ate a morte e, obtendo a vitória, você entrega suas terras, seus alimentos, suas casas e seu ouro. Diga-me seus termos, senhor já-não-tão-rei?

- Não ouso mencionar meus termos, porco bárbaro do norte gelado, pois não haverá vitória inimiga hoje. Mas eu prometo uma coisa: após a vitória de meu campeão, nenhum do seu povo sairá vivo dessa planície.

O bárbaro riu, ignorando o insulto. – Que assim seja, velho decrepito.

- Que assim seja, Seigh nunca-mais-senhor. – disse isso e desceu de seu cavalo. O Seigh largou sua arma no chão e se aproximou do rei. Quando cara-a-cara, os dois estenderam as mãos, e apertaram-nas firmemente. – Esse pacto firmamos, para em nenhum momento quebra-lo.

Sem olhar para ninguém, o rei foi ate seu cavalo, e montou-o. Um guarda se aproximou, e o rei chamou-o ao pé do ouvido: - Mande chamar Adrian.



De repente, os soldados Seigh pararam de lutar. A noticia de que os campeões iriam se enfrentar se espalhou como vento, e logo chegou aos ouvidos de Terrance, que ordenou que seus soldados parassem a luta.



No centro da planície, uma clareira enorme se abriu, deixando uma distancia de quase duzentos metros entre cada exercito. Na frente do exercito do Quinto Reino, o rei esperava confiante em seu cavalo.



O chefe Seigh se moveu adiante de seu exercito, e gritou: - Essa guerra sangrenta e desnecessária cessa agora. – virou-se para o rei, continuando. – De comum acordo, decidimos que os campeões decidirão nossa disputa, evitando derramamento de sangue e desgaste, – virando-se para seu exercito novamente, continuou. – do mesmo modo que nossos pais e avôs faziam.

- Nosso melhor guerreiro, em uma luta ate a morte, contra o melhor guerreiro do nosso inimigo. – disse isso com um sorriso desdenhoso no rosto.

O exercito Seigh batia com seus porretes nos escudos, enquanto um estreito caminho se abria ate o local onde o chefe bárbaro se achava.



O exercito real temeu o campeão desde o primeiro instante. – Abbath, das colinas da perdição, norte de nossas terras, nosso campeão. – foram as palavras do chefe Seigh, quando um homem descomunalmente grande se postou ao seu lado.

Em seu rosto, uma pintura preta sobre uma cobertura branca. Na mão, um machado de guerra com um cabo de quase um metro e meio.

Sem se comover com o tamanho da criatura, o rei, montado em seu cavalo, simplesmente disse: - Adrian, das terras além das eras, filho do sol, abençoado pela lua.

Dito isso, um homem alto e de armadura reluzente, portando duas espadas prateadas e finamente trabalhadas se moveu ate o lado do rei. – Por suas folhas divinas o exercito Seigh cairá, e nem mesmo todo o arrependimento do mundo os livrará de sua ira.

Sem mais nada a dizer, o rei se virou, e abriu passagem para fora do campo de batalha. Antes, falou a Adrian:

- Faça com que eles paguem pelas almas de cada um de nossos soldados mortos. – ele assentiu gravemente, e se moveu ate o centro da clareira, onde Abbath o aguardava.

- Prometo que sua morte será rápida e extremamente dolorida. – com as duas mãos segurou seu machado e, erguendo-o, preparou seu golpe. Antes de completar seu movimento, sentiu que suas entranhas estavam sendo rasgadas.

Em um movimento quase invisível, Adrian estava as costas do inimigo e suas duas laminas atravessavam suas costas, matando Abbath quase instantaneamente.

Recolhendo suas espadas, Adrian olhou para o exercito Seigh, que se via na mira de um assassino nato e destruidor. O chefe Seigh não podia acreditar na velocidade do rapaz, mas provou por si mesmo o gosto das espadas divinas em seu interior, quando em um piscar de olhos Adrian se pôs a sua frente, e perfurou seu coração com uma das laminas, e com a outra o decapitou com um golpe seco e preciso.

O exercito Seigh entrou em completo desespero e, atirando suas armas ao chão, se prepararam para correr, mas então viram que Adrian os olhava. Um olhar que penetrava na mente, despindo seus pensamentos perante ele.

Naquele momento, eles souberam que não sairiam vivos daquele local.



Dentro de sua barraca, armada na colina, o rei mastigava algo que pegara na fogueira do lado de fora. Em seu trono improvisado, sentou-se e ficou ponderando sobre alguns assuntos que o preocupavam havia algum tempo.

Foi interrompido quando um soldado entrou na barraca. – É Adrian, senhor. Ele quer lhe falar. – o rei levantou-se prontamente. – Mande-o entrar, e cuide para que ninguém fique por perto para nos escutar.

- Sim, senhor. – fez uma mesura longa, e saiu. Logo em seguida, adentra ao recinto o guerreiro responsável pela morte de Abbath. Prostrou-se perante o rei, e esse o tocou no alto da cabeça. – Levante-se, filho dos deuses.

Adrian ergueu-se, recompondo-se em sua pompa costumeira. – Diga-me o que deseja meu jovem? – o rei tentou parecer cordial, mesmo sabendo a situação em que se encontrava atualmente.

- Por que o senhor me chamou para essa guerra? – o rei já estava preparado para isso. Aproximando-se dele, pôs um braço sobre o ombro do rapaz, e desfiou uma manta de motivos e desculpas, dentre elas a “Extrema necessidade do reino” e “Ultima esperança para o povo”.

- O senhor bem sabe o modo como me sinto nessas situações. – o rei sabia, mas não havia escolha. – Todos sabem o quanto isso é desconfortável para você, filho, mas era o único modo de impedir o avanço inimigo.

“Já faz vinte anos desde que nosso reino foi testado pela primeira vez. Foram os malditos Heitars, povo ignorante e selvagem. Não tinham nem uma gota da mais ínfima civilidade. Sabiam apenas bater seus bastões no chão e grunhir como macacos.”

“Depois, o reino asiático enviou suas tropas para analisar sua força em nossos soldados.” – nesse ponto, o rei tapou o rosto com as mãos. – Os deuses sabem o quão terrível foi aquele tempo.

“A verdade é que nosso reino tem prosperado muito, economicamente. Famílias ricas, cada vez mais ricas. Os pobres, ascendendo socialmente. Mas o exercito tem caído nos últimos tempos. Já não existe mais a chama da batalha nos corações dos jovens.”

Virou-se para Adrian, e disse: - Nesses tempos de crise, eu tenho de recorrer a você, meu jovem. – Adrian sentia o peso da responsabilidade que caia em suas costas. Não era a primeira vez em que tivera de manchar suas mãos de sangue pelo reino. No entanto, o cheiro de morte e terror o repugnava. Por seu reino, porem, ele aguentaria qualquer dor ou desconforto.

- Você entende meu ponto, não é, Adrian? – era uma pergunta retorica, mas Adrian respondeu. – Me sinto usado, meu senhor. É como se fosse uma marionete que só é usada para entreter as crianças, mas que depois é guardada no armário do titereio.

O rei olhou nos olhos do rapaz. Seu olhar era invasivo, e mesmo Adrian não conseguia manter contato firme com ele. No entanto, o olhar do rei estava cansado, deprimido. – Se eu pudesse, meu filho, não te meteria no meio dessa sujeira toda, mas algumas coisas devem ser tratadas drasticamente, para que não causem problemas depois. – sentando-se no trono forrado com palha, o rei perguntou: – Qual é o relatório da atual situação?

– O exercito Seigh foi completamente eliminado. – pegou um rolo de pergaminho que estava em sua mão entregou-o ao rei. – Os espólios totais não foram contabilizados, mas eles carregavam uma quantidade considerável de ouro e pedras não valiosas.

O rei deu uma olhada por cima totalmente desinteressada naquilo tudo. – Escolha o que desejar do espolio, Adrian. É o mínimo que esse velho amigo pode fazer para compensar sua dor. – Adrian se aproximou do rei, homem com quem conviveu durante quase sessenta anos. Amigos desde que o rei era jovem, eles compartilharam de varias glorias e batalhas juntos. Agora, carcomido pelos anos, o rei via sua vida se esvaindo em trevas e depressão. Olhando para o presente, sua amargura só aumentava por ver seu amigo Adrian continuar jovem do mesmo modo que há cinquenta e tantos anos atrás. – Você não precisa nem deve me recompensar pela minha ajuda, velho amigo, pois faço isso por ti e pelo reino. Sem falar que o ouro não acalma minha alma, e você deveria se lembrar disso.

O rei assentiu gravemente. – Faça do modo que lhe convier, Adrian. – após o termino da conversa, Adrian se despediu do rei, e saiu da tenda.



Já fora da tenda, Adrian se dirigiu ate seu cavalo, mas mudou de ideia no meio do caminho, e foi ate o local onde se encontravam os espólios da batalha. Disse que o rei o havia permitido escolher o que desejasse e os soldados deixaram-no passar.

Olhando rapidamente, mas examinando tudo, uma coisa saltou aos olhos do guerreiro. Estendeu a mão ate o objeto de sua visão. Era um colar dourado, com a imagem de um lobo como pingente, de uns dez centímetros de diâmetro. – Alguém se lembra de onde isso foi retirado?

Um soldado que estava por perto respondeu: - Estava no pescoço do chefe Seigh, senhor. – Adrian assentiu brevemente, pensativo. Colocou-o no bolso, e saiu. – É tudo de que preciso.

Voltou ate seu cavalo, onde encontrou Terrance alisando sua crina reluzente. Ao ver Adrian, no entanto, parou imediatamente, e bateu continência respeitosamente. – Não precisa fazer isso para mim, Terrance. Não sou seu general nem mesmo seu rei. Estou nessa guerra por acaso.

- Um acaso que nos trouxe a vitória, devo complementar. – Adrian simplesmente assentiu. – Sim, mas a um custo impagável: varias almas que não tinham nada que ver com essa batalha insana por dinheiro e posses. – enquanto falava, ajeitava algumas coisas na sela de seu cavalo e, tomando sua rédea nas mãos, seguiu a pé mesmo, com Terrance ao seu lado. – Todos nos sabemos o quão penoso é difícil para você ser envolvido em algo que não lhe condiz, mas você entende a real necessidade que se mostrou, não é? – parou de andar, e virou-se para o soldado. Olhando bem no fundo de seus olhos, continuou andando. – Sei sim, jovem comandante. O rei fez questão de deixar isso bem claro quando me chamou algumas horas atrás para pedir minha ajuda.

Terrance parou de andar, e perguntou: - Conte-me, por que o campo de batalha lhe causa tanto repudio e trás tanta dor? – Adrian não parou de andar, mas começou a falar.

- Antigas historias ainda lhe agradam, jovem comandante?

Terrance disse que sim. – Pois bem, procure um sábio ou ancião da vila, qualquer um deles pode lhe contar uma boa.

Dessa vez, montou em seu cavalo, e disparou colina abaixo. Terrance ficou furioso, mas não pode nada fazer.

Contos 2042260830069927377

Postar um comentário

Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos