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Canções da Meia-Noite#14 O Arauto de uma nova vida

Olá a todos vocês e seja bem-vindos a mais uma Canções da Meia-Noite.Hoje vocês irão prestigiar outro trabalho de um jovem escritor ,dessa ...


Olá a todos vocês e seja bem-vindos a mais uma Canções da Meia-Noite.Hoje vocês irão prestigiar outro trabalho de um jovem escritor ,dessa vez é Igor "Ordem no Caos" Santos(@OrdemnoCaos) que nos traz uma aventura épica cheia de ação com o titulo O Arauto de uma Nova Vida  ,a história mostrara até aonde a força de um guerreiro pode chegar ,pra quem gosta de jogar com Paladinos aqui está uma ótima referencia de força de vontade,confiram a seguir.


O Arauto de uma Nova Vida

O belo cavalo atiçava a grama alta enquanto caminhava. Seus pelos alvos eram tão brilhantes que ajudavam o luar tímido a iluminar, ainda que sutil, a densa madrugada de trevas. Sua crina longa e bem cuidada eriçava denunciando a brisa leve. A elegância dos seus passos ignorava o peso da armadura do cavaleiro em seu dorso. Não era guiado por ele. Trotava livre, embora fiel, através da extensa planície rumo ao horizonte longínquo oculto pela noite fria.

O cavaleiro estava morrendo. A dor de inúmeros ferimentos não incomodava mais. De tão familiar, se tornava parte do peso da armadura que há tempos aprendera a suportar como se fizesse parte de seu corpo. Mal tinha forças para segurar as rédeas, embora não precisasse fazê-lo. Seu companheiro de anos sabia exatamente para onde o levar. Era seu cúmplice. Seu confidente. Seu melhor amigo... Ele, a armadura, a dor e o cavalo. Uma coisa só.

Mesmo subjugado pelo cansaço que o exauria e pelo flagelo que lhe queimava o corpo e o espírito, o cavaleiro mantinha a altivez de um grande líder. E de fato o era. E a liderança lhe era tão profunda que exalava fluida em detrimento de seu corpo castigado.

Yurick Manfrotz era o sexto representante da família que há séculos era responsável por manter a segurança do Governador. Era uma família forjada para a guerra e ele era o mais jovem dentre os seus a assumir o destino que lhe foi entregue após a morte de seu pai, executado diante de seus olhos. Porém, foi além de seus antecessores quando aos 23 anos foi intitulado General do Exército de seu país. Um dos mais fortes do continente.

O destino o levara ao território de seus inimigos. Não como o líder de um exército, mas como parte de um grupo de aventureiros cuja missão, de tão complexa, demandava sacrifícios. E exatamente por isso encontrava-se na calamidade. A força dos golpes implacáveis de seu algoz era latente. Os cortes se abriam um pouco mais a cada espasmo. A capa, outrora imponente, não passava de um cobertor surrado e ensangüentando a proteger-lhe do frio noturno e esconder as inúmeras rachaduras de sua armadura, cujo prateado reluzente havia dado lugar ao rubro do sangue e ao negro da terra. Os longos fios loiros de seu cabelo se misturavam ao suor, sujeira e sangue de seu rosto, formando crostas disformes, cobrindo o penetrante par de olhos azuis que insistiam em almejar o horizonte numa constante luta contra as pálpebras que cambaleavam. E Khilic trotava em direção ao lugar onde, se a sorte tivesse ao seu lado, encontraria seus companheiros para mais batalhas mortais.

Yurick não podia saber que a sua própria batalha ainda não terminara.

Irloan Nosphero por vezes cerrara seu punho permitindo que a manopla de sua pesada armadura verberasse um atrito intimidador cortando o silêncio da noite e tomando de angustias os corações dos homens ao seu redor. Seus olhos negros refletiam um sentimento de impaciência e excitação. Seu líder havia deixado o grupo a algumas horas em busca da glória de derrotar sozinho o general que havia tido a audácia de invadir seu território.

Demorava demais. Nosphero sabia que a derrota de seu líder não era algo impossível e liderar a Irmandade não lhe parecia uma idéia ruim. Ainda mais se fosse ele, e não seu líder, o detentor da glória de derrotar em combate o general Manfrotz. O guerreiro sorria enquanto se erguia repentino para a surpresa dos homens. Deu a ordem para que também o fizessem. Degolara um e amputara outro que se recusaram a cumprir a ordem que era simples: achar e matar Manfrotz. Aceitar que a partir daquele momento ele, Irloan Nosphero, era o novo 3º comandante da Irmandade Negra. Cavalgaram.

Khilic diminuiu seu ritmo. O atrito dos metais que compunham a armadura de Yurick cessara de ranger por conta dos passos vagarosos do cavalo. Pôde-se ouvir a melodia do vento. Um pequeno pedaço de grama alojou-se no corte profundo que adornava o braço direito do cavaleiro auxiliado pelo sangue que ainda esvaia, agora com menos intensidade.

– Sinto cheiro de sangue e metal. Ainda não acabou, meu amigo – sussurrou no ouvido cavalo e teve um relincho soturno como resposta.
Não muito tempo depois, a luz da lua cheia venceu por um momento as intensas nuvens negras que a cobriam e desenhou silhuetas de cavaleiros encouraçados por pesadas armaduras. As montarias castigavam a terra úmida numa cavalgada vertiginosa, cujo som só era abafado pelo urro infernal que reverberava em uníssono de suas gargantas.

No céu, a luz do luar e a tempestade vindoura travavam sua própria batalha pelo domínio da noite. Yurick mirava o horizonte e enxergava aquela cavalgada sinistra num espetáculo de luz e sombra. Um...dois...três...dez...vinte... Por um momento o general quis acreditar que a quantidade de cavaleiros inimigos em sua direção fosse uma alucinação gerada por seus ferimentos e exaustão, mas não era.

Ergueu-se vagaroso e levou a mão à espada num ato de dor extrema. Já havia tirado completamente da bainha quando queimou mais um tanto de vida para segurar mais firme as rédeas. O urro dos inimigos já podia ser ouvido claramente mesmo com os seus sentidos enevoados pelo fantasma da morte que o rodeava. A tempestade atacou o luar com um raio que atingiu a planície revelando por um momento o homem que liderava seus inimigos. Sua lança já estava em riste. Havia chegado a hora...

Cavalguem! Mais rápido!!­ – Gritava Nosphero. Sua voz era perturbadora por melodiosa. Era como um cântico entoado por anjos caídos. 


As esporas castigavam os flancos de sua montaria. Ela, por sua vez, parecia não sentir a dor dos ferimentos que já lhe rasgavam a pele e denunciavam a carne vermelha. Muitos diriam que aquele cavalo não era real. Seus pelos de ébano de tão rígidos rasgariam os que o montasse sem sela. Sua musculatura era notável, desenhada em protuberâncias perturbadoras. Inúmeras cicatrizes decoravam seu corpo. Seu olhar fixo dispensava arreios. Dêmoi era seu nome e ele sempre olhava para frente, para o próximo inimigo. Nosphero se orgulhava disso. Gotas de chuva penetravam sua couraça negra. Não se importava. Olhava firme. Obstinado. Sempre para frente. Julgava estar perto.

Um forte raio caiu entre o grupo de cavaleiros, fulminando dois deles. Outros tantos decidiram fugir com medo da tempestade vindoura ou talvez do que o raio revelara logo adiante. Nosphero não acreditava no que via. Diante de si estava o general, sua vítima, o homem que subjugara exércitos e, dizia-se, despertara ódio de inúmeros tiranos. As pessoas sempre exageravam. Manfrotz era um mortal. Estava ferido. Seria subjugado.

O algoz encaixou a sua poderosa lança na haste da cela de seu cavalo. Dêmoi parecia sorrir quando sentiu o peso da arma. Ambos felizes diante da carnificina.

Ataquem! Não temam! Ele é apenas um e está ferido!! Não tenham misericórdia!!! – Yurick fechou os olhos quando ouviu o brado de seu inimigo.

Nosphero havia incitado seus homens, mas queria acreditar que ele mesmo estivesse errado. O algoz queria avaliar a fama do general. Saber se ele era mesmo merecedor dela. Queria um adversário de valor e não os restos mortais de alguém que já havia sido derrotado. Puxou firme a rédea a fim de fazer parar sua montaria. O relincho de Dêmoi poderia intimidar assombrações. Sentiram o vento e saborearam o som da cavalgada enquanto os cavaleiros investiam contra o inimigo solitário.

A cavalgada homicida investia contra o general. Mais de trinta homens, trajados em armaduras que variavam do negro ao chumbo, empunhado armas dos mais diversos níveis de crueldade. Yurick se preparou. Não empinou sua montaria aos modos dos grandes líderes de exércitos; ao contrário, a guiou tranquilo até que se voltasse totalmente para o inimigo. Não bradou; ao contrário, colocou a sua espada diante de seus olhos. Não investiu; ao contrário, permaneceu impassível. Apenas esperando. Um punhado de soldados hesitou diante do gesto.

Nosphero regozijava sob o elmo de chifres de bode. Dêmoi bufava impaciente. A essa altura a chuva já castigava a terra. Um raio rasgou o céu no momento que Yurick desviou a primeira lança. O movimento lhe era tão natural que mal percebeu que sua espada já havia evitado a investida como se tivesse vontade própria. O primeiro inimigo tendia ao solo molhado quando não conseguiu evitar a segunda investida. A lança penetrou fundo o flanco de Khilic uma fração de segundo antes de seus poderosos cascos atingirem o peito do segundo cavaleiro. Realmente começara. Um piscar de olhos e dezenas de cavaleiros já os circulava. Yurick já havia desviado de alguns golpes e saboreado a dor de outros quando em seu íntimo sentiu que o sacrifício para que seus amigos conseguissem penetrar seguros no castelo do Rei estava próximo de ser consumado.

O ferimento ardia como fogo, mas Khilic resistia bravamente como se prezasse por uma postura nobre diante da morte certa. Sentiu na ferida aberta a mão condolente de seu amigo inseparável. Palavras incompreensíveis foram proferidas por Yurick e as fibras dos músculos dilacerados do cavalo se uniam como por milagre; logo depois foi a carne e a pele.

- É a hora da última luta, velho amigo. É a hora da nossa morte. Vamos fazer com que seja nobre, gloriosa. Vamos orgulhar nossos antepassados lutando enquanto tivermos ar nos pulmões! -
Novamente não foi um brado, mas um sussurro. O empinar garboso e obstinado de Khilic foi a vanguarda de uma reação improvável. Nosphero segurou mais firme a lança. Yurick Manfrotz havia sido aprovado em seu teste. Seria a maior de suas presas.

Antes, em um lugar longe dali, inúmeras velas crepitavam em um quarto pouco iluminado. O aposento era grande. Os quadros nas paredes. O tapete no chão. A cama e a mobília de madeira nobre. Tudo fazia daquele lugar, algo digno de reis. Aquecido pelas chamas e iluminado apenas pela luz de velas.

Yurick estava na cama. Tinha um cálice de prata em sua mão. Tomou um gole e a manga de sua blusa deslizou por seu braço revelando um sem número de cicatrizes. A pureza do linho de sua blusa denunciava sua nobreza, enquanto o seu torso bem torneado à mostra garantia-lhe um ar de despojo. O azul dos seus olhos refletia a luz tímida do ambiente enquanto brilhavam apontando em uma única direção.

A mulher havia entrado no quarto há pouco. Seu longo vestido de seda hipnotizava o olhar do general. As velas contra o vestido revelavam o contorno de seu belo corpo jovem. Estava descalça. Uma delicada jóia adornava-lhe tornozelo, dançando leve a cada passo. Passos lentos em direção a cama. O andar de Morgannah era tão leve, tão silencioso, que se comparava ao de uma lince à espreita. Seus olhos também não dispensavam o jeito felino. Selvagem. Um sorriso malicioso nasceu em seus lábios quando tomou para si o cálice e o levou a boca. A ponta de uma adaga de ouro pressionou leve o peito de Yurick como se saída de lugar nenhum quando tentou abraçá-la. A língua furtiva sorveu gotas de vinho de seus lábios enquanto seus olhos penetravam os olhos general.

A adaga deixou o pequeno ponto vermelho no peito e deslizou pelo abdômen num passeio leve, distraído. O metal frio, a dor leve da lâmina e a excitação do momento causavam arrepio. Morgannah encarava-o com um olhar matreiro, misto de malícia e inocência. Súbito, um suspiro. O passeio da lâmina interrompido por um movimento brusco. O pulso levemente torcido. A seda do vestido negro deslizando pela pele alva até deixar parte de um dos seios à mostra. Uma mordida leve no lábio inferior e o olhar provocador foram um desafio irresistível. Um beijo intenso e duradouro, intercalado por gemidos contidos. O cálice caiu e derramou o líquido vermelho no tapete quando as mãos se uniram. Tenderam aos lençóis.

A sincronia da cópula gerava uma sensação ilusória de dois corpos sendo um só. Talvez o fossem. Suas mãos buscavam o alívio de um prazer que beirava a dor no corpo do outro. Quando as pontas dos dedos não aliviavam, eram as unhas que o fazia. Quando não as unhas, os dentes, os lábios, o próprio corpo, em uma dança de sedução infinita. Os gemidos já se tornando sofreguidão. Os movimentos dos quadris involuntários. E assim permaneceram enquanto o tempo distorcia-se ao redor como se quisesse tomar parte daquela dança.

Yurick experimentou como nunca à intensidade do prazer que o dominava. Corpo. Mente. Espírito. Entregue plenamente ao êxtase daquele momento, o general envolveu sua amada nos braços fortes contra o peito nu, mordeu-lhe o pescoço em um último ato falho de resistência. A explosão deixou o seu íntimo em um turbilhão de emoções desconexas que traziam consigo uma única certeza. E ofegante, o general de muitas vitórias, frágil como uma criança, sussurrou tímido, entregue, indefeso no ouvido de sua amada – Eu amo você, Morgannah...

Eu amo você, Morgannah. E o golpe de uma maça sanguinolenta foi desviado. Um cavaleiro foi ao chão ouvindo o estilhaçar de sua clavícula. Eu amo você, Morgannah. E a espada de Yurick penetrou fundo no ombro de outro que viu a sua própria arma caindo antes de perder o equilíbrio e também tender ao chão. Eu amo você, Morgannah!!! E inúmeros cavaleiros caiam derrotados de suas montarias sem entender o que fazia com que aquele homem que até poucos minutos atrás apenas esperava a morte se tornasse um gigante em uma batalha impossível de ser vencida. 

A batalha tornou-se um caos de cavalos pisoteando cavaleiros caídos e derrubando seus próprios cavaleiros. Um caos de homens tentando fugir de uma batalha até então ganha, mas que agora parecia perdida.

Nosphero assistia a batalha como em câmera lenta enquanto ele mesmo investia implacável em direção ignorando o chão pavimentado de soldados derrotados. Ele havia visto. O empinar do cavalo branco. A investida de seus homens. Os inúmeros golpes que já teriam feito qualquer homem se render. O sangue escorrendo. A armadura trincando. A capa rasgando... E havia visto também. Os golpes impossíveis de serem evitados os sendo. Os ataques impossíveis de serem aplicados ignorando as armaduras de seus comandados. E pior. O general Manfrotz não matava! Braços cortados, pernas quebradas, ombros dilacerados...Mas nenhuma morte!

Nosphero segurou firme sua lança e cerrou os dentes sob o elmo medonho. A espada de Yurick havia se prendido entre as placas da armadura de um dos cavaleiros. ­É a minha chance – pensou, enquanto acelerou ainda mais a cavalgada atingindo a musculatura de Dêmoi com as esporas, arrancando um bufo sorridente de sua montaria guerreira. Já eram um borrão.

A combinação de cavalo e montaria parecia uma escultura saída do inferno, feita de aço, couro, carne e ossos. Tudo negro, como se moldado pelo que a noite tem de pior. Diante da investida e com a espada presa, Yurick sentiu um engasgo. O gosto azedo do inevitável tomou sua língua e o tempo parou e a realidade foi distorcida. Os corpos no chão se transformaram no sorriso de seu jovem filho, Bennet. Os cavalos e homens agonizando eram o sofrimento de sua irmã, Lena, que não conseguiria salvar. A grama sanguinolenta era a cavalgada ao lado de seus companheiros. O vento em seu rosto eram os abraços na despedida. Sua vida escorrendo era a luz do sorriso de Morgannah quando se amaram pela primeira vez.

A chuva que caía purificava sua alma de todo o sangue ali derramado. A terra saltando a cada galope daquele cavalo de ébano. Fechou os olhos quando sentiu a ponta da lança de seu inimigo, indecifrável pela armadura monstruosa, quebrar o metal sagrado de sua armadura. Tudo parecia consumado...

- ACABOU, MANFROTZ!!!! – berrou Nosphero uma fração de segundo antes de cravar sua lança profunda no corpo de Yurick.

Em suas mãos o peso do golpe. A lança quebrando a armadura, rasgando a pele e dilacerando a carne. Continuou cavalgando pesado para derrubá-lo de sua montaria certamente morto diante da violência do golpe. Satisfação sob o elmo de bode demoníaco. Tudo havia acabado com sua vitória.

Exceto pelo de que não havia. A luz tímida da lua entre as nuvens tempestuosas era o arauto de que não podia haver desistência. “O destino anda de mãos dadas com o sofrimento. Mas não há o que temer, pois não importa a profundidade das trevas, sempre poderá haver luz...”
O que resta quando o corpo é arrasado?

Eu amo você, Morgannah! – a certeza que não parara de ecoar no seu inconsciente desde o início daquela batalha mortal rompeu suas cordas vocais e tomou a noite em um urro assustador. O sangue que escorreu em sua garganta era a prova viva de que nada lhe era impossível. Sua espada deixou a perna do cavaleiro e projetou-se contra o algoz ignorando a dor da lança que destruía suas fibras enquanto retorcidas pela força do seu próprio ataque. A lâmina era envolvida por uma aura brilhante, quente. Um sol a iluminar a treva noturna. O membro que mantinha a lança em riste trazendo morte foi ao chão um momento antes de Nosphero ter o mesmo destino. De onde Manfrotz tirava forças para lutar daquela maneira? A dor e o horror de sangue grosso que esvaia do local onde até segundos atrás estava o seu braço direito o fez desistir de tentar entender o que era impossível.

Yurick extraiu do ombro a lança embebida de sangue. Olhou ao redor. Não havia acabado da maneira como previa. Ele estava vivo. Vencer aquela batalha era como se erguer dos mortos. Soltou a lança sorrindo. Ela havia feito ambos.

- Acabe com isso Manfrotz. Quero ir para o inferno com a honra de ter sido derrotado por um homem como você – Nosphero rosnou tentando resistir à dor da amputação.

- Como se chama, Cavaleiro? – perguntou Yurick, condolente, olhando o homem derrotado de cima de seu cavalo. 

- Irloan Nosphero, 3º comandante da Irmandade Negra - Nosphero se esforçava para manter o porte orgulhoso.

Yurick desmontou, e tocou o dorso de Khilic como que toca o ombro de um camarada depois da batalha vencida. Caminhou com dificuldade até o inimigo. De pé diante dele, sorriu: 

- Eu não farei o que pede, Irloan Nosphero – disse, Yurick enquanto tocava o braço ferido sob protestos do derrotado. – Isso irá parar o sangramento – enquanto despejava o pouco da dádiva da cura que lhe restava. – De hoje em diante você irá viver para expiar os pecados que cometeu em nome de seus líderes e de si mesmo – disse com autoridade – Fará isso porque teve uma dádiva que poucos homens têm. Uma segunda chance. Como eu tive. Não a desperdice sendo um emissário da morte. Seja, em verdade, o arauto de uma nova vida.

O Arauto do Recomeço – Fim

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