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Entrevista com Antônio Luiz M.C. Costa

Apresento a vocês Antônio Luiz M.C. Costa o autor de Eclipse ao Por do Sol  e Crônicas de Atlântida ,que realizou uma entrevista falando um...


Apresento a vocês Antônio Luiz M.C. Costa o autor de Eclipse ao Por do Sol  e Crônicas de Atlântida ,que realizou uma entrevista falando um pouco sobre seu primeiro trabalho e uma brecha do que espera os leitores em sua nova narração.Confiram a seguir



1. Primeiramente fale um pouco sobre você e por que decidiu se tornar escritor de fantasia.
Meus principais entretenimentos sempre foram ler e escrever, com um interesse especial em ficção científica e fantasia. E comecei a escrever fantasia em especial, com intenção de publicar, por estar insatisfeito com o que se andava escrevendo em termos de fantasia nacional, a meu ver ainda muito bitolada pelas convenções da literatura de fantasia anglo-saxônica e pouco cuidada em termos de criatividade e uso da linguagem. Quis escrever algo que eu teria prazer de descobrir e ler e que talvez animasse outros a ir nessa direção.

(Confesso que, por ser resenhista, também quis ter algo para mostrar àqueles que acusam os críticos de serem “escritores frustrados” e exigem que mostrem que podem “fazer melhor”. Mas era um desejo fútil, claro. Até porque, se você escreve e publica algo, a reclamação passa a ser de que é “antiético” um escritor criticar os colegas. Paciência...)

2. Seu livro possui várias histórias ao invés de uma narração estendida, houve algum motivo especial para isso?

Acho que contos podem ser leituras tão boas quanto romances. Quem tem uma ideia interessante deve, em princípio, tentar escrever um conto. Se a ideia se desenvolve bem no espaço de um conto, com começo, meio e fim claros, ótimo. Encher linguiça, inventar peripécias que não fazem avançar a trama, contar com mais palavras o que pode ser dito num conto nunca vale a pena – aliás, a meu ver, nunca vale a pena dizer com duas palavras o que poderia ser dito com uma só: a escrita deve ser tão densa quanto possível. Acho que só interessa tentar um romance quando se tem não apenas uma ideia, mas sim um conjunto de personagens e relacionamentos pessoais e sociais cujo desenvolvimento realmente não cabem nesse espaço e pedem um arco narrativo mais longo. Eclipse ao pôr do sol é isso: um conjunto de seis ideias que se desenvolvem satisfatoriamente no espaço de contos, que não pedem um romance.

3. Falar sobre vários tempos e lugares,transmitindo a linguagem de cada época não é trabalho fácil.Como que fez você pra reunir todo esse material ?
Eu gosto de história, mitologia e literatura de diferentes tempos e lugares, de maneira que essas linguagens e esses cenários não me são estranhos. O material foi reunido ao longo de toda uma vida e na hora de escrever, foi preciso apenas conferir detalhes. O único conto que exigiu um trabalho maior de pesquisa foi O Anhanga, por necessitar de informações muito específicas sobre a geografia física, ideológica e social da cidade de Santos do final do século XIX que não faziam parte da minha cultura geral. Esse conto, aliás, foi motivado por duas coisas: a existência de um site muito bom sobre a história de Santos (http://www.novomilenio.inf.br/ ) e uma observação da Martha Argel que notou, no seu livro O Vampiro antes de Drácula, que embora Guy de Maupassant escrevesse que a criatura do seu conto O Horla vinha do Brasil, nenhum brasileiro ainda tinha tentado escrever sobre esse tema. Pois isso me animou a preencher essa lacuna e imaginei que o porto de Santos seria o lugar mais provável para o embarque do Horla, pois o conto de Maupassant diz que ele vinha da província de São Paulo.

4. No Primeiro conto Nascente da Serra ,ocorre uma mistura de literatura clássica com fantasia e conseguiu atrair leitores dos dois tipos de tema .De onde veio essa idéia?
Esse conto foi escrito originalmente para o primeiro número (que ficou sendo o único) de uma revista brasileira de fantasia chamada Kaliopes, cujo nome vinha de Calíope, a musa da poesia épica. Daí a ideia de contar uma história sobre uma musa relacionada à literatura épica em língua portuguesa, da qual, obviamente, o exemplo mais conhecido e importante é Os Lusíadas. E a quarta estrofe da epopeia atribui sua inspiração às Tágides, as ninfas do Tejo, “porque de vossas águas Febo ordene que não tenham inveja às de Hipocrene” (as musas gregas, ligadas à fonte de Hipocrene, na Beócia), bastou-me dar nome, corpo e voz a uma dessas tais Tágides, que viveria na cabeceira do Tejo, na Serra da Estrela – ou melhor, seria essa própria nascente. Pode-se dizer que foi Camões quem me deu a dica para esse conto sobre a fonte, a origem, da literatura de fantasia em língua portuguesa.

5. Houve algum conto que você gostou mais de escrever?

Gostei de escrever todos, mas o que me divertiu mais no processo foi O Cio da Terra, sequência do Nascente na Serra, por todos os jogos de palavras e de sedução entre os personagens que surgiram naturalmente de sua personalidade e da situação, praticamente sem esforço. Foi uma dessas histórias que parecem se escrever sozinhas, como se a própria Pirene de fato viesse me soprar as sugestões ao ouvido.

6. Após o lançamento do livro ,lendo ele novamente você em algum momento pensou que poderia ter escrito de forma diferente alguma das histórias?

Não. O que está feito, está feito. Faço alterações até a última revisão possível antes do livro ir para a gráfica, mas depois não penso mais no assunto. Pode até ser que venha a fazer alguma continuação ou prequela de alguns dos contos, mas isso é outra coisa.

7. Pra finalizar ,o que os leitores podem esperar de seu novo livro Crônicas de Atlântida?

Uma narrativa épica num mundo de alta fantasia minucioso e complexo, como os deO Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien ou A Guerra dos Tronos de G. R. R. Martin, mas que se afasta dos modelos europeus e do tom solene e conservador dessas obras. Meu mundo imaginário se constrói a partir de mitos e costumes da Ásia, África e América indígena e conta uma história com um ethos sensual e progressista, rebelde e um tanto burlesco, sem deixar de por em jogo os destinos de uma grande civilização e personagens que levam suas vidas a sério.

A geografia física e humana da minha Atlântida é baseada em parte em Platão, mas também nos teósofos, que veem o continente perdido como matriz da “quarta raça-raiz” da qual derivariam os principais povos nativos da Ásia, África e Américas. Quem quiser se aprofundar nos detalhes, antes ou depois de ler o livro, pode consultar o site http://www.cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/

Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores?

Que eu espero, sinceramente, que consiga entretê-los e fazê-los pensar.

Vocês podem estar adquirindo ambos os livros pela EditoraDraco
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