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Canções da Meia-Noite#20 Beyond the winter and storm

  Chegando mais uma edição da Canções da Meia-Noite,que além de trazer uma super história para vocês ,vem com uma outra noticia muito boa pa...

 
Chegando mais uma edição da Canções da Meia-Noite,que além de trazer uma super história para vocês ,vem com uma outra noticia muito boa para os jovens bardos que tem enviado suas historias,acompanhem a seguir!
Bem pessoal ,quando a Canções iniciou a publicação das histórias veio com uma grande surpresa ,já que a Editora Draco iria presentear a narração que nós elegêssemos como melhor com um livro da série Imaginários (link da matéria http://bit.ly/fAcXaM ) e a promoção encerrou-se na semana passada.A equipe do blog já esta votando e essa semana sairá o resultado,portanto fiquem ligados.

Agora trazendo mais uma grande narração  para nós o amigo bardo Junior autor de O Nascer de um Mundo vem com uma nova história ,dessa vez em clima de suspense e terror nas terras geladas do norte,onde o real e o irreal tornam o dia a dia de um casal um tormento eterno.Confiram a seguir:


Beyond the winter and storm

Estava quente dentro da choupana. A lareira crepitava baixo, e as labaredas eram altas, o que deixava o ambiente parcamente iluminado, mas bem aquecido.

A casa era modesta, feita de toras grotescas de madeira de pinheiro, e consistia de dois cômodos, sendo um deles o quarto, e o outro era uma união da cozinha, sala de jantar e sala de estar. A lareira ficava no centro da parede norte da casa. Nenhuma luz entrava pela janela, nem mesmo o da lua, que estava cheia nessa noite.

Na frente da lareira, uma grande poltrona recoberta de peles grossas e lanudas era o local onde se sentava Almihr, o lenhador e caçador mais experiente de que já se teve notícia. Sua esposa, Marianne, costumava se sentar ao seu lado, em uma cadeira baixa de madeira. Geralmente no inverno, ele se sentava em sua poltrona em frente à lareira, enrolado nas peles que a estofavam. Sua mulher sentava na cadeira baixa e escaldava os pés do marido, que ficavam dormentes em decorrência do frio, bem como sujos, devido ao dia de trabalho em meio à floresta.

Excepcionalmente nesse dia, Almihr demorou a chegar. Já passava das oito e meia da noite, e atrasos desse tipo eram tão raros quanto dias ensolarados em pleno inverno norueguês. Marianne já havia preparado um ensopado de lebre que havia sido caçada no dia anterior, prato predileto de seu marido.

Com o ensopado ameaçando esfriar, ela resolveu se servir, e não mais esperar seu marido. Nunca houve qualquer motivo para ficar aflita, pois ela sabia que seu marido era responsável o suficiente para não se meter em problemas a essa hora da noite. “Deve ter ido ver o velho Abbath, e nessa hora deve estar bebendo do uísque batizado daquele velho porco.”

Era com certa frequência que Almihr saia para casa de seu amigo de infância, para beber, fumar e jogar de graça. Marianne tinha uma repulsa particular pelo velho Abbath, que já tentara a seduzir com ofertas indecentes e financeiras. Marianne poderia ter errado muito em vida, e feito coisas da qual se arrependeria eternamente, mas infidelidade era uma coisa que não passaria por sua cabeça nem na pior das situações. Amava Almihr, e seu sentimento era recíproco, demonstrado avidamente, na medida do possível. Era ele também homem direito, confiável e fiel. Nunca enganou sua mulher, e nunca enganaria, nem que o diabo em pessoa o obrigasse.

Marianne, pelo que se pode perceber, não tinha motivos pra se preocupar, mas seu coração estava apreensivo, e sua espera era aflitiva. Almihr costumava avisar de suas idas ao velho Abbath, e seu atraso era estranho, e ia contra a natureza puritana e direita dele.

Marianne, já sem fome, mexia nervosamente a colher no prato de ensopado, que já começava a gelar. Recolheu sua louça suja, colocou-as dentro de uma bacia grande de ferro, e começou a ferver água para colocar na louça engordurada, que sujara durante o preparo do ensopado. Encheu a chaleira em uma botija alta, de quase um metro e meio de altura, e pôs sobre a chapa de ferro quente do fogão de lenha, que era feito de barro e tijolos, e tinha a fornalha pequena, o que concentrava mais o calor no centro, fazendo com que a chapa apresentasse uma tonalidade avermelhada semelhante ao do aço quente que é forjado.

