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Canções da Meia-Noite #26 - Conflito Interno

Salve calorosos amigos bardos ,hoje excepcionalmente a canções da meia-noite está sendo na segunda-feira,então vamos lá! A história de h...



Salve calorosos amigos bardos ,hoje excepcionalmente a canções da meia-noite está sendo na segunda-feira,então vamos lá!

A história de hoje é contada pelo nosso amigo Guilherme Rezende (@_GuiRezende) ,que mostra como é difiicil a liderança e as grandes responsabilidades ,quando encaradas pelos jovens comandantes.Isso faz lembrar dos jovens heróis e  os grandes problemas que enfrentam logo no começo de sua jornada heróica. Confiram a seguir:




Conflito Interno
Em algum lugar da África... 

Ela estava parada em frente ao quadro. Observou por algum tempo o homem imortalizado naquela figura. As vestes caras e pomposas dignas de nobres da alta corte não eram necessárias para mostrar o lugar ao qual aquele homem pertencia desde o seu nascimento. A nobreza lhe exalava dos olhos, da postura e não dependia de trajes para se tornar flagrante. Ela sabia que a estatura mediana daquele homem não condizia com o quadro, mas não importava. Quando vestia sua armadura se tornava um gigante. Observava-lhe os detalhes. Os músculos ainda definidos em detrimento a idade mostravam claramente terem sido maiores em sua juventude; o queixo altivo e o olhar de superioridade severa perante os inimigos de seu reino – somente perante os inimigos, ela lembrava. Sempre foi um aliado valoroso ao lado de seus camaradas. Porém, mesmo aquele quadro, digno das mais valiosas obras dos maiores artistas, não podia esconder as marcas da idade que já estavam batendo em sua porta.

Ela se perguntava como tudo definhara daquela forma. Não pôde evitar a lágrima que escorreu de seu rosto, quase ao mesmo tempo em que sentiu o peso da mão sobre seu ombro. Não precisou olhar pra trás para saber a quem pertencia:

- Eles já foram? – Ela perguntou, depois de aspirar o ar como se quisesse recuperar a força depois da tempestade de lembranças que não pôde evitar.

- Sim, e pareceram não olhar para trás. - Era a voz de um homem. O tipo de voz típica dos experientes heróis de guerra. Uma voz decidida que somente profere um “a” que seja depois de muito pensar.

- E tudo correu bem? – um tom preocupante na voz - Pergunto isso porque acho que fui excessivamente rude com eles.

- Eles entendem a fase que está passando. A senhorita tem de pensar no seu povo agora. – as palavras saíram do homem com a calma daqueles que sabem que está com a razão.

- Mesmo assim eu não entendo! - A jovem se virou de súbito e encarou o homem. Ele percebeu uma dúvida genuína no olhar mareado, mas que nunca lhe seria confessada. Ela continuou:

- Se eles querem tanto salvar vidas, por que não salvam as que precisam? As pessoas estão sem casa. Famílias estão presas. Podem parecer não ter nada a perder, mas são os que mais têm coisas em jogo.

- A senhorita precisa entender que eles também têm uma missão. E que apesar de terem partido, o coração deles estará conosco.

- Eu entendo e compartilho o desejo deles, mas é uma missão distante.

- É que... – Antes que pudesse terminar a frase fora interrompido e chegou a se assustar com as perguntas que cortaram suas palavras.

- Por que eles fazem isso? Por que eles arriscam suas vidas por uma missão como essa? Por que sempre tentar salvar todo mundo? Quem iria querer carregar um fardo tão grande nas costas?

O guerreiro parou um instante e refletiu sobre as palavras que seriam pronunciadas a seguir. Logo depois as pronunciou da forma mais ponderada possível. Tentava ser didático, mas sabia não ser um bom professor...

- Entenda, quando uma pessoa morre...Ela desaparece...junto com o seu passado, presente e futuro. Muitas pessoas morrem em missões e guerras... Elas morrem facilmente e dos modos mais surpreendentemente simples... Aparentemente eles já entenderam isso. Você não! - usou a palavra “você” pela primeira vez. Isso era necessário. Não por desrespeito ou insubordinação. Era para mostrar àquela jovem que ainda não amadurecera, mas que precisaria fazer isso o quanto antes.

Poucos não teriam percebido a mudança do olhar da jovem. Não havia alternativa diante daquelas palavras e de toda a situação na qual se via. Permaneceu em silêncio enquanto apertava um pouco mais os dedos contra o cabo de sua espada. Com apenas um golpe, rasgou o quadro pela metade. Havia lágrimas em seus olhos, mas agora parecia raiva.

- EU PRECISO FAZER ALGO! - Sua fala saiu mais alto do que pretendia e acabou chamando a atenção dos que estavam por perto.

O homem não disse nada e com um passo calculado, daqueles que se usam em uma batalha para entrar na guarda do inimigo e conseguir o melhor ângulo para lhe atingir os flancos, se aproximou da mulher. Um movimento rápido e já havia dominado o braço que ela carregava a espada. Trouxe a menina contra o peito, aconchegando-a em um dos braços poderosos. O aconchego que só um pai sabe fazer diante de um ato falho de rebeldia.

A menina mulher ensaiou resistência por um breve momento, mas não conteve o desabafo que explodiu no choro até agora contido. Aceitou o abraço e assim deixou-se permanecer por algum tempo.

Quando o ar recuperado perguntou:

- Você vai levá-lo a fronteira?

- Sim

- Tome cuidado... ele é um homem perigoso...assim que ele disser o que tem para dizer, não baixe sua guarda. – Um tom mais autoritário, de quem começava a aprender que dali pra frente seus pedidos seriam considerados ordem.

- Não se preocupe comigo... eu voltarei logo...

O homem partiu deixando uma menina de 19 anos tomando conta de seu povo, seus soldados, e o que seria mais difícil, seu monstro interno. Sabia que mais cedo ou mais tarde, teria de matar seu próprio pai e Rei do povo que agora ela comandava. Sabia que de agora em diante aquela jovem deveria ser muito mais guerreira que princesa!
Contos 4781440601949332939

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