rpgvale
1599924783602205
Loading...

Ecos de Segredos Esquecidos - Part I

Robarff aguardava para explicar mais uma vez a seu superior que os camponeses novamente tentavam difamar sua imagem. Como das outras vezes, ...

Robarff aguardava para explicar mais uma vez a seu superior que os camponeses novamente tentavam difamar sua imagem. Como das outras vezes, já tinha sua resposta na ponta da língua. Há um ano ele matara um camponês quando este reagiu a um tratamento mais hostil, desde então, esses pobres homens parecem ter unido forças para difamar a imagem de alguém que só quer a prosperidade do reino e vida longa ao rei.
Se dependesse de sua vontade, porém, os camponeses seriam postos a ferro e obrigados a trabalhar em benefício de pessoas como ele. Deliciava-se ao imaginar-se no comando de cem escravos. Os faria o temer como a um deus.

Uma porta abriu-se e um soldado convidou-o a segui-lo. O caminho, porém, diferente do de costume, levou-o diretamente para o lugar onde menos desejava estar. O suor preencheu seu rosto ao ver o salão real de portas abertas.
Sentado no trono, o glorioso rei Kalindorn o aguardava. Seu rosto demonstrava uma frieza sem igual, marca da tragédia que lhe tirou a esposa e o filho. A sua esquerda, um menestrel de vestimentas baratas o fitava com leve sorriso nos lábios. Robarff se lembrava daquele bardo, ele o estava seguindo alguns dias atrás. Havia também os membros da guarda real e, ainda, o famoso Arthur Vanderstar, um guerreiro capaz de derrotar qualquer criatura que ousasse desafiá-lo.
A simples presença daqueles homens o sufocava, pois seu corpo nunca fora bem constituído e a perícia com a espada jamais fora uma qualidade enquanto um simples soco, daqueles que protegiam o rei, poderia levá-lo ao túmulo.
Após alguns segundos de silêncio o arauto do rei, escondido por sua baixa estatura, começou a discursar:


- Este é Robarff, meu senhor, o homem que matou um camponês em legítima defesa e que agora tem dificuldades em cobrar os impostos e até mesmo em patrulhar algumas áreas da capital. O povo chega ao extremo de atacá-lo em algumas ocasiões, como o que aconteceu na manhã de hoje. Esse soldado revidou tal agressão utilizando sua espada contra um homem desarmado. Seu golpe cegou o camponês, muitos se revoltaram e, quando os soldados tentaram protegê-lo, houve rebelião.
- Investigando a causa da agressão dessa manhã, descobrimos que Robarff havia matado o cachorro do filho do agressor. No mais, devo ressaltar que o uso da espada foi desnecessário.

O rei examinou o soldado franzino com seus experientes olhos. Jamais o havia visto antes, mas poderia descrever exatamente como aquele soldado franzino levava sua vida. Pronunciou-se, com voz imponente, dirigindo-se a ele:

- Defenda-se!

O comando do homem mais poderoso do reino caiu sobre Robarff como um relâmpago, fazendo seu peito arfar e sua voz falhar... O jovem guarda não teve coragem de mentir, não conseguia fitar seu soberano e o medo lhe impedia sequer de manter uma postura digna. Simplesmente baixou a cabeça e encarou os próprios pés, sabia de sua culpa, todas elas. O rei continuou:

- Já vi pessoas como ti, Robarff. Covardes... Já cruzei com muitos deles... Seres fracos de espírito que se escondem atrás de amigos com força ou poder para resguardar seus desejos sombrios. Reconheço alguém que já fez o mal e digo: tu és culpado pelo que é exposto hoje e provavelmente por algo mais. Se não fosses menos que um verme rastejando para sobreviver às margens da carniça, eu o condenaria à masmorra. Porém, não representarias mal a uma criança, não fosse por ter às costas minha guarda, mantida com o dinheiro de meus súditos. Dou-lhe como sentença o exílio e tudo o que possui será dado ao povo. Desapareça e tente aprender algo no resto de tua vida inútil e sem sentido.
Contos 4471959791330064251

Postar um comentário

Página inicial item

Entre pra Guilda

Mais lidos da semana

Receba nossos corvos