Largou a chaleira sobre a chapa, e virou-se para se sentar perto da lareira, e aguardar a chegada do marido. No entanto, ela bateu de encontro ao peito de uma pessoa, que entrara silencioso na casa, em quanto ela estava distraída. Era Almihr, mas o susto foi tamanho que ela deu um grito quando se chocou com seu marido ao se virar. Almihr ficou surpreso com a reação dela, mas seu olhar era introspectivo, e sua face estava gelada, ela percebeu ao beijá-lo e pedir desculpas. “É o frio, muito frio que faz com que fique gelado”. Essas palavras desconexas saltaram em sua mente, e ela reprimiu esses pensamentos loucos e sem propósitos.



Seu marido estava calado, e após ela esquentar o ensopado de lebre, no qual ele nem tocou, ela perguntou o porquê da demora.

– O dia em que meus atos forem justificados a você, peço que me mate. – foram palavras duras, e sua voz era rouca, um tanto mais elevada que a de costume, o que deixou Marianne sem reação, e ela emudeceu. Ele parecia mudado, seu modo de sentar havia se modificado. Seu marido era homem de postura, e insistia em manter-se reto enquanto sentado. No entanto, o que ela via agora era um homem totalmente encurvado sobre a mesa, com um olhar penetrante e voz poderosa.

Definitivamente, algo havia acontecido. A bebida não tinha esse efeito sobre ele, e logo isso foi descartado por ela. Ela percebeu que ele desviava de suas perguntas, e respondia tudo com uma espécie de grunhido. O mais estranho ainda era que, ao invés de se sentar perto da lareira, em sua poltrona, ele havia se sentado na parede oeste da casa, o mais longe possível de qualquer fonte de calor. Sentado ele ficou, na cadeira baixinha, ao lado da janela, agora entreaberta, o que fazia com que uma corrente fraca de frio entrasse, gelando o ambiente no mesmo instante.

Era como se seu marido estivesse com receio da luz e do calor, e buscasse ficar longe desses dois elementos. Marianne observava-o a distância, pensando em que situação ele poderia ter se envolvido, pois suas roupas estavam sujas, gastas e um rasgo enorme na calça. Desse rasgo, ela pode enxergar uma cicatriz estranha, que pareciam dentes.

Ela olhou no rosto do marido, para perguntar por que ele estava imundo daquele modo. No entanto, seu olhar encontrou o dele, e ela viu uma centelha de fúria em seu rosto. Sua feição havia mudado, e seu cenho agora estava franzido de um modo quase animal. Sua voz rouca e pausada disse:

– Por que você fica me encarando, mulher? – ele não costumava trata-la daquele modo, e seu tom rude a assustou. Ela se afastou de ré, devagar para que não parecesse assustada. Ele percebeu claramente seu movimento, quase imperceptível, e avançou ameaçadoramente em sua direção.

– O que esta acontecendo? – sua voz falhou, e suas palavras soaram quase como um sussurro, o que fez com que ele lambesse os beiços, em um ato de extrema excitação.

– Já falei que você fica linda quando esta com medo?

– Eu não estou com medo... – sua voz a traiu e, como não estava prestando atenção ao que fazia, acabou indo de encontro à parede. Viu-se encurralada, e ele percebeu isso também. Seu olhar malicioso era evidente, e lambeu os beiços. Seus olhos estavam cegos pelo desejo. Uma baba nojenta escorria de sua boca, mostrando sua insanidade e sua desvairada maquinação. Marianne tentou se afastar, mas ele prendeu seus braços na parede, com um aperto forte.

– Você está com medo agora? – era uma pergunta que não exigia resposta, pois era evidente o terror nos olhos dela. Ele roçou sua língua na face dela, deixando escorrer aquela baba fétida e viscosa. A última coisa que ela viu foi ele arreganhando os dentes, e avançando em seu pescoço. Uma dor aguda a acometeu, e ela desfaleceu.



Acordou deitada em sua cama, no quarto da choupana modesta em que morava desde que tinha dezessete anos, idade com a qual se uniu a Almihr. Assustada ela se levantou, mas ficou aliviada quando tocou o pescoço e não percebeu nenhum machucado ou furos de dentes. Havia sido apenas um sonho. “O pior dos pesadelos.” Uma dor de cabeça fraca a deixou apática.

Vestiu-se com uma puída e gasta saia, que tinha comprado com o parco dinheiro que seu marido ganhava, quando na venda de suas caças.

Almihr! Sua mente logo foi levada ao marido. Ela não tinha visto ele ainda. É claro, ela não tinha saído do quarto ainda.

Foi para a peça central da casa, e viu que seu marido estava sentado na mesa de desjejum/almoço/jantar. Estava de costas para a porta do quarto, e virou-se quando sentiu a presença de sua mulher atrás de si.

– Olá, querida! – seu tom jovial e alegre deixou-a ainda mais aliviada, ao ver que realmente havia tido um sonho ruim. – Acordou cedo hoje. Pretende sair até a cidade hoje? – suas perguntas casuais eram sempre um presente, pois significavam que, apesar dos incontáveis anos de companheirismo e vida a dois não haviam esfriado suas relações conjugais. Ela abraçou ele fortemente, ato que deixou ele surpreso, mas que depois retribuiu. Delicadamente ergueu o rosto fino de sua mulher, e beijou-a longamente.

– Muito bem, querida. – desvencilhou-se gentilmente do abraço carinhoso de sua mulher. – Tenho que ir, pois hoje será um dia trabalhoso. – beijou a testa de sua mulher e, pegando seu facão embainhado e sua espingarda, preparou-se pra sair. Antes, porém, disse pra ela:

– Acho que vou demorar um pouco. Passarei na casa do velho Abbath, e depois irei à cidade para comprar mantimentos. – Marianne ficou apreensiva, lembrando-se do pesadelo que tivera. Almihr percebeu a aflição na face de sua esposa. Chegando-se até ela, abraçou-a fortemente, e sussurrou em seu ouvido: – Não se preocupe, não irei demorar muito. Você não terá tempo de sentir minha falta. – essas últimas palavras reverberaram em sua mente, e ela apertou ainda mais o abraço. – Eu não preciso sair hoje. Se você quiser, eu fico aqui, e deixo para ir à cidade amanhã.

– Não! Vá trabalhar e não se preocupe comigo. Estou cansada, e não tive uma boa noite de sono. E você precisa comprar os mantimentos. – não foram palavras convincentes, e Almihr então largou seus pertences sobre a mesa da cozinha.

– Eu ficarei hoje. Não tem problema algum. Os mantimentos ainda duram uma semana. – novamente ele abraçou sua mulher. – Vou ficar com você hoje, e isso não tem discussão. – essa frase (isso não tem discussão) significava que ele não desistiria. Ela então cedeu, e deixou-se acalentar no abraço quente e carinhoso do marido. Não havia por que temer, pois ele estaria ali, e nada poderia a fazer mal se ele a protegesse.



A manhã transcorreu sem problemas, e o almoço foi um cozido de frango com batatas, um prato que agradava o paladar de seu marido, que era simples e amplo. Os dois passaram quase a manhã inteira juntos, abraçados ou conversando.

Após a sesta do almoço, feita na poltrona em frente à lareira, ele foi para o quarto se deitar em sua cama. Ela ficou na cozinha por alguns minutos, arrumando a louça e limpando o cômodo cozinha/sala de jantar/sala de estar.

Depois de terminar isso, ela foi para o quarto. Seu marido estava deitado e olhando para o teto. Estava nu, e coberto por acolchoados de retalhos e de lã de cabras montanhesas. Era o modo que ele dormia, e ela não ficava envergonhada. No entanto, ela estava muito feliz de ter a companhia de seu amado naquele dia, e despiu-se ao entrar no quarto. Vendo isso, Almihr sorriu feliz, e ergueu os acolchoados para que ela se tapasse junto dele. Ela deitou-se ao seu lado, e abraçados trocaram carícias afetivas e calor humano. Mas ela queria mais, e Almihr entendeu isso. Como que em uma sincronia mental, os dois se beijaram longamente, e depois fizeram amor.

Marianne se sentiu nas nuvens, e sentiu como se estivesse completa. Seu marido sabia ser carinhoso, e era delicado com ela. Mesmo após vinte anos de casados, suas relações sexuais eram frequentes, e prazerosas para ambos. Nesse dia, porém, parecia que tudo estava melhor.

Ficaram unidos na cama durante duas horas, e após esse período ele saiu da cama, vestiu-se e falou para sua mulher, que tinha um sorriso estampado no rosto. – Vou lá fora buscar lenha para acender a lareira, por que o frio está ficando mais forte, e essa casa deve ficar mais quente, pois uma tempestade de neve irá vir essa noite, segundo o velho Trevihs. – Trevihs era um homem da cidade, e aparecia na propriedade deles de vez em quando. Era metido à meteorologista, e suas previsões eram quase sempre corretas.

– Tudo bem, eu permito. – Almihr sorriu, e abriu a porta do quarto e saiu.

