rpgvale
1599924783602205
Loading...

Lágrimas da Diferença

A jovem mulher de cabelos loiros se mantinha equilibrada com o pé direito sobre a cadeira e o esquerdo apoiado na mesa. As mãos, abertas e ...

A jovem mulher de cabelos loiros se mantinha equilibrada com o pé direito sobre a cadeira e o esquerdo
apoiado na mesa. As mãos, abertas e bem afastadas do corpo, indicavam o tamanho exagerado de algo. Nesse
caso, do dente de um dragão que jurava ter enfrentado há menos de uma semana, em batalha mortal. Era
conhecida como Loriane, a valente, uma trovadora iniciante, mas de grande carisma. A platéia já não
consumia nada, estando demasiadamente atentos na sua história, fato esse que enfurecia o dono da estalagem.
Loriane preparou-se para dar uma cambalhota em cima da mesa, ao mesmo tempo em que sacaria a espada
para mostrar como atingira o olho do dragão, quando ouviu gritarem:
- Elfo das Trevas!!!
Os homens se voltaram para o taverneiro que, afastado da multidão, segurava o capuz preso ao
pescoço de um homem negro e orelhas de elfo. Esse, por sua vez, permaneceu sentado, o olhar fixo em sua
caneca, como se planejasse algo. Sua preocupação, no entanto, era perceptível. Loriane sentiu um imenso
calafrio, levou a mão à testa para enxugar o suor e começou a avaliar a situação: Os homens da taverna
começaram a cercar o intruso e não havia uma saída livre sequer. Amaldiçoou o ódio que os homens tinham
das criaturas “tocadas” pelas sombras, não que tal rancor fosse infundado, mas seu companheiro tinha um
coração bom.

Por fim decidiu-se, pegou o caneco de cerveja em cima da mesa, tomou-o de um único gole e,
batendo palmas, atraiu a atenção da maioria. Escolheu as palavras com cuidado, para conseguir um bom
gancho para contar uma história e livrar a pele de seu amigo e guarda costas. Começou:
- Pelas barbas do meu pai caolho, um elfo das trevas é três vezes maior, mal se enxerga os olhos e,
obviamente, não toma cerveja de má qualidade...
Houve silêncio. O taverneiro enrubesceu, encarando-a raivoso.
- Criatura das Sombras! – Outro gritou reacendeu o alvoroço.
Loriane ergueu a voz.
- Vejo à minha frente um... um Canecu. Uma raça de elfos de pele escura que nada tem a ver com o
Plano das Sombras. Esses últimos, todos sabem, são criaturas condenadas à escuridão. Não saem à noite
para beber em tavernas baratas. De fato, muito se parece e seria facilmente confundido com um elfo das
trevas, mas não me engano. As sombrias criaturas que vocês mencionam, inclusive, emanam um leve cheiro
de terra revolvida, após a chuva, daqui, sinto apenas o odor desagradável do velho Orun. Senhores, os
Canecu, que por diversas vezes já foram confundidos com esses seres malignos, vivem bem ao norte, na parte
que vocês não conhecem. Um povo pacífico, cultivadores de uvas e rosas. Vocês não imaginam o bom vinho
que eles fazem.
A voz de um dos homens fora da taverna chamando pelos guardas quase a fez perder as esperanças.
Sua mente permaneceu em branco e nada lhe ocorria para sair daquela situação. Seu amigo estava desarmado
e seria morto se nada fosse feito, se ao menos acreditassem na mentira sobre os Canecu. O taverneiro
finalmente se decidiu e gritou:
- Nunca ouvi falar desse povo do norte, mocinha! Esse é um ser maldito que infesta nosso mundo e
espalha o mal por onde passa.
Ela retrucou, quase sem idéias, a boca seca e as pernas bambas:
- Entendo que olhos destreinados não consigam ver a diferença, pois eles realmente se parecem,
tirando a altura, claro. Pois bem, falemos de elfos das trevas, meu caro amigo, você os odeia porque
espalham o mal, ou seja, um filho dessas criaturas, simplesmente por ser o que é, é maligno e deve morrer. A
parte de sua vida antes de ser tocado pelas sombras e sua chance de lutar contra a maldade, seu livrearbítrio,
deixamos de lado. Correto? Assim como os nojentos Orcs e os gigantescos Trolls, é só mais uma
criatura, Certo?
O taverneiro levou a mão à barba grisalha, depois a descansou na protuberante barriga para,
finalmente, afirmar:
- Sim... sim... Todas essas criaturas que você mencionou são malignas, dessas os piores são os Orcs.
Leia o final deste conto de Leandro Reis "Radrack" no link
Rpg 6364092466865145519

Postar um comentário

Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos