Músicas em harmonia com o RPG

Muitos são os trunfos de mestres para envolver seus jogadores. Há quem goste de produzir um bom background para suas campanhas e goste de narrar todos os detalhes importantes do seu mundo, o que inclui produção de mapas (até maquetes 3d) e desenhos dos símbolos existentes na aventura.



Dentre esses mecanismos que desenvolvemos para dar mais poder a nossa imersão a música se mostra uma das mais eficazes. Quando ouvimos alguma canção ou melodia, nosso cérebro tende a procurar referências iconográficas para dar suporte a imaginação, é aí que tudo acontece.

Uma sequência de músicas bem escolhidas podem agregar emoções aos acontecimentos, isso se mostra presente em filmes como "O Exorcista", aonde foram gravados sons de animais como porcos sendo mortos, que eram misturados a voz da garota possuída. Um estudo presente no livro "Propaganda Subliminar Multimídia" , utilizou o filme "Tubarão" para verificar os pontos que mais causavam medo nas pessoas e verificou-se que a música tema do filme era o ponto alto da sua imersão - o que é, inclusive, dispensável falar por conta da fama que ela atingiu.

O interessante é que a música é um movimento artístico e que surge das necessidades da alma das pessoas, assim como toda arte. Essa expressão é sempre baseada nas referências que temos ao longo de nossa vida e quando o RPG se encaixa em uma delas acontece naturalmente de produzirmos músicas com esse gênero, assim como a banda Blind Guardiam.

Hoje em dia é até fácil fazer uma boa seleção de músicas para nossas aventuras, principalmente se nos basearmos em filmes como "O Gladiador", "Coração Valente", "As Cruzadas" e "O Senhor dos anéis" (isso em aventuras medievais). Suas trilhas sonoras são sempre bem produzidas e podem ser utilizadas nos jogos, o que vai fazer a diferença mesmo é ter sensibilidade para saber qual música pode se adequar ao roteiro que você escreveu. Nós temos a capacidade de sentir a idéia da música sem precisar dos outros sentidos e esse fator é outro ponto forte para imersão dos players, mas também significa que a música errada pode causar sensações diferentes da que você escolheu.
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About Ale Santos

Storyteller, escritor de SCIFI,  Dark Fantasy e Designer de Narrativas para Board Games.  Um dos autores da Storytellers Brand'nFiction.  Editor do premiado blog RPG Vale, conhecido como @O_RPGista 
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3 disqus:

  1. Eu utilizo muitas trilhas sonoras de filmes épicos, como Blind Guardia e Rhapsody. Agora, consegui a pouco a trilha sonora do jogo World of Warcraft, e creio que seja muito boa para um som ambiente.

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  2. Hoje em dia não mestro sem trilha sonora. Pra mim ela é tão essencial ao jogo como dados e fichas. As vezes mais.

    Mas acredito qeu a trilha deve ser algo feito com bastante cuidado. Já vi mestres colocarem algum cd que tinha algo a ver com a campanha e o deixarem rolando de fundo. E, a não ser que a aventura seja reta do começo ao fim, isto não só não ajuda, como atrapalha. Cria ruído e entra em choque com cenas narrativas. Quando a música é conhecida dos jogadores isso pode até tirar o foco em algumas horas.

    Apesar deste risco, uma trilha sonora muda o jogo completamente. A questão é COMO selecioná-las.

    Pra usar trilha sonora, costumo dividir as músicas em dois tipos: 1. músicas retas; 2 músicas com variações. As músicas retas, tento categorizar pelas sensações que elas passam (música de festa, alegre, triste, de momentos melancólicos, de conversas reveladoras, música de viagem, música de batalha). Aí, nestas retas normalmente escolho algumas em determinadas cenas e deixo elas tocando sem muitas preocupações, com repeat ou coisa assim. Por ela passar a mesma sensação a música inteira, dá pra tocar o pau sem elas influenciarem na narrativa ou no jogo. Mas já em música com variações, que é o caso por exemplo da Suíte do "A Profecia", vc precisa ficar atento com a música e é meio que ela que vai orientar a sua narração. É legal usar para descrições bombásticas ou cenas específicas. Teve uma época que eu bolava histórias a partir de determinadas cenas que vinham na minha cabeça ao ouvir certas músicas: quando a narrativa casa com essas variações, a coisa fica louca!

    Pra me organizar, costumo fazer uma lista das músicas do cd, mas não com o nome delas, com o que eu acho que elas tem cara ("múisca de vilarejo", "música de guerra", "musica de guerra 2", "música com variação legal para momentos bombásticos 3",....). Isso ajuda MUITO. Principalmente quando as coisas saem do controle.

    Quanto a ter letra ou não, sinto que isso acaba sendo indiferente. Se a música tá casando com a cena, ela fica no fundo. Só é bom evitar músicas bem marcantes, como Born to be Wild, pq as pessoas vão ter aquela sensação de querer cantar junto. As vezes isso é legal e pode ser util pra dar mais emoção a uma cena(Born to be Wild em uma cena de corrida de moto, por exemplo).

    A questão de estilos de jogo e música, acho que dá pra variar bastante tb. Dependendo da pegada das cenas e da história, tem músicas que transcendem estilos de jogo. Por exemplo, a "Fithos Lusec" do Final Fantasy e a "Duel of Fates" do Star Wars episódio I, dá pra usar em cenas que sejam tensas de grandes movimentos e adrenalinas independente do sistema ou da época do jogo (eu mesmo sempre uso elas - já usei em Storyteller, Cyberpunk e D&D). Da mesma forma, é possível buscar trilhas sonoras em lugares que podem parecer ser nada a ver: Pra uma história de D&D com clima meio africano que tava mestrando, tava usando como trilha sonora Andy McKee, Salif Keita, Almir Sater, Quinteto Armorial e Milton Nascimento. Por mais que pareça estranho, elas tinham muito a ver com o clima que queria passar, e acabaram funcionando muito bem. Enfim, o principal é pensar no clima que vc quer passar e aí buscar música que a ele se adequem, por mais bizarro que seja os lugares que vc as encontrem.

    Mal me alongar tanto no comentário. É que tinha escrito este texto pra orientar um amigo meu e achei que podia ajudar colocando-o aqui.

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  3. Nico, obrigado pelo seu comentário, realmente de grande valor. Concordo com a forma que você categoriza as músicas. :)

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