Enrolada no acolchoado de retalhos, ela ria sozinha, feliz por ter tido um dia inteiro com seu marido. Nos últimos anos, devido à dificuldade de encontrar caça boa e abundante, seu marido havia passado a maior parte do tempo fora, buscando e trabalhando para manter-se vivo e com uma comodidade considerável, financeiramente falando. Esses dias inteiros juntos se reduziram aos fins-de-semana, em que ele descansava das semanas árduas de trabalho. Ele nunca a “deixava na mão”, por assim dizer, mas o cansaço deixava-o abatido e apático.

Ela foi arrancada de seus devaneios por um barulho alto, que vinha de fora da casa. Ela ficou consternada, e gritou pelo seu marido. Ele não respondeu de imediato, porém veio para dentro do quarto. Marianne ficou assustada com o modo como ele entrou, arrebentando a porta de suas dobradiças. Seus olhos estavam vermelhos, e pareciam chamejar de fúria. Sua face estava retorcida em uma expressão de extremo ódio. Marianne saiu da cama de um salto, no mesmo instante que seu enfurecido marido caia com os pés sobre o local onde antes sua cabeça repousava. Nesse momento, ela divisou um objeto estranho nas costas do marido: era como uma estaca branca de madeira, que atravessava o centro de seu lombo, e saia no abdômen. Nenhum sangue saia do ferimento, e durante esse segundo de descuido, em que ela estava imersa em seu terror, Almihr saltou sobre ela e, derrubando-a, olhou uma última para sua face. Marianne não tinha como agir nem fugir.

E ele desceu seu punho em garras na face da mulher. Depois disso, veio à escuridão.



Um barulho alto, como o de um raio, acordou-a. Ela estava deitada em seu quarto, e parecia que o dia já avançava. A dor de cabeça fraca persistia, e parecia a ela que tudo não passara de um sonho, pois ela estava viva ainda, sem nenhuma marca no rosto, pode constatar, apalpando seu rosto em busca de cicatrizes.

Seu quarto estava do mesmo modo que ela estava acostumada: bagunçado, com as janelas cerradas e com a porta entreaberta. Pé ante pé, ela andou até a porta e encostou o ouvido para tentar ouvir algum som. Nada.

Abriu a porta devagar. Andou até a mesa da cozinha, olhando ao redor para ver se seu marido se encontrava no recinto. Constatou que a casa estava vazia. Sentou-se aliviada à mesa.

Levou um susto quando o barulho de raio se deu novamente. Chegando perto da pequena janela, que estava apenas encostada, ela abriu-a, e viu que a campina à beira da floresta que ela e seu marido habitavam estava coberta por uma camada grossa de neve, a julgar pelos vincos profundos abertos no solo, costume que seu marido tinha de fazer durante o inverno.

Almihr não estava nas imediações, e ela então resolveu sair de dentro da casa e andar ao redor do local, ansiosa por pisar no solo fofo de neve. Percebeu que os barulhos que escutara provinham do pequeno descampado logo atrás de sua residência. O que viu deixou-a temerosa. O velho Abbath estava de costas, com uma espingarda em mãos, mirando em um alvo em forma de espantalho. Ele não percebeu a presença dela até que estivesse ao seu lado. Sobressaltado, ele olhou de cima a baixo, admirando cada centímetro exposto do corpo dela (que consistia do pescoço, rosto e mãos apenas).

Um sorriso desdenhoso se desenhou em seu rosto, e Marianne sentiu-se enrubescer. Com sua voz melodiosa e fina, ele perguntou:

– O que a senhorita faz fora da casa a essa hora da tarde? – pousou levemente sua mão enluvada sobre o ombro da mulher, que simpaticamente afastou-a. Recolhendo a mão em um sinal claro de que tinha “entendido o recado”, continuou, em um tom menos jovial dessa vez – Está muito frio para uma senhora tão distinta e frágil permanecer exposta ao vento.

– Agradeço pelos elogios, mas procuro por meu marido. Mas antes de tudo, devo perguntar: Não quero ser indelicada, mas o que faz em minha propriedade sem ter me avisado ou pedido permissão previamente? – ele já esperava por essa pergunta, e tinha a resposta na ponta da língua: – Seu marido não lhe avisou de minha vinda? Que mal entendido temos em mãos, então! – seu tom sarcástico e a pose com as mãos na cintura lhe davam um ar cômico, no pior sentido da palavra.

Marianne estava temerosa, por motivos inexplicáveis. Aquele homem que ela odiava estava armado, dentro de sua propriedade, e seu marido não estava por perto. Teve medo daquele homem viesse a tentar submete-la. Abbath, vendo que os olhos da mulher estavam pensativos, e amedrontados, aproveitou-se da ocasião. Chegou mais perto dela, quase roçando seu queixo na testa dela. Imóvel, ela esperou o que ele tinha à dizer. No entanto, sentiu uma forte pancada na cabeça.

Acordou alguns minutos depois, acorrentada a uma estaca enorme, de dois metros pelo menos. Os grilhões apertavam seus pulsos, e o sangue escorria em um filete delgado por seu braço. Suas roupas estavam intactas. Em sua frente, com a espingarda em riste. Seu olhar era negro, e a malicia estava escorrendo por seus poros.

– Veja agora, mulher. Você sempre me rejeitou, se escondendo atrás de seu marido. Mas agora, veja: olhe para o lado, e veja o que sobrou dele. – Marianne não entendeu nada daquelas palavras loucas do homem, mas virou-se, e viu horrorizada, que uma segunda estaca enorme se punha ao seu lado. Nela, estava trespassado o corpo inerte de seu marido. As lágrimas rolaram por seu rosto. Abbath a interrompeu, dizendo: – Não se desespere tão cedo, linda. Veja que seu marido ainda vive. – era verdade: quase imperceptivelmente o peito dele arqueava, na tentativa desesperada de sorver o oxigênio.

– Ele irá sobreviver por mais alguns minutos. – dito isso, ele se aproximou um pouco dela. Sussurrou em seu ouvido: – Ele viverá o tempo suficiente para te ver sendo consumida por mim. – sua língua lambeu o rosto da mulher, que tentou afastar o rosto, mas não conseguiu, pois ele a segurou pelo queixo, e a obrigou a ficar estática. – Chega de enrolações, vamos ao que realmente interessa. – largou a espingarda no chão, e com as duas mãos, arrancou o vestido puído da mulher com apenas um puxão. Um grito de agonia cortou o ar, enquanto o velho palpava-lhe o sexo. Ela tentou se encolher, para fugir daquelas mãos intrusas, que tentavam penetrá-la à força. O velho, no entanto, segurava-a com uma mão fortemente. Com a outra, percorria lhe o corpo desnudo, violando qualquer cavidade dela. Ele estava sedento, e seu olhar estava cego pelo desejo.

Sua sede pelo corpo da mulher o fez sucumbir, e sem mais aguentar ficar apenas nas apalpadelas, abaixou suas próprias calças, virou a mulher de frente para a estaca, e a penetrou por trás, sem pensar muito.

Marianne chorava de dor e raiva, e tentava se desvencilhar das algemas que a mantinha presa. No entanto, à medida que o homem a molestava, sua força diminuía, ate que ela não teve mais forças para lutar ou resistir, e cedeu.

Empalado e quase morto, Almihr observava aquela cena com nojo, pensando em como havia compartilhado da amizade de Abbath por tempo. Aquilo só piorava seu sofrimento, e a dor da estaca, que atravessava seu ânus e saia no centro das costas já não lhe incomodavam, tamanha raiva que lhe tomava o corpo.

Tentou não olhar para cena, mesmo sabendo que era sua mulher que estava sendo vitima. Com o resto das forças que lhe restavam, ele ergueu os olhos para a lua.

No centro do firmamento, a dama-noturna pairava, com o céu limpo e sem estrelas. Era uma noite silenciosa. Almihr falou então, com seus últimos suspiros de vida: – Deusa minha! Dai-me uma ultima chance... – e morreu.

Marianne estava quase inconsciente, e Abbath parecia insaciável. Não viu nem ouviu as últimas palavras de seu marido. Abbath também não percebeu quando Almihr morreu, mas duvida-se que tivesse lhe prestado muita atenção. A loucura lhe cegava e o ensurdecia, motivo pelo qual não ouviu quando alguém se aproximou por trás dele, silencioso e mateiro.

Quando já não restavam mais forças e quando a vida já lhe abandonava o corpo, Marianne se viu livre do velho. Um estampido alto e seco fez com que o velho parasse de se mexer e saísse de perto.

Ela se assustou quando mãos duras e calejadas lhe seguraram firmemente os pulsos. Nesse momento achou que havia mais pessoas para lhe envergonharem, mas qual não foi à surpresa quando essas mãos quebraram os grilhões que a prendiam à estaca.

Depois de solta, ela desabou no chão, quase desacordada e completamente dolorida. O homem que havia soltado ela da estaca se aproximou, e delicadamente a pegou no colo. Já segura nos braços de seu herói, ela tentou focar a visão no rosto do homem, e ficou surpresa: pois era o próprio Almihr que a sustinha em seus braços grossos e vigorosos. Era como uma alucinação, pois ela tinha certeza de tê-lo visto empalado ao seu lado, minutos atrás.

A dor e seu estado de quase insanidade a fizeram desfalecer nos braços do suposto marido. 
Contos 3672855481347180899

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