rpgvale
1599924783602205
Loading...

Entrevista: Ledd, com J.M. Trevisan

Hiho! Esses dias eu falei com o Trevisan e pedi para que ele respondesse algumas perguntas sobre a sua nova HQ, chamada "Ledd"....



Hiho!

Esses dias eu falei com o Trevisan e pedi para que ele respondesse algumas perguntas sobre a sua nova HQ, chamada "Ledd". O cara, gente fina como sempre, concordou e me enviou as respostas em menos de 2d12 horas! Portanto, ta aí pra vocês uma entrevista exclusiva sobre Ledd, para a RPG Vale.


1. Bom, vamos lá! Pra começar, fala um pouco sobre LEDD pra a galera que ainda não sabe do que se trata.

É uma série em quadrinhos baseada no cenário de Tormenta. A ideia é fazer algo mais longo que as últimas empreitadas quadrinhisticas sediadas em Arton. Surpreendentemente, é também meu primeiro trabalho com HQ em larga escala. Até então eu nunca havia feito uma série, ainda mais com capítulos que ultrapassam as 20 páginas. Ah, sim: Ledd é o nome personagem e não uma sigla. Eu acho. ;)

2. E qual editora vai cuidar da HQ?

A gente vem trabalhando com a Jambô desde que saímos da antiga editora, então nada mais natural do que continuar essa parceria de sucesso. Existe pelo menos uma ideia editorial bem ousada por trás de Ledd e a Jambô se mostrou muito receptiva, mesmo considerando que há sempre um risco quando se resolve investir em coisas do tipo. Mas a confiança é grande.

3. Quanto aos personagens/história, tem alguma coisa que você pode adiantar pra gente?

Além de Ledd, temos inicialmente um personagem chamado Ripp. Os dois se encontram no primeiro episódio em condições, digamos, adversas. De início a ideia é apresentar novos personagens, tentar mostrar lugares citados nos livros ou matérias e pouco explorados. Vai ser inevitável o encontro com algum figurão mais clássico ou lugar mais conhecido, mas eu gostaria mesmo de focar em elementos do cenário que ainda não tiveram seus 15 minutos de fama. A Fortaleza Hardof, que aparece no primeiro episódio, é um bom exemplo.

É minha tentativa não de “fazer mangá”, mas de lidar com elementos muito mais presentes nos mangás do que nos comics. Não tenho a pretensão de revolucionar nada. É uma caixa de ferramentas que eu nunca usei, e quero ver o que sai disso.

4. Eu dei uma olhada nos traços da HQ disponíveis no facebook e tá ficando realmente MUITO legal. Aonde você conheceu o desenhista e como foi esse contato com ele?

Como muita gente, o Lobo Borges (que é de Recife) me procurou no Twitter perguntando se tinha como eu passar o contato do pessoal da Dragon Slayer porque ele estava fazendo por conta própria uma adaptação em quadrinhos da clássica aventura “O Disco dos Três”. Coloquei ele para falar com o Leonel Caldela, mas fucei seu portifólio online e vi que o rapaz mandava bem. Por uma coincidência, na época (entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011) eu estava numa fase mais mangá/anime, jogando Valkyria Chronicles no PS3 e assistindo Full Metal Alchemist: Brotherhood. E aí fiquei pensando como seria se eu me arriscasse a fazer um quadrinho que usasse esse tipo de elemento. Revirei meus arquivos,  achei minhas anotações sobre Ledd (datadas de cerca de 10 anos atrás) e vi que podia dar samba. Entrei em contato com ele e as coisas evoluíram bem rápido.

5. A pergunta que todo mundo faz... Qual é a previsão pra galera ver a HQ rodando por aí?

Em algum ponto do primeiro semestre de 2011. Não deve demorar, para ser sincero. Meus roteiros já estão adiantados em alguns meses e a gente quer dar uma margem de folga no produto final também. É sempre bom dar alguns meses de vantagem para o desenhista. Evita atrasos e uma porção de stress.

6. Existem infinitas conversas pela internet afora com pessoas defendendo/atacando o mercado de HQ’s nacionais. Como autor (e consumidor), como você vê esse mercado? Há espaço para autores novos ou é um mercado de nicho, aonde você deve conhecer gente “de dentro” antes de sonhar em publicar algo?

É difícil definir o que é o mercado nacional de HQs. Há gente fazendo de tudo que é jeito. O que eu acho é que está cada vez mais difícil, arriscado e contraproducente jogar uma obra inédita em bancas com periodicidade mensal. É arriscado, muita grana investida e seu produto corre o risco quase certo de ficar soterrado em meio a dezenas de outras publicações. O grande caminho hoje em dia é ir para as livrarias. As grandes redes aprenderam a respeitar o quadrinho, seja nacional ou importado, e boa parte delas tem setores grandes dedicados a ele.

Ter contatos na área em que se quer atuar é sempre útil e sempre muito importante, mas no fim das contas o que te garante uma vaga é seu trabalho, sua capacidade. E não adianta só ser bom. Tem que correr atrás, ter a cabeça no lugar, saber lidar com ordens e críticas, cumprir prazos. Para mim, como editor, não interessa trabalhar com um cara mala que não ouve o que eu digo, por mais talentoso que ele seja.

O público brasieliro é sempre implacável quando se trata de quadrinho nacional, mas é muito mais receptivo hoje em dia do que era quando eu era moleque. O material de qualidade sempre acaba achando seu espaço, mas os trolls vão sempre existir. O negócio é trabalhar e saber filtrar as críticas.

7. Você pode contar pra gente como é o processo de desenvolvimento do roteiro de uma HQ? Como você prepara o texto, revisa e passa pro desenhista? Ele também dá opinião?

Não existe exatamente uma receita, já que o processo varia de roteirista para roteirista e depende do desenhista também. No caso de Ledd, a primeira coisa que fiz foi convocar meu amigo e um dos meus grandes mentores nos quadrinhos, Marcelo Cassaro, para tentar fechar o plot principal. Quando se escreve uma série, a tendência é as ideias mudarem o tempo todo, mas precisa existir um fio central e o Cap me ajudou bastante nisso. O resto dos “Trios” também contribuiu, lendo o material e dando alguns palpites.

Feito isso, o roteiro é escrito e passado para o desenhista. Ele esboça as páginas como um rascunho mesmo, e manda de volta para mim para aprovação. Indico as alterações e ele faz a versão final. Com o lápis em mãos, faço o letreiramento e a aplicação de onomatopeias no Photoshop e esse material vai para o Guilherme, nosso editor, para uma nova aprovação. Isso feito, o Lobo faz a arte-final das páginas, devolve para mim, dou um ajuste final no letreiramento e envio o arquivo para a editora.

Como é o início do projeto, também tivemos que gastar um bom tempo fazendo estudos de personagem, material de divulgação, escolha do logo e outros aspecitos visuais.

O Lobo é um cara muito criativo e tem ajudado bastante. A última palavra em geral é minha, mas ele tem liberdade para opinar em tudo sem problema algum, e isso faz muita diferença. Acho ruim quando o roteirista assume uma posição 100% autoritária, transformando o desenhista quase num empregado que só faz o que ele manda. O quadrinho é uma arte em parceria.

8. E pra finalizar... deixa aí o seu conselho para os fãs que sonham em, algum dia, trabalhar com HQ’s!

Trabalhem para cacete. Sem esforço nada acontece.

____


Minha opinião? Eu acho muito bom ter mais um autor nacional entrando no mercado de HQ's. E vocês também tem que gostar disso, sejam fãs de Tormenta ou não! É sério!

A presença de mais um autor nacional nesse mercado mostra que o Brasil está crescendo e (lentamente) expandindo o seu mercado nerd, o que é bom pra todos nós. Hoje é uma HQ de Tormenta, amanhã pode ser alguma outra HQ genérica feita por qualquer um de nós! E não, não to dizendo que o Trevisan é pioneiro no assunto, antes que taquem pedra. Mas convenhamos que não é qualquer um que produz uma HQ brasileira hoje em dia, certo? E seja ela qual for, é mais um ponto a favor de nós, o nerds de plantão. Yay!

E pra finalizar, fica aqui o meus parabéns pro J.M. Trevisan (e obrigado novamente pela entrevista!) e,é claro, pro Lobo Borges, que é um desenhista muito bom pelo que já vimos até agora de Ledd. E mais fotos sobre Ledd podem ser vistas na página oficial no Facebook, clicando aqui.

Espero que tenham curtido e até a próxima!

Cheers!
quadrinhos 6521417345760613455

Postar um comentário

Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos