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A Gruta de Enoa

         Quando Grinmelken foi criada, Doah, o deus único, a presenteou com uma alma, a primeira centelha de consciência, e Ele chamou-a de...

         Quando Grinmelken foi criada, Doah, o deus único, a presenteou com uma alma,
a primeira centelha de consciência, e Ele chamou-a de Gaia. Seu nome seria eternizado
e   reconhecido   por   qualquer   ser   vivo,   até   que   o   mundo   se   extinguisse   e   sua   essência
retornasse ao criador.
         Dela   nasceu   Enoa,   senhora      da   Natureza,   chamada     por   eras   pela alcunha   de
Rainha do Mundo. A rainha fora então incumbida de povoar o solo fértil de Gaia com
uma infindável variedade de vida. E ela o fez com maestria.
         Durante eras, relatos das aparições de Enoa circularam o mundo e, segundo os
bardos, alguns lugares sagrados foram tomados como seus refúgios. Sua última morada,
oculta dos olhos mortais, tornou-se cenário de uma tragédia que ficou conhecida pelas
florestas do mundo, cantada pelos ventos e comentada pelas árvores.
         Eles contavam a vergonhosa história que levou a rainha a se afastar, um relato as
inúmeras raças da floresta desejam esquecer. Mas nossos erros teimam em abandonar a
memória e permanecem a nossa volta, ecoando em nossos ouvidos para nos lembrar da
época em que esquecemos nosso lugar...



         Lumnia vivia na gruta de Enoa, um belo lugar oculto pelas águas da cascata de
Faura   e   cercado   por   árvores   centenárias.   Fora   guardiã   daquele   lugar,   considerado   o
refúgio da deusa Enoa, por mais tempo que um elfo pudesse contar. Mesmo sendo desta
raça, sua vida havia sido prolongada por uma benção da Rainha do Mundo, a quem a
guardiã dedicara sua longa existência.
         Servia     como     porta-voz     da   própria   deusa,    sendo    reconhecida      como     sua
sacerdotisa mais abençoada. Era amada e respeitada pelos guardiões da floresta, e estes
sentimentos       eram    recíprocos,    pois   Lumnia     os   tinha   como     sua   família.   Eles    a
consideravam        como     sagrada    e  intocável,    assim    como     as  gerações     antes   deles.
Protegiam-na do mundo e dos olhos impuros e a veneravam como a própria deusa.
         Com o passar do tempo seu interesse pelo exterior se esvaeceu. Suas aparições
através da cortina de águas de Faura tornaram-se raras, limitando-se a ocorrer somente
quando Enoa enviava seus ensinamentos, algo que poderia levar meses, ou décadas.
         Esta   era   sua   vida.   Uma   rotina   de   contemplação   e   servidão   que   Lumnia   levou
através   dos   séculos,   ultrapassando   milênios,   até   o   dia   em   que   se  deparou   com   um
Felinrio.
         Rongara      era  um    jovem    que   vivia   em   meio    às  muitas    raças  de   seres   que
veneravam Enoa. Diferente dos Satagaronatos, uma espécie de toupeiras bípedes que se
reproduziam de maneira incontrolável, ele pertencia a uma raça condenada à extinção
desde o momento de seu nascimento, quando sua mãe faleceu, deixando-o a sós com
seu pai. Os dois últimos da espécie.
         Era   uma   raça   de   seres   belos,   ágeis   e   inteligentes   que,   diziam,   foram   os   mais
numerosos   do   continente.   Humanóides   com   fortes   traços   felinos,   de   pelugem   macia
cobrindo   o   corpo,   e   patas   traseiras poderosas   que   podiam   impulsioná-los  em   corridas
alucinantes.      O   rosto   assemelhava-se       ao   de   gatos    jovens,    com    focinho     pouco
desenvolvido.       Seus   olhos,   redondos     e  riscados,    traziam    sua   maior   característica:
Melancolia. Um sentimento trazido de geração a geração, lapidado em suas almas pela
tristeza.
      
Conto de Leandro Reis "Radrack". leia na íntegra em http://www.grinmelken.com.br/docs/Conto_AGrutadeEnoa.pdf


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