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Canções da Meia-Noite#25 - A verdade dos homens

Olá caros amigos bardos ,hoje temos uma super canções da meia-noite!Finalmente após muito tempo na espera saiu o resultado da primeira prom...


Olá caros amigos bardos ,hoje temos uma super canções da meia-noite!Finalmente após muito tempo na espera saiu o resultado da primeira promoção aqui da coluna e junto mais uma super história contada por um bardo camarada de todos aqui que frequentam o blog,confiram a seguir:


Bem pessoal quando a Canções começou a publicar histórias ,nossa grande parceira a Editora Draco ficou de presentear o melhor conto eleito por nós do RPG Vale com um dos três livros da série Imaginários como divulgado tempos atrás http://bit.ly/fAcXaM

Então quem mandou seus contos nos três primeiros meses estavam concorrendo a esse livro e após muito tempo decidindo qual seria o premiado,por fim tivemos um escolhido!E o prêmio foi para... Igor Ordem do Caos com a história Arauto de uma Nova Vida que é um conto muito legal,parabéns meu amigo estaremos entrando em contato com você.

A todos que enviaram suas histórias quero dar parabéns ,porque todos vocês estão mandando muito bem e que continuem enviando suas histórias para a Canções e futuramente poderemos ter outras promoções para presenteá-los ,afinal um bom bardo sempre gosta de contar mais histórias.

Agora pessoal vamos a nossa história do dia!

O bardo que vem hoje contar um pouco das suas aventuras é conhecido por todos vocês do blog,estamos falando de Arthur Guitelar (@MrGamerDev) ,que veio nos trazer uma história revelando como o ódio pode transformar um valoroso herói em uma perigosa arma de batalha.


A verdade dos homens

Os olhos em uma direção, os pensamentos em outra.

Enquanto sua pesada vestimenta cobria seu corpo ele lembrava de outros tempos. Lembranças de uma terra verde, que sumia no horizonte. Quantos irmãos? Dois. Um menino e uma menina. Mais novos do que ele. Como irmão mais velho era sua obrigação ser um espelho, o que às vezes, somente algumas vezes na verdade, era um fardo.

Mas ele gostava de ser o “espelho”, principalmente para seu irmão mais novo.

Belchior. Era este o nome do caçula. Sempre com ar de sonhador, inventando histórias. Gostava muito de conversar, “jogar conversa fora”, como ele mesmo dizia. Muitas vezes conseguia ser tão ingênuo que poderia tirar qualquer um de uma tristeza amargamente profunda com poucos gestos e palavras. Uma pessoa que se dava ao direito de sonhar.

Beatrina era a irmã do meio. Totalmente oposta à Belchior. Não que ela fosse má, mas era intempestiva e, muitas vezes, arrogante. Principalmente com os subalternos. No fundo era boa menina. Mas isso bem lá no fundo. Era preciso um pouco de perseverança e coragem para cavar em seu peito e encontrar a verdadeira Beatrina. Isso porque era muito fechada. Mas não com seus irmãos, é claro.

Enquanto ele observava pelo espelho e ouvia o barulho lá fora, memórias de outros tempos encharcavam sua mente como vinho sendo despejado em uma taça na hora do jantar. Lembrava, em especial, das travessuras e coisas boas que os três faziam juntos. Beatrina sempre dava um jeito de escapar da surra depois. Os meninos, claro, levavam a culpa e apanhavam. Mesmo assim, quando a governanta saía do quarto com a cinta, eles caiam na risada.

O barulho lá fora já começava a incomodar. Não pelos gritos. Não pelo som das espadas. Não pelo som das portas sendo escancaradas à chutes e as casas sendo queimadas. Mas sim porque traziam lembranças ruins.

A primeira vez que ouviu algo parecido foi quando voltava de um passeio à cavalo na floresta, com seus irmãos. Já haviam crescido. Belchior havia se tornado um rapaz forte e vigoroso, mas ainda alegre. Estava contente porque havia acabado de voltar de seu confinamento de estudos no mosteiro. Beatrina já era uma mulher linda, com cabelos lisos da cor da noite até a altura da cintura. Talvez a mais linda de todo o reino.

Chicotearam os cavalos o mais que puderam, mesmo assim não puderam evitar o que estava acontecendo. O reino estava sendo atacado e destruído diante de seus olhos.

Labaredas de fogo cortavam o céu enquanto um emaranhado de soldados do reino se misturavam aos inimigos golpeando com suas espadas. De longe, era até difícil reconhecer qual lado estava vencendo.

A fé o fazia acreditar que eram os homens do reino que estavam com a vitória.

E foi essa fé que o fez ir ao seu quarto buscar a espada sem pensar duas vezes. Juntou-se aos soldados do reino na batalha e lutou como um leão.

Os inimigos cederam. A batalha estava vencida. Mas havia algo terrivelmente errado.

Quando voltou para seu lar, conseguiu perceber o que era: Seu irmão, sua irmã e seu pai, inertes no chão. O pai com cortes de espada. A irmã, violentada e com hematomas pelo corpo. Belchior trespassado por uma lança.

Tudo à sua volta parecia não fazer sentido. Enquanto os homens comemoravam do lado de fora, sua vida e sua mente vinham à baixo.

Nos anos seguintes sua obsessão em vingar seus entes queridos acabou levando-o a grandes guerras. Logo demonstrou ser um guerreiro nato, um inimigo letal e um líder valoroso. Invadiu diversos reinos, inclusive se deparou com quem havia levado sua família. Teve a cabeça do rei inimigo em suas mãos. Achou que com isso ficaria em paz.

Mas o som da batalha sempre o chamava de volta, dia após dia. Novas guerras, novos territórios conquistados, novas mortes. Sempre lutando à frente de seus homens. Inspirando. Não importava se o oponente tinha dez vezes mais o número de homens. Sua presença na batalha já justificava o esforço.

De leste à oeste daquele continente, com exceção de uma parte ao sul, tudo era dele. E todos gritavam seu nome:

-ALGOZ!

A voz vinha de fora.

No presente, aquele barulho familiar estava muito mais próximo agora. Colocou seu capacete.
- ALGOZ!

O barulho de batidas na porta agora era ensurdecedor. Olhou para a lâmina de sua espada. Seu reflexo estava nela.
- ALGOZ!

O som ensurdecedor da porta caindo. Os inimigos entraram em seu quarto. Arfando. Com vermelho de sangue em seus olhos.

-Finalmente bastardo maldito! Vim cortar sua cabeça!

O homem à sua frente era Al Bas´an Mur. Dominava as áreas ao sul daquele continente. Este encontro era inevitável. Em algum momento os dois reinos iriam ter de disputar o território.

-Venha morrer! – Gritou o homem.

Algoz deixou a capa cair por suas costas. A armadura mal escondia todas as cicatrizes que carregava. Hoje, um homem maduro, já estava cansado das batalhas. Havia tido tudo o que queria, e ainda muito mais. Mas em troca matou muito mais pais e irmãos do que pensou que tivesse de matar.

Por baixo do capacete, ainda de cabeça baixa, apenas um sorriso de certeza de que havia chegado ao fim aquele reino de guerra e loucura para dar lugar a outro reino de guerra e loucura. Os homens e sua insaciável sede de tudo. O ciclo vicioso de morte que persegue todos os que querem vingança pela espada.

Ele aprendeu que a vingança é apenas uma desculpa para justificar algo que o homem já carrega dentro de si desde seus primeiros passos nessa terra: A vontade de ter mais e mais faz com que os fins justifiquem os meios.

Ergueu os olhos ferozes. Os homens atrás de Al Bas´an Mur tremeram e recuaram um pouco. O próprio Al Bas´na Mur pensou ter recuado um pouco diante de tamanha ferocidade.

Algoz saltou sobre seus inimigos.

Aquela foi a última vez que o Rei Guerreiro, Algoz de Astaroth, brandiu sua espada.
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